Del IV Gjennomgang av partner-
13.1 Privatpersoner
Anteriormente, no capítulo 3 da presente dissertação, foi abordada a Rota dos Vinhos Verdes de forma geral, neste subcapítulo pretende-se entender a forma como ela atua no município e que opinião têm algumas quintas/adegas71 sobre a mesma. Antes disso é fulcral conhecer os requisitos impostos pela CVRVV aos aderentes à RVV, uma vez que muitos deles apontam alguns dos requisitos como impedimento para fazerem parte da rota. Além disso este subcapítulo apoia-se na entrevista realizada à Diretora Sofia Lobo, em Março de 2014.
Como requisitos gerais a CVRVV estabelece que qualquer aderente à RVV deve estar localizado na Região Demarcada dos Vinhos Verdes ou no concelho do Porto, ter licenciamento de todas as atividades que desenvolve e igualmente subscrever a Carta
Europeia do Enoturismo72. Os recursos humanos do aderente devem ter um
conhecimento geral sobre a RVV, devem incluir no seu site um separador de acesso ao
site oficial da RVV, garantir material promocional alusivo à rota e por último contactar
a Ente Gestor para o Observatório de Enoturismo da Rota do Vinho Verde. Sofia Lobo acrescenta que todos os aderentes produtores de vinho devam ter vinho certificado pela comissão.
68 Relatório Final CEC2012, Universidade do Minho, Setembro 2013.
69 http://masampaio.culturanorte.pt/pt-PT/museu/visitantes_estatis/ContentDetail.aspx?id=935 70
in http://m.guimaraesdigital.com/index.php?a=noticias&id=54635.
71 As adegas/quintas pertencem ao município de Guimarães, a amostra foi recolhida no âmbito do
trabalho prático desta dissertação (ver capítulo 5).
72
É pertinente com base na amostra das quintas/adegas perceber quais recolhem alguns dos requisitos gerais (tabela 7). Considerando que um dos critérios para aderir à RVV é o vinho certificado pela CVRVV, da amostra recolhida apenas uma quinta não poderia ser aderente, todas as outras recolhiam dois dos requisitos gerais necessários para pertencer à RVV. Tendo em conta que a Casa de Sezim é a única aderente à RVV da amostra e do município de Guimarães, não é pertinente analisar os restantes requisitos que são específicos de um aderente.
Tabela 7. Requisitos gerais da amostra
Quintas/Adegas Situada na Região Demarcada dos VV
Vinho certificado pela CVRVV
Adega Cooperativa de Guimarães
Casa de Sezim
Casa do Cerdeiro
Quinta do Candoso de Cima
Quinta Eira do Sol
Quinta de Cima de Eiriz ×
Quinta do Ermízio
Quinta do Mosteiro
Quinta dos Encados
Taipagro - Quinta do Tarrio
Quinta da Cancela
Dentro dos requisitos gerais, existem requisitos específicos para o tipo de entidade aderente, tendo em conta que a amostra são quintas e adegas produtoras de vinho, serão esses os requisitos específicos a ter em conta.
Ao nível de infraestruturas todos os aderentes à RVV devem ter uma sala de receção, que pode ter várias funções dependendo da sua dimensão, pode por isso ser, o local da prova do vinho, o ponto de partida para a visita, o local de venda do vinho e/ou outros produtos relacionados, ou até mesmo ser um mini museu. A sala de provas deve
estar equipada com todo o material necessário73, garantir a sua salubridade e preferencialmente ser um espaço amplo.
Relativamente aos serviços, as provas de vinho e as visitas guiadas, devem ser assegurados pelas quintas/adegas. O início das visitas deve incluir uma introdução sobre a RVV e o seu funcionamento, devendo o guia ter um conhecimento sobre a mesma. É importante que as visitas sejam organizadas e feitas por um técnico responsável. Em relação às provas, estas devem ser um dos grandes objetivos da visita. A sua apresentação deve ser aprimorada, de maneira a que suscite nos turistas a vontade de comprar o vinho. Este deve estar engarrafado, certificado e rotulado. Por último, ainda sobre as provas de vinho, os copos devem ser adequados ao tipo de vinho e aquando da sua venda o preço deve estar bem visível.
No que diz respeito ao seu horário de funcionamento, a quinta/adega tem de estar aberta no mínimo 12 horas por semana e dois dias no mínimo por semana. No exterior da quinta/adega deve existir uma placa que a identifique como aderente à RVV e num lugar visível ter a informação dos serviços que dispõe e do seu horário de visitas. Além dos requisitos enumerados, Sofia Lobo considera essencial que a quinta/adega ofereça visitas num outro idioma além do português.
Como acontece em alguns dos requisitos gerais, estes requisitos específicos só podem ser analisados se a quinta/adega for aderente à RVV. Como tal, só é possível analisar as condições da Casa de Sezim. Com base na entrevista realizada junto desta entidade, entre os vários serviços que dispõem (produção de vinho, alojamento e enoturismo), foi possível compreender que o alojamento e a experiência enoturística são vendidos em separado. Os turistas que procuram a Casa de Sezim para ficarem alojados, não têm à partida nenhum interesse em vinho, ou chegam com a intenção de visitar Guimarães, ou porque estão em viagem por Portugal e fazem uma breve paragem na cidade. Contudo, caso apresentem interesse aos responsáveis da casa, podem conhecer a adega e as vinhas através de uma visita guiada, ou até mesmo desfrutar de uma prova de vinhos, sem que exista um valor acrescido ao do alojamento. Para os turistas que visitam a quinta pela experiência enoturística e não ficam alojados, as visitas, normalmente acompanhadas pelo Enólogo ou pelo Engenheiro Alimentar, por serem os únicos que sabem falar inglês, consistem numa visita à casa histórica e nas provas de
73 Não se tratando de provas para profissionais deve apenas garantir vários copos e uma possível
vinhos, dois dos requisitos essenciais da RVV. Em geral, todos os turistas compram uma garrafa de vinho de recordação.
Os turistas que visitam a casa pelo enoturismo chegam de autocarro encaminhados por agências turísticas74, enquanto, os turistas que têm a intenção de ficar alojados chegam no seu carro particular ou no que alugam no aeroporto.
Na Casa de Sezim não foram criadas novas infraestruturas depois da adesão à RVV, já reuniam as condições necessárias, a mesma sala tem a função de receção e serve também para as provas de vinho. Em relação ao horário de funcionamento exigido pela RVV, não foi possível perceber se cumprem com exatidão as 12 horas de aberturas semanal, no entanto um dos problemas apontados para que "a porta esteja sempre aberta" é a falta de recursos humanos. Este é um problema também apontado por Sofia Lobo, pois grande parte das quintas/adegas tem 2/3 pessoas para cuidar da vinha e torna-se difícil essas mesmas pessoas responderem aos turistas.
A questão do funcionamento levanta outra questão além dos recursos humanos, também apontada pela responsável da RVV, que se refere à existência de várias placas ao longo das estradas alusivas à rota dos vinhos verdes, muitas vezes leva a "portas fechadas". Segundo Sofia Lobo muitos aderentes recusam estar "à espera dos turistas" com a possibilidade de não receber visitas. Por sua vez, a opinião da Casa de Sezim, é de que existem cada vez menos placas (retiradas pela autarquia), e por isso, a possibilidade de chegarem turistas às suas instalações, de forma independente para praticar enoturismo, é pouco provável.
Junto das restantes quintas/adegas da amostra, por não serem aderentes à rota, a única informação que pode ser recolhida é a opinião destas sobre a RVV, nomeadamente sobre os requisitos exigidos. A pedido dos entrevistados, algumas opiniões sobre a RVV não serão associadas ao nome da quinta/adega.
Em geral o que mais se ouviu sobre a RVV, é que "não funciona" ou "funciona mal", algumas quintas/adegas consideram que apesar de existir uma boa sinalização a rota não funciona bem, as exigências não correspondem ao número de turistas, nem existe apoio prestado pela RVV ao nível de recursos humanos ou outras questões pontuais. Apontam a falta de ideias e de recursos financeiros como alguns dos problemas da rota. Alguns dos pontos enunciados anteriormente são também apontados por certas casas, a questão de muitos aderentes estarem fechados, principalmente ao
fim-de-semana, a dificuldade em marcar uma visita e alguma falta de formação dos trabalhadores da quinta.
O facto de nenhuma delas ter pensado aderir à RVV, deve-se precisamente aos requisitos exigidos, pois para algumas quintas o investimento seria muito grande para o retorno que iriam receber. Na opinião das quintas/adegas a CVRVV responsável pela RVV deveria ser mais presente, estudar a realidade de cada quinta, e estabelecer estratégias que beneficiassem as duas entidades.
Em suma a presença da RVV em Guimarães é apenas representada pela Casa de Sezim, esta situação é explicada por Sofia Lobo que justifica o único aderente do município, pelo facto de não haverem quintas com as condições suficientes para aderirem à rota.
4.4 Conclusão
Guimarães é Minho e o que envolve a paisagem minhota é refletido no município, exemplo disso é o tipo de vinha caracterizada por autores que escreveram sobre o Minho e que facilmente se pode encontrar em Guimarães. É por isso da cultura vimaranense a produção de vinho e a forte relação com o campo. Das várias alterações que os sistemas de condução da vinha sofreram ao longo dos tempos, ainda é possível encontrar em Guimarães, vários sistemas tradicionais, entre eles as uveiras ou vinha de enforcado, os arjões e as ramadas, são estes sinónimos de Minho. No entanto, não deixam de haver os sistemas de condução modernos, referidos anteriormente nesta dissertação (ver capítulo - Paisagem no Enoturismo), que acabam por estar mais associadas a produções de vinho em massa, à exceção da cruzeta, que foi fácil encontrar associada a um pequeno produtor, como acontece com os sistemas tradicionais.
Há uma forte diversidade em Guimarães, por um lado grandes produções de vinho, com vinho engarrafado e vendido no mercado, por outro os pequenos produtores, que produzem para consumo próprio e porque faz parte da cultura "O homem do povo bebe sempre, em toda a parte, e sob todos os pretextos, os vinhos comuns. No Inverno o vinho aquece e dá conforto, que tantas vezes falta nas casas; no Verão refresca, ajuda a digestão, aguça o apetite que decresce pelos grandes calores" (Ribeiro, 1992: 14).
A propósito do segmento turístico em Guimarães, é essencialmente um turismo centralizado no património da cidade é um turismo de visitas ao centro histórico da cidade, ao Paço dos Duques e ao Castelo, possivelmente à Penha dependendo do tempo
disponível. Apesar da importância que tem o rótulo “Cidade Berço” ou “Berço da Nação”, Guimarães tem de acreditar que existem mais recursos além desses, deve por isso ser capaz de atrair turistas por diversos motivos. Motivos, estes que devem ser trabalhados e estudados. Além disso, Guimarães deve usufruir da cultura do Minho, especialmente da gastronomia e do vinho, potenciando esses recursos, que facilmente se podem ancorar ao turismo de património.
Quanto à rota dos vinhos verdes no município de Guimarães, os recursos de análise são muito escassos pela existência de um único aderente. A Casa de Sezim é o único exemplo e a forma como é direcionado o enoturismo só pôde ser analisada com base nela. A amostra recolhida, ainda que possa não ser muito significativa, permitiu saber a opinião de outros produtores de vinho em relação à RVV e concluir que existe algum consenso, na medida em que muitos concordam que a rota funciona com algumas deficiências.