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I kapittel 1, avsnitt 8: ”Kjærlighet en privatsak – Samlivsformer et samfunnsspørsmål”:

In document FRA TABU TIL TAUSHET (sider 163-169)

Om homofili / lesbiske og homofile / homoseksuelle

V: I kapittel 1, avsnitt 8: ”Kjærlighet en privatsak – Samlivsformer et samfunnsspørsmål”:

Comecemos apresentando, mediante tabelas, as categorias temáticas, suas descrições, temas e alguns exemplares de verbalizações, estabelecidas por meio do tratamento dos resultados oriundos das entrevistas (com os assediados e testemunhas) e que subsidiaram a resposta à questão norteadora que configurou o título do presente tópico.

Tabela 2

Categoria Temática 1 – Resultados das Entrevistas com os Assediados

Categoria Temática 1: Caracterização das Interações Socioprofissionais

Descrição: Caracterização que as vítimas de assédio moral no trabalho fazem das ações recíprocas

entre duas ou mais pessoas, que são ‘produzidas’ por e se desenrolam em situações de trabalho que vivenciam cotidianamente, e que podem ser subdivididas em interações hierárquicas, coletivas intra/intergrupos e externas.

Temas Exemplos de Verbalizações

9 Interações Intragrupos

ƒ Eu acho assim... Entre colegas é muito bom. O nosso

tratamento... A nossa convivência é muito boa entre colegas.

(Vickie)

ƒ A questão do relacionamento com seu colega, isso aí é uma coisa

que fundamentalmente traz bem-estar (...). (Ronny)

9 Interações Hierárquicas

ƒ A interação na minha área tá um pouquinho desfalcada porque,

na verdade, a minha chefe não tem muito perfil pra liderar (...) então a interação é um pouquinho complicada. (Derick)

ƒ A nossa convivência é muito boa entre colegas ... Agora entre

chefias... O negócio já muda muito, né? Acho que já muda bastante. (Vickie)

Tabela 3

Categoria Temática 1 – Resultados das Entrevistas com as Testemunhas

Categoria Temática 1: Caracterização das Interações Socioprofissionais

Descrição: Caracterização que as testemunhas das situações de assédio moral no trabalho fazem

das ações recíprocas entre duas ou mais pessoas, que são ‘produzidas’ por e se desenrolam em situações de trabalho que vivenciam cotidianamente, e que podem ser subdivididas em interações hierárquicas, coletivas intra/intergrupos e externas.

Temas Exemplos de Verbalizações

9 Interações Intragrupos

ƒ Eu acho que a relação aqui entre colegas é muito bacana...

É saudável. (...) Acho que todo mundo se gosta. (Fanny)

ƒ Em relação aos colegas, eu acho que a gente é bem

interado. (Derick)

9 Interações Hierárquicas

ƒ As interações com chefes? Muito ruim, muito ruim, muito

ruim mesmo! (...) Você vê... A convivência do Gregory e da Jennyffer com os funcionários é péssima! Mesmo a da chefona aqui dentro também não é lá essas coisas não...

(Vickie)

ƒ As interações no nosso departamento, acho que é um

problema só de chefe. (Fanny)

Todos os participantes entrevistados classificaram as interações com chefias, fossem estas imediatas ou superiores - o que traduz a totalidade das denominadas por Ferreira & Mendes (2003) interações hierárquicas, como ‘pouco adequadas’, sendo que seus julgamentos caracterizaram-se por adjetivações como ‘ruins’, ‘péssimas’, ‘desfalcadas’, ‘complicadas’ e ‘problemáticas’, conforme algumas das verbalizações transcritas podem ilustrar:

As interações com chefes? Muito ruim, muito ruim, muito ruim mesmo! (...) Você vê... A convivência do Gregory e da Jennyffer com os funcionários é péssima! Mesmo a da chefona aqui dentro também não é lá essas coisas não... (Vickie) As interações no nosso departamento, acho que é um problema só de chefe

(Fanny)

A interação na minha área tá um pouquinho desfalcada porque, na verdade, a minha chefe não tem muito perfil pra liderar (...) então a interação é um pouquinho complicada. (Derick)

Tais ‘leituras’ se davam, dentre outras possíveis razões, em função da postura rigorosa de comando e exigência de submissão impostas pelos superiores hierárquicos, fato este que, aliás, considerando algumas ‘denúncias’ ocorridas em reuniões com outras áreas e também registradas por membros da Comissão interna de Prevenção de Acidentes –

Cipa, parecia-nos reflexo da cultura da instituição e, de um ponto de vista mais amplo, da lógica socioeconômica vigente. Justifiquemos tal interpretação pelo fato dos referidos superiores hierárquicos pautarem suas posturas perante os subordinados, muitas vezes abusivas, na existência do ‘grande exército de reserva’ (Marx, 1890/2003) e, conseqüentemente, no ‘desemprego estrutural’, sendo que recorrentemente faziam menção a tais fatos, ameaçando de maneira direta ou indireta os subordinados à exclusão. Ilustremos tal interpretação, respectivamente, com a fala de um dos assediados entrevistados e com uma das verbalizações de Jennyffer registrada em nosso diário de campo:

Na hora que um chefe tem que se posicionar para poder orientar, ele orienta como uma forma assim... De escravidão, bem do tipo da Jennyffer, que você também conhece - “Você tem que fazer, você vai fazer, pois se você não fizer, facilmente vamos lhe substituir por outra pessoa que vai fazer... E vai fazer melhor que você” (...). (Ronny)

Eu não consigo entender o que está havendo. Você tem que aumentar o seu ritmo, tem que dar conta! Está sendo pago para que, afinal? E se não quiser, fique sabendo que tem muita gente lá fora querendo o seu lugar... (Jennyffer)

Como forma de corroboração do discutido acima acerca da avaliação que os participantes fazem das interações hierárquicas e de introduzir uma discussão acerca da avaliação de grande parte dos mesmos em relação às interações intragrupos, podemos mencionar, ainda, um ‘convite’ de Eloy, registrado em nosso diário de campo, dirigido a todos os colegas12 da divisão por ocasião de uma reunião em outra cidade que ocasionou a ausência dos dois chefes de setor e da responsável pela divisão:

Pessoal, o que vocês acham de amanhã, lá pelas duas horas da tarde, quando todos os chefões aqui de dentro já tiverem viajado, fazermos uma reuniãozinha só nossa, com aquele clima gostoso que só existe entre a gente? Podemos pedir umas pizzas e almoçar todos juntos, sem nenhum dos chefes para nos atormentar.

(Eloy)

Tal como o Eloy, os demais participantes evidenciaram, não somente por palavras mas também por atitudes, que, no geral, avaliavam ‘positivamente’ as interações entre colegas:

A questão do relacionamento com seu colega, isso aí é uma coisa que fundamentalmente traz bem-estar (...). (Ronny)

12

Embora evidentemente exista uma diferenciação de ‘nível hierárquico’ entre o agente administrativo e o encarregado de área, constatou-se que os três encarregados eram ‘tidos como iguais’ por praticamente todos os agentes administrativos da divisão, ou seja, eram enquadrados por estes como ‘colegas’ e, portanto, estavam a ser enquadrados pelos participantes como sujeitos das interações intragrupos.

Eu acho que a relação aqui entre colegas é muito bacana, é saudável. Tirando esses problemas com os chefes, acho que a relação aqui é verdadeira... Acho que todo mundo se gosta. (Fanny)

Entre colegas a gente tem um ambiente legal, sabe... Por que? Porque você tem negócio de uma festinha, de uma reunião, de uma amizade, de uma brincadeira, isso também gera bem-estar, entendeu? (Eloy)

Eu acho assim... Entre colegas é muito bom. O nosso tratamento... A nossa convivência é muito boa entre colegas. (Vickie)

Em relação aos colegas, eu acho que a gente é bem interado... (Derick)

Cremos poder, em função de tais declarações aliadas à ‘vivência interacional’ que estabelecemos com todos os participantes em questão, sustentar que as interações intragrupos não somente eram de fato ‘boas’, ‘legais’ ‘saudáveis’ e ‘verdadeiras’, como pareceram ter servido, em muitas ocasiões, como uma espécie de ‘amparo’ àqueles que sofriam situações de assédio moral no trabalho. Tal como os resultados das pesquisas realizadas por Ferreira & Mendes (2003) e Aragão (2004), no contexto de auditoria-fiscal da previdência social brasileira, as interações intragrupos parecem, no caso estudado, representar um ‘suporte socio-afetivo’ importante para a manutenção da saúde dos trabalhadores, em especial daqueles que haviam se tornado alvos de violência moral.

Podemos justificar as leituras expostas no parágrafo precedente não somente por meio das falas dos assediados, mas também referindo-nos a pelo menos dois fatos por nós constatados: (a) embora tenham sido bastante raras as ocasiões de intervirem em defesa dos assediados no transcurso de uma situação de assédio moral no trabalho, usualmente os espectadores omitiam-se de participar; (b) os espectadores demonstravam-se, em grande maioria, em diferentes momentos nos quais os assediadores não estavam presentes, compadecidos com a situação dos assediados, chegando diversas vezes a declarar abertamente que não concordavam com aquelas práticas, que as consideravam injustas e, em complemento, acabavam por expressar ‘maus juízos’ acerca dos assediadores. Tal caso singular, distanciando-se do comumente retratado na literatura - no geral, a vítima de assédio moral no trabalho se encontra só e, ainda pior, tende a passar a ser assediada por uma mob (Hirigoyen, 1998/2003; Piñuel y Zabala, 2001/2003; Abajo-Olivares, 2004), nos permite enquadrar grande parte dos espectadores envolvidos como, na expressão de Guedes (2003), ‘conformistas passivos’ que, embora não intervenham por diferentes razões, não participam e discordam das agressões.

Finalizemos o presente tópico esclarecendo que, em relação às interações externas e intergrupos (Ferreira & Mendes, 2003), nenhum dos participantes posicionou-se ‘positiva’

ou ‘negativamente’, fosse no decorrer das entrevistas ou no cotidiano de trabalho transcorrido durante o período em que realizávamos a pesquisa, não obstante, conforme retrataremos no próximo tópico, tenham ocorrido algumas situações ocasionais nas quais configuraram-se ‘contatos contaminadores’ (Goffman citado por Barreto, 2003) e, por conseqüência, ‘participações induzidas’, tanto de membros de outras divisões da instituição quanto de usuários dos serviços da mesma, nas freqüentes ‘zombarias’ empregadas por dois dos assediadores contra as suas vítimas.

3.3. Quais são as principais práticas que configuram assédio moral no trabalho no

In document FRA TABU TIL TAUSHET (sider 163-169)