2. Effektiv rektorutdanning? Et internasjonalt perspektiv på den norske rektorutdanningen
2.2. Utvikling av skolelederutdanning i Norge, Sverige og England
Nos textos publicados entre 1971 e 2000, verificamos que alguns dos tópicos mencionados na seção anterior se mantiveram, sobretudo os que interessavam mais diretamente
ao programa de investigação da Linguística. Desse modo, a tendência de se discorrer a respeito de trabalhos voltados à análise e descrição linguística configura-se como traço permanente, como pudemos observar nas resenhas dos livros “O gerúndio no português” (1981), “Morfossintaxe” (1986) e “Os estudos de sintaxe generativa em Portugal nos últimos trinta anos” (2000). A apreciação de publicações relacionadas ao ensino e a gramática da língua latina também revelou ser um traço conservador da época quando analisamos a resenha de “Latina Essentia” (1995).
No entanto, não nos deparamos apenas com permanências, tendo em vista que também encontramos traços de mudanças no conteúdo temático abordado por esse gênero. O principal aspecto a ser destacado diz respeito ao obscurecimento da Filologia, cujas linhas investigativas foram deixadas de lado e/ou foram incorporadas e atualizadas pela Linguística. As publicações em Linguística também apresentaram marcas de inovação, as quais parecem manter uma estreita relação com a virada pragmática nos estudos da linguagem. Esse movimento, que influenciou as pesquisas da área a atentarem cada vez mais para a interferência de fatores até então considerados externos à língua (MARCUSCHI, 2008), criou uma demanda por publicações que abordassem noções como as de função e interação social.
Embora não ao ponto de apagar a relevância e a continuidade das publicações fundamentadas em diretrizes formalistas, a abordagem baseada no princípio de que a língua se efetiva em situações de uso criou mais um alvoroço na produção acadêmica da época. Com essa nova orientação em voga no mercado teórico, testemunhamos um novo acirramento entre perspectivas, que evidencia a multiplicidade de vertentes que podiam estar vinculadas à disciplina que buscava a consolidação. Muitos resenhistas, então, parecem ter priorizado a crítica de livros que consideravam a língua como prática social, em detrimento das publicações que priorizavam a descrição do caráter sistêmico e imanente priorizado pelas abordagens formais. Desse modo, publicações fundamentadas no polo funcionalista da Linguística, tais quais “Grammaire fonctionnelle de l’arabe du Coran” (1991) e a vertente pragmática da Sociolinguística representada pela obra “Sociolingüística interacionalμ antropologia, linguística e sociologia em análise do discurso” (1999) foram dignas de nota.
Isso nos leva a interpretar que, em face das diversas publicações voltadas às múltiplas vertentes da Linguística, os resenhistas optavam por versar sobre trabalhos vinculados às correntes consideradas promissoras e relevantes para o desenvolvimento desse campo de estudos. Consideramos, assim, que a regularidade de resenhar obras que tratavam a língua considerando suas funções práticas revela, além de uma tendência teórica da época, um interesse por parte dos resenhistas, tendo em vista que eles agem baseados em projetos de dizer
e produzem seus discursos levando em consideração aquilo que consideram ser pertinente para a comunidade acadêmica.
A pertinência dos estudos influenciados pela virada pragmática nos estudos da linguagem, no entanto, não estava circunscrita apenas aqueles voltados à análise e descrição linguística, mas também pôde ser evidenciada nas produções sobre ensino de línguas. “Oficina de lingüística aplicada: a natureza social e educacional dos processos de ensino/aprendizagem de línguas” (1998) e “Ensino de língua portuguesaμ uma abordagem pragmática” (1997), como os próprios títulos sugerem, são livros que levavam em conta a natureza prática da linguagem. Os resenhistas, ao analisarem essas produções acadêmicas, não apenas debatiam sobre elas, mas também emitiam opiniões sobre a mudança no foco investigativo de sua área de pesquisa. Na resenha de 1997, o resenhista discorre sobre essa questão ao levantar as novas direções que devem ser tomadas pela Linguística e ao ressaltar a relevância da nova abordagem para o processo de ensino e aprendizagem de línguas:
(Exemplo 48)
Constata-se que a Lingüística está repensando seus métodos, seu objeto, sua terminologia, enfim, sua cientificidade. Tudo leva a crer que as análises devem exceder o nível da frase, levando em conta fatores como o texto, o contexto e até as intenções dos falantes naquela escolha verbal, conforme alguns teóricos já anunciaram. [...] Uma abordagem pragmática, portanto, como a abraçada pela autora, parece a mais adequada a um ensino e aprendizado bem-sucedido. Percebe-se aqui a importância de o professor aprofundar seus estudos, pois apenas o conhecimento seguro das teorias poderá garantir a escolha de métodos mais eficazes... (R27_1997)
Nota-se que o resenhista não se limita a examinar o conteúdo da publicação, mas também tece considerações acerca das modificações pelas quais sua área de pesquisa tem passado. Isso nos permite asseverar que, a partir dos exemplares da segunda geração, o conteúdo temático das resenhas não dizia respeito apenas à apreciação crítica de um livro recém-publicado, mas veiculava os posicionamentos dos resenhistas acerca da disciplina e/ou das perspectivas teóricas na(s) qual(is) desenvolvia suas pesquisas.
Desse modo, podemos observar que os posicionamentos refletiam, sobretudo, as transições pelas quais a Linguística passava. Seja para refletir sobre as orientações que entravam em voga, seja para criticar as perspectivas que a academia havia ignorado em prol do que se apresentava como novidade, os resenhistas pareciam cada vez mais engajados e decididos a se posicionar, como mostra o exemplo em destaque a seguir:
(Exemplo 49)
Num momento em que os estudos históricos da língua portuguesa não estão, lamentavelmente, a merecer a devida atenção dos lingüistas e gramáticos patrícios, e as pesquisas acadêmicas os têm ignorado totalmente, na ingênua convicção de que são desnecessários para o conhecimento da língua no seu estado atual. (R20_1981) O resenhista, desse modo, não dilui seus pontos de vista em um discurso centrado na apreciação do livro. Revelando-se como sujeito de sua própria voz, expressa uma atitude diante da pouca expressividade dos estudos diacrônicos na época. A regularidade desses posicionamentos, portanto, revela indícios de uma tradição discursiva que passou a se estabilizar entre os anos de 1970 e 2000. Desse modo, é preciso destacar que, enquanto identificamos nos exemplares da primeira geração um predomínio da descrição e do enquadramento dos livros resenhados em uma dada disciplina, na geração seguinte os resenhistas não se dedicavam apenas a defender a introdução da corrente que consideravam ser a mais promissora, mas também a se posicionar sobre ela.
A virada pragmática, desse modo, movimentou a produção acadêmica da época de maneira intensa e foi determinante para a consolidação de diversas vertentes teóricas, entre elas, a Linguística Textual. Esse arcabouço teórico se estabeleceu a partir do empenho de pesquisadores europeus em entender como se dava o funcionamento interno do texto (PAVEU; SARFATI, 2006). O livro “Linguística Textualμ Introdução”, resenhado em 1985, parece ter cumprido um importante papel na vulgarização dessa linha teórica em terras brasileiras, sobretudo numa época em que tal corrente passava a se importar cada vez mais com o “tratamento de textos no seu contexto pragmático, isto é, o âmbito da investigação se estende do texto ao contexto” (BENTES, 2006, p. 251).
Dessa década em diante, os estudos sobre texto e escrita, mesmo em perspectivas autônomas à Linguística Textual, tornaram-se tópicos frequentes nas resenhas acadêmicas. Em 1980, esse tema foi discutido por meio de uma apreciação da obra “English composition lessons”, que apresenta exercícios voltados à produção de textos descritivos, narrativos e dialogais em inglês. Essa temática também foi abordada na resenha de “Estrutura e redação de dissertação e tese” (1982).
A centração de publicações voltadas ao estudo da língua considerando o uso social, desse modo, também propiciou a noção de debates sobre a produção escrita, sobre o texto e o discurso em relação com suas exterioridades. Tal movimento pôde ser observado também no posicionamento emitido na resenha de “Linguagem e Ideologia” (1989), cuja introdução já deflagra a seguinte percepção dos estudiosos:
(Exemplo 50)
vivemos uma crise epistemológica da lingüística e que, passada a época do fastígio do estruturalismo, em que as análises buscaram a estrutura interna da linguagem, é chegado o momento de “uma reflexão ampla sobre a linguagem, que leve em conta o fato de que ela é uma instituição social, o veículo de ideologias, o instrumento de mediação entre os homens e a natureza, os homens e os outros homens” (R24_1989, grifos originais).
Nota-se, assim, que, além de descrever o livro, inseri-lo em uma dada área disciplinar e argumentar em sua defesa, os resenhistas também indicam lacunas, debatiam as problemáticas e horizontes de perspectiva para a Linguística. Essa tendência pode ser encarada como uma inovação em relação ao período de tempo anterior. Ao contrário de alguns dos primeiros linguistas, que, embora defendessem a “conversão” dos filólogos, não chegavam a um consenso sobre as tarefas da Linguística e da Filologia, os acadêmicos agora, possivelmente devido ao fortalecimento da Linguística em terras brasileiras, pareciam engajados a consolidar seu campo de estudos e a expandir seu objeto. A emissão de posicionamentos dessa natureza, portanto, configura-se como uma tradição discursiva que é inovadora quando surge, mas que, no
continuum, torna-se traço permanente, tendo em vista que ela se faz presente nos exemplares
atuais, como iremos ilustrar na seção seguinte.