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Valg av metode for egen undersøkelse

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4. Metode

4.3 Valg av metode for egen undersøkelse

Nesta proposta, os autores defendem que é inserida uma vogal epentética para solucionar a silabificação da fricativa, que ocupa a coda da primeira sílaba. Através da inserção da vogal epentética, evita-se a violação do Princípio de Sonoridade e o /S/ ocupa uma posição específica, deixando de ser extrassilábico. Com efeito, o processo de inserção de uma vogal epentética permite a criação de uma sílaba bem formada. A única questão que se mantém é relativa à natureza desta vogal, se é fonética ou pode ser também fonológica.

Convém salientar que esta proposta encontra-se ligada, na maioria das línguas, à proposta explicativa do núcleo vazio, pois a vogal epentética permite preencher o núcleo vazio.

Em línguas como o espanhol é inserida uma vogal, daí que se afirme, por vezes, que não existem sequências /#(∅)SC/ em espanhol. No entanto, as sequências /#(∅)SC/ em estudo existem no espanhol, o que não existe é uma sequência fonética [sC] inicial, pois é inserida uma vogal epentética.

Podemos refletir sobre a razão desta diferença, sobretudo porque no caso do espanhol existe a vogal que é depois inserida pelos falantes porque percebem intuitivamente a violação da sequência (Abrahamson, 1999). Na maioria das situações, existe um vogal subespecificada (Colina, 1997; Wheeler, 2005:205). Conclui-se que é preferível a inserção de uma vogal do que a eliminação de segmentos presentes na estrutura subjacente (Colina, 1997: 244), na nossa perspetiva.

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No caso dos falantes do espanhol, a introdução da vogal é mais notória na produção de palavras inglesas, aspeto que não ocorre com os falantes do português, como já foi referido. Estes parecem aceitar a produção do grupo consonântico /#(∅)SC/. Este fenómeno pode levar-nos a questionar se para o PE o Princípio de Sonoridade tem um peso menor do que no espanhol e no PB, visto não conduzir à inserção de vogal inicial de forma constante, como acontece com os falantes de espanhol.

Veja-se, por exemplo, os dados do PB em que na palavra scanner, stress, regista-se, segundo Assis (2007), a inserção de uma vogal inicial, como se constata pela representação presente na fig17.

Figura 17-Inserção da vogal epentética na palavra inglesa stress para o PB (Assis, 2007:152)

Contudo, os falantes de espanhol, italiano e PB inserem sempre uma vogal inicial. Esta diferença parece apontar para a aplicação das restrições da fonologia de L1 à fonologia de L2. Assim, podemos pensar que, no caso do PE, estas sequências são facilmente aceites pelos falantes ou, pelo menos, não são uma combinação que

σ σ σ O R Nu R r t s e s O R R Nu Co Nu Co s t r e s i

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considerem anómala. O mesmo não se verifica, aparentemente, nas outras línguas referidas. Este será, por conseguinte, um argumento a favor da proposta explicativa segundo a qual esta é uma restrição específica de cada língua. Assim sendo, poder-se-ia argumentar que o Princípio de Sonoridade constitui uma condição de preferência22 (Blevins, 1995), podendo cada língua apresentar combinações diferentes dos segmentos (Morelli, 1999).

4.4.1. Análise da proposta da inserção de vogal epentética

Esta proposta evita a violação das regras fonotáticas, na medida em que a fricativa constitui coda da primeira sílaba, evitando-se, assim um ataque ramificado. Além disso, a proposta da inserção de uma vogal epentética está ligada, nalguns casos, à explicação de núcleo vazio. Carlisle (1988) e Eddington (2001), por exemplo, afirmam que a inserção da vogal permite preencher o núcleo vazio e solucionar o problema da extrassilabicidade da fricativa no espanhol.

Uma outra questão que se prende com a inserção da vogal inicial na sequência /#(∅)SC/ é a natureza da vogal. A vogal inserida é, na maioria das situações, fonética (vogal epentética); a questão que persiste é se esta vogal corresponde à presença de uma vogal fonológica. A própria vogal apresenta realizações diferentes porque vai variar conforme a vogal que for considerada a vogal por defeito (schwa) de cada língua. Seria interessante, por exemplo, analisar a natureza desta vogal à luz da fonologia articulatória, visto a produção desta vogal se esbater na produção da fricativa, que tem valores elevados de estridência. Por outro lado, esta não é considerada uma vogal a nível fonológico, na maioria das situações, mas sim a nível fonético. No entanto, se

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existe uma vogal a nível fonético, essa vogal pode, provavelmente, ter uma correspondente fonológica. Esta vogal epentética já ocorria na sequência /#(∅)SC/ no latim vulgar (Bisol, 1999).

Na nosssa perspetiva, este segmento inicial corresponde à vogal por omissão de cada língua, que, no caso do espanhol corresponderia a /e/ (J. Harris, 1983: 43; Eddington, 2001:47; Wheeler, 2005: 250) e, no caso do PE, a [ɨ]. Contudo, Mateus e Andrade (2000) não considerem a existência desta vogal a nível subjacente, (Veloso, 2010) afirma, com base em Van Oostendorp (1999), que é a vogal não marcada e subespecificada do PE (Veloso, 2012:241). Portanto, teremos [ɨ] a nível fonético que poderá a /i/ ou /e/ a nível fonológico.

Van Oostendorp (1999), por exemplo, apresenta uma classificação tripartida para estas vogais que poderão ou não ser epentéticas:

i) “e-schwa”- vogal epentética, que é inserida para ocupar núcleos vazios, com o objetivo de resolver situações complexas, sendo portanto fonética; ii) “r-schwa”- ocupam posições que são fonologicamente preenchidas com

vogais especificadas e que estão sujeitas a reduções vocálicas;

iii) “s-schwa”- são vogais centrais subjacentes, não são o resultado nem de redução vocálica, nem da inserção de uma vogal epentética.

Caso se admita que a vogal antes da fricativa, um “e-schwa”, estamos perante um núcleo vazio, o que resolveria o problema de silabificação da sequência /#(∅)SC/.

No entanto, como já foi referido, no PE existem duas sequências gráficas, que parecem ter duas explicações diferentes, segundo os vários autores (Miguel, 1993; Mateus, 1995; D’Andrade & Rodrigues, 1999; Rodrigues, 2000; Mateus & Andrade, 2000; Rodrigues, 2003; Freitas & Rodrigues, 2003; Henriques, 2008). No primeiro

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exemplo (<esC>), defendem a existência de núcleo vazio e, no segundo (<exC>), a existência de uma vogal subjacente: /e/.

As duas propostas distintas são baseadas no facto de os falantes agirem de forma diferente face às duas sequências gráficas quer a nível da produção, quer da segmentação, tendo em conta alguns estudos (D’Andrade & Rodrigues, 1999). Nas sequências gráficas <esC>, não existe a inserção de vogal na produção e, na segmentação. No caso das sequências gráficas <exC>, há uma maior variação na sequência inicial, nomeadamente a inserção da vogal /i/ e de ditongo [ej] e [ɐj] (D’Andrade & Rodrigues, 1999).

Em conclusão, no nosso ponto de vista, os resultados relativos a estas duas sequências podem ser influenciados pela aprendizagem da leitura e da ortografia (Rodrigues, 2003; Henriques, 2008; Henriques, 2012). Tendo em conta que as duas sequências gráficas iniciais são compostas pelos mesmos fonemas, deviam ter resultados iguais. Por outro lado, como sublinham alguns autores (D’Andrade & Rodrigues, 1999; Rodrigues, 2003), etimologicamente estamos perante duas sequências distintas. De acordo com Miguel (1993:183-184) o percurso histórico da fricativa coronal [ʃ] justifica a pluralidade gráfica.

Quadro 5- Quadro síntese da proposta de vogal epentética

Argumentos favoráveis Argumentos desfavoráveis

i) preservação de uma sílaba bem formada;

ii) não há violação do Princípio de Sonoridade.

i) não é uma proposta independente de outras, nomeadamente do núcleo vazio;

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dependendo da natureza da vogal; i) não é apresentada uma explicação

relativa à natureza da vogal (fonética, fonológica).

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