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contextos históricos e estéticos devido à falta de repertório. Diante disso, eles se relacionam com a imagem, descrevendo fatos de sua vida, experiências narradas, descontextualizadas, com pouca relação com o conteúdo comunicado na imagem. Nessa fase, as perguntas são formuladas em torno do que a obra representa, comunica. Já no segundo estágio, os autores supracitados afirmam corresponder a um primeiro envolvimento com a obra, por meio do seu acesso mais primário, a técnica de construção. Por isso, as perguntas nesse estágio giram em torno de como foi feito, qual a técnica, se foi bem executado, se está proporcional, entre outras.

Segundo os autores mencionados, no terceiro estágio, o classificativo, o leitor começa a elucubrar questões em torno de quem fez e porque criou a obra. Por isso, o estágio classificativo é a fase que começa a integrar o repertório cultural do leitor, seja formal ou informal. O leitor, nesse período, associa informações históricas, um conhecimento de história da arte com o artefato. Somente no quarto estágio, de acordo com os pesquisadores, o leitor começa a interpretar, a estabelecer relações com o conteúdo decodificado na obra com suas opiniões pessoais, com suas experiências de vida, com seu repertório que vai além do suscitado na obra. Assim sendo, as perguntas realizadas na interpretação giram em torno do "quando": quando comove, quando o tema é universal, quando se vincula com um fato da minha vida, entre outros.

Por fim, o quinto estágio é batizado de re-criativo e consiste, segundo os autores, na fase em que o leitor consegue, por meio de sua interpretação, gerar outra composição artística. Isso pode ser observado, por exemplo, na exploração de uma notícia: vários jornalistas podem noticiar o mesmo fato, mas uns possuem uma forma tão peculiar e inventiva de transmitir a notícia, que esta deixa de ser uma mera notícia e atinge outro patamar, o de uma crônica por exemplo. A re-criação acontece quando o tema é significativo o suficiente para derivar outra produção, a qual não precisa necessariamente ser explicitamente vinculada à anterior. Esse processo é nomeado por Barbosa (2008) como releitura. A releitura é recomendada como metodologia de ensino para as artes, porque obriga o educando a ler com a dimensão criadora que a leitura possibilita. Sendo assim, ensinar em artes traduz-se por fomentar leituras "criatíveis".

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Cito os estágios do desenvolvimento estético porque eles evidenciam o papel criativo descrito anteriormente. A leitura criadora é fundamental para a conscientização da personalidade do criador, porque ela exige a interpretação e a reflexão em torno de preferências individuais. Além da interpretação, a leitura criadora fomenta a leitura crítica, que exige a atuação de um repertório para alçar uma contextualização crítico/reflexiva em torno do conteúdo comunicado.

Nesse sentido, as contextualizações dos estudos visuais fornecem questões em torno da influência das Representações Sociais na produção, na aceitação de determinado artefato. Os estudos visuais também investigam a atuação do artefato na constituição cultural, identitária, de determinado povo, conforme pode ser observado em raciocínio de Moxey (2005):

Nossas preferências estéticas contemporâneas estão baseadas em identificações psicanalíticas e preferências políticas que às vezes ignoramos e não sabemos expressar. De todos os modos, não devemos deixar que esses nossos valores se apresentem como naturalizados. A articulação da História da Arte e o estudo de outras dimensões da visualidade diante da rubrica dos Estudos Visuais nos permitirá afrontar a complexidade dos valores culturais que intervêm no processo de criar um juízo estético (MOXEY, 2005, p.29,

tradução livre).

A complexidade dos valores culturais envolvidos no juízo estético, a qual é desvendada pelos estudos visuais por meio de leituras de imagem contextualizadas por diversas disciplinas, justifica a importância atribuída à leitura de imagem e à formação de leitores. Diante da falta de leitores autônomos, fluentes no código aberto e altamente ambíguo da imagem, isso acaba por promover a falta de criadores autorais, pois a autoria depende de leitores livres e críticos a ponto de recriar. Conforme o autor comenta, se não refletimos sobre a origem de nossos valores e passamos a tê-los como naturais, não tomamos consciência de quem somos, do porque das escolhas e ficamos aculturados e alienados de nós mesmos.

Um autor engendra o conhecimento de repertório cultural selecionado por sua personalidade, pela sua vontade com o autoconhecimento. Diante disso, a metáfora da massa para a sociedade de massa, a qual é fruto da indústria do entretenimento e da falta de racionalização nas escolhas, é ideal, pois ela materializa a mediocridade da alienação, as pessoas de pensamento sem forma, não crescidos, moles justamente para serem moldados ao bel prazer da indústria. Essa massa amorfa, que geralmente muitos alunos candidatos a futuros

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criadores apresentam, deve urgentemente ser revelada pelo professor, para que o aluno, deparando-se com essa realidade, pesquise seus referenciais, tempere sua massa e a transforme em uma receita sua. O professor, nesse sentido, assume o papel descrito por Read (2001) de "parteiro psíquico" (p. 231).

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Um dos objetivos da leitura que se pode destacar é a criação de juízo estético, que consiste em um elemento vital para o processo criador. O juízo estético auxilia a criar critérios autônomos de escolha de repertório e impõe que seja feita uma pesquisa para a seleção desse repertório. O aspecto da pesquisa também faz dele um importante motivador do processo criativo. Motivador porque impulsiona a ação de pesquisar, de eleger algo do agrado e estabelecer com os materiais relações próprias.

Essa especial atenção dada aos referenciais é importante pois o raciocínio criativo é derivado de associações entre fatos, eventos, sensações, histórias, interpretações, cores, e esses elementos devem emergir da liberdade e da crítica do autor. A idéia da criação pura, inata, hereditária ou pertencente aos gênios é uma concepção do senso comum que abarca uma visão romântica do processo criativo. Salles (2006) ressalta que o processo criador é fruto de relações, conexões que se expandem para configurar uma linguagem autoral. A linguagem autoral comunica uma estética e essa estética materializa as associações que são peculiares ao autor. A seguir, a autora demonstra como se dá esse processo:

“Uma questão: é necessária uma LINGUAGEM em um trabalho contemporâneo? Sim, porque a linguagem está diretamente ligada ao indivíduo (o artista/o criador) e a questão então poderia ser enunciada: é necessário um ARTISTA/indivíduo? E a resposta é sim porque a arte não funciona sem o artista, o autor, o que aponta, o que indica, o que destaca. O sistema individual deve ser impregnado do sistema (social) que o rodeia. E ele é o indivíduo que sintetiza os indivíduos, os outros. A comunidade precisa de um autor para ler a obra. O autor cria um contexto porque como INDIVÍDUO cria uma situação de comunicação específica com cada espectador (SALLES, 2006.P.130).

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Essa linguagem que a autora defende é deflagrada do indivíduo, sujeito este que assume uma posição de destaque, porque possui autonomia para apontar, para sinalizar e para selecionar dentro do contexto social fatos, histórias, estilos, autores, músicas, notícias, enfim, elementos que servem de matéria-prima para sua manipulação. A exploração dos múltiplos elementos é norteada pela percepção única do artista, esta estabelece critérios de arranjo do tema e do suporte para configurar uma linguagem que exprima o que o autor é, ou quer ser no momento. Ana Amália Barbosa (2008) exemplifica isso por meio de uma análise comparativa do quadro "Noite Estrelada", deVan Gogh (1853), com a xilogravura "A onda", de Hokusai (1760-1849). A análise da autora ressalta a exploração sui gêneris da influência de uma fonte no trabalho autoral, de Van Gogh, o qual se inspira na xilogravura de Hokusai, transformando a onda em céu. A autora supracitada, de maneira didática, instiga o aluno a observar até que ponto Van Gogh pode ter sido influenciado por Hokusai e demonstra como o autor preservou a diagramação da sua fonte e subverteu o conteúdo.

Imagem 7 Quadro comparativo Van Gogh por Amália

Fonte: Ana Amália (2008), p.77.

Esse tipo de exploração, conforme descrito anteriormente, é necessariamente dependente da análise de imagem para alçar uma autonomia e um autoconhecimento, gerando juízos estéticos próprios. Um caminho estimulante para essa geração de juízos estéticos próprios e também para o fomento de pesquisa de repertório pessoal é a releitura ou reinterpretação. A releitura obriga o leitor a alçar o quinto nível de desenvolvimento estético,

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