Kapittel 3. Metode og datagrunnlag
4.7 Utviklingen av pensjontrygden i Sovjetunionen på 1970-1980 tallet
Dois são os discursos em que Lísias refere-se a Cleofonte: no primeiro, Contra Agorato, ele defende a causa daqueles que foram assassinados em nome da democracia, pois seu primo, Dionisodoro, morrera assim, durante o governo dos Trinta. Já em Contra Nicômaco, Lísias acusa Nicômaco de ter-se mantido em um cargo, que deveria ter a duração de quatro meses, durante seis anos, escrevendo e rescrevendo as leis de Sólon.
Falarei primeiro sobre a menção a Cleofonte em Contra Agorato. Nesse discurso, ele explica que, após a derrota em Egospótamos, quando Atenas estava mais sensibilizada e debilitada, aqueles que tinham em mente uma revolução no governo, viram uma boa oportunidade de agir. Mas esses tinham apenas um obstáculo: os líderes do partido democrata, dentre eles, Cleofonte.
Após a batalha de Egospótamos, como se sabe, os lacedemônios ofereceram um acordo de paz, com a condição de que as longas muralhas fossem derrubadas – Lísias não menciona, na passagem em questão (Contra Agorato, 8-9), a mudança do governo como uma das condições dos espartanos. Nesse momento então, Lísias diz que Cleofonte se levantou na Assembleia e, defendendo os interesses do povo, foi contrário à negociação. ἢὁὄὧm,Ν ἦἷὄὢmἷὀἷὅ,Ν “ὃὉἷΝ ἷὅὈἳvἳΝ ὈὄἳmἳὀἶὁΝ ἵὁὀὈὄἳΝ ὁΝ pὁvὁΝ ἳὈἷὀiἷὀὅἷ”Ν (), levantou-se e disse que se conseguissem enviar um embaixador para fazer o acordo, ele conseguiria uma boa negociação com os espartanos, de modo que não houvesse nenhum dano às muralhas, nem a base alguma da cidade e de modo que ainda conseguisse algum benefício extra neste acordo.75 Assim, Lísias diz que, depois que os atenienses foram convencidos a enviar um embaixador para entrar em acordo com os lacedemônios, Terâmenes foi embora e deixou os atenienses sozinhos, na pior das condições, pois (Contra Agorato, 11.1-12.5):
75 Note-se a semelhança dessa passagem ao relato de Ésquines, quando ele retrata os bons termos oferecidos
(έέέ)Ν θκηέαπθ,Ν Ν δαγ έβΝ η μΝ [ πσλπμ]Ν π λΝ δΫγβε θ,Ν ηΫθπμΝ πκδαθ δθκ θΝ γ ζ αδΝ θΝ λάθβθΝπκδά α γαδέΝκ Ν ΥΝ θγΪ Ν πκηΫθκθ μΝ εαὶΝ πδίκυζ τκθ μΝ εα αζ αδΝ ὴθΝ βηκελα έαθΝ μΝ ΰ θαΝΚζ κφ θ αΝεαγδ δ,Νπλσφα δθΝηὲθΝ δΝκ εΝ ζγ θΝ μΝ ὰΝ πζαΝ θαπαυ ση θκμ,Ν ὸΝ ΥΝ ζβγὲμΝ δΝ θ ῖπ θΝ πὲλΝ η θΝηὴΝεαγαδλ ῖθΝ ὰΝ έξβέ “[ἦἷὄὢmἷὀἷὅ]ΝἵὁὀὅiἶἷὄἳὀἶὁΝὃὉἷΝὅἷΝὁὅΝἵὁlὁἵἳὅὅἷΝἷmΝὉmἳΝ situação difícil, como de fato o fez, vocês aceitariam, de bom grado, os acordos de paz, sob quaisquer condições. Os outros permaneceram aqui e, desejando destruir a democracia, levaram Cleofonte a julgamento, dizendo que ele não fora para o acampamento, para descansar, mas, a verdade é que ele fez isso porque falava em favor do povo, para que as muralhas não fossem ἶἷmὁliἶἳὅέ”(Tradução minha)
É evidente, nessa passagem, que Lísias defende Cleofonte e que torna Terâmenes responsável por ter enganado o povo, diferentemente do que apontam Aristóteles e Ésquines acerca desse mesmo evento. É preciso lembrar que o intuito dessa defesa a Cleofonte por parte de Lísias está em mostrar a injustiça na execução de seu primo, Dionisodoro, que foi morto logo depois desses fatos, quando veio a defender Cleofonte e seus interesses. Já em Contra Nicômaco, embora Lísias não esteja fazendo a defesa de um parente seu, ainda de forma mais benévola retrata Cleofonte, como demonstrarei a seguir.
Depois que o governo dos Quatrocentos foi deposto, em 411, o governo de Atenas ficou nas mãos dos Cinco Mil, em um governo transitório entre oligarquia e democracia. Nesta época, surgiu uma comissão para que fosse feita uma revisão na Constituição e um dos trabalhos era o de copiar a Constituição estabelecida por Sólon,76 recuperando dados que foram perdidos nos primeiros manuscritos, como o valor das multas a serem aplicadas ou até mesmo alguma falta de uniformidade entre um decreto e o seu uso (ἜχἝἐμ1λἁίμἄίλ)έΝἠiἵômἳἵὁΝἷὀὈὤὁΝἸὁiΝἷὅἵὁlhiἶὁΝpἳὄἳΝἳΝἸὉὀὦὤὁΝἶἷΝ“ἵὁpiὅὈἳ”Νἷ,Νἷmἴὁὄἳ,Ν diga-se que ele deveria permanecer nesse cargo por um período determinado de apenas quatro meses, findou por passar seis anos nessa posição.
Durante o governo dos Trinta, ele permaneceu exilado e retomou o seu cargo em 403, porém com uma função mais específica, que era a de fazer a revisão das leis referentes às cerimônias religiosas. Mais uma vez, foi-lhe determinado o período de um
76 Essa comissão era constituída por legisladores que estavam encarregados de copiar de tabuletas
danificadas pelo tempo a Constituição de Sólon, fazendo ajustes na linguagem, nos valores das multas e outros quesitos que necessitavam de atualização.
mês para que ele entregasse o cargo, mas ele se recusou a fazê-lo, permanecendo na função por mais quatro anos.
Um dos argumentos utilizados por Lísias – quem lhe faz a acusação – é a de que Nicômaco teria tentado denegrir a sua imagem, associando-o ao golpe oligárquico dos Quatrocentos. Lísias não só refuta essa acusação, dizendo que ele estava tão longe de se tornar um oligarca que nem sequer participou do governo dos Cinco Mil como acusa Nicômaco de tramar junto dos oligarcas para a execução de Cleofonte, um dos maiores inimigos dos oligarcas. É nesse contexto então, que segundo Lísias, depois da batalha de Egospótamos, Cleofonte revirou o Conselho, dizendo que uma conspiração estava sendo tramada, e que não se buscava o melhor para a cidade. E assim, o orador clama aos jurados (Contra Nicômaco, 12.1-13.1): Κζ κφ θ κμΝ κέθυθ,Ν Ν θ λ μΝ δεα αέ,Ν λαΝηὲθΝ θΝ δμΝ ξκδΝ εα βΰκλ αδέΝ κ κΝ ὲΝπαλὰΝπΪθ πθΝ ηκζκΰ ῖ αδ,Ν δΝκ Νεα αζτκθ μΝ ὸθΝ ηκθΝ ε ῖθκθΝ ίκτζκθ κΝηΪζδ αΝ θΝπκζδ θΝ επκ ὼθΝΰ θΫ γαδ,Ν εαὶΝ δΝ Ϊ υλκμΝ εαὶΝ ΧλΫηπθΝ κ Ν θΝ λδΪεκθ αΝ ΰ θση θκδΝ κ ξΝ πὲλΝ η θΝ λΰδαση θκδΝ Κζ κφ θ κμΝ εα βΰσλκυθ,Ν ζζΥΝ θαΝ ε ῖθκθΝ πκε έθαθ μΝα κὶ ὑ ᾶς κακῶς οιῶσι.
“ἓὀὈὤὁ Cleofonte, senhores jurados, alguém poderá acusar de trazer outras coisas. Mas todos devem concordar com isso: que os subversores da democracia queriam livrar-se dele mais do que qualquer outro cidadão, e que Sátiro e Crêmon, que eram membros dos Trinta, acusaram Cleofonte não enraivecidos por como ele os tratava, mas para que, matando-o, eles próprios pudessem prejudicá-los.” (Tradução minha)
Assim, o que é possível verificar nos dois relatos que Lísias faz de Cleofonte é que ele agiu do modo que agiu, indo contra as negociações de paz, por defender os interesses do povo, da democracia. Note-se ainda que, em momento algum, a cidadania duvidosa de Cleofonte é apontada, mesmo no momento em que Lísias questiona o nascimento de Nicômaco (Contra Nicômaco, 9). Mas, obviamente, essa não seria uma questão que auxiliaria Lísias na sua argumentação, pois poria em dúvida a integridade do homem a quem ele defende.
Destarte, tendo em vista como se deu o retrato de Cleofonte, no que diz respeito à ὅὉἳΝἳὈiὈὉἶἷΝἶὉὄἳὀὈἷΝἳὅΝὀἷgὁἵiἳὦõἷὅΝἶἷΝpἳὐΝἵὁmΝἓὅpἳὄὈἳ,ΝὧΝpὁὅὅívἷlΝvὁlὈἳὄΝὡΝpἳὄὠἴἳὅἷΝἶ’As Rãs e procurar compreender algumas questões: (1) a pilhéria contra o democrata teria influenciado em sua condenação à morte?; (2) Aristófanes teria previsto que Cleofonte seria condenado, baseado em quê?; (3) teria o texto sido modificado, para a segunda
performance, de modo a adequar-se ao contexto, no qual Cleofonte já teria sido condenado?