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KAPITTEL 4 METODE

4.1. Valg av metode

Brutus Dacio Germano Pedreira nasceu em 22 de abril de 1898, em Melo, no Uruguai, onde seu pai, Joaquim Maria Pedreira Junior, atuava como vice-cônsul do Brasil. Iniciou seus estudos em Melo e dominava o idioma espanhol. Em 1913 ingressou no Colégio Militar de Porto Alegre, onde cursou disciplinas como inglês, francês e alemão, conseguindo nota máxima em todas. Em seguida, frequentou o Conservatório de Música de Porto Alegre. Não concluiu seus estudos formais, mas, ao longo dos anos, exerceu as funções de pianista, ator, professor de música e teatro, crítico, tradutor, diretor e produtor teatral.

Iniciou sua carreira artística como pianista e chegou a ser um dos professores do Conservatório de Música do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, junto ao importante compositor Heitor Villa-Lobos. Contudo, uma enfermidade nas mãos fez com que mudasse a direção de sua carreira e Pedreira passou a se dedicar especialmente ao teatro.

Não se pode desvencilhar o nome de Brutus Pedreira da história do teatro brasileiro. Como um dos fundadores do grupo Os Comediantes, responsável pela encenação da peça Vestido de noiva (1943), de Nelson Rodrigues, Pedreira estava diretamente envolvido com um dos marcos mais importantes da arte teatral no país, tendo sido um dos fomentadores da fundação do “moderno teatro brasileiro” com a montagem e a sua atuação como um dos personagens na moderna peça de Rodrigues.

Zbigniew Ziembinski, diretor de Vestido de noiva, além da primeira montagem de Streetcar em tradução no país (mais detalhes na seção 3.6 do contexto sistêmico), destaca que Os Comediantes foram verdadeiros divisores de águas entre o antigo e o novo teatro brasileiro e o quanto a companhia estava à frente de seu tempo:

antes, da época de Martins Pena, Macedo, Alencar, Machado de Assis, Oduvaldo Viana, Viriato Correia, [o teatro] era considerado, em geral, como simples diversão, com alguns bons intérpretes, mas de fundo sabor provinciano. Com Os Comediantes, o teatro brasileiro adquiriu consciência de sua importância como imperativo de comunicação. Com um núcleo de jovens artistas dedicados obstinadamente a um grande sonho de arte, em contato com obras marcantes do repertório internacional, utilizando todos os recursos cênicos necessários, na altura do que melhor se fazia no mundo, suas montagens eram estudadas em profundidade, até os mínimos detalhes de técnica (O Cruzeiro, 1978).

Foi nesse contexto, de quando o teatro feito no Brasil era, basicamente, para fazer rir com as comédias de costumes (as chamadas “fábricas de gargalhadas”) que Brutus Pedreira, Tomás Santa Rosa, Agostinho Olavo, Luiza Barreto Leite, entre outros, iniciaram a importante companhia Os Comediantes, no ano de 1940, no Rio de Janeiro. Todos, até então, eram amadores no meio teatral. A peça de estreia do grupo foi Così è (se vi pare), de Luigi Pirandello, traduzida por Pedreira do italiano para o português com o expressivo título A verdade de cada um.

Pedreira continuou a traduzir para Os Comediantes e outras companhias teatrais peças como De repente no verão passado, de Tennessee Williams, Henrique IV, de Pirandello, Volpone, de Ben Jonson, Casa de bonecas, de Henrink Ibsen, As feiticeiras de Salem, de Arthur Miller, Os interesses criados, de Jacinto Benavente, O jubileu, de Anton Tchekov,

junto a Eugenio Kusnet, Escurial, de Michel de Ghelderode, junto a Nelson Dantas, entre outras, de acordo com os registros no acervo da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT)71.

Há ainda várias traduções de peças atribuídas a Pedreira na imprensa da época, mas que não foram registradas na SBAT, como A cantora careca, de Eugene Ionesco, Ratos e homens, de John Steinbeck, Seis personagens à procura de um autor, de Luigi Pirandello (tradução que também foi publicada na coleção Teatro Vivo em 1977), Sganarello, de Molière, O inspetor geral, de Nikolai Gogol, Jardim das cerejeiras e As três irmãs, de Anton Tchekov.

De acordo com Almeida Prado (2001, p. 20), “entre as peças apresentadas no triênio de 1930-1932, apenas duas se intitulavam dramas, contra 69 revistas e 103 comédias”. Observando o conjunto de traduções realizadas por Pedreira de obras em italiano, espanhol, inglês, norueguês, russo, etc., percebe-se que as peças escolhidas pelo tradutor para encenação destoam da tradição prevalecente no Brasil até então. Como destaca André Lefevere (1992), profissionais como críticos, resenhistas, professores e, especialmente, tradutores têm o poder de fomentar ou reprimir certas obras literárias, movimentando os sistemas literário e teatral introduzindo inovação. Pedreira, junto à companhia dos Comediantes, foi responsável por revolucionar o repertório teatral no Rio de Janeiro e em São Paulo, abrindo espaço para dramas como Streetcar serem encenados e bem recebidos no país, e também por apresentar ao sistema teatral brasileiro, de forma mais metódica, diversos autores consolidados.

O tradutor escreveu para revistas e periódicos críticas teatrais e musicais a partir do ano de 1931 e com mais afinco na década de 1950, quando seu nome já havia atingido mais peso.

Entre 1958 e 1962, Brutus Pedreira lecionou na recém-fundada Escola de Teatro na Universidade Federal da Bahia (UFBA)72, onde foi responsável pelo setor de traduções, promovendo a tradução sequencial de peças teatrais (SANTANA, 2011, p. 495). Foi nesse período, para as atividades da Escola, que Pedreira realizou a sua tradução de Streetcar.

Em 1962, Brutus Pedreira foi convidado para chefiar a divisão de teatro da Fundação Cultural de Brasília. Subordinou sua ida à capital à rescisão de seu contrato com a UFBA (Ultima Hora, 1962, p. 3). Em 1964, o tradutor faleceu aos 66 anos.

71 Disponível na página da Biblioteca Nacional: <http://catcrd.bn.br/scripts/odwp012k.dll? INDEXLIST=sbat_pr:sbat_db>. Acesso em: 14 fev. 2017.