A instituição na qual se situa a divisão que nos serviu de campo para o estudo de caso em pauta possui naturezas financeira e privada, configurando-se modalmente como uma sociedade por quotas limitada.
É eminentemente do ramo de serviços financeiros, com ênfase na concessão de empréstimos e financiamentos em geral, integrando-se ao Sistema Financeiro Nacional – SFN e subordinando-se, em conseqüência, às normas e orientações do Conselho Monetário Nacional – CMN e à fiscalização do Banco Central do Brasil - Bacen, em conformidade com o que dispõe a Lei de número 4595, de 31 de dezembro de 1964, e alterações posteriores.
Quanto à sua abrangência territorial, ressaltemos que a instituição atua em todo o território nacional, com pontos de representação em diversas localidades do País. No momento em que a pesquisa se findou, continuava composta por um montante de aproximadamente mil funcionários, os quais estavam subdivididos entre diretoria, com cinco membros integrantes, e nove departamentos (financeiro, de contabilidade, de administração e gestão de pessoal, jurídico, de informática, de empréstimos e financiamentos, de planejamento, de auditoria e de coordenação regional) operados por dezenove divisões, sendo estas últimas ramificadas em setores e áreas diversas.
A divisão estudada é responsável pelo gerenciamento, promoção e comercialização de um dos serviços da instituição, estando, para tanto, subdivida em dois setores e três áreas. Nos parágrafos subseqüentes apresentaremos, por intermédio dos pseudônimos que adotamos e utilizaremos no decorrer do capítulo, os principais protagonistas das situações de assédio moral no trabalho constatadas que compõem os referidos setores e áreas, sempre tendo como data de referência o mês de abril de 2006.
Um dos setores é chefiado por Gregory e se subdivide em duas áreas, cada qual chefiada por um encarregado de área, sendo uma destas de responsabilidade de Eloy que, por sua vez, chefiava, há aproximadamente meio ano, Derick, agente administrativo.
No outro setor, chefiado por Jennyffer, está lotado o agente administrativo Ronny e, há aproximados dois anos e meio, esteve lotada também Vickie, igualmente na posição de agente administrativo subordinada à Jennyffer.
Fanny, agente administrativa, já esteve lotada no setor chefiado por Jennyffer, em um espaço temporal que ocasionou que a mesma chegasse a trabalhar diretamente tanto com Vickie quanto com Ronny. Há aproximadamente um ano e meio, a mesma trabalha na área chefiada por Eloy.
Já quanto ao observador participante da pesquisa, o mesmo trabalhou durante dois anos na área de Eloy e, há aproximadamente um ano, trabalha na área subordinada ao setor de responsabilidade de Jennyffer.
Para melhor caracterizar a atual estrutura da divisão, apresentamos a seguir um esboço de seu organograma, explicitando os protagonistas e respectivos cargos:
Figura
Esboço do Organograma da Divisão Estudada*
Encarregado de Área 3 Agentes Administrativos, sendo um deles o Derick Chefe de Divisão Chefe de Setor (Jennyffer) Chefe de Setor (Gregory) Assistente de Chefia (Vickie) Encarregado de Área (Eloy) 3 Agentes Administrativos, sendo uma delas
a Fanny Encarregado de Área (Observador) 2 Agentes Administrativos, sendo um deles o Ronny
* Data de Referência: Mês de Abril de 2006
Apresentada a disposição hierárquica dos principais protagonistas, esclareçamos agora o enquadramento de cada um no contexto de assédio moral no trabalho identificado, incluindo o posicionamento do observador participante em diferentes momentos da pesquisa. Para tanto, apresentamos seus ‘papéis’ na tabela abaixo e, na seqüência, alguns dados sociodemográficos que julgamos pertinente explicitar.
Tabela 1
Posição dos Protagonistas das Situações de Assédio Moral no Trabalho
Assediador Assediado(s) Testemunha(s)
Fanny Derick Gregory Eloy Observador Participante Vickie Fanny Ronny Observador Participante Jennyffer Vickie Fanny Observador Participante Eloy Derick Fanny
Quanto aos dados sociodemográficos dos participantes (que também tiveram o mês de abril de 2006 como referência), destacamos:
9 Assediado A (Ronny) – Gênero masculino; 37 anos de idade; trabalhando na instituição há aproximadamente 2 anos e meio, desde o início na área estudada; 9 Assediado B (Eloy) - Gênero masculino; 34 anos de idade; trabalhando na
instituição há aproximadamente 10 anos, sendo os últimos 4 anos na área estudada;
9 Assediado C (Derick) - Gênero masculino; 23 anos de idade; trabalhando na instituição há aproximadamente 1 ano e meio, desde o início na área estudada; 9 Assediado D (Vickie) - Gênero feminino; 48 anos de idade; trabalhando na
instituição há aproximados 4 anos, desde o início na área estudada;
9 Testemunha A (Fanny) - Gênero feminino; 27 anos de idade; trabalhando na instituição há aproximados 3 anos, desde o início na área estudada;
9 Testemunha B - Vítima C (Derick); 9 Testemunha C - Vítima D (Vickie).
De maneira a completarmos este quadro de protagonistas, embora evidentemente não os enquadremos todos como ‘participantes’, excetuando-se somente aquele que participou na posição de vítima de outro assediador (Eloy), julgamos importante apresentar alguns dos dados sociodemográficos dos assediadores, bem como os pseudônimos que adotamos para identificá-los no transcorrer do trabalho:
9 Assediador A (Gregory) - Gênero masculino; 48 anos de idade; trabalhando na instituição há aproximados 18 anos, sendo os últimos 4 anos e meio na área estudada;
9 Assediadora B (Jennyffer) - Gênero feminino; 38 anos de idade; trabalhando na instituição há aproximados 15 anos, sendo os últimos 4 anos e meio na área estudada;
9 Assediador C - assediado B (Eloy).
Ainda no tocante aos protagonistas, mencionemos que, na posição de observador participante e, portanto, também de testemunha ocular, chegamos de fato no transcorrer da pesquisa à conclusão de que duas situações de assédio moral no trabalho haviam se configurado e permaneciam em curso (Gregory assediando Eloy e Jennyffer assediando Ronny), bem como que uma terceira havia ocorrido e perdurado aproximadamente um ano (Eloy havia assediado Derick). Quanto à quarta situação de assédio moral no trabalho levantada (Jennyffer como assediadora de Vickie), não tivemos em verdade a ‘oportunidade’ de testemunhar ocularmente, mesmo porque a mesma se deu em período anterior ao início da pesquisa. Entretanto, em face do relato emocionado que obtivemos de uma das entrevistadas (Vickie), convocada a participar num primeiro momento exclusivamente na posição espectadora dos atentados infligidos pela Jennyffer contra o Ronny, bem como em razão de algumas ‘pistas’ que, de fato, nos apontavam para a possibilidade da mesma ter sido realmente mais uma vítima da assediadora mencionada, as quais apresentaremos a seguir, optamos por dar o devido espaço no presente trabalho para o caso relatado pela mesma e complementado por uma de suas testemunhas.
Três evidências reforçaram a possibilidade de autenticidade da denúncia de Vickie: a. A Fanny trabalhou na mesma área neste período e testemunhou que, de fato,
houve situações freqüentes de violência moral infligidas por Jennyffer contra Vickie;
b. O observador participante, que trabalhava na época em uma das áreas do outro setor da mesma divisão, embora não tivesse se apercebido da provável gravidade do ocorrido na ocasião, chegou a ser procurado algumas vezes por Vickie, aparentemente bastante transtornada em razão de um suposto conflito com Jennyffer;
c. Em vista de melhor caracterizar a situação, optamos por telefonar para uma ex- funcionária da instituição, que havia trabalhado em período anterior à Fanny ao
lado de Vickie, a qual, embora não tenha se disposto a um encontro para uma entrevista formal, acabou por confirmar, no transcorrer de uma conversa dirigida com duração aproximada de 30 minutos, grande parte do relatado por Vickie.
3.2. Como se caracterizam as interações socioprofissionais do contexto de