5. PRESENTASJON OG DRØFTING AV FUNN OG RESULTATER
5.3 F ORSKNINGSSPØRSMÅL 3
5.3.2 Delspørsmål 1
5.3.2.2 Hensyn rettet mot deltakerne eller mot bedriften selv?
Tal como tem vindo a ser referido, a gravidez, por si só, implica adaptações fisio- lógicas e psicológicas na mulher, e o casal cria sentimentos e expectativas acerca da gra- videz e do seu bebé. A gravidez compreende uma transição na vida da mulher/casal. A transição, segundo Mercer (1988) é caracterizada por um processo de mudança que resulta no pressuposto de novos papéis e novas relações, permitindo novas auto-conceções. A transição quando ocorre na vida de um indivíduo implica que este se reorganize e se auto- redefina, de modo a conseguir incorporar essa mudança na sua vida (Mercer, 1988).
A gravidez com complicações associadas compromete as expectativas e os senti- mentos criados inicialmente, influenciando a vivência deste novo ciclo de vida na mulher e na família. Perante o internamento hospitalar, os sentimentos negativos exacerbam-se, como o medo, o stresse, a angústia e a ansiedade; e as expectativas ficam comprometidas, como a esperança. A mulher vive momentos de insegurança, tem medo de um feto mal formado e de possíveis complicações para ela e/ou para o RN; vê-se longe da sua rede familiar e de suporte, sente-se isolada e triste, necessitando de apoio e de palavras recon- fortantes (Pozzo, Brusati, Cetin, 2010).
Um estudo realizado por Monteiro (2012) que tinha como objetivo conhecer as vivências das mulheres na gravidez de alto risco com necessidade de internamento, con- cluiu que elas, nesta situação, experienciam diferentes sentimentos como o medo, a ansi- edade/angústia, o choque/depressão, a solidão, sentimentos de culpa, o stresse e a ambi- valência de sentimentos; e criam expectativas, como a esperança e o não conseguir viver a gravidez.
Segundo Meleis (2007), as transições são vividas no contexto da vida da pessoa e implicam uma adaptação e coping face a eventos críticos. A autora considera que o indiví- duo está em constante interação com o seu meio, sendo influenciado por este e que face a determinadas mudanças, este tem necessidade em se adaptar. Essas mudanças podem
corresponder à doença ou ao risco dela, ou mesmo até à presença de vulnerabilidade, podendo desencadear um desequilíbrio do indivíduo. Qualquer pessoa numa situação de transição experiencia várias emoções, podendo muitas delas, estar relacionadas com as dificuldades encontradas na vivência desse processo. O indivíduo para alcançar o equilíbrio tem que encontrar respostas que permitam lidar com as emoções e sentimentos mais ne- gativos (Zagonel, 1999). Segundo Meleis (2007), as pessoas que vivem transições de forma mais positiva conseguem encontrar com mais facilidade a maturidade e o equilíbrio, forta- lecendo-se e tornando-se mais resilientes.
Perante o diagnóstico de complicações na gravidez, a mulher/casal necessitam de se adaptar a esta nova condição. Segundo Lazarus e Folkman (1984), perante uma situação adversa, o ser humano vê-se obrigado a reunir um conjunto de esforços cognitivos e com- portamentais, que permite lidar com necessidades específicas, internas ou externas face a uma situação de maior stresse. Desta forma, fala-se de coping como um processo ativo que resulta da avaliação que o indivíduo faz a partir da relação entre si e o ambiente (Lazarus e Folkman, 1984). Os autores defendem que perante uma situação de potencial ameaçada, o indivíduo deve desenvolver estratégias de coping que permitam lidar com a situação de stresse, encontrando um equilíbrio emocional que permita a resolução do problema.
Importa referir, neste contexto, o conceito de coping uma vez que a mulher/casal necessitam de aprender a viver a gravidez com elevado risco, desenvolvendo estratégias de coping, facilitadoras de uma transição saudável. Segundo o ICN (2011, p. 46), o coping consiste numa “atitude: gerir o stresse e ter uma sensação de controlo e de maior confor-
to psicológico”.
A transição de uma gravidez de baixo risco para uma gravidez de alto risco, com- preende um momento crítico para a mulher grávida, assim como para toda a sua família. De forma geral, nesta situação, as mulheres conhecem os riscos potenciais para elas e para o seu filho, alterando as suas expectativas (Monteiro, 2012). Segundo o estudo realizado pela autora, no que diz respeito à esperança, “as mulheres e as suas famílias lutavam
para permanecer positivas e manter o sentimento de esperança no meio das mudanças extenuantes que um diagnóstico da gravidez de risco trouxera às suas vidas” (p. 67).
A esperança, ou a falta dela, encontra-se associada a várias dimensões da existên- cia humana, quer seja no domínio pessoal, profissional, familiar e/ou social. Snyder (2002) considera que a esperança é um dos constructos da psicologia positiva, embora a auto- eficácia e a auto-estima possam estar também diretamente relacionados com o compor- tamento positivo. De facto, a esperança desenvolve-se cedo na vida humana e está orien- tada para o futuro.
Segundo Cavaco et al. (2010), a esperança apresenta, na vida humana, um papel primordial, sendo vivida de forma pessoal e única, apesar da influência que o ambiente tem. A pessoa tem necessidade de alcançar um significado para a vida, especialmente em situações de crise, sendo uma dimensão essencial para lidar com a doença/morte. Esta é considerada a “faísca” invisível e intocável que move o indivíduo na direção da procura de
ajuda, permitindo suportar momentos difíceis. Caracteriza-se por uma “confiante, ainda
que incerta, expectativa de atingir o futuro bom, realisticamente possível e pessoalmente significante” (Miller, 2007 cit. por Cavaco et al., 2010, p. 94).
Segundo o ICN (2011, p. 53), a esperança caracteriza-se por uma “emoção: senti-
mento de ter possibilidades, confiança nos outros e no futuro, entusiasmo pela vida, ex- pressão de razões para viver e de desejo de viver, paz interior, otimismo; associada ao traçar de objetivos e mobilização de energia”. Desta forma, a esperança tem um papel
fundamental nos contextos de saúde, especialmente, na prática do enfermeiro, uma vez que é ele quem cuida da pessoa/família que vive uma determinada crise, sendo indispen- sável na promoção de estratégias promotoras de esperança (OE, 2011).
Importa ainda referir que o conceito de resiliência deve estar presente quando se fala em transição ou necessidade de adaptação. A resiliência, segundo Hoch e Rocca (2007), refere-se à capacidade do ser humano (indivíduo, família ou mesmo uma comuni- dade) de construir uma trajetória de vida positiva/saudável, apesar de viver em contexto adverso. Trata-se de um fenómeno complexo e dinâmico que se constrói de forma gradual, a partir das interações vivenciadas pela pessoa inserida no seu meio ambiente, as quais podem promover a capacidade de enfrentar com sucesso situações que representam uma ameaça ao seu bem-estar. Representa, ainda, um caminho possível para que os profissio- nais de saúde possam realmente trabalhar de forma prioritária à saúde, dando ênfase às potencialidades da pessoa/família, de modo a criar condições favoráveis para “desenvol- ver” sujeitos capazes de responder positivamente às situações da vida quotidiana, apesar do ambiente de elevado risco.
Segundo Gadanho (2014), os conceitos de coping e resiliência estão intimamente relacionados, no entanto “o coping foca a estratégia utilizada para lidar com a situação,
independentemente do resultado obtido, a resiliência concentra a sua atenção no resulta- do da(s) estratégia(s) utilizada(s), que seria uma adaptação do sujeito bem sucedida fren- te às adversidades” (Taboada, Legal e Machado, 2006, cit. por Gadanho, 2014, p. 15).
Durante o meu percurso no estágio de gravidez com complicações constatei uma ambivalência, face às expectativas iniciais da mulher/casal, transversais a todo o processo perinatal e pós-natal. Sabe-se que, perante uma gravidez de alto risco com necessidade de internamento existe um comprometimento da esperança que dificulta a vivência deste processo. A mulher, durante o internamento, está sujeita ao tratamento instituído, às rotinas do serviço, ao repouso no leito, às restrições dos horários das visitas, à partilha do espaço/quarto com outras clientes e à falta de privacidade. Tudo isto, compromete o seu bem-estar e aumenta a sua necessidade de adaptação. Por esse motivo, deve estar consci- encializada de todo este processo e desenvolver estratégias de coping que permitam viver a gravidez com complicações de forma mais harmoniosa. O enfermeiro torna-se essencial nesse processo, uma vez que está habilitado para assistir pessoas que vivem transições (Meleis, 2007). Importa salientar que a vivência de uma crise está também dependente do
conceito de resiliência, pelo que, constatei que mulheres mais resilientes conseguem viver com mais esperança a gravidez com complicações.
Esta minha revisão da literatura tem como objetivo constituir um contributo para a prática de uma enfermagem sensível às necessidades específicas de cada mulher/casal, de modo a minimizar os sentimentos negativos associados a uma gravidez com complica- ções.