5. IAS 27
5.2 F AKTISK KONTROLL I IAS 27
5.2.1 Utviklingen av faktisk kontroll som regnskapsprinsipp
Obras teórico-reflexivas são de natureza pedagógica. Têm teor variado de teorização, críticas, sínteses, revisões, reflexões, além de sugestões diretas ou indiretas ao processo avaliativo. Porém, para efeito desta análise, o teor mais significativo do conteúdo para (in)formação docente é a presença de sugestões, articuladas ou não em torno de propostas de ação, que não constituem nenhuma modalidade diferenciada de avaliação e sequer foram exercitadas por quem as propõem. Assim, das obras teórico-reflexivas para pensar sobre a alteridade da avaliação escolar, compus dois conjuntos. Um, com sugestões sistematizadas; o outro, com sugestões não-sistematizadas, mas “diluídas” ao longo do texto.
Das obras localizadas, classifiquei 15 como teórico-reflexivas. Pela riqueza de abordagens, o gênero abre trilhas tanto a estudos mais pragmáticos acerca da prática escolar, como à erudição dos profissionais que atuam na docência, supervisão escolar, orientação educacional, coordenação pedagógica e gestão. Sua leitura atende mesmo à conscientização e engajamento na causa da educação pública de qualidade, uma vez que alarga horizontes para ações socialmente comprometidas, pela apropriação do conteúdo que trata.
Do primeiro conjunto, apreciei cinco obras de quatros autores: Paulo Barguil; Pedro Demo; Maria Estrela Fernandes; Celso Vasconcellos. Como referência, e deferência, apresento sumariamente as sugestões dadas. Em geral, as sugestões estão nas penúltimas páginas, como na obra que foi a dissertação de mestrado de Paulo Barguil (2000). Também doutorando da Faced - UFC, esse Amigo compôs cinco fundamentos de cunho filosófico para a emergência de uma nova avaliação, sem chegar a detalhes operacionais. Na perspectiva da avaliação pautada na autonomia, na criatividade e na espontaneidade, para gerar práticas página do protocolo e, logo, iniciei a primeira análise, cujo texto ficou pronto uma semana antes do Natal. Somente quando já estouravam os foguetes que inauguravam o Ano Novo é declarei “pronta” a segunda análise.
distintas do que tem a escola, o primeiro fundamento diz respeito ao diálogo; o segundo, ao movimento; o terceiro, à curiosidade; o quarto, à diversidade; o quinto diz respeito à dúvida.
Também no final da obra em que polemiza sobre algumas mitologias da avaliação, Pedro Demo (1999), apresenta cinco pontos para uma pedagogia da avaliação: evitar a prova (o que significa usá-la como expediente eventual); avaliar o aluno pelo que ele reconstrói (o que significa compará-lo apenas com ele mesmo); socializar o aluno e cultivar a aprendizagem coletiva interdisciplinar (o que significa que ninguém aprende sozinho e que a escola tem o compromisso da cidadania coletiva, também); pensar de modo elaborado (o que significa argumentar com base, escutar com atenção, contra-argumentar com firmeza e polidez, ler criticamente e refazer os argumentos, não apenas para fazer ciência, mas também para fazer-se cidadão); duas são as funções básicas da avaliação: diagnóstico e prognóstico. A primeira é uma radiografia da realidade, do modo mais preciso possível; o que implica trâmites técnicos e rigor. A segunda, o compromisso de entrar em cena toda vez que o diagnóstico assim requisitar; o que implica compromisso político para garantir a aprendizagem do aluno.
Maria Estrela Fernandes (1996) pauta seus encaminhamentos em Celso Vasconcellos. No entanto, é original ao descrever três condições essenciais à construção de um processo avaliativo de qualidade: a construção de uma dignidade do profissional da educação e o resgate da sua dignidade; a criação de condições favoráveis para o trabalho educativo; o estabelecimento de um plano de qualificação docente continuada. Os subsídios teóricos e as orientações práticas que oferece ao longo da obra são favoráveis à emergência de uma avaliação humana, com qualidade social, voltada à construção da cidadania.
Quem debate e aponta caminhos para a superação da lógica que denuncia, à escola, sala de aula, comunidade e sistema escolar, é Celso Vasconcellos (1998a). Sua obra serve muito bem aos profissionais que buscam orientações para a mudança. À superação da avaliação classificatória e excludente, sugere que a escola redirecione a intencionalidade da avaliação, altere o conteúdo da avaliação, construa novos vínculos pedagógicos e desencadeie alterações na instituição. Quanto ao sistema de educação, sugere a implantação dos ciclos de formação humana como alternativa de organização do ensino e o estímulo à participação do professor no processo de mudança da avaliação, na condição de sujeito.
Vasconcellos (2001) é autor de outra obra rica em sugestões e orientações para o professor e para as escolas transformarem a prática avaliativa. Na perspectiva da prática pedagógica inteira, essas transformações devem atingir as relações epistemológicas em sala de aula, a burocracia escolar, as relações com a comunidade escolar, a avaliação da
aprendizagem e a avaliação da escola. Para tanto, é didático ao discorrer sobre cinco propostas que refletem uma nova concepção de avaliação: alterar a metodologia do trabalho em sala de aula (que está intimamente ligada à concepção de conhecimento como produto histórico-social em permanente estado de incerteza e inacabamento, que se constrói em redes); diminuir a ênfase na avaliação classificatória (em todos os níveis de ensino); redimensionamento do conteúdo da avaliação; postura alterada diante dos resultados da avaliação; trabalho de conscientização da comunidade educativa.
Do segundo conjunto, Hamilton Werneck (2000, 2002a, 2002b), Vasco Moretto (2002), Carlos Rosales (1992) e Charles Hadji (1993) são autores de seis obras que apresentam sugestões não-sistematizadas para alterar o processo avaliativo. Críticas bem formuladas constituem excelentes fontes de inspiração para transformar qualquer prática, o que deve ocorrer em meio a inovações daquela que já é cultura. Críticas têm o gérmen de soluções para os problemas que ora, criticam. Esse é o mote das quatro obras de natureza teórico-reflexiva que, mesmo sem sugestões articuladas, talvez por isso mesmo, podem inspirar medidas transformadoras da prática avaliativa, como aquelas organizadas por Maria Teresa Esteban (2001a) e Albano Estrela e António Nóvoa (1993) e escritas por Philippe Perrenoud (1999a) e Nimpha Sipavicius (1987).
Mesmo diluídas no texto, pouco trabalho terá qualquer docente em ler Hamilton Werneck (2000, 2002a, 2002b). Em três ensaios, Werneck apresenta sugestões e orientações, sem a preocupação de organizá-las. O primeiro ensaio é constituído de reflexões teóricas e críticas sobre as práticas escolares, principalmente avaliação e cultura avaliativa. Também currículo, motivação, relação professor-aluno, etc. O segundo ensaio, uma crítica bem- humorada aos sistemas de avaliação, contém propostas para que o professor repense sua prática e coloque em ação idéias para uma avaliação diferenciada. Assim, orienta uma ação avaliativa por meio de: perguntas dos alunos, debates dos alunos, síntese verbal dos alunos, sínteses grupais, tarefas seqüenciais, como também provas, auto-avaliação, avaliação interna e avaliação do não-cognitivo. Também com humor, o terceiro ensaio brinca com esta “tese”: se a boa escola é a que reprova, o bom hospital é aquele que mata. Nele, discutem-se vários aspectos da prática pedagógica, em particular, currículo, ensino, avaliação, motivação pessoal (discente e docente) e paradigmas. É prático, com sugestões, orientações para o professor repensar a ação pedagógica, e reflexivo (como um espelho) para promover auto-avaliação e meta-avaliação.
No estilo de Werneck, como quem conversa com o leitor, Vasco Moretto (2002), além de sugestões, não para mudanças na avaliação, mas para a prova, como o título da obra
sugere, tem propostas para alterar o ensino inteiro, na perspectiva construtivista sociointeracionista. Um exemplo é a “inclusão” das competências, além de outros conceitos teóricos “cooptados” pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Eis um manual moderno de como ensinar e avaliar de acordo com as orientações políticas e epistemológicas mais atuais e antiautoritárias!
Com base no princípio de que avaliar é refletir sobre o ensino, Carlos Rosales (1992) objetiva a renovação conceptual da avaliação escolar em três modalidades – da aprendizagem, docente e institucional. Tem toda uma parte de epistemologia da avaliação – para o professor e para o supervisor. Suas orientações têm por finalidades auxiliar o professor a aprender a aprender e aprender a avaliar, uma vez que concebe a avaliação como função característica do professor que consiste, basicamente, em uma atividade de reflexão sobre o ensino.
Da categoria de obras com sugestões não-articuladas, a que avalio como de mais alto grau de dificuldade para um professor (iniciante) que enseja por mudanças é a de Charles Hadji (1993), sobre as regras do jogo da avaliação, das suas intenções aos instrumentos utilizados. Apontada como de cunho filosófico, as questões de ordem prática que ela responde, com base em sólida e precisa formalização teórica é útil à formação política do educador, base de toda transformação. A obra tem um consistente aporte teórico-instrumental acerca da avaliação escolar, que se for executado, mesmo o que é básico pode chegar ao topo das mudanças pretendidas.
A avaliação é uma prática em busca de novos sentidos, escreveram Maria Teresa Esteban (2001a) e demais autores da obra que ela organizou. Os textos não sistematizam sugestões para o professor; estão diluídas sobretudo no último artigo. Tratam da avaliação e suas implicações no fracasso e sucesso escolar; discutem o exame, um problema de história e sociedade; debatem a relação da escola pública com a comunidade e a avaliação, que resgata a avaliação formativa como instrumento de emancipação social. Por sintetizar os conhecimentos de seus autores, é uma obra com pistas para outras, digamos, mais epistemológicas e orientadoras. Parece-me pouco significativa para aprendizados favoráveis à mudança. É um “aperitivo” para assimilar no entremeio de leituras mais densas, como a de Philippe Perrenoud (1999a).
De cunho sociológico, político e reflexivo, essa obra de Perrenoud é formada por capítulos que podem ser lidos fora da seqüência. A avaliação é analisada como parte de um sistema de ação, isto é, ligada a outras práticas como ensino, aprendizagem e relação professor-aluno-família-conhecimento. Se é complexo o problema da avaliação, isso se deve à diversidade das lógicas em ação e aos antagonismos. Obra de leitura densa também é a que foi
organizada por Albano Estrela e António Nóvoa (1993). Sobre novas perspectivas das avaliações em educação (de currículos, de programas, dos professores e da aprendizagem), ela se situa na área de abrangência da renovação conceptual. Centra-se nos programas, currículos, escolas, sistemas de ensino e políticas educativas, num panorama sobre a avaliação educacional, no qual a avaliação do ensino-aprendizagem é um aspecto pouco abordado. A expansão do cenário teórico e do horizonte de reflexão do professorado sobre a importância da avaliação é a maior contribuição dessas duas obras. Induzem um repensar da avaliação que se faz, para construir-se aquela que se deseja ver como realidade noutras esferas da escola, mediante reformas institucionais e políticas públicas.
Um exame da literatura sobre rendimento escolar, enriquecido de pesquisas e experiências, principalmente brasileiras, sobre a mesma temática, também pode ser fonte de inspiração para a mudança da prática escolar. E quem a fez foi Nimpha Sipavicius (1987), com o objetivo de oferecer para professores, especialistas e diretores uma visão de conjunto dos fatores que afetam o desempenho discente, facilitando, dificultando ou mesmo impedindo-o, para que conheçam, atualizem-se, aprofundem ou melhorem a prática pedagógica. A obra não tem um corpo de sugestões específico. Porém, elas podem ser pinçadas do texto por um profissional, experiente ou não, que anseie por práticas novas, diferentes, coerentes com seus ideais.