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Para melhor compreender o processo da produção escrita, parto, portanto, da perspectiva enunciativo-discursiva para a abordagem dos textos, pois considero que ela dá conta dos aspectos envolvidos na produção da escrita como prática social. Dessa perspectiva, assumo a redação de vestibular enquanto gênero discursivo.

Para firmar esse meu posicionamento, vale destacar dois aspectos que Corrêa (2011) traz para essa discussão: primeiro, a ênfase não é dada no “tipo” de texto, ou seja, em sua estrutura composicional isoladamente; segundo, considero o exame vestibular um evento de letramento (KLEIMAN, 1995), visto como um acontecimento discursivo, e não uma atividade limitadora da análise ao estritamente linguístico (CORRÊA, 2011 p. 11-2). Comentando os gêneros do discurso e os tipos de texto solicitados para produção nos vários exames vestibulares, o autor acrescenta que:

considerando:

 a interação social específica (avaliado/avaliador) válida para todos esses textos;

 o comportamento verbal semelhante mesmo na produção de tipos diferentes;

 as escolhas temáticas filtradas por um interesse educacional (os textos são escritos sobre temas relevantes da atualidade); e

 as soluções estilísticas essencialmente ligadas ao diálogo com a instituição avaliadora que comportam; pode-se, de maneira operatória e sem pretensão classificatória, dizer que o conjunto dessas restrições configura um gênero do discurso que vem sendo especificado pelo predomínio de certos tipos de texto, como, por exemplo, o dissertativo e o narrativo.

Teríamos, então, tipos – predominância do dissertativo ou narrativo, combinados em diferentes proporções – produzidos como gênero redação de vestibular. De modo semelhante, a carta, que é um gênero do discurso, seria, no contexto do vestibular, uma proposta de escrita de um tipo argumentativo particular – aquele com interlocução explícita –, produzida, ela também, como gênero redação de vestibular (CORRÊA, 2011, p. 637, grifos do autor). Desse modo, as considerações de Corrêa vão ao encontro do que assumo: a redação de vestibular enquanto gênero discursivo e, no caso da FUVEST, do tipo predominante dissertativo-argumentativo. Além disso, considerar a redação de vestibular um gênero discursivo permite que se trabalhe “em função de sua produtividade no reconhecimento de processo de constituição do texto, modo de repor o encontro do produtor do texto com seu produto” (CORRÊA, 2011, p. 638, grifo meu).

É nesse encontro do escrevente com seu texto que o exame vestibular torna- se um acontecimento discursivo, em que o escrevente articula língua, texto e discurso ao por em ação suas representações sobre a/por meio da escrita. Busco, nesse trabalho do escrevente, as representações firmadas no texto pelas modalizações e, sobretudo, pelas adjetivações o que não significa restringir a

análise ao estritamente linguístico, mas estabelecer o diálogo entre o linguístico e o discursivo.

Para entender a redação de vestibular como gênero discursivo, é importante, também, diferenciá-la de redação escolar, a fim de evitar alguns equívocos. Como o próprio nome diz, redação escolar é aquela feita para a escola, ou melhor, para o professor como único interlocutor. A produção textual é, nesse contexto, uma tarefa escolar e o ensino da escrita se dá sob a influência do “fantasma” de uma escrita suposta como ideal, tida como irrepreensível do ponto de vista da correção. Os olhares se voltam apenas para a superfície textual da produção do aluno. O ensino dessa escrita aprofunda mais o estudo da tipologia textual em detrimento do gênero, não levando em conta aspectos ligados ao uso social da escrita, em que se privilegia a situação de comunicação como um todo, ou seja, o gênero escolhido, sua função social e o papel dos interlocutores.

Nessa forma mais tradicional do ensino de redação na escola, o gênero não tinha lugar. Era apresentado um tema a ser desenvolvido de acordo com o tipo textual estabelecido pelo professor: narração, descrição ou dissertação. Vários manuais foram criados nessa concepção de ensino da escrita. Com o advento do PCN (Parâmentros Curriculares Nacionais) de Língua Portuguesa, houve uma tentativa de mudança, abrindo-se espaços para o ensino da produção a partir dos gêneros, uma tendência contemporânea. Nesse contexto, surgem diferentes nomenclaturas, muitas vezes para um mesmo elemento como, por exemplo, tipo de texto, sequência textual, modos de organização do discurso, domínio discursivo e gênero textual, gênero do discurso, gênero discursivo.

A discussão que se segue, atinente à relação entre redação escolar e redação de vestibular, baseia-se em pesquisas recentes, nomeadamente as de Marcuschi (2004) e Dutra (2008). A redação escolar é considerada um gênero discursivo, porque atende aos requisitos para isso: possui uma situação de enunciação, apesar de restrita, é uma situação de enunciação real, uma vez que se estabelece entre o aluno e o professor um canal de comunicação que, segundo Bakhtin (1992, 2003), só pode se concretizar por meio dos gêneros do discurso. Nessa situação de enunciação, o aluno sabe em que ele está sendo cobrado e a que critérios deve atender para ter o aval de seu interlocutor, o professor e, cumprir, não diretamente uma função comunicativa, mas dar conta de uma tarefa escolar: a

escrita de um texto para ser avaliado com critérios determinados pelo professor corretor. A redação escolar é, pois, fruto de uma situação de comunicação simulada, que tenta se fazer passar por real. Enquanto ela for tratada apenas como tal, será difícil para o estudante apropriar-se da escrita em seu uso social.

Já a redação de vestibular, conforme anunciado na introdução, é assumida como um gênero discursivo porque está inserida em uma situação de comunicação efetiva – o exame de redação do vestibular. Trata-se de um gênero produzido em uma situação real de comunicação, com interlocutores igualmente reais e uma função social bem estabelecida. A função da redação escolar é o ensino da escrita; é um gênero que nasce e permanece dentro da escola. A redação de vestibular tem também uma circulação restrita e escolar, porque avalia a escrita do vestibulando com fim específico. Sua circulação se restringe ao ambiente de correção, isto é, à banca corretora e se encerra, normalmente, nos arquivos temporários da fundação que gerencia o exame vestibular, até ser destruída ou ir para a mão de um pesquisador. Algumas redações da FUVEST circulam também na internet, em um site que apresenta aquelas consideradas as melhores pela fundação. Apesar dessa circulação mais reservada do que as de outros gêneros, ela nasce numa situação real de enunciação, com interlocutores cujos papéis sociais são legítimos. Nessa direção, a redação de vestibular é um gênero discursivo porque acontece em uma situação de comunicação verdadeira, possui uma função social específica, ou seja, é uma prática social mais ampla do que aquela restrita somente à escola.

Apesar de a redação escolar e a redação de vestibular serem gêneros discursivos diferentes, há algumas semelhanças entre elas que merecem destaque. No que se refere ao contexto de produção, que são evidentemente diferentes, há, entretanto, alguns aspectos em comum, como a situação de avaliação da escrita, o atendimento a uma proposta elaborada com esse fim, isto é, o de avaliar a escrita por meio da elaboração de um gênero especificado na própria proposta de redação. Ambos exigem um posicionamento do escrevente diante de determinado fato ou tema, estabelecendo o uso do tipo textual predominante, o dissertativo- argumentativo, como é o caso do exame de redação da FUVEST/USP, ou mesmo em uma carta argumentativa, como já foi o caso do vestibular da UNICAMP. Outras universidades (cf. PILAR, 2002; PAVANI, KÖCHE & BOFF, 2006; SILVA, 2009; SILVA & LINO DE ARAÚJO, 2009a; 2009b), em seus exames, solicitam a

elaboração de gêneros diferentes do solicitado no vestibular da USP, como relato, resenha, memória, etc. Nesses diferentes gêneros que transmutam do seu local de circulação de origem, para se tornarem redação de vestibular, sempre o interlocutor será a banca examinadora, mesmo que na proposta da prova de redação haja outros interlocutores predeterminados conforme o gênero estabelecido para o candidato escrever.

A perspectiva enunciativo-discursiva, ao mesmo tempo textual e discursiva, possibilita analisar a redação de vestibular sob diferentes aspectos: dialógicos e polifônicos, nos quais se fundamenta a definição de PDV adotada neste trabalho; bem como sob aspectos voltados para a construção da argumentação, mais ligados à herança deixada pela retórica. Favorecendo a caracterização da redação de vestibular como gênero, a perspectiva enunciativo-discursiva abre espaço para a consideração da articulação entre aspectos enunciativos e discursivos, permitindo, desse modo, abordar aspectos dialógicos tanto na sua dimensão interacional quanto em sua dimensão interdiscursiva.

A abordagem enunciativo-discursiva traz, por fim, à tona as tomadas de posição do escrevente, seus posicionamentos, que se desdobram discursivamente nos enunciados. A expectativa é que ela possa, pelo que permite analisar da construção de PDVs e do PDVD no específico gênero do discurso em questão, contribuir para o campo aplicado, como, por exemplo, para o ensino e a aprendizagem da escrita. A construção de PDVs e a do PDVD, em virtude de sua própria constituição, são mais bem analisadas no âmbito do gênero do discurso em que aparecem; no caso, no âmbito do gênero redação de vestibular.

Uma última observação, mas não menos importante, sobre o gênero redação de vestibular vem a partir do que propõe Buin (2006; 2007) sobre a ficcionalização nos textos escolares. No que se refere ao gênero redação de vestibular, ele se constitui no entremeio de três dimensões14: (1) a escolar, uma avaliação por meio da escrita; (2) a burocrática, em função da necessidade de cumprir um protocolo para acesso ao ensino superior, por meio de uma situação de enunciação bastante restrita; (3) a ficcionalizada, por meio da qual o escrevente constrói imagens de si, diante da ficcionalização de seu outro e de seu papel social. Enquanto as duas

14 Agradeço ao professor Émerson de Pietre a sugestão de trabalhar a redação de vestibular a partir dessas três dimensões.

primeiras dimensões são altamente institucionalizadas, a terceira corresponde à projeção, pelo escrevente, de uma situação representada, da qual ele possa participar como sujeito legítimo. No conjunto, as três dimensões criam um espaço simbólico que dá existência ao gênero redação de vestibular.

B. Objetivos e função social da redação de vestibular

Apesar de algumas semelhanças entre a redação escolar e a redação de vestibular, esses dois gêneros diferem-se quanto à função social. O objetivo e função social da redação escolar é a verificação do ensino da escrita. Já o objetivo da redação de vestibular é (juntamente com o das demais provas do exame vestibular) permitir ao vestibulando o acesso ao ensino superior, também por meio da verificação do ensino da escrita, mas a de um gênero específico. São gêneros diferentes, com funções sociais distintas e por isso merecem tratamento diferenciado quando analisadas. Vale levantar quais são os critérios para definir quem está apto ou não para acessar o ensino superior, por meio da análise de uma prova de vestibular, incluída nela a prova de redação. Por meio da escrita da redação de vestibular, diferentes competências são analisadas para se tomar essa decisão. Há, nesse sentido, um jogo de poder estabelecido entre o escrevente, que deve provar que possui as competências discursivas necessárias para a aprovação e a banca examinadora, que deve verificar se o candidato realmente possui essas competências. Se a função social da redação de vestibular é a de permitir o acesso ao ensino superior, devem-se levar em conta os aspectos atrelados a essa permissão, como, por exemplo, os critérios de correção da prova de redação. O escrevente, no intuito de querer ser aprovado no exame, deve submeter-se a algumas coerções postas nesta situação de enunciação, sabendo que passará por um processo de julgamento do corretor, com base nesses critérios, que são predeterminados e divulgados no manual do candidato, como se pode conferir, a seguir:

A redação deverá ser, obrigatoriamente, uma dissertação, na qual se espera que o candidato demonstre capacidade de mobilizar conhecimentos e opiniões, de argumentar coerentemente e de expressar-se com clareza e adequação gramatical. Na correção da redação, serão examinados três aspectos (Tipo de texto e abordagem do tema, Estrutura e Expressão) sendo que, a cada um deles, poderão ser atribuídos 0, 1, 2, 3, ou 4 pontos.

Considera-se aqui se o texto do candidato configura-se como uma dissertação e se atende ao tema proposto. É fundamental, na elaboração do texto dissertativo solicitado, que o candidato demonstre a habilidade de ler e articular adequadamente os textos da coletânea para abordar o tema. A elaboração de um texto que não seja dissertativo ou a fuga completa ao tema serão tomadas como pressupostos inquestionáveis para que a prova não seja objeto de correção em qualquer outro de seus aspectos recebendo a nota zero. No que diz respeito ao desenvolvimento, verificar-se-á, além da pertinência na progressão do tema, também a capacidade crítico- argumentativa do candidato, bem como a maturidade e a informatividade que no texto manifestam.

2 – Estrutura

Consideram-se aqui, conjuntamente, os aspectos de coesão textual (Nas frases, períodos e parágrafos) e de coerência de idéias. Maior ou menor coerência reflete a capacidade do candidato em relacionar os argumentos e organizá-los de forma a deles extrair conclusões apropriadas e, também, a habilidade para o planejamento e a construção significativa do texto. Serão considerados aspectos negativos a cópia de trecho da coletânea ou a simples paráfrase, bem como a presença de contradições entre frases ou parágrafo, a falta de encadeamento das idéias, a circularidade ou a quebra de progressão argumentativa, a falta de conclusão ou a presença de conclusões não decorrentes do que foi previamente exposto. Serão tidos também como fatos negativos referentes à coesão, entre outros, o estabelecimento de relações semânticas impróprias entre palavras e expressões, bem como o uso de conectivos.

3 – Expressão

Consideram-se nesse item o domínio do padrão culto escrito da língua e a clareza na expressão das idéias, serão examinados aspectos gramaticais como ortografia, morfologia, sintaxe e pontuação. A presença de clichês ou frases feitas e, ainda, o uso inadequado de vocábulos serão ocorrências, em princípio, negativas. Espera-se que o candidato revele competência em expor com precisão os argumentos selecionados para a defesa do ponto de vista adotado e demonstre capacidade de escolher e usar expressivamente o vocabulário (FUVEST, 2006, p. 42).

A partir da leitura desses critérios, pode-se afirmar que eles são elementos constitutivos da função social da redação de vestibular, isso porque são objetos de análise para provar ou não a competência do escrevente no que se refere ao gênero estabelecido (com um tipo textual expressamente determinado no manual de instrução, no enunciado da instrução da prova de redação e nos critérios de avaliação divulgados no Manual do candidato); aos elementos estruturais do texto, como, coesão, coerência e capacidade argumentativa e ao domínio da língua escrita culta.

Longe de considerar a escrita da redação de vestibular apenas uma atividade de cunho escolar, é necessário dizer o motivo pelo qual a considero uma prática social. Uma prática que leva em conta a elaboração de um texto em situação de uso concreto da língua, que considera a escrita como constitutivamente dialógica e por isso heterogênea. Além disso, por ser dialógica, é igualmente responsiva. Responde aos enunciados da prova de redação, aos critérios de correção dessa prova, aos interlocutores e a enunciados presentes em sua memória discursiva.

Na perspectiva adotada para a pesquisa, tomo a análise da escrita por meio de um gênero discursivo, o que pressupõe uma análise dos enunciados das redações que busca posições ideológicas inscritas nessa prática social, que busca os lugares sociais de quem enuncia: quem fala? fala de onde? como fala? para quem fala? por que fala? Esses lugares são construídos no texto enquanto discurso; enquanto vozes que se colocam, enquanto PDVs construídos pelo escrevente, que deixa suas marcas inscritas nos enunciados das redações, o que permite aprofundar o estudo da escrita e das representações do escrevente.

Diante da consideração do gênero redação de vestibular como uma prática social e discursiva, com função social específica, particularizo, a seguir, a discussão desse gênero, situando-o em sua dimensão textual e enunciativo-discursiva.

1.5 A redação de vestibular e sua dimensão textual e enunciativo-discursiva

Partindo da concepção de escrita como prática discursiva, busco explicitar a configuração do gênero redação de vestibular a partir das dimensões que o compõem: a textual e a enunciativo-discursiva. Tendo como objeto de pesquisa a construção de PDVs na organização do texto, estabeleço as bases teóricas que aportam essas duas dimensões.

No que se refere à dimensão textual, examino o tipo textual que, em parte, é responsável pela configuração da estrutura composicional do gênero redação de vestibular. A estrutura composicional poderia, também, ser tomada como esquema textual, não do ponto de vista cognitivista, mas do ponto de vista discursivo, em que a estrutura textual é resultado (1) das representações que o escrevente tem da escrita e do gênero e, (2) de suas práticas letradas, atualizadas no acontecimento

discursivo. Na concepção bakhtiniana de gênero, a estrutura composicional reflete a situação de enunciação, daí ser o gênero relativamente estável. É estável no reconhecimento, caso contrário, segundo Bakhtin (2003), teria de ser criado a cada nova comunicação. E sua estabilidade é, no entanto, relativa porque está ligada à singularidade do escrevente e da própria situação de enunciação em que o escrevente se apresenta e se constrói na relação com o outro. Assim, não se pode dizer que há uma estrutura fixa, congelada, mas que ela é reconhecida no seio do próprio gênero, em função das práticas letradas e das representações do escrevente, atualizadas no acontecimento discursivo. Estão em jogo, assim, não só o conhecimento linguístico, enciclopédico e genérico do escrevente, mas o modo como se podem materializar linguisticamente esses conhecimentos na situação de enunciação do exame de redação.

Na elaboração do gênero redação de vestibular, o tipo textual dissertativo- argumentativo é configurado em função de seus aspectos linguísticos, naquilo que se convencionou chamar de um texto argumentativo para este modelo de redação de vestibular, mas também no âmbito estilístico do escrevente. Quando, num enunciado de redação, o esquema textual está fortemente marcado, pode-se dizer que esse escrevente domina os modelos considerados mais adequados, segundo o discurso pedagógico em que se prioriza a estabilidade do gênero e não os elementos do acontecimento discursivo, tais como: leitor presumido, função e objetivo do gênero numa situação de comunicação avaliativa, isto é, um contexto sociocultural bastante conhecido e explorado no ambiente escolar.

Estudar a construção de PDVs envolve estudar a organização argumentativa interna ao texto, isto é, trabalhar os aspectos argumentativos do gênero. Destaco, desse item, a importância da noção do tipo textual e a expressão argumentativa que compõem a redação de vestibular, não estritamente no que se refere à persuasão pelo conteúdo temático, mas principalmente pela situação de enunciação, em que o escrevente deve mais mostrar que sabe escrever tal gênero do que persuadir o leitor a acatar o PDV defendido. São aspectos salientes para abordar a organização textual da construção de PDVs, numa situação tão singular como a da elaboração da redação de vestibular.

Abordar o texto tendo como parâmetro a definição de gênero discursivo é fator imprescindível extrapolar seus aspectos textuais, sem abandoná-los. O gênero

redação de vestibular será abordado, assim, sob a heterogeneidade que lhe é constitutiva, lançando mão de aspectos enunciativos e discursivos que todo gênero comporta. Para isso, abrigo-me nos estudos da teoria da enunciação baseada, principalmente, nos estudos do círculo bakhtiniano, mas igualmente estudos que trazem noções da Análise do Discurso, fundamentais para depreender o modo de construção de PDVs na organização do texto.

1.6 A dimensão textual

Dentre os trabalhos pesquisados sobre redação de vestibular do tipo considerado em sua predominância dissertativo, não há consenso no que se refere à definição do seu tipo textual, haja vista a própria confusão entre os termos tipo e gênero, quando o assunto é redação de vestibular. Conforme dito na introdução, considero a redação de vestibular um gênero que, no vestibular que analiso, apresenta como tipo textual predominante o dissertativo-argumentativo. A organização textual da redação de vestibular remonta características da retórica argumentativa: exórdio (proêmio), proposição (exposição), argumentação (provas, refutação) e peroração (epílogo). Essa organização remete a aspectos bastante recorrentes no ensino desse gênero: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão, aspectos que consideram a estrutura temática primordial em detrimento de aspectos