Kap 5. Resultater av den tematiske analysen
5.2 Utfordringer på mikronivå
Era prática do Liceu abrir os anos letivos com uma sessão solene com a presença de grandes personalidades ligadas ao ensino português, da qual se lavrava uma ata, o que mostra a importância que lhes era dada (ao Liceu e à Sessão), quer dentro do Liceu, quer fora dele e de alguma forma o seu, pelo menos aparente, bom relacionamento com as instituições ligadas à educação do país. Por exemplo, relativamente ao ano letivo de 1932/1933 estiveram presentes nos lugares de honra na sessão solene da abertura do ano letivo que decorreu a 6 de novembro de 1932, pelas 15 horas, no Salão de Festas do Liceu: Eduardo Pestana (diretor dos serviços do ensino secundário), Magalhães Correia (diretor do Colégio Militar), Nobre Guedes (diretor geral do ensino técnico), Carlos Quaresma (subdiretor do Instituto dos Pupilos do Exército), Álvaro de Athayde (membro do Conselho Superior da Instrução Pública), Abel Loff (reitor do Liceu Gil Vicente), Joaquim Carlos de Sousa (representando o reitor do Liceu D. João de Castro), Estevão Pinto (reitor do Liceu de Portalegre), José Saraiva (reitor do Liceu Passos Manuel), Cristiano de Sousa (reitor do Liceu Camões), Maria Guardiola (reitora do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho), Dias Agudo (diretor da Escola do Magistério Primário de Lisboa), Sá Oliveira (reitor do Liceu), Gaspar Machado (professor metodólogo do 2.º
40
grupo32 do Liceu) e Tenório de Figueiredo (secretário do Liceu) (Boletim n.º 5, 1933, p. 331).
Para além das várias publicações do Liceu já referidas, associações de estudantes e atividades inerentes como sejam, visitas de estudo, concursos literários, ensaio de peças de teatro e vários tipos de palestras, outras iniciativas merecem destaque.
Desde 1931, por iniciativa do seu primeiro reitor, Sá Oliveira, foram criadas salas de estudo com vista a implementar um estudo dirigido com apoio individual ao aluno e no seu regulamento podia ler-se: “não é permitido, durante o funcionamento da sala de estudo, fazer qualquer ruído na respetiva divisão; as fechaduras das portas hão-de estar sempre lubrificadas para que estas se abram e fechem sem ruído” ou ainda: “nos intervalos do seu estudo, o aluno descansa, não faz barulho” (Oliveira, 1932, p. 156). No ano letivo de 1930/1931 também foi criado um posto meteorológico no Liceu. E no ano letivo seguinte foi introduzida a obrigatoriedade do uso do caderno diário.
Em 1936 foi construído um posto emissor de rádio inicialmente com o objetivo de apoiar as aulas sobre eletricidade da disciplina de Física. Um dos professores e metodólogo desta disciplina foi Rómulo de Carvalho33, o cientista que também foi poeta com o heterónimo de António Gedeão entrou para o Liceu em 1958. Por esse emissor de rádio, que deixou de funcionar em 1962 por falta de verbas, eram transmitidos programas de “música gravada, clássica e ligeira, por emissões directas de trechos executados em piano, violino ou harmónio, recitais de canto e de poesia, palestras e noticiários do liceu” (Gomes, 2010, p. 2). As emissões diretas eram realizadas com a participação de professores, incluindo os estagiários, e de alunos. Não emitia só em tempo de aulas, “durante as férias grandes realizou emissões semanais — uma breve e ligeira palestra de algum professor, a correspondência do Reitor com os alunos, o noticiário do Liceu, discos de música escolhida” (Oliveira, 1938, p. 10) sendo ouvido por professores, alunos e respetivas famílias. No ano de 1938 foram emitidas vinte e uma sessões, de janeiro a setembro, com uma periodicidade variável: uma em janeiro, duas em maio, seis em junho e quatro em cada um dos meses de julho, de agosto e de
32
Estariam presentes outras individualidades, nomeadamente outros metodólogos do Liceu, só que não estavam a ocupar os lugares de honra. O metodólogo do 2.º grupo foi um dos oradores desta sessão.
33
41
setembro, de acordo com o Boletim do Liceu Normal de Lisboa (Pedro Nunes), n.º 13, do mesmo ano.
Para além da rádio, também desde 1936, eram transmitidas sessões de cinema no Liceu. O filme, para além de recreativo e cultural, era usado como material didático e científico. Em 1960 foram visualizadas 248 sessões, das quais 209 foram de filmes sonoros e as restantes 39 de diapositivos e, em 1962, estas sessões duplicaram: num total de 507 sessões, 419 foram de filmes sonoros e as restantes 88 foram de diapositivos (Guerra, 2005, p. 87).
Existiam pelo menos dois laboratórios no Liceu que permitiam aos alunos assistirem a um ensino experimental, nomeadamente, um para o estudo das Línguas e outro para o estudo da Físico-Química, para além de anfiteatros. Não encontrámos qualquer referência à existência de um laboratório para o estudo da Matemática e estamos em crer que não existia. No entanto, existiam salas específicas para lecionar esta disciplina equipadas com materiais didáticos próprios.
No âmbito da disciplina de Matemática, a 19 de novembro de 1958, foi realizado o Primeiro Colóquio dos Professores de Matemática dos Liceus de Lisboa (Palestra n.º 4, 1959, p. 97). A 18 de janeiro de 1965 iniciou-se uma série de sessões sobre a melhoria do ensino da Matemática. A primeira com o tema “Incidência da Matemática moderna no programa do 1.º ciclo do ensino liceal” foi dinamizada pelo metodólogo Jaime Furtado Leote e estiveram presentes, entre outros, “O Inspector Carneiro da Silva, os Professores Sebastião e Silva, Silva Paulo34 e Mário Mora35. Assistiu também o Professor argentino José Benfi” (Guerra, 2005, p. 200, notas nossas). Sobre o ensino da Matemática, Matemática Moderna e formação de professores houve uma série de outras iniciativas, cursos e encontros com vista a enriquecer a formação dos que estavam ligados ao ensino desta disciplina e que iremos analisar com pormenor mais à frente neste trabalho, já que se inserem no período em estudo. Estas iniciativas assentam numa prática já herdada no Liceu. São muitos os exemplos. No seguimento de uma conferência realizada no Liceu por Bento de Jesus Caraça, no ano letivo de 1932/1933, Jaime Furtado Leote escreve: “o professor Bento de Jesus Caraça continua a auxiliar-nos com o seu saber e a sua experiência; sou dos que pensam que a cooperação íntima da Universidade com o Liceu
34
Professor do ensino secundário e um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM). Secretariou a reunião de 12 de Dezembro de 1940 onde foram aprovados os Estatutos da SPM.
35
42
muito pode contribuir para a acção educadora” (Leote, 1933, p. 370), ainda elogia, em particular, a bibliografia do texto “Primeira Lição de um Curso de Álgebra Superior” de Bento de Jesus Caraça publicado na Separata da revista Técnica de 1932 e acrescenta: “Se me fosse permitido distinguir uma obra, eu destacaria (...) a de Felix Klein — ‘Matemática Elemental desde un punto de vista superior’ (tradução espanhola); ela parece-me de consulta indispensável a quem prefere seguir nas suas lições o método [h]eurístico” (Leote, 1933, p. 370).