Kapittel 5. Den sovjetiske velferdsstaten i lys av Esping-Andersens typologi
5.5 Stratifiseringsdimensjon
O motivo desse arrependimento, como demonstrarei, é desenvolvido no segundo epirrema e é também um tema recorrente ao longo da peça. Chegarei a isso, mas antes, é preciso ver o conteúdo da segunda ode (antode vv. 706-717):
Ν ΥΝ ΰὼΝ λγὸμΝ ῖθΝίέκθΝ θΫλκμ {} Ν λσπκθΝ δμΝ ΥΝκ ηυι αδ,Ν κ ΝπκζὺθΝκ ΥΝ ΝπέγβεκμΝκ κμΝ Νθ θΝ θκξζ θ,Ν Κζ δΰΫθβμΝ Νηδελσμ,Ν Νπκθβλσ α κμΝίαζαθ ὺμΝ πσ κδΝ 710 ελα κ δΝευεβ έ φλκδ ο υ κζέ λκυΝ Νεκθέαμ εαὶΝΚδηπζέαμΝΰ μ,Ν ξλσθκθΝ θ δα λέο δ·Ν ὼθΝ ὲΝ Ϊ ΥΝκ εΝ λβθδεὸμΝ γΥ,Ν θαΝηάΝπκ Νε - 715 πκ υγ Νη γτπθΝ - θ υΝιτζκυΝία έαπθέΝ
Se eu vejo corretamente a vida de um varão {antíst.} − que ainda chorará − ou seu caráter,
este macaco, que atualmente só causa problema, Clígenes, baixinho,
o mais patife rapaz da casa de 710
banho, dentre os que são mestres na mistura do sabão espúrio
e da terra de Címolo92,
não muito viverá: e, vendo isso,
não está em paz e teme que 715
o dispam93, quando bêbado, estiver caminhando sem o porrete.
A antode é dedicada a Clígenes, de quem pouco se sabe. Em Andócides (1.96), ele é citado secretário do Conselho, no ano de 410/9. Sua estatura pequena foi motivo de piada em A Paz (vv. 789-790) e Mulheres na Assembleia (v. 629), em que se assume que sua baixa estatura é proporcional ao seu desempenho sexual.
A comparação com um macaco pode ter por base tanto à sua feiura quanto o seu caráter trapaceiro. Mais do que isso, é interessante que se perceba que apenas três vezes, nessa peça, os políticos são comparados a animais. Como já discuti, Cleofonte é associado à andorinha, o que representa a sua origem bárbara. Clígenes, aqui, é associado a um
92 As cinzas umedecidas, o bicarbonato de sódio e a argila eram usados para a fabricação do sabão na Grécia
antiga. A argila provinha da ilha de Cimolo. O sabão era adulterado, adicionando-se outros ingredientes à mistura, e a sua fabricação era responsabilidade das casas de banho.
macaco, o que representa um caráter trapaceiro e, ao final da peça, Alcibíades é associado ao leão. Discutirei essa questão mais adiante, mas é importante já notar que existe claramente uma diferenciação de valores entre os dois primeiros casos e o caso de Alcibíades, sendo este mais valoroso do que aqueles.
Clígenes possivelmente foi dono de uma casa de banho e de uma lavanderia e é zombado por isso, pois o mesmo nome que designa o dono do estabelecimento (, balaneús), serve também para os empregados que tinham o cargo mais baixo lá, que era o de banhar os clientes.
À primeira vista, a antode não parece estabelecer uma relação direta com o ataque a Cleofonte na ode e nem à discussão sobre os cidadãos que perderam seus direitos em 411. Porém ela prepara a audiência para a metáfora da cunhagem das moedas que será apresentada no antepirrema. A acusação que cai sobre Clígenes, de que ele adulterava o sabão, inicia a discussão sobre a tolerância em relação ao falso e ao verdadeiro, que, de modo muito evidente, ao ser transportada para a esfera da cidade, diz respeito também ἳὁὅΝ ὀὁvὁὅΝ ἵiἶἳἶὤὁὅ,Ν ἵiἶἳἶὤὁὅΝ “ἳἶὉlὈἷὄἳἶὁὅ”Ν ὃὉἷΝ ὅóΝ ἳἶὃὉiὄiἳmΝ ὁὅΝ ἶiὄἷiὈὁὅΝ ὡΝ ἵiἶἳἶἳὀiἳΝ porque Atenas estava em uma situação desesperadora.
Assim, com a referência a Clígenes e à adulteração do sabão, o coro prepara a audiência para a discussão que se segue (vv.718-737: antepirrema):
ΠκζζΪεδμΝΰΥΝ ηῖθΝ κι θΝ ΝπσζδμΝπ πκθγΫθαδΝ α ὸθΝ μΝ Ν θΝπκζδ θΝ κὺμΝεαζκτμΝ Νε ΰαγκὺμΝ μΝ Ν λξαῖκθΝθσηδ ηαΝεαὶΝ ὸΝεαδθὸθΝξλυ έκθέΝ 720 Ο ΝΰὰλΝ κτ κδ δθΝκ δθΝκ Νε εδί βζ υηΫθκδμ,Ν ζζὰΝεαζζέ κδμΝ πΪθ πθ,Ν μΝ κε ῖ,Νθκηδ ηΪ πθΝ εαὶΝησθκδμΝ λγ μΝεκπ ῖ δΝεαὶΝε επ πθδ ηΫθκδμΝ θΝ Ν κῖμΝ ζζβ δΝεαὶΝ κῖμΝίαλίΪλκδ δΝπαθ αξκ Ν ξλυη γΥΝκ Ϋθ,Ν ζζὰΝ κτ κδμΝ κῖμΝπκθβλκῖμΝξαζεέκδμΝ 725 ξγΫμΝ ΝεαὶΝπλυβθΝεκπ ῖ δΝ Νεαεέ ῳΝεσηηα δέΝ Σ θΝπκζδ θΝγΥΝκ μΝηὲθΝ η θΝ ΰ θ ῖμΝεαὶΝ υφλκθαμΝ θ λαμΝ θ αμΝεαὶΝ δεαέκυμΝεαὶΝεαζκτμΝ Νε ΰαγκὺμΝ εαὶΝ λαφΫθ αμΝ θΝπαζαέ λαδμΝεαὶΝξκλκῖμΝεαὶΝηκυ δε ,Ν πλκυ ζκ η θ,Ν κῖμΝ ὲΝξαζεκῖμΝεαὶΝιΫθκδμΝεαὶΝπυλλέαδμΝ 730 εαὶΝπκθβλκῖμΝε εΝπκθβλ θΝ μΝ παθ αΝξλυη γαΝ Ϊ κδμΝ φδΰηΫθκδ δθ,Νκ δθΝ ΝπσζδμΝπλὸΝ κ Ν κ ὲΝφαληαεκῖ δθΝ ε Ν έπμΝ ξλά α ΥΝ θέΝ ἈζζὰΝεαὶΝθ θ,Ν θσβ κδ,Νη αίαζσθ μΝ κὺμΝ λσπκυμΝ ξλ γ Ν κῖμΝξλβ κῖ δθΝα γδμ·ΝεαὶΝεα κλγυ α δΝΰὰλΝ 735 ζκΰκθ,Νε θΝ δΝ φαζ Υ,Ν ιΝ ιέκυΝΰκ θΝ κ Νιτζκυ,Ν θΝ δΝεαὶΝπΪ ξβ ,ΝπΪ ξ δθΝ κῖμΝ κφκῖμΝ κεά έΝ
CORIFEU: De fato, diversas vezes pareceu a nós que a cidade vivencia o mesmo em relação tanto aos cidadãos que são bons e bem-nascidos
oquanto em relação à antiga cunhagem e à nova moeda de ouro94. 720 Porque, como parece a nós, as moedas que não são falsificadas,
mas deveras as mais belas dentre todas as moedas então cunhadas – ademais, as únicas corretamente cunhadas e verificadas,
tanto entre os helenos quanto entre e os bárbaros por todo lugar – não as usamos em nada, mas sim aquelas fabricadas com cobre de má qualidade, 725 de ontem e de anteontem, produzidas com uma péssima cunhagem.
O mesmo ocorre com os cidadãos: aqueles que sabemos que são bem-nascidos e prudentes,
que são justos, varões bons e bem-nascidos,
nas escolas de lutas, nos coros e na música disciplinados,
nós tratamos com insolência, mas dos de cobre, estrangeiros e ruivos95, 730 os piores dentre os piores, em relação a tudo, fazemos uso;
estes que apareceram por último, dos quais a cidade, anteriormente, não se utilizaria, fortuitamente, nem mesmo como bode expiatório96. Mas agora, ó homens ignorantes, mudando de direcionamento,
utilizem-se novamente dos valorosos: pois, quando prosperarem, 735 terão crédito, mas, se fracassarem e algo vierem a sofrer,
as pessoas sábias pensarão ao menos que vocês pereceram em uma árvore bela97. Como é evidente, o antepirrema retoma a discussão apresentada no epirrema e censura a audiência pelo fato de eles não valorizarem os cidadãos certos. Recorrendo à metáfora da moeda, Aristófanes apresenta com precisão o problema pelo qual está passando a cidade de Atenas: quando moedas adulteradas são colocadas no mercado, elas fazem com que o poder de compra de algo seja muito mais fácil, sendo assim, desvaloriza o produto.
Mas, mais do que isso, é preciso compreender melhor como se dava o uso da moeda, algo relativamente novo para os gregos. Segundo M.S. Peacock (2006), o dinheiro em espécie era utilizado como uma forma importante de garantia de paz na polis, pois estabelecia com precisão os valores de multas a serem pagas por cada tipo de crime cometido. Assim, Peacock (2006:09) diz, seguindo um argumento de Seaford, que:
O desenvolvimento tanto do dinheiro como das instituições políticas na Grécia Antiga marca uma mudança na regulamentação das interações recíprocas entre os indivíduos: os dois pilares da
94 Tradicionalmente, as moedas de Atenas eram feitas da prata extraída de minas em Láureon, mas, após a
ocupação de Esparta na Ática, em 413, as minas deixaram de ser utilizadas e, após uma vã tentativa do uso de moedas de ouro – que valiam mais que as de prata e, por isso, desapareceram – criou-se a nova cunhagem: moedas de cobre, banhadas à prata.
95 O cabelo ruivo era considerado uma característica dos trácios. Cleofonte era considerado de descendência
trácia, embora seu cabelo ruivo possa ser apenas uma composição cômica, bem como o seu sotaque.
96 Os phármakoi,ΝἳΝὃὉἷΝὈὄἳἶὉὐiΝpὁὄΝ“ἴὁἶἷΝἷxpiἳὈóὄiὁ”,ΝἷὄἳmΝhὁmἷὀὅΝpὁἴὄἷὅΝἷΝἸἷiὁὅΝὃὉἷ,ΝἷmΝχὈἷὀἳὅ, nas
Antestérias, e em outras cidades, eram espancados com ramos de figo e apedrejados, até serem expulsos da cidade em um ritual de purificação. O mesmo ritual era repetido quando a cidade era acometida por alguma praga.
97 Os escólios referem-se a um provérbio que dizia que, se alguém fosse ser enforcado, que ao menos
reciprocidade homérica – troca de presentes e vingança parti- cular/retaliação/compensação por felonias cometidas contra alguém ou algum membro de sua família – são substituídos, respectivamente, por troca de mercado mediada pela moeda do Estado e por decisão judicial (posta em prática por meio do pagamento de multas com a moeda do Estado).98
Desse modo, a aquisição excessiva de dinheiro que a cunhagem falsa causa e, além disso, a própria desvalorização do dinheiro gera consequências graves para o próprio sistema judicial da polis ἳΝlὁὀgὁΝpὄἳὐὁέΝDὁΝmἷὅmὁΝmὁἶὁ,ΝὁΝὉὅὁΝἶἷΝἵiἶἳἶὤὁὅΝ“Ἰἳlὅὁὅ”ΝpὁἶἷΝ ser uma solução a curto prazo, pois resolve os problemas imediatos da cidade, como a falta de homens nas linhas de combate, mas, a longo prazo, desvaloriza o que Atenas tinha de mais próprio, que era o seu corpo de cidadãos.
Ainda em relação a essa metáfora, Slater faz uma observação interessante (2002:192): do mesmo modo que não há motivo para que se prefira uma dracma a outra, contanto que o critério de cunhagem seja o mesmo, não havia motivos para se escolher um determinado cidadão em detrimento de outro para participar dos cargos públicos. Mas isso muda a partir do momento em que os critérios para que o indivíduo seja considerado cidadão também muda.
Assim, portanto, o coro pede aos espectadores que percebam as consequências de suas escolhas e voltem-ὅἷΝὡὅΝ“mὁἷἶἳὅΝἶἳΝἳὀὈigἳΝἵὉὀhἳgἷm”,ΝmἷὅmὁΝὃὉἷΝiὅὅὁΝὅigὀiἸiὃὉἷΝἳΝ morte da cidade, pois, ao menos morreriam de modo belo.