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Kapittel 5. Den sovjetiske velferdsstaten i lys av Esping-Andersens typologi

5.6 Familialismedimensjon

5.6.5 Utgifter til subsidiering av familier med barn

Antes de falar sobre a narrativa dentro das parábases, acredito ser necessário discutir uma afirmação de Bowie que, ao meu ver, não leva em consideração a complexidade que tem a estrutura da parábase e as transformações que ocorrem nela ao longo da carreira de AristófanἷὅέΝἐὁwiἷΝ(ἀίίἂμΝἀἆἆ)ΝἶiὐΝὃὉἷΝ“no curso da ação dramática, os narradores falam de eventos dos quais eles tiveram uma grande participação, mas nas parábases, o coro geralmente menciona eventos que lhes são mais tangenciais. 100

Quando Bowie faz tal afirmação, está claramente pensando nas parábases da primeira fase da carreira de Aristófanes, em que o coro, identificando-se com a figura do poeta nos anapestos, falava em seu nome sobre questões que não estavam diretamente relacionadas à trama da peça.

Mas é evidente que isso não se aplica a todas as passagens parabáticas e é possível provar isso com o apontamento breve de algumas parábases em que o coro claramente menciona eventos que lhes concerne diretamἷὀὈἷέΝ ἠ’Ν As Aves (vv.685-705), as aves contam a sua própria teogonia, em Lisístrata (vv.614-635 e 636-657; vv.658-681 e 682- 705), o coro que é dividido entre o coro de velhos e o coro de mulheres, defronta-se, dirigindo insultos um ao outro e em As Tesmoforiantes (vv.785-845), as mulheres que compõem o coro defendem-se das acusações misóginas tão comuns na Grécia Antiga e fazem um elogio ao gênero feminino.

Assim, é preciso ter muita cautela ao se fazer qualquer generalização acerca da parábase, pois ela não é uma estrutura completamente fixa e sofreu diversas mudanças ao longo da carreira de Aristófanes. O poeta, consciente do modo como ela funcionava ostna

99 Para outras passagens narrativas que são obscuras ou constantemente interrompida, vide Bowie (2004).

100In the course ὁἸΝὈhἷΝplἳyὅ’ΝἳἵὈiὁὀ,ΝὈhἷΝὀἳὄὄἳὈὁὄὅΝὈἷllΝὁἸΝἷvἷὀὈὅΝὈhἷyΝ hἳvἷΝhἳd a major role in, but in parabases the chorus often mention events to which they were more tangential. Tradução minha. Grifos

comédia, passou então a fazer experimentos, a meu ver, em favor de um melhor desenvolvimento da trama, como demonstrarei mais adiante.

Quanto ὡΝpἳὄὠἴἳὅἷΝἶ’As Rãs, é possível verificar que as mudanças estruturais feitas pelo autor são ainda mais complexas e, para compreendê-las, é necessário que se expliquem as partes constituintes da parábase. Embora no corpus aristofânico nem todas as peças possuam todas as partes a seguir mencionadas, a parábase ideal seria, no que diz respeito à sua forma, dividida em duas grandes partes: a parte simples (composta de kommátion e anapestos) e a parte coordenada, também coὀhἷἵiἶἳΝ pὁὄΝ “ὅiὐígiἳΝ epiὄὄἷmὠὈiἵἳ”,ΝὀἳΝὃὉἳlΝὅἷΝἳlὈἷὄὀἳmΝpἳὄἷὅΝἶἷΝὁἶἷs e epirremas.

Tendo essas estruturas formais que compõem a parábase em mente, volto, então, à questão da narrativa. Quando Bowie diz que as parábases são alguns dos momentos em que a comédia se permite longas passagens ininterruptas de narração, ele não determina especificamente o que ele entende por narração, mas, levando-se em consideração o conceito de narrativa apresentado por Irene de Jong (2004:06), acredito que, seguindo esse concἷiὈὁ,ΝἐὁwiἷΝἷὀὈἷὀἶἳΝpὁὄΝὀἳὄὄἳὈivἳΝ“ἳΝὅἷὃὉêὀἵiἳΝἶἷΝἳὁΝmἷὀὁὅΝἶὁiὅΝἷvἷὀὈὁὅΝὄἷἳiὅΝ ὁὉΝἸiἵὈíἵiὁὅ”έΝ

ἠὁΝὅἷὀὈiἶὁΝἷὀὈἷὀἶiἶὁΝpὁὄΝDἷΝJὁὀg,ΝὀὤὁΝἷxiὅὈἷ,ΝὀἳΝpἳὄὠἴἳὅἷΝἶ’As Rãs, uma longa passagem narrativa, pois, ao meu ver, diversos eventos deveriam ser narrados extensivamente, para que fosse possível considerar a passagem como sendo de uma narração longa. Mas o que se encontra na parábase são mais conselhos aos espectadores do que propriamente narrações. Quando estas ocorrem, são breves e têm mais a função de reforçar as más escolhas políticas feitas pelos espectadores.

Há, porém, um modo mais amplo de se compreender a narrativa e este, acredito ἷὉ,ΝὅἷἼἳΝmἳiὅΝiὀὈἷὄἷὅὅἳὀὈἷΝpἳὄἳΝἳΝἳὀὠliὅἷΝἷὅpἷἵíἸiἵἳΝἶἳΝpἳὄὠἴἳὅἷΝἶ’ΝAs Rãs. Como bem nota Irene de Jong (2004:06), há uma linha de estudiosos da narratologia que entende a narrativa do mesmo modo que Aristóteles compreende o mythos, ou seja, como uma organização de eventos. Assim, para um deles, Markantonatos, interessam não somente as passagens em que uma sequência de eventos é narrada, mas também como o próprio autor da peça, enquanto um narrador invisível, organiza a trama da história que está contando.

Deste modo, para Markantonatos (2002:07):

Ele [o poeta] também seleciona o local da peça (e, é claro, todas as possíveis deslocamentos topográficos) e, no caso específico da

tragédia, ele dirige parâmetros externos, tais como a música que deve acompanhar cada ação. Ele define a maneira pela qual os eventos vão ser apresentados para a audiência – isto é, se eles vão ser encenados ou recontados pelas personagens. Finalmente, ele determina, de maneira bem ampla, as condições especiais que governam a relação intrincada entre a peça e a sua audiência original.101

Observar a parábase sob este ponto de vista, para mim, é mais interessante, no ἵἳὅὁΝἶ’ΝAs Rãs, do que buscar a narrativa dos eventos que ela conta. Compreender como Aristófanes apresenta a parábase nesta peça e, mais do que isso, o momento em que ele a insere na trama, pode ser útil para a compreensão da peça como um todo.

Asὅim,Νὀ’As Rãs, foi visto que Aristófanes abre mão da parte simples da parábase, deixando apenas a sizígia epirremática, que é o momento em que o coro apresenta conselhos à cidade. Fazendo isso, ele deixa de lado o autoelogio do coro e traz ao foco as questões políticas que interessam aos espectadores. Mas é preciso levar em consideração que há uma passagem em que o coro canta anapestos, no segundo párodo (vv.354-371), que, segundo Duarte (2000:211), “ἵἳἴἷὄiἳΝἵὁmὁΝὉmἳΝlὉvἳΝἷmΝὉmἳΝpἳὄὠἴἳὅἷΝἶἷΝὅἷgὉὀἶἳΝ Ἰἳὅἷ”μ φβη ῖθΝξλὴΝε ιέ α γαδΝ κῖμΝ η Ϋλκδ δΝξκλκῖ δθ,Ν δμΝ π δλκμΝ κδ θ ΝζσΰπθΝ ΝΰθυηβθΝηὴΝεαγαλ τ δ,Ν 355 Νΰ θθαέπθΝ λΰδαΝΜκυ θΝηά ΥΝ θΝηά ΥΝ ξσλ υ θ,Ν ηβ ὲΝΚλα έθκυΝ κ Ν αυλκφΪΰκυΝΰζυ βμΝ αεξ ῖΥΝ ζΫ γβ,Ν ΝίπηκζσξκδμΝ π δθΝξαέλ δΝηὴΝΥθΝεαδλ Ν κ κΝπκδκ δθ,Ν Ν Ϊ δθΝ ξγλὰθΝηὴΝεα αζτ δΝηβ ΥΝ εκζσμΝ δΝπκζέ αδμ,Ν ζζΥΝ θ ΰ έλ δΝεαὶΝ δπέα δΝε λ θΝ έπθΝ πδγυη θ, 360 Ν μΝπσζ πμΝξ δηαακηΫθβμΝ λξπθΝεα α πλκ κε ῖ αδ,Ν Νπλκ έ π δθΝφλκτλδκθΝ Νθα μ,Ν Ν πσλλβ ΥΝ πκπΫηπ δΝ ιΝ ΰέθβμΝΘπλυεέπθ θΝ εκ κζσΰκμΝεαεκ αέηπθ,Ν ευηα αΝεαὶΝζέθαΝεαὶΝπέ αθΝ δαπΫηππθΝ μΝ πέ αυλκθ,Ν Νξλάηα αΝ αῖμΝ θΝ θ δπΪζπθΝθαυ ὶθΝπαλΫξ δθΝ δθὰΝπ έγ δ,Ν 365 Νεα α δζ Ν θΝ εα έπθΝευεζέκδ δΝξκλκῖ δθΝ π πθ,Ν Ν κὺμΝηδ γκὺμΝ θΝπκδβ θΝ ά πλΝ θΝ ΥΝ πκ λυΰ δ,Ν επηῳ βγ ὶμΝ θΝ αῖμΝπα λέκδμΝ ζ αῖμΝ αῖμΝ κ Ν δκθτ κυέΝ Σκτ κδμΝα Νεα γδμΝπαυ Νεα γδμΝ ὸΝ λέ κθΝηΪζΥΝπαυ Ν ιέ α γαδΝητ αδ δΝξκλκῖμ·Ν η ῖμΝ ΥΝ θ ΰ έλ Νηκζπὴθ 370 εαὶΝπαθθυξέ αμΝ ὰμΝ η ΫλαμΝα Ν ΝπλΫπκυ δθΝ κλ έ

101 ἦὄἳἶὉὦὤὁΝmiὀhἳέΝ“He also selects the setting of the play (and, of course, all possible topographical

displacements) and, in the special case of tragedy, directs such external parameters as the musical score which is to accompany the action. He defines the very manner in which the events are to be relayed to the audience – that is, whether they are to be staged, or recounted by the characters. Finally, he determines, to a large measure, the special conditions which govern the intricate relationship between the play and the ὁὄigiὀἳlΝἳὉἶiἷὀἵἷέ”

CORIFEU: Ao nosso coro é preciso falar bem e que dele se distancie

quem inexperiente nestas palavras for ou não purificar o pensamento, 355 ou os rituais das memoráveis Musas não tiver visto nem celebrado,

nem se iniciou no culto báquico verbal de Cratino, o devora-touros ,

ou que se apraz com palavras vulgares, sem fazer isso no momento oportuno, ou não dissolve a detestável guerra civil, nem aos cidadãos é pacífico,

mas a encoraja e inflama-a, desejando o ganho individual, 360 ou que, governando a cidade em tempestade, devido ao suborno, incite-a à

[discórdia, ou que abandone o forte ou a nau, ou mercadorias proibidas exporte pela Egina, como um Torícion , colecionador de juros, desgraçado, que pedaços de couro, fios de linho e piche para Epidauro encaminha ,

ou persuade alguém a providenciar dinheiro às naus dos adversários 365 ou defeca nas oferendas a Hécate , ao cantar junto aos coros cíclicos ,

ou que seja um orador que abocanha o pagamento dos poetas, após ter sido satirizado nos festivais ancestrais a Dioniso.

A estes digo outra vez e redigo outra vez, ainda terceira vez redigo:

afastem-se dos coros de iniciados. (Dirigindo-se ao coro) Quanto a vocês, iniciai [o canto e a dança 370 e as nossas vigílias noturnas que direcionam este nosso festival.

Nesta passagem, o coro claramente se identifica como os iniciados nos Mistérios de Elêusis e condena aqueles que não tenham participado dos cantos báquicos e das orgias das Musas, o que é condizente com o seu papel de iniciados. Além disso, as críticas aos maus cidadãos são condizentes com os anapestos da parábase e antecipam o conteúdo da parábase ao meio da peça.

É interessante notar que a parábase encontra-se justamente no meio da peça e funciona como o momento de transição entre as duas partes do enredo: a jornada de Dioniso e Xântias até o Hades e o julgamento dos dois poetas.

Para aqueles que acreditam que a peça não possua unidade, a parábase vem para provar o contrário: ela retoma temas importantes que aparecem desde o início da peça. As trocas de figurino entre Xântias e Dioniso, seu mestre, diante dos portões do Hades, remetem-nos à falta de distinção entre os papéis sociais, depois de escravos tornarem-se cidadãos por terem lutado na batalha de Arginusas e a própria jornada de Dioniso, ao derrotar as rãs-cisnes, confere-lhe maior autoridade para ser juiz na disputa entre os tragediógrafos.

Além disso, se for considerado que a parábase foi desmembrada, tendo os anapestos adiantados para o segundo párodo, encontra-se na sizígia epirremática uma estrutura que funciona como um microcosmo da própria peça: em um movimento espiral, num primeiro momento, encontramos a referência aos estrangeiros que estão tomando o poder, representados na figura de Cleofonte, o que remonta à discussão das inversões de

papéis entre escravos e seus mestres. Essa discussão avança no primeiro epirrema, em que o coro discute a necessidade de se restituir o direito aos cidadãos que participaram do golpe oligárquico de 411. Na antode, um novo ponto é adicionado ao problema, que é o problema em se tolerar falsificações, como as que Clígenes faz ao adulterar o sabão. E, por fim, este tema é desenvolvido por meio da metáfora da cunhagem das moedas e com o pedido do coro em que se reconsidere quem são os governantes atuais de Atenas.

Do mesmo modo, a trama da peça funciona em um movimento semelhante de espiral, pois, num primeiro momento, vê-se apresentada a necessidade de salvação da cidade por meio de um poeta hábil. No verso 33 surge pela primeira vez a questão dos escravos que se tornaram cidadãos. Num segundo movimento, as habilidades poéticas de Dioniso são testadas pelas rãs, o que reforça a sua ligação com a poesia e mais uma vez o tema dos escravos que se tornam mestres é retomado e, aqui, vê-se a dificuldade que Éaco tem em distinguir quem tem a nobre linhagem e quem é o escravo, de modo que os dois acabam apanhando.

Após a parábase, então, em um terceiro movimento, as esferas políticas e literárias são misturadas. No final da disputa, não são os critérios literários que fazem com que Dioniso tome a sua decisão final, mas sim a resposta dos dois tragediógrafos acerca de um problema político bem específico: o retorno de Alcibíades.

É preciso notar, ainda, que o modo como Aristófanes arranja as estruturas formais da peça auxilia na fluidez do enredo. Não somente o desmembramento da parábase é uma de suas inovações, mas, como bem nota Duarte (2000:213):

A ordem habitual das partes é subvertida: a parábase antecede o agón, que tem a duração estendida; as cenas episódicas se inserem no começo da peça; prólogo e párodo são duplicados – dividida, parábase também se dá em dois tempos. Em resumo, os elementos estruturais são rearranjados em função do melhor desenvolvimento do enredo. Assim, os dois prólogos-párodos anunciam etapas distintas do enredo, a descida ao Hades e a disputa literária, e a realização do agón, no final, além de coincidir com essa última, adia o desenlace da trama até o êxodo.

Assim, eu acredito que não seja apenas um experimento fortuito que tenha levado Aristófanes a desmembrar a sua parábase, em primeiro lugar e a colocar a parte política dela no centro da peça. Ao rearranjar assim suas seções, ele traz mais força aos conselhos dados e deixa mais evidente a relação entre as duas partes da peça. A decisão de Dioniso deixa evidente que Ésquilo representa tudo aquilo que defende o coro na parábase: ele é

ὁΝὅímἴὁlὁΝἶἷΝὉmἳΝχὈἷὀἳὅΝglὁὄiὁὅἳ,ΝgὁvἷὄὀἳἶἳΝpὁὄΝἵiἶἳἶὤὁὅΝ“pὉὄὁὅ”,ΝἶἷΝὁὄigἷmΝὀὁἴὄἷ,Ν enquanto Eurípides é representante de uma nova geração em que as coisas aparentam uma coisa, mas são outras, em que os deuses tradicionais são questionados e em que políticos como Terâmenes, que ficam sempre em cima do muro, são seus discípulos.