4. Utvandring, gjeninnvandring og gjenutvandring etter grunnkoder
4.1. Utvandring blant personer etter grunnkodegrupper
Baitello Júnior cria uma imagem interessante para falar da iconofagia: a corrida entre a máquina 2 O artigo foi produzido para o encontro “Imagem e violência”, produzido pelo Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e
de escrever e a máquina de costura. O evento foi uma performance dadaísta levada a cabo no ano de 1919 na cidade de Berlin. Ao final venceu a máquina de costura, sendo esta atirada ao chão como protesto.
Talvez sem saberem a extensão de sua brincadeira-heppenning, os dadaístas estavam vislumbrando naquele momento a derrota da escrita e sua lentidão e a vitória da sutura, do pesponto e da costura em seu gesto veloz de juntar pedaços. Já estávamos vivendo em um mundo ora rasgado, ora recortado, ora dilacerado e que somente se manteria como imagem de mundo se fosse costurado na forma de montagem ou colagem. (BAITELLO JÚNIOR, 2000: 02)
Uma cultura da colagem satisfaz aos grandes distribuidores de imagens. Estas imagens inscritas na velocidade não exigem atenção do expectador. A pregnância destas imagens na memória é feita por fragmentos, restos de imagens destinados a atualizar as novas imagens. A escrita, explica Baitello Júnior, nasceu da redução das imagens figurativas. As espacialidades bidimensionais foram sendo reduzidas até as espacialidades unidimensionais. Nasceu desta redução a linha da escrita. A palavra linha determina o fio que se utiliza para cozer e a pauta que sustenta a escrita. Segundo o comunicólogo, esta determinação dupla representa o encontro no nascimento de uma dupla guarda sob a égide da mídia secundária: a escrita e a roupa, por conseguinte a moda.
Apesar de nascida sob a mesma égide, ressalta Baitello Júnior que cada uma seguiu um caminho diferente. A escrita veio das imagens que, reduzidas, criaram linhas, as linhas tramadas formaram e criaram as roupas. Estas duas irão se reencontrar na escrita imagética do século XX, especialmente nas obras do design gráfico e da publicidade. Como produtor de imagens em larga escala, os meios utilizam as imagens como objetos de sedução. Compreendemos que o editorial de moda e de estilo se serve primordialmente desta sedução para produzir uma dupla entrada em seu texto verbo-visual: há uma sedução que tem por finalidade a criação de formas de identificação, a partir da descrição e da estetização dos elementos de um determinado mundo; há uma mimese de outras imagens que em certa medida refere-se ao mundo representado.
Tomemos como referência o editorial Brokeback, comentado no item anterior. O que pretende o editorial quando mimetiza em suas fotos as cenas do filme? Como funciona o sentido do editorial em uma revista homossexual remetendo-se a um filme no qual a homossexualidade se debate dentro da subjetividade endurecida da vida rude do campo? No filme, o amor só é possível na morte, ou seja, a castração, a falta do outro silencia o desejo. Mas o texto verbo- visual da revista promove um estímulo ao desejo, ele seduz, já não é mais a imagem do filme,
é o editorial de moda que mescla a publicidade e estetiza, através dos atributos da propaganda, o jornalismo. Mais que uma imagem que vai a outra para se referenciar, esta iconofagia se alimenta dos valores colocados em jogo pelo filme e pela revista. O jogo se realiza no editorial. É interessante notar que as regras do jogo na revista são distintas do filme, não pelas características próprias de cada meio, mas pela opção de sentido que cada um fez da história e a mensagem que cada meio quer comunicar.
As roupas descrevem quem as usas, elas produzem uma escrita identitária. Na cadeia de significação dos textos verbo-visuais das edições especiais de moda e da edição Cuidate da revista Zero é evidente a organização da informação de moda inspirada no cotidiano da
vida de uma parcela dos homossexuais e a construção de personagens que legitimam os parâmetros do vestir divulgados pela revista. Contrastamos aqui dois exemplares destes textos com a finalidade de abordar, nos termos de Baitello Júnior, o ato antropofágico por definição: o beijo. São dois momentos que retratam beijos distintos, o beijo de Judas em Cristo – no editorial Paixão de Cristo, publicado da revista alemã Mate -, e o beijo anunciado do editorial Decadente Rock Star, publicado na revista Zero.
Para Baitello Júnior, toda comunicação nasce do vínculo inicial da amamentação. O beijo é um contato entre as mídias primárias. No caso da amamentação, corpo de mulher transformado em mãe e, portanto, contextualizado no afeto e no cuidado; corpo da criança contextualizado em filho como ser que busca o cuidado. Toque entre os corpos com função de afago e alimentação. Se pesarmos em uma dimensão positiva da iconofagia encontraremos na representação do beijo presente nos textos verbo-visuais aqui observados mais que o abismo típico da devoração das imagens, mas a ponte para a particularização das mensagens. Particularização no sentido que aquele é o beijo homoerótico, de um amor que quer dizer e diz seu nome. Esta mensagem é individualizada para o segmento ao qual as revistas se destinam. O beijo de Judas em Cristo é descrito no editorial como uma devoração, uma comunhão de um
Acima, os corpos que dormem formam uma moldura para o Cristo. Todos se tocam e também tocam o Cristo: um só corpo, uma comunhão.
Ao lado, o beijo. Judas toca com os lábios e o corpo o Cristo.
corpo que busca o outro. O corpo de Judas toca o de Cristo, não apenas os lábios se encontram. No texto verbo-visual do editorial Decadente Rock Star o vigor do encontro entre os corpos descreve uma cena de devoração para saciar o desejo. As mãos que seguram os braços unificam os corpos. As mãos, para Pross, são nossos instrumentos de localização e de percepção do mundo. Através delas tocamos nosso entorno, nos conectamos a ele. A mão que prende o corpo com força, a cadeira tombada, os olhos que se olham com firmeza e as bocas entreabertas revelam a entrega dos corpos. O copo de vinho branco espumante em primeiro plano remete à perspectiva fálica. A perna desnuda de um dos modelos indica que o beijo é só o início da conjunção dos corpos. Não há a necessidade de explicitar o beijo, ele já está ali. Será visto por cada receptor de uma forma diferente, é a parcela de cada um na interpretação da imagem. Escrita que aborda a moda para falar de um modo de ser.