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4 Metode

4.7 Validitet, reliabilitet og generalisering

das revistas como Vogue e Harpper's Bazaar que estão nas bancas até hoje, conforme explica a autora:

Desde a Les Modes identificamos uma atuação reflexiva das revistas, com os costureiros começando a ajustar gradativamente suas produções à linguagem das publicações, para que fossem bem mais compreendidas, lidas e valorizadas. Numa atmosfera pautada por constantes renovações, elas viabilizavam um sistema de significados que tornava a moda inteligível para o leitor. No interior desses periódicos a moda atingiu uma dimensão mais ampla, não se reduzindo mais ao vestido bonito do costureiro numa festa, para ser pensada como cultura (BUENO,2011.p.42).

Essa cultura de moda veiculada na imagem deve ser o primeiro ponto a ser observado para pensar o ensino da moda vinculado ao estímulo do processo criador. Para cumprir tal objetivo, penso que a contextualização proporcionada pelos Estudos Visuais consiste no instrumento mais didático para a compreensão e estudo dos conteúdos veiculados nas mesmas.

Os estudos visuais, de acordo com Mitchell (2005), constituem um campo de estudo no qual a cultura visual é o objeto de análise, já que, para o autor, o objetivo dos estudos visuais é a compreensão da cultura visual. Smith (2011) afirma ser tarefa da cultura visual o compromisso político, sendo este realizado por meio da crítica aos artefatos visuais. A abordagem dos estudos visuais implica pensar, primeiramente, o conhecimento envolvido na cultura, ou seja, não somente o documento, o texto, mas também o texto juntamente com a cultura que o gerou. Sendo assim, texto e contexto trabalham juntos na decodificação.

Deste modo, as análises de imagem da moda deixam de se dedicar exclusivamente ao produto ofertado, aos seus acabamentos, à tendência veiculada, à última cor da estação, e passa a se dedicar ao referencial cultural que o engendrou e ao seu respectivo impacto na cultura, materializado pela imagem. Os estudos visuais serão analisados mais especificamente em tópico exclusivo. Eles são citados neste momento para especificar a metodologia empregada para a análise de imagem, dentro do processo criativo de moda. Nesse contexto, o gráfico a seguir explica a minha interpretação do processo criador para a moda o qual situa os Estudos Visuais dentro da dinâmica criatível: (Segue Gráfico na outra página).

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Figura 05 Gráfico do Processo Criativo de Moda

Gráfico desenvolvido pela autora.

A análise de imagem engendrará o repertório cultural, sua formação, sua percepção e sua conscientização, pois a leitura da imagem exige um alicerce contextual que, por sua vez, forma o repertório cultural do indivíduo. Vale ressaltar que o contexto interpretativo será de

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acordo com o objetivo ao realizar a análise de imagem e o contexto que a imagem suscita. Sendo assim, a contextualização proporcionada pelos estudos visuais é ideal, uma vez que ela também considera como elemento argumentativo outras imagens, além dos mais diversos alicerces metodológicos como a sociologia, a antropologia, a psicologia, a semiótica, as artes visuais, a história e, no caso específico da moda, o marketing. O referencial iconográfico é de suma importância na análise e na produção de imagem, já que ele é um importante elemento do repertório cultural de um designer de moda. Esse referencial iconográfico pode partir do conhecimento dos estilistas, dos seus modelos, dos desfiles e dos estilos ao longo da história da moda, mas não é restrito a esse domínio. Para realizar a leitura de uma imagem, mesmo sendo no contexto da moda, como um desfile, o aluno deve ter um referencial iconográfico para identificar e compreender as associações realizadas pelo estilista, já que a imagem é o seu material de trabalho.

Portanto, possuir um repertório iconográfico de moda implica não somente assistir a desfiles e a programas de moda, folhear revistas, colecionar catálogos, observar a entrada do Oscar, mas também ter um repertório bibliográfico, histórico e artístico para compreender o repertório que o autor utilizou em seu trabalho. Isso com o intuito de poder identificar como ele interferiu, releu e se apropriou para comunicar seu estilo. O repertório iconográfico é fundamentado no bibliográfico por meio de análises baseadas nos estudos visuais, as quais permitem a construção do repertório cultural de moda; logo, o simples folhear das revistas passa a ser um exercício de análise. Desse modo, o folhear alça o patamar do julgar. Assim, o aluno de moda deve compreender qual é a linguagem de cada revista, deve conhecer as editoras, as stylists, entre outros. Para as marcas, deve conhecer a história da sua fundação, o repertório iconográfico do seu fundador, sua contribuição para o campo e o responsável atual na direção criativa, buscando compreender em que ponto ele mantém a identidade da marca e em que ponto ele adiciona elementos da sua. Conforme salienta Borriaud (2009) a respeito do processo criador contemporâneo ser intimamente relacionado ao repertório cultural: "Toda obra resulta de um enredo que o artista projeta sobre a cultura, considerada como um quadro de uma narrativa que, por sua vez, projeta novos enredos possíveis, num movimento sem fim (p.15)".

A moda é a indústria que mais produz imagens, mas é a área que faz pouco uso didático do seu próprio repertório em sala de aula se comparada à tradição interpretativa da

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arte. Diante disso, como cobrar do educando uma produção de qualidade se esta não é analisada em profundidade em sala? Para produzir um catálogo, por exemplo, o aluno deve conhecer o trabalho de vários fotógrafos de moda e de outras áreas a fim de interpretar como cada um construiu sua linguagem, como cada um comunica seu estilo, a maneira de cada um utilizar a luz, escolher os temas, fazer um enquadramento, como cada um trata sua imagem. Além disso, deve ter repertório de produção de moda, como utilizar os acessórios para dar ênfase em algo ou como conceber uma maquiagem e um cabelo para determinada finalidade. Para isso, novamente deve conhecer como outros designers trabalharam com os produtores de moda e os profissionais de beleza para comunicar o seu conceito.

Um designer de moda é como um diretor de cinema: ele deve ter consciência clara do seu conceito, da forma como quer comunicá-lo para produzir as peças conversando com modelistas, piloteiras, com profissionais de estamparia, com bordadeiras e uma diversidade de profissionais que a peça exigir. Além da confecção da peça, entra em cena mais uma série de profissionais para a elaboração da imagem ou das imagens da coleção, como preparar a linguagem do desfile, do catálogo, do lookbook, das campanhas para revistas e conversar com os respectivos profissionais de cada área.

Diante disso, a primeira fase do processo criador de moda se valerá da análise de imagem para compreender o campo da moda, para comunicar nele e, principalmente, para formar o seu repertório de trabalho para se tornar um autor. Um autor em qualquer segmento é conhecido pelo seu conhecimento de campo e pela sua capacidade para extrapolá-lo, conforme descrições anteriores de Sternberg (1985), Lubart (2007), Sternberg e Lubart (1995), Amabile (1983, 1996), Zorzal e Basso (2002) e Csikizentmihali (1996). Portanto, a destreza na análise de imagem, além do repertório, deve fomentar a autoria por meio do autoconhecimento que ela proporciona. Esse autoconhecimento é proporcionado no tipo de reflexão que uma experiência estética provoca, que uma leitura de imagem impõe. Vale destacar que não são somente as sensações despertadas pela obra, mas também a reflexão acerca das percepções que ela desperta. Barbosa (2008) explica isso: "As emoções podem se revelar em múltiplas expressões catárticas e reativas, mas pouco aprendemos de nossas emoções se não somos levados a refletir acerca de nossas própria histórias (BARBOSA, 2008, p. 41)".

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