• No results found

Antje Klitkou, Marco Capasso, Teis Hansen and Julia Szulecka

4.4 Analysis of empirical cases

4.4.3 Borregaard in Sarpsborg

Com a minha participação na Terapia Comunitária, mudei meu comportamento. Eu não era grossa, nunca fui graças a Deus, porque ela pra mim é minha filha mais velha, minha filha do coração, mas eu mudei porque antes não saía com ela [...] não tinha tempo pra sair, só tinha pra trabalhar [...] e isso ajudou a melhorar na sua tranquilidade, porque ela era uma pessoa muito tímida [...] não falava, não conversava, ficava quieta na dela e agora já conversa comigo. Antes eu só ia pra igreja, não ia a uma festinha, um aniversário, na casa de uma colega [...] não tinha tempo para mim nem para ela e hoje saio bastante [...] hoje vou à casa de minhas colegas, à uma praia, à piscina e sempre com ela de lado. Eu a chamo pra sair, então ela me pergunta pra onde [...] e digo que vou à praia, na escola do meu neto, numa festinha, no aniversário da minha vizinha e ela vai [...] e antes isso não acontecia, porque eu me apegava muito ao serviço e deixava tudo pra meu marido fazer, ele que cuidava mais dela, mas mãe é mãe e eu pensava sempre em como ela ficaria quando eu morrer, dizia muito isso ao terapeuta comunitário e ele me falava pra pensar no dia de hoje que do amanhã Deus toma conta, então comecei a refletir sobe isso e ouvindo as histórias de gente que tem mais problemas que eu, achava que o meu era o mínimo!

Hoje sou uma pessoa realizada, tenho orgulho de quem sou [...] enfrento tudo e não tenho mais problema nenhum na minha vida [...] em comparação a quem eu era [...] uma pessoa trancada, que só vivia ali de casa pro trabalho, hoje sou uma pessoa livre! No dia que você ouvir que faltei a Terapia Comunitária, pode ter certeza que alguma coisa muito séria aconteceu [...] ou foi uma doença muito séria que não me deixou, mas até aqui nada me amarrou pra eu não vir, por que lá em casa só vive eu, minha filha e meu neto, então sempre dou o meu jeitinho para estar aqui, mas na Sexta-feira já é certo eu ter a passagem de ônibus pra vir [...] porque à Terapia Comunitária não posso perder. A Terapia Comunitária faz de tudo, parece que ela me chamou [...] parece que abriu meu coração e acabou com a minha “cegueira”! (risos) Ela faz com que a gente participe mesmo e estou sempre conversando com as mães pra elas não perderem porque é bom, é muito bom pra gente! Fico incentivando [...] hoje mesmo vou telefonar pra minha amiga Rita de Cássia e saber o motivo pelo qual ela não veio, acho que foi porque ela estava com um filho no hospital, mas só pode ter sido alguma coisa muito séria porque ela também não falta por besteira!

O terapeuta comunitário nos incentiva muito com as mensagens e com a palavra amiga e essa palavra amiga é o nosso maior presente dentro da Terapia Comunitária [...] o terapeuta comunitário é como um cristal pra gente! Então gosto muito da Terapia Comunitária, gosto de tudo! Antes, quando eu vivia afastada do grupo até podia criticar alguma coisa porque achava que nada pudesse ser resolvido aqui, mas quando a gente fica dentro daquele grupo, vai percebendo que as coisas vão melhorando, cada dia mais!

As palavras que levo daqui da Terapia Comunitária melhoram muito a minha vida [...] porque levo pra usar com minha filha e dão muito certo! Às vezes pensava ser uma sofredora, fracassada [...] e com as histórias que escuto aqui, vejo que existem pessoas que têm problemas maiores que o meu e que conseguem superar, por quê eu também não vou conseguir? Então fico me sentindo sempre bem melhor [...] e hoje é diferente, me orgulho de quem sou!

Rita de Cássia é uma morena alegre e guerreira. Mãe de uma usuária do CAPS Caminhar, vive para a família e se dedica, com empenho, à criação dos filhos e ao marido. Participante da TCI há mais de cinco meses, orgulha-se de sua participação no grupo. Ouvi-la narrar é identificar o real sentido de dedicação e sabedoria que uma mãe carrega consigo. Ao participar assiduamente do grupo, tem construído significativos laços de amizade e afeto com os demais membros.

Tom vital: Hoje estou mais forte!

Depois que comecei a participar da Terapia Comunitária, tenho percebido muitas mudanças na minha vida que tenho levado pra minha família. Adquiri muita paciência, tenho dialogado mais, converso mais com minha filha, agora compreendo melhor a situação dela, que não é fácil [...] e tenho tentado não entrar em conflito com meu marido e meus outros filhos pra buscar diminuir a dificuldade de convivência. Quando algum problema ou confusão acontece lá em casa, tento desviar a atenção dela pra outra coisa [...] pra não causar mais tumulto [...] porque acaba que por causa de um, todos terminam ficando nervosos [...] principalmente ela e isso não dá certo!

A Terapia Comunitária me ajudou porque tenho compreendido melhor a minha filha. Antes eu era muito intolerante, evitava contato e chegava muitas vezes a bater nela por não entender a situação. Muitas vezes ela ficava repetindo o que eu dizia [...] e isso me tirava a paciência, me fazia perder a cabeça, mas agora a gente conversa e ela não faz mais de jeito nenhum. Quando ela insiste em me aborrecer, saio de perto, deixo-a quietinha [...] e quando ela percebe que não está me incomodando mais com aquilo, já para [...] porque não insisto mais como insistia antes [...] que eu ficava reclamando e sempre piorava o quadro, mas depois da Terapia Comunitária me tornei mais tolerante, fui me trabalhando, conversando e hoje isso não acontece mais.

Agora, outra coisa muito importante que também aprendi foi a receber, porque antes eu só dava! Dava bastante mesmo, fazia de tudo por todos! Irmãs, sobrinhos [...] eu fazia mais por eles que por mim. E quando chegava minha vez, que eu precisava, ficava no canto. Ninguém chegava pra

dizer: “Eu vou te ajudar”, “Vou passar o dia aí com sua filha” ou “Vou levar ela pra algum lugar”,

isso aí eu não tinha e com a Terapia Comunitária aprendi que não é só dar, estou buscando receber também. Antes bastava alguém telefonar pra mim que ia correndo ajudar, queria resolver todos os problemas da minha família [...] era só ter um tempinho que corria pra casa deles achando que

Rita de Cássia

“Não há nada que não se

consiga quando existe força de vontade, bondade e, principalmente, amor”. (Marcus

Cícero)