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Samhandling og samarbeid med foreldrene

Outro modo de depreender o PDVD é por meio da mobilização de saberes relacionados a fatos da atualidade e nos quais o escrevente busca força argumentativa para fortalecer sua argumentação e construir um PDV. Esses saberes são mobilizados da esfera midiática. O PDVD é construído a partir de discursos que circulam nessa esfera e das representações do escrevente. O exemplo [112] mostra que o escrevente parte do PDV do segundo fragmento para construir outro PDV, oposto ao da coletânea. Para isso, o enunciador introduz, no primeiro parágrafo, o mesmo PDV da coletânea, retoma o já-enunciado no segundo fragmento, assumindo o mesmo posicionamento:

[112]:

O trabalho e a sociedade

1º § Em nossa sociedade, o trabalho sempre foi considerado uma fonte de evolução e progresso para o homem, [...]. Contudo, muitos indivíduos tornam-se excessivamente ocupados com sua profissão e privam-se do convívio social, o que os prejudica, enquanto outros tornam-se excluídos por não terem uma profissão. [...] tanto o excesso quanto sua falta são altamente prejudiciais (R006, grifos meus).

O escrevente adota como estratégia argumentativa contrastar, no primeiro parágrafo, o excesso e a falta de trabalho – mesmo PDV do segundo fragmento –, apresentados como tese. A partir dessa tese, constrói certa hierarquização no jogo entre essas polaridades – excesso e falta –, por meio da adjetivação, denunciando que ambas “são altamente prejudiciais”. O escrevente solidariza-se com um PDV da coletânea e o enfatiza por meio da adjetivação. Ao final do primeiro parágrafo, aponta para a direção que vai seguir: “tanto o excesso quanto sua falta são altamente prejudiciais”. No segundo parágrafo, mobiliza saberes da esfera midiática, para fortalecer ainda mais esse PDV:

[113]:

2º § Um exemplo típico dessa situação é a ilha de Manhattan, nos Estados Unidos, onde podem-se ver altos executivos dos grandes escritórios internacionais trabalhando muitas horas por dia, convivendo com os desempregados que ficam pelas ruas na eterna esperança de obter um emprego, [...] (R006).

O escrevente busca, na mobilização desses saberes, informações que ele julga de autoridade, para validar e valorizar o seu dizer. Depois de denunciar a desigualdade gerada pelo trabalho também nos Estados Unidos, qualifica o trabalho com uma adjetivação modalizada e axiológica, lançando o seu PDV: “Esse contraste nos leva a crer que o trabalho é algo extremamente essencial á vida do homem, mas que deve ser melhor distribuído, [...]” (R006, grifos meus). O escrevente assume um PDV fornecido pela coletânea, para, a partir dele, construir o seu. Entretanto ele desliza para outro PDV introduzido no terceiro parágrafo, sem aparente ligação com o que ele vinha construindo, pois justifica a melhor distribuição de oportunidades de trabalho com o controle de natalidade que, segundo ele, traria mais equilíbrio ao problema da falta e excesso de trabalho. Trata-se de um saber mobilizado da esfera midiática, mas que pode também estar relacionado com a esfera escolar:

[114]:

3º § Talvez um controle de natalidade feito com colaboração do governo ajudasse na melhor distribuição das oportunidades de emprego, pois a taxa de nascimentos não acompanha a de crescimento do trabalho, criando um desequilíbrio (R006, grifos meus).

O escrevente põe em cena um enunciador, cujo PDV revela um discurso extremamente conservador, que passa por cima de decisões individuais da mulher de ter ou não filhos, passando esse poder para as mãos do governo, para controle do nível de emprego/desemprego. Há, nesse sentido, um embate de PDVs, em que o escrevente procura se firmar para construir um PDVD, tentando ir por um caminho, posicionando-se a favor de um equilíbrio social para o problema do desemprego, mas desliza para outro que foge a seu controle. Trata-se, nesse sentido, de um PDV que tenta se sobrepor, mas isso não acontece na sequência do enunciado. No quarto e último parágrafo, volta à cena o mesmo enunciador cujo PDV solicita o equilíbrio pela diminuição da exploração:

[115]:

4º § O que deve acontecer é uma readaptação social para que a maioria dos indivíduos tenha acesso a um trabalho, mas na medida em que não seja em excesso, o que já provou ser prejudicial (R006).

Desse modo, o escrevente solidariza-se com o PDV do segundo fragmento, mas não o assume para si, porque constrói seu PDV em função de suas representações, isto é, das imagens de si e de seu outro. O escrevente mostra isso ao direcionar argumentativamente seu texto, mobilizando esses saberes de autoridade segundo suas representações, para mostrar a imagem não só de um sujeito bem informado, mas também de alguém que aponta a solução para o desequilíbrio nas oportunidades de trabalho. Finaliza sua redação num tom de certeza, valorizando o trabalho positivamente:

[116]:

4º § O trabalho é parte essencial de nossas vidas e devem- se criar oportunidades para que todos possam usufruí-lo (R006, grifos meus).

O tom deôntico também aparece, e não só no final, mas no todo da redação, “deve ser melhor distribuído”, “não pode vir em excesso”, “não deve faltar”, “devem- se criar oportunidades”, para fortalecer ainda mais seu posicionamento. O escrevente se solidarizou com um PDV da coletânea, trabalho é exploração, mas construiu outro, pautado da obrigatoriedade de mudança para sua melhor distribuição. Esse PDV também ganhou força na excessiva modalização da importância do trabalho: “o trabalho é algo extremamente essencial á vida do

homem” (trecho do segundo parágrafo), “O trabalho é parte essencial de nossas vidas” (trecho do quarto parágrafo), como também nas anteposições dos adjetivos dimensionais, no segundo parágrafo: “altos executivos”, “grandes escritórios internacionais”, “eterna esperança”, todas contribuindo para a construção de um efeito de sobreposição, constituindo, assim, o PDVD.

A mobilização de saberes da mídia também foi marcada sob outras representações, como em [117], pela enumeração de fatos contemporâneos ligados à crise socioeconômica, que denuncia a situação atual da necessidade do trabalho para a sobrevivência:

[117]:

1º § Modernamente, no século em que nos encontramos, o trabalho é uma palavra intimamente ligada ao dia-a-dia das pessoas. [...].

2º § Mesmo sem pensar que a economia de um país, ou outros fatores como corrupção, desvios de verbas, crises e diplomacia, podem mudar diretamente o rumo de um país, ainda assim você precisa trabalhar ou de alguém que trabalhe para te sustentar. [...] (R178, grifos meus).

A mobilização de saberes da mídia traz para o enunciado os acontecimentos contemporâneos ao escrevente, que ele seleciona, dentre outros, porque considera pertinente para reforçar a direção argumentativa da construção de PDVs.