• No results found

Det Oversøiske Compagnie Industriaksjeselskap

Kapittel 3: Gjennom krig og høykonjunktur

3.7 Det Oversøiske Compagnie Industriaksjeselskap

Apesar das muitas teorias que circulam nos meios acadêmicos sobre a importância de se (re)conhecer a heterogeneidade da língua, a realidade da metodologia realizada em sala de aula, salvo as devidas exceções, ainda está distante desse ideal. A Sociolinguística tem destacado o fato de a escola desconsiderar a fala do aluno e em contrapartida a dificuldade dos alunos em compreender a fala utilizada pela escola (cf. LABOV, 1968). No contexto brasileiro, os estudos da Sociolinguística

considerando o forte estigma que sofrem as variedades populares no Brasil, mais produtivas nos grupos sociais de baixa escolaridade, os especialistas deram especial ênfase ao fato de que as variantes não padrão de uma regra variável não são erros linguísticos, são tão somente formas diferentes da variante de prestígio (BORTONI- RICARDO; OLIVEIRA, 2013, p.46).

Bagno (1999, p.8) afirma que "o preconceito linguístico está ligado, em boa medida, à confusão que foi criada, no curso da história, entre língua e gramática normativa”. Essa concepção desconsidera a variedade linguística que os alunos

trazem para a sala de aula, sendo que, na maioria das vezes, a escola presta-se ao trabalho de substituir os usos espontâneos e legítimos dos educandos pelas variedades formais. Dessa forma,

de acordo com sua tradição, a sociolinguística rejeita e sempre rejeitou a ideia de erros no repertório dos falantes nativos de uma língua. Tudo aquilo que na sociedade é visto como erro na fala das pessoas, na visão da sociolinguística é tido como uma inadequação, ou seja, um evento ou ato de fala que não atende às expectativas do ouvinte em função dos papéis sociais de um e outro (BORTONI-RICARDO; OLIVEIRA, 2013, p.48).

Percebemos a necessidade premente da implementação de uma metodologia do ensino de língua materna que reconheça a variação linguística como um recurso legítimo que está ao alcance dos falantes, permitindo que eles realizem escolhas para adequar esses modos à situação de uso. Entretanto, Bortoni-Ricardo e Oliveira (2013, p.52) alertam sobre a necessidade de a escola estar "bem consciente e bem preparada para mostrar que a esses modos diferentes de falar associam-se valores sociossimbólicos distintos”. Leite (2008), por seu turno, ressalta que

o preconceito e a intolerância linguísticos revelam o comportamento de um falante diante da linguagem de outro e é um fato de atitude linguística. Como tudo o que diz respeito à linguagem, a atitude linguística não pode apenas ser interpretada como um assunto puramente pertinente ao domínio da língua. Antes de tudo, sabemos muito bem, a linguagem é social, plena de valores, é axiológica e, por meio dela, consciente ou inconscientemente, o falante mostra a sua ideologia. (Leite, 2008, p. 13).

No que tange às orientações oficiais, os PCN (1998) são bastante claros e incisivos nas diretrizes relacionadas ao combate ao preconceito linguístico, enfatizando que esse deve ser um dos objetivos da escola. Esses documentos orientam, também, para a necessidade de a escola oferecer um ensino de Língua Portuguesa eficaz, sendo que para isso ela precisa desfazer-se, urgentemente, de alguns mitos: a existência de "uma única forma ‘certa’ de falar - a que se parece com a escrita - e o de que a escrita é o espelho da fala - e, sendo assim, seria preciso ‘consertar’ a fala do aluno para evitar que ele escreva errado” (BRASIL, 1998, p. 26). Trazem, ainda, que tais crenças equivocadas relacionadas ao ensino da língua nutrem uma "mutilação cultural”, desvalorizando a variedade utilizada pelo aluno e sua

comunidade de fala e, também, reforçam o mito de que uma língua seja representada fielmente por um de seus dialetos. Ainda nesse contexto Bortoni-Ricardo (2004) afirma que

Essas crenças sobre a superioridade de uma variedade ou falar sobre os demais é um dos mitos que se arraigam na cultura brasileira. Toda variedade regional ou falar é, antes de tudo, um instrumento identitário, isto é, um recurso que confere identidade a um grupo social (BORTONI-RICARDO, 2004, pag.33).

Fica evidente, portanto, que as escolhas relacionadas a esses modos de falar estão atreladas aos valores históricos, sociais, culturais, que interferem na vida em sociedade. Gnerre (1994, p. 6-7) chama-nos a atenção para o fato de que "uma variedade linguística ‘vale’ o que ‘valem’ na sociedade os seus falantes, isto é, vale como reflexo do poder e da autoridade que eles têm nas relações econômicas e sociais”. Entendemos, contudo, que uma mudança em crenças profundamente arraigadas no cerne de grande parte da sociedade necessita do engajamento de diferentes esferas sociais e, consequentemente, atitudes de ordem:

a) política: estar atento às diferentes opiniões, avaliações, atitudes e expectativas acerca do ensino de línguas em sua comunidade, incluindo as tensões entre a ênfase das formas de prestígio e os aspectos relacionados à solidariedade linguística que estabelecem formas de prestígio encoberto; b) social: conhecer bem a realidade social dos alunos para poder atender às suas necessidades educacionais e sociolinguísticas; c) pedagógica: implementar métodos, materiais e atividades que não se restrinjam ao uso da variedade padrão, mas que permitam, de acordo com o nível de conhecimento linguístico dos alunos, usar as variedades linguísticas das diferentes situações sociais (SCHNEIDER, 2009, p.80).

Em decorrência dessa atribuição de valores, estabelecem-se as crenças da superioridade das variedades prestigiadas sobre as variedades estigmatizadas. Conforme nos alerta Bagno (1999), o grande problema é que o preconceito não é somente linguístico, uma vez que são estigmatizados, além da variedade linguística, os próprios falantes que a utilizam.

Sabemos que o ensino da norma culta é um dever da escola, uma vez que oferecer ao aluno o acesso às variedades de maior prestígio social com vistas à ampliação de sua competência comunicativa é um dos principais objetivos do ensino de Língua Portuguesa. Entretanto, cabe salientar, que essa oferta das variedades de

maior prestígio não pode significar a desvalorização das variedades menos prestigiadas, ou seja, cabe ao professores promover reflexões que evidenciem para o aluno a pluralidade linguística brasileira, bem como a valoração social atrelada aos usos linguísticos que fazemos.