DEL 1 KUNSTINSTITUSJONELLE KONTEKSTER
4 UTSTILLINGS- OG INNSAMLINGSPOLITIKKEN - PRODUKSJON OG
4.3. UTVALG AV UTSTILLINGER - G RUNNLAG FOR SYMBOLSK KAPITALISERING
A atividade laxativa de frutos da cagaita é comumente estabelecida pela população do cerrado brasileiro. Tal efeito pode ser causado por inúmeros compostos, sendo deste modo avaliado o efeito farmacológico da polpa in natura e fração protéica dos frutos sobre a motilidade intestinal e o balanço eletrolítico.
Dentre as diferentes classificações dos laxativos estão inclusos alguns compostos com capacidade de estimular a motilidade, sem provocar diarréia (VAN GORKOM et al. 1999). Deste modo, ainda mais importante que a análise eletrolítica é a avaliação relativa a motilidade intestinal. A partir desta avaliação, observou-se um aumento de 26 e 21% na propulsão intestinal após a administração da polpa e fração protéica nas doses de 10ml/kg e 6mg/kg, respectivamente (Tabela 2). Deste modo, as proteínas presentes no fruto de cagaita aparentemente são capazes de estimular a propulsão intestinal. Cabe ainda ressaltar que, os animais que receberam a polpa in natura tiveram a motilidade intestinal muito semelhante à observada no controle positivo (óleo de rícino) (Tabela 2). Todavia, fica claro que a quantidade de proteínas presentes no fruto pode aumentar consideravelmente a motilidade intestinal, sendo a fração protéica capaz de estimular 5% a mais este parâmetro, quando comparada com a polpa. Este efeito propulsor do trânsito intestinal já foi previamente determinado para outros compostos de origem vegetal, como por exemplo, Joannesia princeps Vellozo, plantas do gênero Cassia, Momordica charantia Linn., Operculina macrocarpa dentre outros (SOUSA et al., 2007). De um modo geral, os laxativos denominados catárticos ou estimulantes, nos quais estão incluídas várias plantas da Cassia spp. (sinonímia Senna), apresentam um grupo de substância ativa comum sendo esta, os derivados antraquinônicos. Estes compostos por sua vez, são amplamente utilizados por determinarem um aumento da motilidade intestinal pela ação direta sobre terminações nervosas, bem como a secreção de água e eletrólitos através do cólon (ANDRADE et al. 2003). Dentre os derivados antraquinônicos mais empregados estão os senosídeos A/B, reina e dantron frequentemente encontrados em Cassia acutifolia, C.
angustifolia e C. fistula (LAITINEN et al., 2007). Outros compostos como, por exemplo,
Rheum palmatum (ruibarbo) já aloína, aloinósido e hidroxiaolina encontrados na Aloe vera
(ACCAME, 2000; LAITINEN et al. 2007). Contudo, alguns dados da literatura ressaltam o risco do uso indiscriminado destes compostos, uma vez que, os mesmos frequentemente vem sendo associado ao desenvolvimento de neoplasia colo retal (NUSKO et. al., 2000; VAN GORKOM et
al. 1999).
Tabela 2: Análise da motilidade intestinal sob a influência de diferentes tratamentos em
comparação com o controle negativo (água). O resultado expressa a média das distâncias percorridas pelo carvão ativo no intestino de ratos Wistar. Os animais dos grupos controles, positivo e negativo receberam óleo de rícino (laxante) e água, na dose de 10mL/kg. Aos animais do grupo experimental: polpa e fração protéica foram administradas 10ml/kg e 60mg/kg, respectivamente.
Tratamento Distância percorrida pelo carvão ativo
± desvio padrão (cm) P (t-Student) *
POLPA 84,2 ± 3,83 <0.001
FRAÇÃO PROTEICA 89,17 ± 5,56 <0.001
ÓLEO DE RICINO 85 ± 1,41 <0.001
Contudo, a atividade laxante nem sempre esta associada à presença de compostos antraquinônicos. A atividade laxante de Operculina macrocarpa, por exemplo, pode estar associada à presença de duas resinas encontradas em seus tubérculos, denominadas jalapina e convolvulina (LIMA et al. 2006). Michelin e Salgado (2004), avaliaram a atividade laxante sobre a motilidade intestinal de Operculina macrocarpa, conhecida como batata-de-purga ou jalapa, e demonstraram que extratos dessa planta podem estimular até em 85% o transito
intestinal em camundongos. Além do uso de compostos já isolados com atividade laxativa também podemos ressaltar o emprego do extrato bruto de outras plantas como, por exemplo,
Momordica charantia. Na literatura são relatados que os extratos etanólico e hexânico da folha,
assim como o extrato aquoso dos frutos possuem atividade laxativa (PEREIRA, 2006; MAHOMOODALLY et al. 2007). Li e colaboratores (2000), atribuíram este aumento da motilidade a presença de Momordicin presente nos frutos desta planta que estimulam a síntese de receptores aumentando a síntese de prostaglandinas que acarreta na aceleração do trânsito intestinal.
Algumas plantas, no entanto, apresentam–se em fase inicial no que diz respeito à compreensão dos diferentes mecanismos de ação de seus compostos. Neste contexto, estudos referentes ao efeito propulsor da boleira, Joannesia princeps Vellozo, tem demonstrado a atividade laxante no mesmo modelo testado em nosso trabalho (SOUSA et al., 2007).
Atualmente, muito dos compostos descritos acima são constituintes de formulações de fitoterápicos, com efeito, laxativo incluindo Frutalax Guttalax, Plantagoovata, Plantagopsyllium, Cassiafistula, Senna, Plantaben, Metamucil, Tamarine e Naturetti (ANDRADE et al. 2003; FREITAS, 2007)
Todavia, muitos dos fármacos empregados como laxantes, com atuação sobre a motilidade intestinal, não são oriundos de plantas. Dentre estes exemplos podemos destacar a utilização de óleo de rícino que além de aumentar o peristaltismo também produz alterações na permeabilidade da membrana intestinal para água e eletrólitos (MUJUMDAR et al. 2005). O modo de atuação deste laxativo esta intimamente relacionada à elevação da biossíntese de prostaglandina (MUJUMDAR et al. 2005). Assim como o óleo de rícino, o sulfato de magnésio atua aumentando o volume do conteúdo intestinal e impedindo a reabsorção de água (MUJUMDAR et al. 2005). Além disso, é relatado que ele também promove a liberação de colecistoquinina, que por sua vez, acarreta no aumento das secreções e da motilidade intestinais, bem como no aumento óxido nítrico (NO) (VU et al. 2000). Recentemente tem sido sugerido que o óxido nítrico, medeia a secreção de cloreto impedindo a reabsorção de NaCl e água (MUJUMDAR et al. 2000; RAIMONDI et al., 2002). Deste modo, além da avaliação do
efeito laxativo sobre a motilidade intestinal são necessárias avaliações quanto ao equilíbrio eletrolítico que por sua vez sofre grandes alterações decorrentes da aceleração da motilidade acarretando assim, em mudanças quanto à secreção ou absorção de fluido pelo epitélio intestinal (SAGAR et al. 2005)
As análises dos efeitos da polpa e da fração protéica sobre os íons cloro, magnésio e fósforo revelaram um desequilíbrio eletrolítico após a administração de ambas as composições. Sabe-se que, a alteração no transporte eletrolítico é um dos primeiros efeitos de certos laxantes estimulantes (sena e cáscara sagrada), emolientes e osmóticos Os laxantes que contêm magnésio e algumas plantas com atividade laxante, tais como, Cassia acutifolia e Cassia
angustifolia (sena) e Rhamnus purshiana (Cascara sagrada) são exemplo de drogas que agem
modificando o transporte intestinal de água e eletrólitos (VAN GORKOM et al. 1999; KERE e HOGLUND, 2000; VU et al., 2000). Os resultados do balanço eletrolítico demonstraram que os animais que receberam polpa tiveram os níveis séricos de cloreto aumentados em 20% após uma única dose (T1) (Tabela 3). Efeitos semelhantes foram observados por TSAI e colaboratores (2004) com extrato etanólico de plantas medicinais chinesas categorizadas como laxantes incluindo, Dahuang (Rheum palmatum LINN.), Badou (Croton tiglium LINN.), e
Huomaren (Cannabis sativa LINN.). É sugerido que o efeito destas plantas chinesas sobre os
níveis plasmáticos de cloreto, ocorre em virtude de alterações no transporte de Na+ e Cl- devido
a presença do co-transportador Na+/2Cl-/K+, responsável pela reabsorção de Na+ e retenção de
Tabela 3: Análise de íons cloreto nos grupos experimentais (polpa e fração protéica dos frutos
de E. dysenterica) e dos grupos controles positivo e negativo tais como, óleo de rícino e água, respectivamente. Esta análise avaliou a interferência das amostras após uma única dose (T1), doses consecutivas por sete (T2) e quatorze dias (T3) em relação ao período sem administração (T0).
Níveis séricos de Cloreto (mEq/L)
Média ± desvio ± TO TI T2 T3 P (t-Student) POLPA 93,61 ± 0,03 109,28 ± 0,04 113,72 ± 0,04 117,53 ± 0,05 < 0.001 F. PROTEICA 99,28 ± 0,03 99,51 ± 0,06 97,61 ± 0,02 97,51 ± 0,06 NS ÓLEO DE RICINO 94,84 ± 0,02 94,17 ± 0,06 95,88 ± 0,01 92,88 ± 0,04 NS ÁGUA 99,28 ± 0,05 95,45 ± 0,03 95,28 ± 0 94,02 ± 0,12 NS NS = não significativo
A despeito dos níveis séricos de fósforo foi observado um aumento significativo destes íons em todos os grupos. De modo geral, estes grupos tiveram um aumento significativo (P <0,001), de 6 a 10mg/dL após o uso prolongado por sete dias (T2) e de 10 a 14mg/dL por quatorze dias (T3), como mostrado (Tabela 4). Semelhante resultado foi obtido utilizando laxantes catárticos, onde foi observado um aumento nos níveis séricos de fósforo e cloro associada com a diminuição dos níveis de cálcio e potássio (BELOOSESKY et al., 2003).
Tabela 4: Análise dos níveis séricos de fósforo nos grupos experimentais (polpa e fração
protéica dos frutos de E. dysenterica) e dos grupos controles positivo e negativo tais como, óleo de rícino e água, respectivamente. Esta análise avaliou a interferência das amostras após uma única dose (T1), doses consecutivas por sete (T2) e quatorze dias (T3) em relação ao período sem administração (T0).
Níveis séricos de Fósforo (mg/dL)
Média ± desvio ± TO TI T2 T3 P (t-Student) POLPA 8,7 ± 0,12 6,02 ± 0,06 10,04 ± 0,05 14,26 ± 0,03 < 0.001 F. PROTEICA 7,22 ± 0,05 6,22 ± 0,06 10,48 ± 0,05 14,06 ± 0,02 < 0.001 ÓLEO DE RICINO 7,41 ± 0,04 6,02 ± 0,04 10,92 ± 0,05 14,86 ± 0,01 < 0.001 ÁGUA 7,96 ± 0,05 7,83 ± 0,09 8,73 ± 0,07 8,23 ± 0,06 NS NS = não significativo
Além disso, os dados referentes à concentração plasmática de magnésio mostram um aumento significativo (P <0,05) em todos os grupos (Tabela 5). O aumento da concentração de magnésio de 1,67 para 3mg/dL, após a administração consecutiva por quatorze dias das amostras (polpa e fração protéica) possivelmente, acarretou na retenção de água no lúmen, aumentando a pressão intraluminal estimulando, assim a propulsão intestinal. Em sua maioria, os laxantes osmóticos, principalmente os que apresentam magnésio, por exemplo, hidróxido de magnésio (leite de magnésio), provoca um acúmulo de fluídos no trato intestinal e assim, aumentam a excreção de água acarretando em quadros de diarréia (VAN GORKOM et al., 1999). Entretanto, vale ressaltar que, durante o período de administração dos tratamentos, não foram visualizados quadros de diarréia. Fato este bem intrigante, dado que todas as análises a respeito do balanço eletrolítico apontam para problemas de absorção e diarréia.
Tabela 5: Avaliação dos níveis séricos de magnésio nos grupos experimentais (polpa e fração
proteica dos frutos de E. dysenterica) e dos grupos controles positivo e negativo tais como, óleo de rícino e água, respectivamente. Esta análise avaliou a interferência das amostras após uma única dose (T1), doses consecutivas por sete (T2) e quatorze dias (T3) em comparação ao período sem tratamento (T0).
Níveis séricos de Magnésio (mg/dL)
Média ± desvio ± TO TI T2 T3 P (t-Student) POLPA 1,67 ± 0,03 1,87 ± 0,01 2,15 ± 0,02 3,3 ± 0,04 < 0.05 F. PROTEICA 1,67 ± 0,01 1,73 ± 0,02 1,95 ± 0,01 2,99 ± 0,11 < 0.05 ÓLEO DE RICINO 1,67 ± 0,02 1,73 ± 0,02 2,05 ± 0,01 4,64 ± 0,07 < 0.05 ÁGUA 1,59 ± 0,01 1,73 ± 0,01 1,66 ± 0,02 1,75 ± 0,02 NS NS= não significativo