• No results found

Beslutningstaking sett mot makt i et relasjonelt perspektiv

In document Ledelse i relasjonelt perspektiv (sider 101-104)

5. Lotusdalen skole

5.4 Intervju med trinnleder

5.4.2 Beslutningstaking sett mot makt i et relasjonelt perspektiv

A queda de vogais em posição átona (Mateus, 1975: 26; Freitas, 2002:100; Mateus et al., 2003) é frequente no PE, como já foi referido. Segundo D’Andrade e Mateus (2000:52), o enfraquecimento da vogal é devido ao processo de vocalismo átono. A posição é preenchida por um núcleo vazio, que pode ou não ser preenchido a nível fonético.

Mateus (1995) refere ainda que, no PE, há várias sequências consonânticas geradas por apagamento do [ɨ], em fala coloquial39

(Mateus et al., 2003: 995) e que não

163

são legitimadas fonologicamente por violarem o Princípio de Sonoridade (Mateus et al. 2003: 1043). As vogais átonas sofrem alterações nos traços distintivos ou podem ser suprimidas, como acontece com [ɨ] em início de palavra e nas sequências em estudo

(exemplos: escola, espada). De acordo com Fikkert (2005: 6), num estudo sobre o PE, as vogais perdem traços/características em vez de se modificaram na posição átona. A vogal que mais tende a ser eliminada é [ɨ], que não é especificada, daí a vulnerabilidade

ao apagamento (Fikkert, 2005: 12).

Contudo, temos de salientar que esta queda ocorre sobretudo nas palavras como

espada, escada, não se verificando, de forma tão frequente, a queda de vogal inicial nas

palavras como experiência, externo (D’Andrade & Rodrigues, 1999; Henriques, 2008) e também não se verifica este apagamento da vogal em todas as regiões, ficando por isso dependente do dialeto (D’Andrade & Rodrigues, 1999; Henriques, 2008). Aliás, nos segundos exemplos, não só não é frequente a queda da vogal, como até os falantes produzem um ditongo inicial40.

No entanto, as questões que se colocam são: i) Esta queda é meramente fonética?

ii) O que é que acontece a nível fonológico?

Freitas (1997: 109) afirma que a queda da vogal inicial nas sequências /#(

Ø

)SC/ é a “consequência da aplicação de processos fonológicos e constituem ataques

39 Mateus et al. (2003: 995) afirma: “A vogal [ɨ] ocorre entre consoantes (C-C) e entre consoante e fim de

palavra, mas nunca no início. Em fala coloquial esta vogal é normalmente suprimida.”

40 Relembra-se que a representação ortográfica não é tomada como um argumento linguístico

propriamente dito na discussão; apenas pretendemos demonstrar que a hesitação dos falantes, bem como a variação parece apontar para a presença de um núcleo que foneticamente é algumas vezes preenchido e noutras situações não.

164

ramificados a nível fonético. Este comportamento segmental ocorre preferencialmente em posição inicial de palavra.” (negrito nosso)

Se a nossa hipótese de uma estrutura /#(

Ø

)SC/ se verificar correta, não se dá, em PE, nenhuma inserção vocálica em produções com vogal fonética inicial; há sim uma supressão nos casos em que foneticamente não há uma vogal inicial. O contexto em que esta inserção pode ocorrer é, por exemplo, entre os dois membros da sequência consonântica, de acordo com Fikkert (2005:12) “after a word final liquid, and between two members of an onset cluster. In all these cases the inserted vowel is the completely unspecified vowel [ɨ]”. Por conseguinte, trata-se de uma eliminação de uma vogal a nível fonético, na nossa opinião, em detrimento de uma inserção, no caso do PE. A vogal átona tende a ser eliminada a nível fonético (Delgado-Martins, 1994). Estes dados apresentam-se diferentes do espanhol em que ocorre a inserção de uma vogal epentética (Colina, 1997; Carlisle, 1991).

Portanto, a questão que se coloca de imediato, devido à queda de vogal inicial, é se este núcleo vazio tem preenchimento a nível fonético e/ou fonológico.

Alguns autores propõem que o núcleo vazio tenha correspondência a nível fonológico. D’Andrade e Rodrigues (1999: 117) afirmam que a estrutura com núcleo vazio, quando não ocorre, se deve a queda ou pode também ocorrer uma inserção a nível fonético, quando temos uma estrutura com vogal inicial41. Argumentam, por conseguinte, que quando a vogal é produzida, esta produção deve-se a uma inserção a nível fonético.

41

D’Andrade e Rodrigues (1999: 117) afirmam: “nos casos em que a mesma palavra pode ter ou não representação fonética para a vogal: ou a estrutura tem uma posição inicial e os casos em que ela ocorre foneticamente se devem a queda, ou pelo contrário, a estrutura não tem vogal e, quando ela surge na forma fonética, isso é devido a uma inserção.”

165

Por outro lado, os referidos autores propõem a existência de uma vogal fonológica para as sequências gráficas <exC>. Com base nesta proposta, defendemos que, no caso das sequências <esC>, estamos perante um núcleo vazio. Estas sequências, no entanto, distintas a nível gráfico e etimológico (cf. Rodrigues, 2003: 343). Portanto, o surgimento de sequências com vogal inicial e graficamente diferentes resulta da origem etimológica das palavras, mas isso não inibe que tenham a mesma representação a nível subjacente.

Se se considerassem foneticamente iguais (as duas sequências gráficas), a probabilidade seria a presença de uma vogal fonológica, caso se considere que [ɨ] é a vogal não marcada para o PE (Veloso, 2010; 2012, com base em Van Oostendorp, 1999), podendo, portanto, ter uma correspondente fonológica. A favor deste argumento apresenta-se a classificação de Van Oostendorp (1999) para o schwa, para o qual não eram especificados diferentes contextos de ocorrência, nem lhe eram atribuídas características diferentes, conforme o contexto42, sendo por isso uma definição pouco clara (Veloso, 2010: 208). Portanto, podemos considerar que estamos perante uma vogal subespecificada.

Em suma, na nossa opinião, baseada nos autores mencionados, o apagamento das vogais átonas em início de palavra potencia o aparecimento de núcleos vazios sem preenchimento fonético ou com a presença de uma vogal epentética. Por conseguinte, defendemos a existência de um núcleo nas sequências /#(

Ø

)SC/. Para comprovarmos a nossa perspetiva, é necessário comparar os dados das várias línguas. No fundo, a proposta é que esta sequência tenha um comportamento igual a outras em que a palavra tem uma vogal inicial, vogal essa que é originária do latim vulgar (Bisol, 1999). Além

42 A classificação do schwa com base em Van Oostendorp (1999) já foi apresentada no capítulo 4.

Relembra-se a divisão tripartida desta vogal em i) e-schwa (schwa epentético); ii) r-schwa (redução vocálica) e stable schwa, que não são resultantes nem de uma epêntese, nem de uma redução vocálica,

166

disso, é coda da primeira sílaba, tendo, portanto, uma segmentação semelhante à desta sequência em posição medial.

In document Ledelse i relasjonelt perspektiv (sider 101-104)