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5. Analyse

5.2 Utvikling og globalisering av hip-hop kulturen

Frege é o pai das semânticas modernas. A função de uma semântica para uma linguagem é explicar o significado de suas várias expressões (não lógicas) ou, de modo mais geral, interpretá-las atribuindo-lhes algum tipo de valor. A semântica clássica começa assumindo que o significado de uma sentença completa é o seu valor de verdade, verdadeiro ou falso. Se bem sucedida, uma semântica assim explica as circunstâncias sob as quais as sentenças da linguagem tornam-se verdadeiras ou falsas, ou seja, suas condições de verdade. Mas para isso, é preciso também definir de que modo as expressões significantes que compõem essas sentenças, como nomes e predicados, combinam entre si, segundo seus os tipos, na determinação dessas circunstâncias. Isto é, é preciso definir o que é o poder semântico de uma expressão. Frege propôs que esse poder, para cada expressão, fosse associado a um tipo de entidade não linguística que representaria seu significado [Bedeutung], seu valor semântico, como sugeriu Michael Dummet. Quando idealizou esse modelo, contudo, Frege estava unicamente preocupado com fragmentos de linguagem em que não ocorreriam nomes vazios. Nomes normais são expressões cuja contribuição é precisamente o objeto real a que referem, de modo que é natural pensar que seu valor é idêntico a seu poder semântico. O significado de uma expressão nesses fragmentos bem comportados seria então o seu modo particular de contribuir na determinação das condições de verdade de uma sentença. Não obstante seu desinteresse original em nomes vazios, Frege se preocupou particularmente com as sentenças existenciais e, posteriormente, com a falha de substituição de nomes

4É importante comentar que a sugestão de Frege foi seguida mais tarde por outros pensadores de espírito fregeano em teorias intensionais, como Carnap (1947, 36–37), que postula uma entidade entre os existentes, o objeto nulo, que deveria servir de denotação comum dos nomes vazios, e Church (1975), que define a noção de um conceito individual. Para uma explicação e uma crítica orientada ao abandono da denotatividade, ver Lambert (2003b).

correferentes em sentenças de identidade e em atitudes proposicionais.

Para Frege, o conteúdo expresso por uma sentença, seu valor de verdade, é uma função da denotação de suas partes, sendo que a denotação de um nome é um objeto e a denotação de um predicado é uma função de verdade. Pelo princípio de substituição de idênticos, duas sentenças que diferem apenas em nomes correferentes deveriam expres- sar o mesmo conteúdo. Além disso, para Frege, o significado de um enunciado expressa um pensamento, de modo que ele veio a chamar de pensamento o próprio conteúdo das sentenças. O princípio de substituição funciona naturalmente em predicações comuns. Se “a cidade maravilhosa” é um nome para o Rio de Janeiro, de modo que “Rio de Janeiro é a cidade maravilhosa” é uma identidade verdadeira, então as sentenças “Rio de Janeiro é quente” e “A cidade maravilhosa é quente” têm necessariamente o mesmo valor de verdade e expressam o mesmo pensamento. Então lembre de seu exemplo, “Hesperus é Phosphorus”. Se o significado dessas expressões singulares fosse a estrela Vênus, que ambas denotam, então o pensamento expresso por essa sentença deveria ser o mesmo que o pensamento expresso por “Hesperus é Hesperus”. No entanto, diferentemente da primeira, a segunda expressa um conteúdo cognitivo trivial. Se o significado dessas expressões fosse o seu referente, sentenças de identidade verdadeiras seriam neces- sariamente verdadeiras, o que contrariaria a intuição de que sentenças de identidade entre nomes correferentes expressam o mesmo pensamento, uma vez que a primeira é informativa e a segunda, trivial.

A difference can arise only if the difference between the signs corresponds to a difference in the mode of presentation of that which is designated. (. . . ) It is natural, now, to think of there being connected with a sign (name, combi- nation of words, letter), besides that to which the sign refers, which may be called the reference of the sign, also what I should like to call the sense of the sign, wherein the mode of presentation is contained.(FREGE, 1960b, 57)

Para Frege, deveria haver algo que distingue os conteúdos de duas expressões correferentes e que as faz duas em primeiro lugar. Frege conclui pela distinção entre

a denotação (Bedeutung) de uma expressão e o seu sentido (Sinn). Uma expressão expressa um sentido, mas denota um objeto. A denotação de “Hesperus” e de “Phospho- rus” é a mesma, mas não são os mesmos os sentidos dessas expressões. Uma forma de caracterizar e começar a explicar a noção de sentido é em termos de um modo de apresentação. Por exemplo: a denotação de “4− 2” e de “1

+

1” é o mesmo número, mas o modo de apresentação dessa denotação é diferente nas duas expressões. Outro modo é em termos de uma condição de individuação: a denotação das duas expressões é a mesma, mas elas expressam duas diferentes condições de individuação do indivíduo designado. Quanto às sentenças, enquanto sua denotação é um valor de verdade, o seu sentido seria o pensamento que ela expressa, a proposição. Além disso, o sentido de uma expressão seria algo determinado pelo falante no ato de enunciação. O sentido seria fixado cognitivamente. Desse modo, o pensamento expresso por uma sentença seria o resultado da composição dos sentidos de suas partes, mas não das denotações de suas partes. O valor de verdade de uma sentença, então, que para Frege seriam os referentes das sentenças, o verdadeiro e o falso, seria o resultado da composição das denotações de suas expressões e não dos sentidos destas. Caso contrário, as duas sentenças de identidade variariam em valores de verdade.

Mas os casos de atitudes proposicionais ainda preocupavam Frege. Segundo os prin- cípios de substituição de sentidos e denotações idênticas, as sentenças “Os babilônios acreditavam que Hesperus é Phosphorus” e “Os babilônios acreditavam que Hesperus é Hesperus” deveriam expressar o mesmo pesamento — como composição de sentidos — e o mesmo valor de verdade — como composição de denotações. Mas enquanto a segunda é verdadeira, a primeira certamente não é, uma vez que os babilônios não sabiam da identidade entre a estrela da manhã e a estrela da tarde. A variação de denotação das sentenças de atitudes proposicionais não era explicada pela distinção entre sentido e denotação somente. A solução de Frege foi concluir que a denotação dos termos em contextos de relato de atitudes proposicionais não é a sua denotação normal, mas é o próprio sentido dessas expressões. Dentro do escopo das atitudes proposicionais, os termos teriam como denotação seu próprio sentido.