4.9 S PRÅKLIGE VARIABLER
4.9.1 Variabel 1: Sj-/kj-sammenfall
Para avaliarmos, num primeiro momento, o material informativo emitido pelo “Jornal 2” consideramos duas variáveis de análise: o GÉNERO JORNALÍSTICO e a CATEGORIA TEMÁTICA.
GÉNERO JORNALÍSTICO
Reconhecendo a linha muitas vezes ténue que separa uma peça de uma reportagem, optamos por considerar apenas o género Peça. Foram, também, incluídos nesta variável as modalidades Boca, Off, Off+Peça, Off+Boca, Direto e, por último, Infográfico (um estilo em crescendo nos programas informativos). Foram também considerados quantitativamente as Entrevistas/ Comentários a solo e as Entrevistas / Comentários com 2 ou mais convidados – embora, para efeitos de análise, estes espaços tenham sido remetidos para uma segunda parte deste estudo.
CATEGORIA TEMÁTICA
Para enquadrarmos as peças jornalísticas que compõem o alinhamento do “Jornal 2”, idealizamos as categorias temáticas presentes na Tabela 1, que foram estruturadas em Política, Economia, Finanças, Justiça, Sociedade, Cultura, Desporto, Media, Investigação/Ciência e Tecnologia e Outros, cuja pormenorização (distintamente construída para os Planos Nacional e Internacional) pode ser consultada no Anexo I.
Há acontecimentos que, dada a sua natureza, facilmente poderiam ser enquadrados em várias categorias. A Política e a Economia são um exemplo claro disso, já que se cruzam sistematicamente com diversos eixos da sociedade. Tomemos como exemplo as peças noticiosas referentes à discussão do “caso Tecnoforma” no Parlamento. Deverá este acontecimento ser enquadrado em ‘Justiça – Processos/Julgamentos”? Ou pertencerá à categoria “Política – Estado”, já que acontece na Assembleia da República e envolve as principais figuras políticas nacionais? Uma vez que a discussão em questão resultou do Debate Quinzenal do Parlamento, optamos por considera-la como “Política – Estado”. Acontecimentos como estes repetiram-se ao longo da nossa análise e, por essa razão, nos casos que geraram um maior conflito, tivemos em conta os principais atores do acontecimento noticioso e a forma como a própria temática foi abordada na peça.
PLANO NACIONAL PLANO INTERNACIONAL PO LÍ TI CA ESTADO / GOVERNO INSTITUIÇÕES INTERNACIONAIS CONFRONTOS ARMADOS QUESTÕES INTERNAS PAÍSES
PO LÍTI CA DIPLOMACIA ASSUNTOS MILITARES PARTIDOS AUTARQUIAS ECONOMIA ECONOMIA FINANÇAS FINANÇAS JU STI Ç
A CRIME / CASOS DE POLÍCIA
JUSTIÇA JULGAMENTOS / PROCESSOS TRIBUNAIS SO C IED AD E PROBLEMAS SOCIAIS AMBIENTE RELIGIÃO SAÚDE PROTESTOS / MANIFESTAÇÕES METEOROLOGIA SO C IED AD E AMBIENTE CONSTRUÇÕES EDUCAÇÃO RELIGIÃO SAÚDE SINDICATOS / ASSOC. PROF. GREVES / PROTESTOS EMPREGO / DESEMPREGO ACIDENTES / MORTES TRÂNSITO AVIAÇÃO MIGRAÇÃO METEOROLOGIA CUL TURA ARTES CULTURA FESTIVIDADES / SOLENIDADES LÍNGUA / LITERATURA ESPETÁCULO PATRIMÓNIO / HISTÓRIA GASTRONOMIA DES FUTEBOL DESPORTO OUTRAS MODALIDADES MEDIA MEDIA
INVESTIGAÇÃO / CIÊNCIA E TEC. INVESTIGAÇÃO / CIÊNCIA E TEC.
OUTROS OUTROS
Tabela 1 - Categorização temática adotada
Um segundo momento da nossa análise concentrou-se no estudo dos espaços de Entrevista/Comentário através de uma detalhada análise dos 250 convidados recebidos pelo bloco informativo da RTP 2. Para tal, foram criadas 7 variáveis que explicamos de seguida. São elas: LIGAÇÃO AO NOTICIÁRIO, PRESENÇA, TEMPO, CATEGORIA TEMÁTICA, SEXO, GEOGRAFIA e ESTATUTO.
LIGAÇÃO AO NOTICIÁRIO
Procurou-se, neste ponto, avaliar a existência de nomes com estreita ligação ao noticiário e o seu peso no painel geral analisado. Os 250 convidados analisados foram enquadrados em: Comentador “Jornal 2” (referência esta dada pelo próprio bloco informativo) e Convidado ocasional.
PRESENÇA
A distância física há muito que deixou de representar um entrave para a presença de alguém num qualquer espaço informativo. Hoje em dia, são cada vez mais espaços de análise e opinião feitos a partir de pontos que não os plateaux televisivos – e o “Jornal 2” não é exceção. Com esta variável quisemos precisamente quantificar estas situações, pelo que criamos dois vetores: Em estúdio e Fora do estúdio.
TEMPO
No sentido de avaliarmos o destaque temporal que, em estúdio ou fora dele, cada convidado recebeu, preferimos enquadrar cada caso em intervalos de tempo por nós definidos, ao invés de quantificar o tempo exato de cada convidado. Assim sendo, foram definidos os seguintes intervalos: menos de 3 minutos, 3 a 5 minutos, 5 a 7 minutos, 7 a 10 minutos e mais de 10 minutos.
Referir que, nas situações em que o mesmo convidado se repetiu duas ou mais vezes durante uma emissão, optamos por considerar o tempo total das suas intervenções, encarando-as como sendo um só espaço de comentário.
CATEGORIA TEMÁTICA
Para o enquadramento temático dos comentários, análises e opiniões dos convidados, consideramos as mesmas categorias e subcategorias utilizadas para a classificação do conteúdo jornalístico (ver Tabela 1 e Anexo 1).
Nas situações em que, num mesmo espaço de comentário, o convidado aborda várias temáticas – por exemplo, “Política Estado” e “Política Autarquias” – apenas contabilizamos para efeitos de análise a temática que mereceu um maior destaque temporal. Esta opção – de considerar a temática abordada durante mais tempo – foi também adotada para os casos em que o convidado interveio várias vezes e sobre temáticas diferentes durante um noticiário.
SEXO
Num trabalho de investigação sobre os convidados dos três canais generalistas (RTP1, SIC E TVI) e dos três canais temáticos de informação nacionais (SIC Notícias, RTP N e TVI 24), Carla Baptista (2011) verificou que o sexo feminino quase não tem lugar nos plateaux televisivos. Esta discriminação de género verificada é transversal aos resultados de diversos estudos já feitos, quer em território nacional quer em países estrangeiros.
Ora, com esta variável, procuramos justamente perceber se, também o “Jornal 2” –em conformidade com os resultados dos vários estudos levados a cabo – dá primazia aos comentários no masculino. Os intervenientes foram, por isso, enquadrados em Masculino e Feminino.
GEOGRAFIA
A constituição do painel de comentadores e analistas dos programas informativos é um tema que, ao longo dos tempos, tem suscitado o interesse académico, nomeadamente no que à proveniência geográfica destes “protagonistas” diz respeito. Cite-se, a este respeito, o trabalho de Lopes e Loureiro (2011:50) que, num trabalho sobre a composição dos estúdios de informação, concluíram que “o lugar onde se constrói a informação tem influência na composição do plateau que debate a atualidade noticiosa”, dando como exemplo o caso do formato “À Noite, as Notícias”, da já extinta RTP N, e cuja produção e emissão se dividia entre as cidades de Lisboa e de Gaia.
Sendo também o “Jornal 2” uma produção própria do centro de produção do Norte da RTP, onde estão instalados a redação e o estúdio, torna-se interessante avaliar a influência desta localização nos convidados recebidos. Verificar-se-á, ainda assim, a predominância de nomes da capital? Ou, por outro lado, o Norte sairá a ganhar? E qual será a representação das restantes regiões do país?
Para isso, foram criadas as seguintes opções: Norte, Centro, Grande Lisboa, Sul, Ilhas, Nacional Global (formulada para algumas entidades de relevo nacional e cuja origem geográfica da residência ou nascimento não se enquadraria no contexto noticioso inserido) e Internacional.
ESTATUTO
A análise do estatuto socioprofissional dos convidados recebidos é talvez dos mais indispensáveis pontos desta investigação. Perceber as profissões daqueles que fazem o comentário em direto, avaliar a proeminência das vozes oficiais e quantificar a presença ou ausência do cidadão comum em estúdio pode remeter-nos para importantes conclusões acerca do serviço público prestado pelo “Jornal 2”. Como tal, foram estabelecidas as seguintes categorias:
• OFICIAIS: Políticos com cargos institucionais; Presidentes/Diretores de instituições públicas; Assessores de instituições públicas.
• PROFISSIONAIS:
o COM CARGO: Administradores-Diretores; Advogados-Juristas; Economistas-Analistas- Fiscalistas; Políticos (estabelecendo a divisão dos partidos com e sem assento parlamentar); Jornalistas; Docentes-Investigadores; Sindicatos-Associações Profissionais; Religiosos; Médicos-Enfermeiros; Desportistas; Agentes da cultura (incluindo músicos, escritores e outros artistas, bem como promotores e organizadores de eventos); Engenheiros; Militares; Outros.
o SEM CARGO: a partir das mesmas categorias acima definidas. • CIDADÃOS: Notáveis e Desconhecidos.
Apesar de aparentemente vasta e complexa, esta classificação trouxe-nos alguns problemas que, após ponderada avaliação, foram solucionados. Citemos, a esse propósito, alguns exemplos. Em estúdio, foram recebidos por João Fernando Ramos vários eurodeputados. Por representarem uma entidade política com funções internacionais, deveríamos encará-las como entidades ‘Oficiais’? Ou, por outro lado, faria sentido incluir tais personalidades nos seus partidos? Optamos pela segunda hipótese, considerando-os como ‘Políticos’ dos partidos que fazem parte. Esta opção foi também adotada para os deputados nacionais e líderes parlamentares. Por sua vez, no estatuto ‘Oficial’ do ramo político (representado pela categoria ‘Políticos com cargos institucionais’) foram apenas incluídas entidades como Ministros, Secretários de Estado, Presidentes e Vice-Presidentes de Câmaras e Vereadores.
Bastonários e outros representantes das Ordens Profissionais, apesar de representaram instituições de relevo público, foram enquadrados na sua respetiva atividade/profissão de base (como médicos, advogados ou engenheiros, por exemplo).
Referir, ainda, que outros profissionais dos media, como apresentadores de televisão ou profissionais da rádio, foram incluídos na categoria ‘Outros’.