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Kapittel 3: Gjennom krig og høykonjunktur

3.5 Nye datterselskaper og investeringer

3.5.2 Utnyttelse av et nytt handlingsrom

A Linguística Moderna abrange uma grande área científica, dentro da qual encontra-se a Sociolinguística, ciência que se dedica ao estudo da língua em situações reais de interação verbal. Mollica (2003, p.09) afirma que a Sociolinguística "é uma das subáreas da Linguística e estuda a língua em uso no seio das comunidades de fala, voltando a atenção para um tipo de investigação que correlaciona aspectos linguísticos e sociais”. Segundo Labov (2008 [1968]), considerar a língua como um fato social implica considerar a linguística como uma ciência social. De acordo com Labov (1968),

11 Faraco (2008, p. 62, nota de rodapé) explica que sua proposta de utilização da denominação "norma comum” ou "norma standart" se deve ao fato de que tais qualificações "parecem carregar menos impregnações axiológicas do que o adjetivo culta”.

(...) para nós, nosso objeto de estudo é a estrutura e a evolução da linguagem no seio do contexto social formado pela comunidade linguística. Os assuntos considerados provêm do campo normalmente chamado de ‘linguística geral’: fonologia, morfologia, sintaxe e semântica [...]. Se não fosse necessário destacar o contraste entre este trabalho e o estudo da linguagem fora de todo contexto social, eu diria de bom grado que se trata simplesmente de linguística (LABOV, apud CALVET, 2002, p.32).

Bortoni-Ricardo (2005) esclarece que o surgimento da Sociolinguística pode ser contextualizado no início da segunda metade do século XX. De acordo com essa autora,

Essa nova disciplina apoiava-se em três premissas básicas: o relativismo cultural; a heterogeneidade linguística inerente e a relação dialética entre a forma e função linguísticas. A primeira premissa foi herdada da própria linguística estruturalista e rejeitava o mito das línguas e culturas primitivas ou subdesenvolvidas, postulando a igualdade essencial e a equivalência funcional entre as línguas. Com a segunda premissa, a heterogeneidade inerente, a sociolinguística rompeu com a tradição saussuriana de um sistema linguístico homogêneo. A variação deixava de ser vista como fenômeno excepcional, resultante de mistura ou contato dialetal, e passava a ser considerada como inerente à língua de qualquer comunidade de fala. Labov (1972) afirmava que a heterogeneidade não só era a situação normal, mas o resultado natural de fatores linguísticos e sociais básicos que condicionam a variação de forma sistemática. A terceira premissa também representou uma ruptura com os cânones linguísticos tradicionais, na medida em que promovia a mudança de foco, antes concentrado na estrutura da língua para a sua função de uso ou, como bem coloca Hymes (1974), do foco na forma linguística isolada para o foco na forma linguística no contexto humano (BORTONI-RICARDO, 2005, pág.114).

Assim, Weinreich, Labov e Herzog (2008 [1968], p.116) apresentam a proposta de uma teoria da mudança linguística, defendendo que "a interpretação dos dados em termos de mudança linguística depende da inteira estrutura sociolinguística, e não simplesmente da distribuição no tempo aparente ou real”12. A partir desses estudos, surge a corrente teórica denominada Sociolinguística Variacionista. Nesse sentido, vale destacar que, segundo Bagno (2007),

12 Coelho; Gorski; Souza; May (2015, p. 88) esclarecem que “diferentemente da mudança em tempo aparente, que é observada pelo comportamento linguístico de gerações distintas num mesmo intervalo de tempo (abordagem sincrônica), a mudança em tempo real é captada pelo comportamento linguístico retratado ao longo de diferentes períodos (abordagem diacrônica)”.

o objetivo central da Sociolinguística, como disciplina científica, é precisamente relacionar a heterogeneidade linguística com a heterogeneidade social. Língua e sociedade estão indissoluvelmente entrelaçadas, entremeadas, uma influenciando a outra, uma construindo a outra. Para o sociolinguistas é impossível estudar a língua sem estudar, ao mesmo tempo, a sociedade em que essa língua é falada, (...) (BAGNO, 2007, p.37).

Faraco, por sua vez, ressalta a importância dessa ciência, afirmando que (...) a Sociolinguística dá nova força empírica ao princípio de que a mudança não se dá por mera substituição discreta de um elemento por outro, mas que o processo histórico, pressupondo sempre um quadro sincrônico de variação, envolve fases em que as variantes - estratificadas social e estilisticamente - coexistem e fases em que elas entram em concorrência, no cabo da qual uma termina por vencer a outra, podendo - por vicissitudes do processo - subsistirem áreas sociais e/ou geográficas em que a mudança não se dá (FARACO, 2005, p.186).

A realização de um trabalho que respeita a variação linguística, inicia-se por conhecer quais são e como essas variações ocorrem. Nesse sentido, recorremos aos estudos de Castilho (2014, p.695), segundo o qual as variações podem ser entendidas como "as diferentes execuções de uma língua, em que se observam diferenças maiores ou menores na fonética, no léxico e na gramática”.

Bagno (2007) discorre sobre os fatores sociais que estariam diretamente relacionados à variação, sendo eles: a) origem geográfica - a língua varia de um localidade (região) para o outra; b) status socioeconômico - variação atrelada ao segmento da sociedade do qual o indivíduo faz parte; c) grau de escolarização - o maior ou menor acesso à educação formal e às práticas de letramento influencia nas escolhas linguísticas dos falantes; d) idade - as diferenças etárias provocam variação nas escolhas linguísticas do falante; e) sexo - mulheres e homens realizam diferentes escolhas quanto aos usos da língua; f) mercado de trabalho - as funções exercidas pelo falante relacionadas à profissão exercida, influenciam em suas escolhas linguísticas; g) redes sociais - as pessoas com quem convive nas redes sociais estabelecidas pelo indivíduo, também influenciam em suas escolhas de usos da língua (cf. Bagno, 2007, p.43-44).

Ainda nesse sentido, sobre os diferentes tipos de variação, Zilles (2008) destaca que a variação pode ocorrer em todos os níveis da análise linguística:

(...) na fonologia (ex: advogado ~ adivogado); na morfologia (ex: juntar ~ ajuntar; levantar ~ alevantar; entrar ~ adentrar); na sintaxe ou morfossintaxe (ex: é pra eu levar ~ é pra mim levar; me telefona ~ telefona-me); no léxico: ex: aipim, macaxeira, macaxera, mandioca, mandioca-doce, mandioca-mansa. E, evidentemente, há grande variabilidade no campo da semântica (ou do sentido das palavras) e do uso contextualizado da linguagem (ZILLES, 2008, p.39).

Dentre os conceitos utilizados na Sociolinguística, há termos bastante específicos, os quais julgamos importante destacar. Para tanto, valemo-nos de Ilari e Basso (2011), que reafirmam a necessidade de tratar a variação linguística como um fenômeno normal, que pode manifestar-se de diferentes formas. Assim, esses pesquisadores relacionam as variações sociolinguísticas aos adjetivos que costumeiramente as acompanham e caracterizam, sendo eles: diacrônica, diatópica, diastrática, diamésica. A variação diacrônica ocorre ao longo do tempo, ela pode ser verificada na comparação de uma língua no decorrer de sua história. Ilari e Basso (2011, p. 157) afirmam que a variação diatópica pode ser entendida como "as diferenças que uma mesma língua apresenta na dimensão do espaço, quando é falada em diferentes regiões de um mesmo país ou em diferentes países”. Esses autores chamam a nossa atenção, ainda, para o fato de não encontrarmos, no Brasil, "verdadeiros dialetos13”, conforme o termo pode ser percebido em seu sentido diatópico. Quanto à variação diastrática, esta está atrelada aos diferentes modos de falar de pessoas pertencentes à diferentes classes sociais, ou seja, ela é encontrada na comparação da língua utilizada por pessoas de camadas sociais distintas. Já a variação diamésica, associa-se aos usos de diferentes veículos ou meios utilizados para a expressão da língua; verifica-se, principalmente, na comparação entre língua falada e língua e escrita. Bagno (2007) discorre, também, sobre a variação diafásica, definindo-a como a variação estilística, ou seja, o uso menos ou mais monitorado que o indivíduo faz da língua.

Como podemos perceber, a variação pode acontecer de diferentes formas em diferentes níveis da língua. Toda e qualquer variação estará sempre atrelada a fatores

13 O que é definido como dialeto por muitos linguistas é denominado de variedade pelos sociolinguistas. Coelho; Gorski; Souza; May (2015, p. 15) esclarecem que “na Sociolinguística Variaci onista, dialeto e falar são sinônimos de variedade. É importante observar que dialeto, aqui, não corresponde a uma variedade ‘inferior' ou estigmatizada de uma língua, mas sim - como é equivalente a variedade - ao falar característico de determinado grupo social e/ou regional”.

de ordem linguística (estrutural) e/ou extralinguística (social), sendo que esses fatores influenciarão de diferentes formas, em maior ou menor intensidade, essas variações relacionadas à situação de uso. Concordamos com as afirmações de Antunes (2009), quando a autora declara que,

em qualquer língua, de qualquer época, desde que em uso, ocorreram mudanças, em todos os estratos, em todos os níveis, o que significa dizer que, naturalmente, qualquer língua manifesta-se num conjunto de diferentes falares que atendem às exigências dos diversos contextos de uso dessa língua (ANTUNES, 2009, p. 22).

Martins, Vieira e Tavares (2014, p.10) afirmam que dentre as contribuições da Sociolinguística para o ensino de língua, destacam-se: a) maior precisão nos conceitos básicos dos fenômenos da língua; b) reconhecimento da pluralidade das variedades linguísticas no Brasil; c) estabelecimento de várias semelhanças entre a "norma culta” e a "norma popular’.

Tais considerações nos ajudam a compreender a importância da sociolinguística para o ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa, assunto que discutiremos na próxima subseção.