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V ALG AV FORSKNINGSDESIGN

4. METODE OG METODISKE MOMENTER

4.1 V ALG AV FORSKNINGSDESIGN

Durante o estágio clínico tive a oportunidade de cuidar de quatro puérperas de risco, uma vez que tinham como antecedente pessoal patologia na gravidez. Três das puérperas tinham o diagnóstico de diabetes gestacional (DG) – duas tratadas com insulina, uma controlada com dieta - e outra com história de pré-eclampsia. Uma vez que se trata- vam de mulheres de risco, para além das atividades de vigilância/diagnóstico usuais exigi- am a vigilâncias de outros parâmetros com maior frequência para evitar complicações.

O Consenso sobre Diabetes e Gravidez (DGS, 2011) define a DG como qualquer grau de intolerância aos hidratos de carbono, diagnosticado ou detetado pela primeira vez no decurso da gravidez. Esta patologia tem vindo a aumentar a sua prevalência em todo o mundo, o que implica um acréscimo de recursos em saúde. As implicações decorrentes da diabetes na gravidez, não terminam com o parto, prosseguem num contínuo a médio e a longo prazo, repercutindo-se nas mulheres e nos seus filhos.

De acordo com os protocolos do HPH, as mulheres com história de DG eram vigia- das de acordo com o seu grau patológico e o tratamento a que estavam submetidas. A atuação compreendia o aconselhamento da adoção de um estilo de vida saudável, o incen- tivo da amamentação, a vigilância do bem-estar materno, a deteção de sinais e sintomas de hipo/hiperglicemia e a monitorização dos valores de glicemia capilar. Nas mulheres com DG controladas com dieta, após o parto era monitorizada a glicemia capilar pré- prandial até se obter valores normais em pesquisas consecutivas. Caso a mulher apresenta- se valores sobreponíveis era administrada insulina, de acordo com o protocolo instituído.

Após obtenção de valores considerados normais, de acordo com o protocolo da instituição, era suspensa a monitorização da glicemia capilar, e a mulher não necessitava de mais vigilância específica até voltar à consulta de endocrinologia durante o puerpério. Nas mulheres com história de DG e tratadas com insulina, era monitorizada a glicemia capilar pré-prandial e duas horas pós-prandial durante 48h. Consoante os valores, era ad- ministrada insulina conforme o protocolo instituído. Após as 48h, se apresentasse valores normais, era suspenso o protocolo.

De acordo com o Consenso sobre a Diabetes e Gravidez (DGS, 2011) a vigilância no puerpério imediato será semelhante à da puérpera sem diabetes, com o objetivo de dete- tar e tratar precocemente prováveis complicações. Durante o internamento, os profissio- nais de saúde devem promover a adoção de estilos de vida saudáveis e incentivar a ama- mentação precoce, uma vez que diminui o risco de desenvolvimento futuro da diabetes. Deverão informar sobre os métodos de contraceção mais adequados, considerando que o método progestativo, isolado, não está contra-indicado nas mulheres com DG. Além disso, a vigilância do estado emocional da puérpera com DG deve ser uma prioridade, pois a depressão pós-parto é mais frequente nestes casos.

Nenhuma das puérperas com história de DG apresentou complicações, tendo-se estabilizado os valores de glicemia capilar no tempo expectável, de acordo com os proto- colos definidos e instituídos.

Relativamente à pré-eclampsia, esta diz respeito a uma doença hipertensiva que pode ocorrer a partir das 20 semanas de gestação e que afeta 10% das gravidezes em todo o mundo, constituindo uma das maiores causas de mortalidade e morbilidade materna (ACOG, 2013). É caracterizada pela presença de elevados valores tensionais, associado a proteinúria. É responsável por grande parte dos partos prematuros e a sua etiologia é pou- co conhecida, mas acredita-se, atualmente, que esta patologia advenha de uma invasão trofoblástica deficiente. A pré-eclampsia pode evoluir para casos mais graves, como é o caso da eclâmpsia, do edema agudo do pulmão, do síndrome de HELLP (Hemolysis, Eleva-

ted Liver Enzymes e Low Platelet), do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e da oligúria, com

possível insuficiência renal (Melo et al., 2009)

Face a uma patologia potencialmente devastadora, o enfermeiro tem um papel preponderante na vigilância após o parto, dado que ainda são escassos os estudos relativos à evolução dos valores tensionais na puérpera com pré-eclampsia, bem como a sua forma de tratamento e as caraterísticas maternas durante esse período.

Segundo a bibliografia, e de acordo com o protocolo instituído no HPH, durante o internamento a minha vigilância destes casos englobava a monitorização dos sinais vitais uma vez por turno; a vigilância de edemas que constituem sinais de sobrecarga hídrica e retenção de sódio e água; a vigilância de cefaleias; a vigilância de alterações da visão; o registo da diurese; providenciar dieta hipossalina, pobre em gorduras e polifracionada. Em caso de deteção de algum sinal de alerta, comunicava-se ao médico.

Nos casos vigiados não foi detetada nenhuma complicação durante o internamen- to, observando-se a descida dos valores tensionais para valores normais nas primeiras 24h. Vários estudos demonstram que, na vigilância puerperal, deve existir a prescrição de me- dicação anti-hipertensora para os casos de pré-eclampsia. Tal facto não se verificou du- rante esta prática clínica, apenas quando as mulheres apresentavam quadros de pré- eclampsia grave, ou se mantinha o perfil hipertensivo após o parto. Nessas mulheres, que não foram alvo dos meus cuidados, para além da vigilância descrita, verifiquei que em alguns casos se procedia à administração de sulfato de magnésio e à administração de fármacos anti-hipertensores, de acordo com a prática recomendada pela WHO (2013).

Em todos os casos, considerei pertinente a educação para a saúde, relativamente aos cuidados a ter no domicílio e ao reconhecimento de sinais e sintomas de possíveis complicações. A promoção de estilos de vida saudáveis, o cumprimento do regime tera- pêutico e a deteção de sinais e sintomas de complicações, além das atividades de vigilân- cia, foram as principais intervenções desenvolvidas junto de puérperas com patologia as- sociada à gravidez.