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Forest- based value creation with a focus on the valorisation of side- streams and residues

Antje Klitkou, Marco Capasso, Teis Hansen and Julia Szulecka

4.2 Forest- based value creation with a focus on the valorisation of side- streams and residues

pensa que vive só no mundo. Não convive com a gente, vive no mundo sozinha [...] é desagradável com todos dentro de casa e antes eu pensava que toda discussão e briga era por conta da que tem

“problema mental”, mas hoje já percebo que o problema é na outra [...] ela sim precisa de um

acompanhamento psicológico, mas é aquele tipo de pessoa que não aceita. Se alguém disser que ela é doente, já briga. Inclusive acho também que ela é alcoólatra, porque sai exclusivamente para beber. Sai de casa em um dia e só volta no outro de manhã. E a gente não sabe o que ela faz [...] porque sai cedo da noite e só volta de manhã. Então é uma pessoa que precisa de tratamento também, mas não

admite. Já a que tem “problema mental” é muito mais consciente e tem evoluído muito bem e como eu

sou uma pessoa que não gosta de falar muito [...] até dentro de casa não sou de conversar, evito

atritos com ela [...] mas com minha irmã que tem “problema mental” tenho procurado falar

direitinho, não desapontar, não discutir e procurar sempre fazer alguma coisa pra trazê-la pro nosso meio de forma bem harmônica.

Depois que comecei a participar desse grupo de Terapia Comunitária, tenho feito de tudo por minha irmã, porque eu fui a única lá de casa que acordei pra tentar melhorar e agora eu sou responsável por todo o cuidado com ela, inclusive os exames, tudo sou eu que vou fazer e não me importo não! Ela é minha irmã e eu tenho que gostar e amá -la assim como ela é (lágrimas). Hoje eu me responsabilizo por tudo e o que eu puder fazer, eu faço! E esse grupo da Terapia Comunitária abriu minha cabeça pra enxergar as coisas além do que via, que culpava injustamente minha irmã doente por todos os conflitos que aconteciam lá em casa e hoje vejo o quanto fui injusta. Meu ambiente familiar agora está mais pacífico, melhorou muito [...] porque muitas vezes qualquer coisa que essa minha irmã alcoólatra fazia já me desorientava e eu terminava descontando na outra e contribuindo pra que ela entrasse em crise. Hoje procuro não dar tanta importância às coisas que ela faz, eu me seguro!

A Terapia Comunitária fez eu me sentir fortalecida pra ajudar principalmente minha irmã Janete que tem “problema mental” porque qualquer coisa dentro de casa já altera o seu emocional e como faço de tudo pra não ter desarmonia, ela fica muito melhor. Inclusive ela fica sempre estimulando a minha vida pra esse grupo e também as amigas que fiz aqui me incentivam muito, quando escuto a história de Socorro aqui na roda, vejo o quanto é importante participar da Terapia e o quanto serviu pra ela ser forte como é hoje. Quando é no meio da semana Janete já fala: “Olha, Sexta-feira tem Terapia, não deixe de ir” e eu venho porque essa turma me ajuda e assim posso ser mais forte pra ajudar e cuidar dela, pois a amo muito e sei que é uma pessoa esforçada, inteligente e que gosta de falar [...] se você der um microfone a ela, pode esperar que é o dia todinho falando, então sei que minha vinda pra esse grupo

Maria do Socorro é uma mulher jovem e cuidadosa. Irmã dedicada e satisfeita, empenha-se com carinho à família, sobretudo aos cuidados com o irmão que é usuário do CAPS Caminhar. Observadora e participativa, frequenta a TCI há mais de seis meses e tem uma bela história de força e bondade a partir de sua participação no grupo. A Terapia Comunitária, para ela, representa uma importante aliada ao processo de aceitação da doença do irmão.

Tom vital: Aprendi a ser firme!

Gosto muito de participar da Terapia Comunitária [...] ela me deu uma força grande [...] e também me ajudou a esclarecer muitas dúvidas. Tem contribuído também para o conforto da gente enquanto família [...] contribui através dos esclarecimentos, porque como nós trocamos muitas informações, experiências de vida [...] então isso ajuda muito. O que faço por meu irmão [...] o que o outro fez que deu certo, eu escuto e tento fazer também, então nós vamos compartilhando as histórias e isso ajuda outras famílias, mas no que ela mais tem me ajudado é na aceitação da doença do meu irmão, na paciência [...] porque antes tinha muita dificuldade pra ter paciência e faz uns dois anos que me responsabilizei por cuidar dele, então no início sofri um pouco, mas a partir do momento que vim participar da Terapia Comunitária, fui aprendendo mais, passei a receber orientações com as histórias das outras pessoas [...] e aprendi a lidar melhor com a situação dele.

A Terapia Comunitária me ajudou muito na aceitação da doença do meu irmão e na paciência [...] porque antes eu não aceitava e não queria saber de nada. E hoje não! Me envolvi com a situação e consegui mudar algumas coisas nele a partir do meu entendimento sobre o problema que ele tem [...] porque ele levava uma vida muito liberal, fazia o que queria [...] trocava de roupa a cada cinco minutos, tomava água de qualquer jeito, abria a geladeira de trinta a quarenta vezes por dia e hoje comecei a organizar isso [...] e ele tem se controlado mais. Sem falar do cigarro [...] que fumava quatro carteiras por dia, e hoje ele fuma cinco cigarros em um dia. Tem o banho também que ele não gostava de tomar e hoje briga com a gente para tomar. Não sei como, mas com a minha participação na Terapia Comunitária criei mais força de vontade e disciplina, aprendi também a ser firme, a ter pulso [...] e assim consegui mudar muita coisa nele. Hoje ele já toma os remédios certinho, ajuda nas tarefas de casa [...] a gente coloca ele pra se ocupar. Agora por exemplo, estamos em reforma, então colocamos ele pra ajudar, jogar o lixo fora, carregar uns tijolos, areias. Outra questão importante que mudou muito foi a desobediência [...] agora ele é bem mais compreensivo e já me pergunta:

Maria do Socorro

“Amar é uma decisão, não é um

sentimento. Amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo, e o

fruto dessa ação é o Amor”. (Provérbio chinês)

Foto 8: Maria do Socorro