• No results found

Utfordringer

In document Varslede drap? NOU (sider 140-146)

Del IV Gjennomgang av partner-

12.2 Kort oversikt over kontakten med

12.3.5 Utfordringer

No seguimento da análise do estudo que apoia este capítulo, foram realizadas 186 entrevistas, 95 em Bordéus e 91 nas restantes cidades que o autor classifica como grupo 1 (Mendoza, Mainz, Florença, Porto e Cidade do Cabo). O objetivo desta investigação é avaliar o desempenho do enoturismo nas várias regiões vinícolas do mundo tendo em conta os investimentos no turismo, os produtos/serviços oferecidos, as estratégias de marketing e os fatores externos (capital regional).

São várias as regiões francesas consideradas como potências do enoturismo. Um exemplo disso é a região de Bordéus, apesar de haver outras bastante importantes (ex: Borgonha), nenhuma é como esta (Frochot, 2000). Não fosse Bordéus a maior região vinícola da França, com 120.000 hectares de vinhas e 478 propriedades vinícolas (Voyages au pays des vins - Giconde Tourisme, 2009). Os grandes produtores da região apostaram fortemente no enoturismo, para ter um serviço diferenciado e de qualidade. Um investimento dispendioso, que foi facilmente recuperado pelo êxito da região e a levou à conquista do rótulo Best Wine Tourism23.

O exemplo de um serviço diferenciado, inovador e original, tem como nome

Coup 2 Foudres24. Trata-se de um novo conceito de alojamento, onde os turistas têm a

oportunidade de dormirem num barril de vinho, com dimensões suficientes para que não

23

É uma competição internacional desenvolvida pela Great Wine Capitals Global Network, para recompensar a região que mais se distinguiu pela excelência e pelas experiências proporcionadas aos turistas. Desta forma é possível também promover a oferta turística existente e o reconhecimento internacional (http://greatwinecapitals.com/, Gironde Tourisme, 2013).

lhes falte conforto (inclui uma cama de casal, WC, Wifi, televisão, frigorifico, etc.). De certa forma é este género de inovações turísticas, que faz do enoturismo um nicho de mercado, sinónimo de conceitos como a singularidade, a diferenciação, a diversidade e a capacidade de atração, desenvolvidos no capítulo anterior.

Com base nos resultados dos inquéritos, foi possível perceber que Bordéus é visitado maioritariamente por turistas nacionais, enquanto o grupo 1, por estrangeiros. Nas duas regiões o turista é maioritariamente do sexo masculino, com idades entre os 35 e os 55 anos.

Em ambas as regiões, os recursos financeiros são fruto da venda do vinho. O programa proporcionado aos turistas acaba por ter esse propósito, o turista prova o vinho, faz uma visita guiada às instalações e/ou vinhas e no final compra o vinho, em geral os mais caros e de médio preço (Faugére et al., 2013). Em comum, estas regiões têm também, a reputação da marca, que vantajosamente lhes permitem a injeção de capital, porque segundo o autor, estas injeções são geradas conforme a dimensão e fama da região.

No que diz respeito à gastronomia, é um setor com pouca representatividade nas vendas de Bordéus (9%), sendo superior no grupo 1 (Faugére et al., 2013). Atendendo ao facto do inquérito ter sido desenvolvido nas próprias regiões vinícolas, as intenções dos enoturistas, podem ser a causa destes valores. Se a intenção for unicamente o vinho, é natural que o enoturista não faça gastos na gastronomia, além disso, a França tem a capacidade de vender estes produtos separadamente. O que pode ser exemplo do sucesso gastronómico é a recente atribuição da UNESCO, que considerou a gastronomia francesa como Património Mundial Imaterial da Humanidade25.

Em Bordéus, as adegas ou outras entidades enoturísticas não são adeptas da venda adicional, ou seja não vendem o vinho com outro qualquer produto regional (Faugére et al., 2013). De outra forma, tentam associar o vinho a outras culturas, à arte, com exposições de pintura, às atividades de entretenimento ou a eventos culturais. Conhecidas como Maison des Vins, este é um tipo de atração que pode ser visto em Bordéus. Funcionam como centros de informação, com detalhes da região ou da área vinícola. Contém as mais variadas características dos vinhos e das vinhas, é possível aprender o processo de produção do vinho e os princípios básicos para a sua degustação. Além disso, permitem também ao enoturista escolher o vinho que quer provar.

Especificamente em Bordéus, a Maison des Vins, chega a receber 50.000 visitantes por ano (Frochot, 2000). Em geral, as entidades enoturísticas da região, dão muita importância ao marketing, investem no aspeto cultural e educacional e confiam muito na sua fama e história (Faugére et al. 2000). Um dos famosos eventos culturais de Bordéus é a festa do vinho, chega aos 400.000 visitantes, com preços entre os 50€ e os 90€, é por si só uma rota de vinhos que honra as 80 denominações de Bordéus26

.

Por sua vez, o grupo 1 aposta mais nas visitas guiadas e na venda adicional ao vinho, as adegas investem no melhoramento de serviços, na formação de pessoas e no posicionamento da marca, dão imensa importância à beleza natural, às parcerias com operadores turísticos e também à política regional de turismo. Conseguem um maior lucro com o alojamento e com o custo das provas de vinho. Neste ponto os autores acrescentam à análise um terceiro grupo (grupo 3) composto apenas pelas regiões europeias, Mainz, Florença e Porto, isto para explicarem que nestas três regiões comparativamente com o grupo 1, o lucro nestes serviços é ainda superior.

A maioria das adegas do grupo 1 apostam muito em feiras, permite-lhes ter visibilidade e ganhar algum lucro com os turistas que as visitam. As fortes ligações que criam com os clientes, utilizando operadores turísticos e outros meios para se conectarem, mostrando-lhes novidades e novas ofertas, transmitem uma experiência holística e o vinho como a peça chave (Faugére et al., 2013).

Em conclusão, os autores deixam algumas notas, com a intenção de serem levadas como conselhos e na perspetiva de melhorar o enoturismo nas duas regiões. Com base no estudo que desenvolveram, foi possível perceber que Bordéus, aposta muito no melhoramento das infraestruturas e o grupo 1, na formação do staff. Como conselho dos autores, seria melhor para Bordéus seguir o exemplo do grupo 1, e empenhar-se mais na qualificação dos trabalhadores, além disso, a região pode estar a passar pela maximização da sua clientela, e não será o investimento nas infraestruturas, na opinião dos autores, que vai fidelizar esses clientes.

Todas as entidades turísticas devem ser capazes de dinamizar o enoturismo, ainda que a prova de vinhos possa ser a mais-valia da visita, não pode ser a única, e o que se verifica, é um ênfase especial nas adegas e no vinho. Para Faugére et al. (2000), os responsáveis devem preocupar-se com todo o pacote cultural e com a associação do vinho a outras atividades de lazer. O grupo 1 deve por isso, ter como exemplo Bordéus,

que é capaz de unir o vinho e a arte, e com esse exemplo, trabalhar numa melhor oferta para os enoturistas. Apesar de “concorrentes”, é permitido que os bons exemplos de outras regiões vinícolas sejam tidos em conta.

In document Varslede drap? NOU (sider 140-146)