• No results found

Valorisation of urban organic waste: the case of Oslo

Markus M. Bugge and Arne Martin Fevolden

5.4 Valorisation of urban organic waste: the case of Oslo

quando chegasse, tudo se resolveria [...] e muitas vezes eu complicava mais ainda a situação, então a conversa ia se prolongando, me aborrecia e terminava me afastando da minha família. E hoje parei com isso graças à ajuda que recebo na Terapia Comunitária. Tudo que acontece na vida dos meus filhos e da minha família, como sou a filha mais velha de onze irmãos, elas acham que tenho que resolver [...] mas ninguém enxerga que também tenho os meus problemas, então digo pra cada um tomar conta e resolver os problemas de sua casa, depois parei!

E diante de tudo isso, ficava muito estressada [...] queria solucionar os problemas dos meus filhos, da minha filha e então ficava muito irritada, nervosa e chorava bastante porque sempre ia na intenção de resolver e nem sempre conseguia e isso fazia com que eu perdesse a cabeça principalmente dentro de casa e com minha filha [...] e depois da Terapia Comunitária nem chorar mais choro! Quando começava a conversar com as pessoas sobre os meus problemas, já caía no choro e hoje estou mais forte. A Terapia Comunitária é muito importante porque ela faz com que a gente se reúna aqui com outras pessoas que têm praticamente a mesma história, as mesmas dores [...] sem falar do amor que a gente recebe aqui, o carinho [...] que a gente fica passando um pro outro e a atenção também, que às vezes a pessoa não tem dentro de casa, às vezes nem do próprio marido.

E com a minha filha tenho aprendido a lidar melhor com o ciúme [...] porque ela tem ciúmes do pai, dos dois irmãos [...] então fico toda vez conversando com eles, pedindo pra entenderem, pra não se abraçarem nem se beijarem com suas esposas [...] porque ela fica querendo fazer a mesma

coisa, diz que vai arrumar um namorado também pra se “agarrar” e se beijar igual aos irmãos [...]

peço também pra que eles não discutam com as esposas na frente dela [...] converso com meu esposo, porque às vezes ele chega do trabalho estressado e vem descontar em mim, então já peço pra ele baixar o tom porque depois ela vai copiar e fazer a mesma coisa comigo. Mas é muito ruim, eu me sobrecarrego porque só me dedico a minha filha e ninguém aqui de casa me ajuda! Fico sempre apaziguando [...] conversando com um, conversando com outro [...] e quando estamos só eu e ela em casa, é uma maravilha, deixo ela no canto lendo uma revista, descansando um pouco e fica aquele silêncio profundo [...] agora quando chega o final de semana já fico nervosa e ela também [...] porque tenho que estar ali, controlando tudo pra minha filha não entrar em crise, fico no pé dela. Às vezes ela quer fazer alguma coisa, então deixo [...] depois a chamo, mas quando ela não vem, não fico alterada como ficava antes [...] porque tanto ficava eu, como ela também.

Aprendi também na Terapia Comunitária a cuidar dos meus outros filhos [...] porque não é só ela que precisa, tudo bem que ela precisa de uma atenção maior, mas os outros também precisam de mim, até mesmo porque eles me dão mais preocupação que ela [...] já que ela está sempre comigo, sei o que está fazendo, já os outros quando saem de casa, eu não sei mais de nada, fico muito angustiada e como na Terapia Comunitária os problemas que as pessoas colocam são muito parecidos com os meus, aprendi a ter paciência, a confiar mais em Deus. Gosto desse grupo porque me sinto mais calma, mais tranquila, tenho me curado junto com minha filha e minhas amigas daqui [...] dona Rita Ângela, Laurizete, Maria Emilia e isso tem sido muito importante pra mim.

Maria Laurizete é uma pessoa admirável. Mulher de fibra e tranquilidade, é mãe de um usuário do CAPS Caminhar e participante veterana do grupo de TCI. Preocupada com as palavras que pronunciava, transmitiu introspecção e objetividade em sua fala que, embora sucinta, foi forte e significativa. Como mãe e dona de casa exemplar, mostra ser uma mediadora em potencial, que usa sua sabedoria para amenizar os conflitos familiares em favor da condição de saúde do filho.

Tom vital: Aprendi a ser mais tolerante e paciente.

Faz um ano que venho pra Terapia Comunitária aqui no CAPS, antes eu já participava, mas em outro CAPS [...] onde meu filho fazia tratamento desde os dezesseis anos. Ele nunca foi de falar, não tinha intimidade com ninguém, era muito agressivo, não participava de nada em grupo [...] nada, nada [...] só ficava olhando pra baixo, às vezes chorando, não gostava de ir pra lá [...] às vezes ficava de um ou dois meses sem querer ir. Os profissionais do CAPS iam na minha casa conversar com ele e nada, mas depois de muita luta minha e quando ele me via indo pro CAPS, pra Terapia Comunitária, começou a me acompanhar e voltou [...] começou a participar das brincadeiras e até teatro fez! E começou a conversar com todo mundo, porque antes ele não conversava [...] e você vê como ele é hoje? Não deixa ninguém quieto, não para de falar um minuto e sente saudade de todo mundo daqui. Antes ele não queria, não gostava [...] e no final começou a gostar das pessoas, da professora de teatro, passou a conversar e foi quando ele mudou-se pra esse CAPS onde se trata atualmente.

O grupo de Terapia Comunitária representa muita coisa pra mim, porque a gente aprende a cada dia que passa. Aqui aprendi que é importante sempre escutar a história de cada um e escutando a história da outra pessoa a gente aprende mais, ensina mais e ajuda mais. Aqui na Terapia aprendi a ser mais tolerante, mais paciente e a reagir menos às agressividades do meu filho. Aprendi que quando ele começar a ficar agressivo, não devo levar muito em conta o que ele fala e relevar, evitando os conflitos [...] porque se for escutar o que ele diz e brigar, é pior [...] e aprendi isso aqui na Terapia Comunitária, porque tem muitas histórias parecidas com a minha.

Tento também fazer as coisas que meu filho quer, claro que não tanto [...] faço quando vejo que dá pra fazer. Converso muito com ele [...] principalmente quando está em crise e vem com mil agressões pro nosso lado e fica agredindo com palavras, então converso com ele e depois vai passando. Sempre tive paciência, mas o pai não tinha, então conversava com meu marido que é muito

Maria Laurizete

“Descobre-se que Amar é, sobretudo, Dedicação e

Paciência”. (André Luiz

Ribeiro)

Foto 11: Maria Laurizete