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4 Funn knyttet til de konkrete problemstillingene for undersøkelsen

4.5 Sikkerhetsklima

Proponho corrida do vento como aquecimento para os atores. Este exercício se tornou uma técnica criativa de aquecimento e conexão com nosso trabalho. Um princípio ativo, de nossa comunicação com conteúdo e forma pesquisado sem ala de ensaio que leva o corpo dos atores a estados de criatividade e conexão com todo com as memórias já adquiridas do trabalho até então. A Corrida do vento

neste dia é energizada, intensa e afetada (cheia de sensações, vozes e transformações do corpo dos atores). Os atores se encontram o tempo todo e propõe ritmos de ação conjuntos.

Du Sarto Relatório 27 do Diário de Bordo do espetáculo Habemus Corpus

Este exercício surgiu em nossa investigação a partir de uma impressão de um ator: ele se sentia livre quando percebia o vento bater em seu corpo. Foi este nosso pri- meiro exercício criado especificamente para nossa prática.

Ele tem como forma de estímulo alguns sopros de ar propositais, ou seja, criados pelo/a ator/atriz e que se iniciam no interior do/no corpo e vão crescendo espontane- amente a partir de movimentos de chicote que invadem a coluna vertebral de maneira tão expansiva que levam este corpo a se movimentar até chegar a um movimento de deslocamento do corpo todo, que sendo cada vez mais impulsionado pelos golpes de ar e chicoteadas na coluna, cria trajetórias como rajadas de vento pelo espaço e vão conduzir o corpo do ator, imageticamente a ser vento, a correr como se o fosse até um ponto em que ele se liberte de seu equilíbrio comum e abra os braços enquanto corre, em busca desse “ser vento”.

Esta prática deve se iniciar lentamente e ir se potencializando até à chegada de uma corrida sem descanso e que aumenta ritmicamente sempre pra mais rápido. Assim vai, até o corpo do ator não mais querer correr, e quando ele pensa em parar, deve parar e pausar em base neutra, com os dois pés enraizados no chão. Respirando, ele deve fazer movimentos leves com os braços como se fossem asas, muitos sutis, acal- mando-se ao passar do vento a sua volta.

Em nossos encontros este processo se reiniciava por muitas vezes, e ao correr inten- samente, o ator chegava a tal estado emocional de se sentir de fato como o vento, verdadeiramente em um movimento livre. A ação de correr, sempre em frente, como se fosse conquistar algo que está lá, ao longe, e o momento em que o corpo não mais quisesse correr e o colocasse livremente em pausa, traziam aos atores/atrizes a sen- sação de liberdade e busca dela.

Este exercício também era praticado com conduções feitas pela voz de comando e também tinha como objetivo desligar certos bloqueios de percepção de alguma forma “racionalizantes demais, medos e ou preocupações” dos/as atores/atrizes.

Existia em sua realização algo de incomparavelmente íntimo na ação de cada ator/atriz e, ao mesmo tempo, conseguimos criar um vocabulário de ação comum a todo grupo.

O realizamos de modo individual e coletivo por várias vezes, e em sala de ensaio e fora dela, de modo coordenado e em confusas trajetórias. Com o tempo de desenvol- vimento desta prática, conseguimos torná-la uma técnica do grupo de atores/atrizes, na qual todos sabiam quais eram os mecanismos para atingir tal estado, mas cada um a executava à sua maneira, a partir das etapas já apreendidas.

Este exercício no acompanhou em todos os nossos encontros criativos, sendo sempre reexperimentado, recriado ou transformado através de sua constante prática investi- gativa. Sendo levado inclusive como ação cênica para a composição do espetáculo Habemus Corpus.

Classifico este exercício como base técnica-criativa para o trabalho.

3.5.7. Koshi

O Koshi é um exercício que trabalha a presença do ator, não é à toa “que em japonês koshi também significa presença do ator” (BURNIER, 1994, p. 149 apud FERRACINI, 2001, p. 146). Utilizamos este exercício também como uma continuidade da base neu- tra, mas em vias de descobrir sua passagem da pausa para o movimento em ação. Nele, o ator deve buscar a ativação do ponto abdominal denominado koshi, através do trabalho de deslocamento, movimentando-se com a bacia, sem colocá-la em on- dulação, trazendo para ela um foco de energia e concentração que culmina em uma qualidade de presença para o ator.

Trabalhei junto aos/as atores/atrizes este exercício em nosso processo criativo de va- riadas formas, sempre focando na busca desta presença. Em sua primeira aplicação, trouxe a seguinte proposição: imagine uma pequena bola de aço, que envolvida em algodão esteja localizada e tem que ser equilibrada no centro de seu corpo, no centro da bacia, logo acima do cóccix, e assim, caminha no intuito de mantê-la equilibrada e sentir a força, peso e equilíbrio empregados em seu corpo em relação ao chão em que pisa.

Partindo da base do ator e do centro do corpo como ponto de atenção e distribuição de energias, o koshi trouxe para nosso elenco a percepção de si como um corpo ín- tegro, de seu corpo integrante daquele espaço de ação e dessa ação como presença em sua realização. Além disso, possibilitou reforçar a base dos atores ao se movimen- tarem e agirem de variadas formas.

Trabalhamos também junto deste exercício expressividades vocais que ao meu pe- dido eram advindas daquela ação realizada e de toda a sua intenção física de realiza- ção. Estas vozes desenvolvidas junto ao movimento trouxeram mais organicidade e percepção para o trabalho físico dos/as atores/atrizes.

Durante os encontros criativos percebi que alguns atores tinham dificuldades de en- tender como localizar esta região do koshi, portanto, a fim de ajudar tocava os/as ato- res/atrizes em certos pontos que trouxessem tal entendimento.

Comecei a propor novas abordagens de execução do exercício através de outros exercícios/processos estabelecendo o foco de presença em outras partes corporais, e, aos poucos, encaminhando ela pelo corpo, através de condução e voz de comando, até localizá-la em seu ponto real de emanação de energia: o koshi.

No trabalho cênico que pretendíamos realizar foi de extrema necessidade uma ex- pressiva qualidade de presença no corpo dos atores ativamente, e esta prática contri- bui para ela de maneira fundamental.

Classifico este exercício como base técnica para o trabalho.