4 Funn knyttet til de konkrete problemstillingene for undersøkelsen
4.3 Utkikkspraksis
Outra percepção do dia é quando proponho uma ação e um ator à burla ou a modifica completamente durante as dinâmicas de criação, este ator transforma minhas expectativas inicias, em geral sempre pra mais audaciosas e me afeta também com isso, me propondo outras posições e ações diante do processo em acontecimento. Isso acontece por várias vezes durante todos os ensaios, mas eu não havia teorizado tal pensamento ainda. Os criadores – ator e diretor- se afetam e produzem uma terceira ação conjunta e mais arriscada enquanto construção criativa
Du Sarto Relatório 13 do Diário de Bordo do espetáculo Habemus Corpus
As práticas técnicas e criativas propostas em nosso processo eram organizadas a partir de algumas referências que tenho armazenado ao longo de meu de trabalho como diretor, e estão relacionadas ao desenvolvimento da presença cênica a partir da condução/provocação do diretor como influenciador desta presença no trabalho do/da ator/atriz.
Meu papel como diretor nesta fase do trabalho foi o de apresentar, conduzir e acionar práticas em função de uma busca por esta presença e sua expressividade criativa em processos cotidianos junto aos/as atores/atrizes integrantes.
Além disso, era minha função indicar questões e/ou necessidades técnicas a serem trabalhadas pelos os/as atores/atrizes individualmente56 durante o desenvolvimento de nossas experimentações, para que desta forma possibilitasse as quebras de seus limites costumeiros de expressão e/ou bloqueios psicológicos particulares para a cri- ação.
Por muitas vezes, ao aplicar um proposta prática realizei os exercícios juntos dos/das atores/atrizes até que eles captassem minhas propostas e apreendessem sua base inicial de execução com mais clareza de sua realização.
Deste modo, demonstrando a partir de minha ação alguns possíveis caminhos de acesso a tal técnica, eu os conduzia a experimentar em si, a improvisar a partir de si e perceber sensivelmente, em seus próprios corpos, enquanto investigadores em pro- cesso, quais as suas próprias relações, expressões e derivações criativas relaciona- das diretamente com aquela prática que era absorvida de nossos motes e pressupos- tos.
Desta forma, esta aplicação funcionava como um acesso à proposta técnica e criativa que inicialmente estava só em minha cabeça, só eu entendia, e assim poderia dividir com os/as atores/atrizes. Como uma ativação inicial que disseminava minha ideia e então catalisava57 as ações posteriores advindas de sua base. Era um método para
me comunicar com os/as atores/atrizes, fazer-me entender por eles/elas e ainda acrescentar novas ideias ao processo em desenvolvimento.
56 Para Grotowski (1992, p. 107): “O ator deve descobrir e elaborar uma forma pessoal de treinamento”. (...) “O ator deve descobrir as resistências e os obstáculos que o prendem na sua forma criativa”. 57 Uso o termo catalisar no sentido de estimular, dinamizar e/ou acelerar o processo de reações nos/nas atores/atrizes.
A vivência inicial destas técnicas foi de suma importância, e por vezes sua primeira realização se dava quase como um “be-á-bá” prévio para o desenvolvimento ação. Alguns exemplos disso eram questões ou ações trazidas pelos/as atores/atrizes que envolviam: como deve ser este ou aquele movimento? Qual a relação que meu corpo propõe para tal ação? Ou como “devo me comportar” junto ao grupo para que a dinâ- mica do encontro se dê de maneira coletiva e profícua em nossa investigação?
Nesta fase também foi meu intuito descobrir como esclarecer onde eu desejava che- gar com dado exercício a partir das proposições realizadas e também do pensar cê- nico dos/das atores/atrizes em relação a elas. Chamo aqui, de pensar cênico, o modo como cada ator/atriz se relaciona com o conteúdo técnico e criativo ou técnico-criativo experienciado, ou o que deriva dele em ação durante o ensaio.
Alguns/Algumas atores/atrizes compreendem melhor os exercícios quando explicados por imagens ou por verem o outro realizando-os. Assim também, outros compreendem através de sensações físicas pretendidas com dado exercício. Ex.: levante os braços para cima, dando vazão a entrada de ar pelos pulmões propositalmente.
Adicionar a contaminação – princípio ativo! Direção como este princí-
pio provocador... (...) Ponto de mutação e amadurecimento do trabalho – criação/ saindo do indivíduo diretor para o coletivo! Criamos juntos! (SARTO, Du. Diário de Bordo, Relatório 18, Habemus Corpus, UFOP, data 25/05/2015).
Assim, realizamos alguns destes exercícios por inúmeras vezes. Cada uma delas com pontos de intenção inicial diferentes. Chamo de pontos de intenção as possíveis vál- vulas de inicialização que potencializem a percepção do/da ator/atriz sobre tal exercí- cio ou ação, no intuito de um despertar de seu corpo e de suas respectivas sensações, expressões e relações para dada ação criativa.
Destaco que a partir desta etapa de desenvolvimento técnico e criativo pude perceber a indicação de alguns apontamentos para a criação futura e estabelecer conexões mais densas entre a técnica e os pontos/temas eleitos para o trabalho durante os ensaios processuais do espetáculo que realizaríamos.
Portanto, para um melhor entendimento de nossa pesquisa relatarei, brevemente, al- gumas das práticas de nossos processos de criação, ligadas ao desenvolvimento de princípios técnicos corpo-vocais e à busca por uma presença cênica atoral expressiva.
3.5. Léxico de exercícios e metodologias técnico-criativas utilizadas na cria-