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Vanntemperatur og is

In document Norges hydrologiske stasjonsnett (sider 30-33)

6. Generelt og status om de enkelte stasjonstyper 28

6.2 Vanntemperatur og is

A terceira e final dimensão da Avaliatividade é a Graduação, que se refere à medida em que qualquer avaliação é graduada ao longo de uma escala de força ou intensidade de baixo para o alto (por exemplo, como - o amor - adoro; conturbado - com medo - aterrorizado). A Graduação refere-se aos recursos da linguagem, em termos de Martin e Rose (2003, p. 38), aumentando o volume para cima ou para baixo. O enquadre inclui duas categorias principais de graduação: 'foco' e 'força’: ‘foco’ se refere à classificação de significados como mais ou menos precisa ou categórica (isto é, como protótipo de algo é) e ‘força’ refere-se à classificação de significados de baixa a alta intensidade (por exemplo, muito magoada).

Martin e White (2005) exploram o modo como as configurações dos três sub- sistemas de Avaliatividade constroem diferentes posições interpessoais e constroem registros ou 'chaves'. Nessas análises, chamam a atenção para a forma como os mesmos dizeres linguísticos podem, por exemplo, ao mesmo tempo, expressar significados de Atitude e de Graduação; muitas vezes esses elementos podem ser dialogicamente significativos - por exemplo, eles podem ser atribuídos a fontes externas, e, assim, também ser funcionais como recursos de Compromisso.

2.4 A persuasão

Em termos etimológicos, segundo Abreu (2002), argumentar significa ‘vencer junto com o outro’ (com + vencer) e não ‘contra o outro’. Persuadir é saber gerenciar uma relação, é falar à emoção do outro. A origem dessa palavra está ligada à proposição ‘por’ (por meio de) e a ‘Suada’ (deusa romana da persuasão). Significava ‘fazer algo por meio do auxílio divino’. Convencer é construir algo no campo das ideias: quando convencemos alguém, esse alguém passa a pensar como nós, esse alguém realiza algo que desejamos que ele realize.

A esse respeito, Kitis e Milapides (1997) propõem uma distinção envolvendo a persuasão: a convicção e a sedução seriam processos incluídos numa relação de espécie-para-gênero, no hiper-processo da persuasão. Não é preciso dizer que, para persuadir, as reportagens de notícias e comentários sobre assuntos políticos precisam ser mostradas como verdadeiras e plausíveis através da incorporação de feições persuasivas (VAN DIJK, 1988).

A convicção envolve uma lista de passos argumentativos que – espera-se - deverão ser aceitos pelo leitor. Pelo fato de incluir a ativação e a participação do sistema cognitivo, essa recepção constitui-se num processo cognitivo. Mas, frequentemente, a persuasão cerceia a participação cognitiva do leitor no processo de aceitar a perspectiva do autor e, nesses casos, podemos falar de 'sedução' em vez de convicção. Sornig (1988, p.97, apud KITIS e MILAPIDES,1997, p.560) nota que:

“enquanto os mecanismos de convencimento e de convicção trabalham obviamente ao longo de linhas cognitivo- argumentativas, a sedução, em lugar de se apoiar na verdade e/ou na credibilidade dos argumentos, explora a aparência externa e a aparente confiabilidade daquele que persuade".

Pode-se conjecturar, continuam os autores, que os mecanismos de sedução na relação entre o que persuasor e sua 'vítima' ou 'cúmplice' sejam identificáveis tanto no nível do texto quanto no do sub-texto, i.e., não somente no nível do léxico, estruturas e figuras de linguagem como componentes da estrutura local do texto, mas também no nível de sua coerência geral. Os mecanismos de sedução, portanto, podem ser isolados tanto no nível da coesão quanto no da coerência (entendidos

como nível de suposições inferidas ou ativadas para tornar coerente o texto). Em outras palavras, não só estamos lidando com escolhas linguísticas feitas no texto, mas também com um tipo de suposição que apoia aspectos da coerência. O que está implícito em tudo isso é a seleção de um certo estilo. Devemos supor que há algo que não varia: "o significado subjacente ou referência deve ser conservado constante" (VAN DIJK, 1988, p. 73). Van Dijk conclui: "O estilo, assim, parece ser capturado pela conhecida frase "dizer a mesma coisa através de diferentes modos" (ibid.: 73).

Dito isso, torna-se imprescindível examinarmos a noção de "dialogismo", noção que, aliada à importância do contexto, terá papel básico para a minha análise de Um grito parado no ar, como já me referi acima no item sobre dialogismo, e que apresento a seguir.

2.5 O dialogismo e suas ramificações

A noção de dialogismo está ligada ao conceito de enunciado, que possui relações com o contexto e com os sujeitos envolvidos. Para entendermos as relações dialógicas, temos, então, de compreender o que é enunciado na acepção

bakhtiniana.

O enunciado é a real unidade da comunicação discursiva. Diferentemente da oração, que é a unidade da língua, o enunciado é indissociável ao contexto, sendo seu sentido dependente do momento histórico em que foi produzido e do autor que o produziu. Cada enunciado remete a outro(s), formando um “elo na cadeia da comunicação discursiva de um determinado campo” (BAKHTIN, 2003, p. 296). Para Bakhtin (2003), “cada enunciado é pleno de ecos e ressonâncias de outros enunciados com os quais está ligado pela identidade da esfera de comunicação discursiva” (BAKHTIN, 2003, p. 297), ou seja, todo enunciado reclama sentidos já postos em circulação, ao mesmo tempo em que aponta para novas possibilidades de sentido. Embora recupere o já-dito, o enunciado sempre cria algo novo e irreprodutível, já que ele está ligado ao contexto histórico e ao autor que o produziu. Com isto, o seguinte título, publicado no início da ditadura militar de 1964, aciona determinadas regiões de sentido,

fazendo falar, dessa forma, sentidos de perseguição política, de descontentamento com o regime nacional, etc.

Se estes mesmos dizeres estivessem em outro contexto, tratando de um país pobre africano, por exemplo, os sentidos seriam outros, como fuga da fome, dos horrores da guerra civil, entre outros, surgindo, assim, um novo enunciado. Mesmo se for dito na mesma época, mas por sujeitos diferentes, o enunciado não seria igual, pois haveria diferenças entre os instantes, as circunstâncias, as entonações e os sujeitos que a proferiu. Esses dizeres, oriundos de uma notícia do jornal Última

Hora, publicado em abril de 1964, não teriam a mesma carga de sentidos se fossem

ditos por um embaixador a um general, ou de um militante esquerdista para seu grupo. Isso porque o enunciado “sempre cria algo que não existia antes dele, absolutamente novo e singular, e que ainda por cima tem relação com o valor (com a verdade, com a bondade, com a beleza, etc.)” (BAKHTIN, 2003, p. 326).

Dessa forma, nenhum enunciado surge solitário e isolado, mas nasce de outro(s) enunciado(s). E quando dois ou mais enunciados são confrontados em um plano de sentido, resultam em relação dialógica.

Essas relações se estabelecem não apenas entre enunciados inteiros, mas também são possíveis em qualquer parte do enunciado, até mesmo em uma palavra, desde que nela se possa ouvir a voz do outro. Igualmente possíveis são as relações dialógicas entre estilos de linguagem, dialetos, entre outros, desde que entendidos como determinadas posições semânticas (MIOTELLO, 2002).

Com isso, o dialogismo pode ser concebido como constitutivo da linguagem, dado que todo dizer possui relações com outros dizeres, resgatando os já ditos e, ao mesmo tempo, embasando o que ainda está por ser dito. Bakhtin afirma que ao “se constituir na atmosfera do ‘já dito’, o discurso é orientado ao mesmo tempo para o discurso-resposta que ainda não foi dito, discurso, porém, que foi solicitado a surgir e que já era esperado. Assim, é todo diálogo vivo” (BAKHTIN, 2002, p. 89).

Dessa forma, no mesmo instante em que constitui o dizer, o caráter dialógico do discurso provoca uma compreensão ativa e responsiva do interlocutor. Aqui, Bakhtin rompe com o conceito de comunicação de apenas uma via de direção, baseado em um emissor (um jornalista, por exemplo) que transmite uma mensagem

(notícia) ao receptor através de um código linguístico (texto verbal e não-verbal), o que torna o interlocutor (o leitor) um sujeito passivo no processo comunicacional.

Com isto, vimos que o dialogismo envolve, além do caráter constitutivo da linguagem, a compreensão ativa, que aciona os signos do interlocutor que vão ao encontro aos signos do locutor, instigando uma atitude responsiva (de resposta e responsável por seus dizeres) de ambas as partes. Ao produzir um enunciado visando a uma resposta, uma réplica, o locutor constrói uma imagem de seu interlocutor, moldando seu dizer conforme a ideia que o primeiro tem em relação ao segundo. O locutor, ao prever e antecipar a resposta do Outro, permite que o enunciado receba influências, modelando a forma do enunciado de acordo com seu interlocutor. Sobre isso, Bakhtin discorre que, ao

[...] construir o meu enunciado, procuro defini-lo de maneira ativa; por outro lado, procuro antecipá-lo, e essa resposta antecipável exerce, por sua vez, uma ativa influência sobre o meu enunciado (dou resposta pronta às objeções que prevejo, apelo para toda sorte de subterfúgios, etc.) (BAKHTIN, 2003, p. 302).

Portanto, o enunciado é orientado por uma suposta reação do destinatário, contendo comentários e réplicas conforme a imagem que o locutor tem da resposta de seu interlocutor. Além desse destinatário, entretanto, há uma terceira pessoa, um

supradestinatário superior, “a pessoa a quem estão sendo transmitidas as

enunciações citadas” (BAKHTIN, 2006, p. 149), ou mesmo aquele destinatário que se encontra afastado no tempo e no espaço de produção do enunciado.

Trago a seguir a noção de "ambiguidade estratégica", que contribui para entender a construção da alegoria que relaciona as situações de Um grito parado no

2.6 A ambiguidade estratégica

Flottum (2010) afirma que a polifonia4 é uma abordagem útil no sentido de que ela revela tipos diferentes de interação camuflada e assim expõe mensagens implícitas e obscuras. A autora apresenta uma seleção de traços linguísticos que indicam a presença de vozes diferentes em textos formalmente monológicos. A análise ajuda a identificar a natureza da obscuridade no discurso e tornar explícita a complexa relação entre texto e contexto. O uso da língua é constitutiva na maneira como modela identidades, coletividades e instituições.

A autora fala de 'obscuridade criativa', que poderia, segundo ela, ser caracterizado como 'ambiguidade estratégica' (EISENBERG, 1984; LEITCH; DAVENPORT, 2007). De quem são as vozes incluídas numa expressão coletiva? Leitch e Davenport (2007) afirmam que, de acordo com Eisenberg (1984, p.230), 'há muitas situações nas quais a comunicação ambígua pode ser mais útil do que a comunicação explícita. Eisenberg usa o termo 'ambiguidade estratégica' para caracterizar situações nas quais a língua é 'intencionalmente expressa de maneira ambígua para exercer certas metas organizacionais' (LEITCH; DAVENPORT, 2007, p. 44). Contudo, a ambiguidade estratégica ou obscuridade pode ser considerada como uma estratégia discursiva geral, que van Dijk (1997) define como um modo de atingir metas através do discurso. A obscuridade permite que metas e interpretações diferentes e divergentes possam coexistir.

Segundo Eisenberg (1984), a ambiguidade estratégica pode promover a 'diversidade unificada' (LEITCH; DAVENPORT, 2007, p. 44). Assim, há um elo evidente entre a noção de ambiguidade estratégica e de polifonia linguística, em fenômenos representados nos textos. Com o emprego de diferentes expressões linguísticas, o falante pode apresentar diferentes vozes, ou explicitamente marcadas como sendo distinta de outras, ou ambiguamente tecidas entre si.

A presença de 'múltiplos pontos de vista' é típico de discurso político. Isso pode ser feito dando lugar a outras vozes, com atribuição explícita a fontes distintas

4

O dialogismo não deve ser confundido com polifonia, porque aquele é o princípio dialógico constitutivo da linguagem e esta se caracteriza por vozes polêmicas em um discurso. Há gêneros dialógicos monofônicos (uma voz que domina as outras vozes) e gêneros dialógicos polifônicos (vozes polêmicas). Segundo Brait (2000), o texto irônico é sempre polifônico, mas um artigo de opinião não é polifônico porque há uma voz dominante, não há polêmica. O gênero romance, para Bakhtin (apud BRAIT, 2000), apresenta diferentes vozes sociais que se defrontam, se entrechocam, manifestando diferentes pontos de vista sociais sobre um dado objeto; portanto, é gênero polifônico por natureza.

ou confusas, ou com indicação implícita por meio de sinais específicos, sem nenhuma clareza quanto à atribuição de fonte. A polifonia explícita é em geral realizada por meio de discurso relatado; o método implícito de dar lugar a outras vozes envolve frequentemente o uso de vários marcadores linguísticos (FLOTTUM, 2010), tais como partículas negativas, conectivos diversos, advérbios epistêmicos, etc. Essas vozes podem ser rejeitadas ou aceitas de vários modos, e elas são usadas em um conjunto complexo de estratégias de controvérsia e estratégias de persuasão, com elementos claros de ambiguidade estratégica e orientação de consenso.

Em qualquer texto, haverá traços explícitos ou implícitos de diferentes vozes. O que não é diretamente expresso no texto, embora implicitamente presente por meio de diferentes marcadores linguísticos, é importante para a interpretação do texto como um todo. A identificação desses marcadores pode também tornar o analista sensível a fatores contextuais relevantes, e assim ser um bom ponto inicial para uma análise sócio-política mais ampla de um texto. A abordagem polifônica pode revelar algumas das interações sutis que acontecem por meio de vozes e argumentos implícitos. De fato, o conceito de vozes constitui um ponto de convergência metodológica, e é um instrumento analítico útil para captar a natureza dialógica da linguagem.

Elementos de diferentes níveis da descrição linguística contribuem para a estrutura polifônica de um enunciado: pronomes, conectivos, orações adverbiais, negação, pressuposição, estrutura informacional, discurso relatado e outros. Quando a estrutura polifônica é identificada no nível micro-linguístico abstrato, ele dá instruções referentes a possíveis interpretações do enunciado relacionado ao contexto discursivo, o que permite falar em diferentes configurações polifônicas. A identificação de configurações polifônicas corresponde ao nível analítico no qual a análise abstrata se relaciona com o mundo real e o contexto extra-linguístico; este é o nível de análise em que o analista verifica as possibilidades de ligar a voz abstrata atestada linguisticamente à pessoa ou ao grupo de pessoas reais.

O estudo das expressões polifônicas e a configuração criada por essas expressões contribui para a identificação do 'self' visível e um ou mais 'outros' visíveis do texto. Ele ajuda a esclarecer as complexas sequências multi-vozeadas com posições explícitas ou implícitas, o eu e os outros, manifestadas explicitamente

na presença dos indivíduos citados ou nomeados ou implicitamente com marcadores polifônicos linguísticos como a negação, orações adverbiais e conectivos.

Dito isso, posso agora tratar da Linguística Crítica (FOWLER, 1991) já que esse tipo de análise, que

está interessada no questionamento das relações entre signo, significado e o contexto sócio-histórico que governam a estrutura semiótica do discurso, usando um tipo de análise linguística. Ela procura, estudando detalhes da estrutura linguística à luz da situação social e histórica de um texto, trazer, para o nível da consciência, os padrões de crenças e valores codificados na língua – que estão subjacentes à notícia e que são invisíveis para quem aceita o discurso como algo “natural” (FOWLER, 1991, p. 67).

2.7 A Linguística Crítica

A tentativa de Fairclough (1992) de reunir a análise linguística e a teoria social está centrada numa combinação desse sentido mais socioteórico de 'discurso' com o sentido de 'texto e interação' na análise de discurso orientada linguisticamente. Esse conceito de discurso e análise do discurso é tridimensional, ou seja, qualquer 'evento' discursivo é considerado simultaneamente como um texto, um exemplo de prática discursiva e um exemplo de prática social. A dimensão do 'texto' cuida da análise linguística de textos; a dimensão da 'prática discursiva', como 'interação', na

concepção 'texto e interação' de discurso, especifica a natureza dos processos de produção e interpretação textual; a dimensão de 'prática social' cuida de questões de interesse na análise social.

Para que um método e uma análise do discurso seja útil teria de preencher algumas condições mínimas, segundo Fairclough. (1) seria necessário um método para análise multidimensional; (2) seria necessário um método de análise multifuncional, tal como a teoria sistêmica da linguagem (HALLIDAY, 1994, 2004)

que considera que os textos simultaneamente representam a realidade, ordenam as relações sociais e estabelecem identidades; (3) seria necessário um método de análise histórica, focalizando a constituição a longo prazo de 'ordens de discurso'

necessário um método crítico. 'Crítico' implica mostrar conexões e causas que estão

ocultas; implica também intervenção - por exemplo, fornecendo recursos por meio da mudança para aqueles que possam encontrar-se em desvantagem.

Segundo Caldas-Coulthard (1996), embora Bakhtin/Voloshinov em publicação de 1994 tenha estabelecido no início do século XX os princípios para uma análise crítica, e Firth (1935) tenha sugerido que a língua é não só um modo de uma pessoa se comportar, mas também de fazer os outros se comportarem, foi somente nos anos oitenta que a orientação crítica começou a se impor.

A abordagem crítica inclui a Linguística Crítica, de Fowler et al. (1979, 1991), o trabalho de Fairclough sobre linguagem e poder (1989, 1992a, 1992b), a abordagem da análise do discurso desenvolvida por Pêcheux (1982), estudos culturais desenvolvidos mais recentemente e os trabalhos sobre linguagem e gênero social (CAMERON, 1985, 1990; CALDAS-COUTHARD e COUTHARD, 1996; entre outros).

A Linguística Crítica, uma das correntes formadoras da Análise Crítica do Discurso, é uma abordagem que foi desenvolvida por um grupo da Universidade de East Anglia, Inglaterra, na década de 1970 (FOWLER et al., 1979; KRESS e HODGE, 1979). Segundo Fairclough (1992a, p. 46): “Eles tentaram casar um método de análise linguística e textual com uma teoria social da linguagem em processos políticos e ideológicos, recorrendo à teoria linguística funcionalista associada a Michael Halliday (1978, 1985) e conhecida como ‘linguística sistêmica’".

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