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Utdannelse i det pre-koloniale, det koloniale og det post- post-koloniale Tanzania – Hvordan er dagens tilstand i skolen?

Representar significa trazer presentes coisas ausentes de uma forma que estas últimas façam sentido, dentro de um conjunto de crenças, valores, tradições e visões de mundo (MOSCOVICI, 2003). Moscovici fala sobre como o conceito de representação surgiu durante sua trajetória:

“(...) disseram que a comunicação é impossível quando não há possibilidades pré-concebidas ou padronizadas, ou representações pré-fabricadas. Essa foi, contudo, como a noção de representação entrou em meu vocabulário, ou em minha mente (MOSCOVICI, 2003, p. 316)”.

Moscovici nos mostra em sua teoria que a criação coletiva está organizada e estruturada em termos destas representações (DUVEEN, 2003). Isto é, as pessoas em uma sociedade têm representações comuns que são reafirmadas e transformadas no momento em que ocorrem as interações sociais e assim o conjunto destas representações é o conhecimento daquela sociedade.

Moscovici (2003) deixa claro o objetivo da teoria que propõe:

“Pelo fato de assumir como seu centro a comunicação e as representações, a teoria espera elucidar os elos que unem a psicologia humana com as questões sociais e culturais contemporâneas (MOSCOVICI, 2003, p. 206)”.

As representações sociais podem ser chamadas de “teorias do senso comum” por meio das quais as pessoas interpretam e constroem a realidade social isto é, uma realidade comum a um conjunto social. É o conhecimento mobilizado por pessoas comuns em comunicações informais no cotidiano sobre assuntos que demandam compreensão e sobre os quais as pessoas precisam se pronunciar (SÁ, 1993). É por meio das representações sociais que as pessoas de um determinado grupo elaboram comportamentos, se comunicam e apreendem seus ambientes. Estudar as

representações sociais é, portanto, focar o ser humano em sua relação de compreensão do mundo, enquanto ele faz perguntas, procura respostas, pensa.

“As categorias da ciência popular são tão espalhadas e irresistíveis que elas parecem ser ‘inatas’. Fazemos uso de tal conhecimento e tecnologia todo o tempo. Intercambiamo-los entre nós, os renovamos através do estudo ou da experiência a fim de explicar as condutas com segurança – e sem estarmos conscientes deles – e passamos boa parte do tempo em que estamos despertos falando sobre o mundo, fazendo planos sobre nosso futuro e sobre o futuro de nossos filhos como uma função dessas representações (MOSCOVICI, 2003, p.201)”.

Não se pode observar pensamentos e palavras como fenômenos desconexos de uma realidade, de um contexto. As representações sociais são um modo específico de compreender e comunicar maneiras de ver as coisas e apresentam um caráter plástico, isto é, se transformam junto com as relações que surgem e desaparecem. Assim, a função das representações sociais é tanto para os indivíduos quanto para os grupos tornar o não-familiar em familiar, na medida em que este “desconhecido” rompe com a possibilidade de comunicação, “(...) tira do lugar as referências da linguagem (MOSCOVICI, 2003, p. 207)”.

Segundo Moscovici (2003) é uma “tentativa de construir uma ponte entre o estranho e o familiar (p.207)”. Quando uma pessoa se encontra diante do não-familiar há um esforço de sua parte para trazer aquilo para categorias conhecidas. Moscovici (2003, p.54) chama as representações sociais de “método de compreender e comunicar”. Podemos sintetizar a função das representações sociais neste trecho: “(...) tornar a comunicação, dentro de um grupo, relativamente não problemática e reduzir o ‘vago’ através de certo grau de consenso entre seus membros (2003, p.208)”.

Considerando que as representações sociais são formadas para que as pessoas se familiarizem com o que é estranho, elas também reduzem a margem de não- comunicação, ou seja, as ambigüidades de idéias, a incompreensão das imagens e crenças do outro. Assim, tornar o desconhecido, conhecido, possibilita compartilha-lo com os outros, este fator é primordial na convivência entre as pessoas. Já que, analisando sob a perspectiva das relações interpessoais, estas se tornam problemáticas pela coexistência de várias representações em um mesmo espaço público. “A existência em comum se mostra impossível se essa margem de incerteza persiste e se torna importante (MOSCOVICI, 2003, p. 208)”.

Consideremos como exemplo para ilustrar as diferenças entre crenças e idéias coexistindo; a decisão de um casal em ter um filho. Suponhamos duas pessoas que se conheçam, namorem e se casam. Para uma delas, ter filhos é conseqüência natural do casamento; assim como alguém nasce, passa pela infância, pela puberdade, etc., as pessoas casam e têm filhos. Para o outro, ter filhos significa perpetuar-se e, portanto, eles devem ser planejados. Esta pessoa acredita que é preciso dar o melhor que se pode para que sua perpetuação no mundo a supere em todos os sentidos; felicidade, conhecimento, dinheiro, etc. seja lá o que for que este indivíduo valorize. Este casal se vê então diante de um conflito de crenças que poderá ser superado na medida que eles troquem suas idéias e construam representações comuns ou a relação pode se tornar impossível. Moscovici (2003, p.208) fala sobre a formação das representações sociais que também pode ser ilustrada pelo exemplo acima:

“(...) elas são formadas através de influências recíprocas, através de negociações implícitas no curso das conversações, onde as pessoas se orientam para modelos simbólicos, imagens e valores compartilhados específicos. Nesse processo, as pessoas adquirem um repertório comum de interpretações e explicações, regras e procedimentos que podem ser aplicados à vida cotidiana (...)”.

Além disso, as representações sociais fornecem critérios para determinar o que é incomum, anormal e não-familiar. Ao construirmos as representações sociais no sentido de tornar o incomum em algo comum, o problema é superado e o mundo físico e mental é transformado. Esta apropriação do desconhecido se dá por meio de categorias que já são familiares ao grupo, fato que pode ser constatado na forma com que diferentes grupos lidam com algo não-familiar.

“(...) as imagens, idéias e a linguagem compartilhadas por um grupo sempre parecem ditar a direção e o expediente iniciais, com os quais o grupo tenta se acertar com o não-familiar (MOSCOVICI, 2003, p. 57)”.

Esta familiarização com o que é considerado estranho é importante ao ser humano, já que o não-familiar provoca medo e atinge marcos referenciais que dão sentido de continuidade e compreensão mútuas, ameaça uma ordem estabelecida (MOCOVICI, 2003).

“E, do mesmo modo que a natureza detesta o vácuo, assim também a cultura detesta a ausência de sentido, colocando em ação algum tipo de trabalho representacional para familiarizar o não-familiar, e assim restabelecer um sentido de estabilidade (DUVEEN, 2003, p.16)”.

Além disso, como já dissemos, as representações sociais possibilitam que as pessoas tenham visões consensuais sobre o mundo o que torna possível os vínculos sociais.

“As representações sociais são uma estratégia desenvolvida por atores sociais para enfrentar a diversidade e a mobilidade de um mundo que, embora pertença a todos, transcende a cada um individualmente (FARR, 1995, p. 81)”.

As representações sociais têm papel importante também do ponto de vista da coletividade, já que possibilitam a construção de sistemas de pensamento e de compreensão.

“As representações sociais emergem (...) como processo que ao mesmo tempo desafia e reproduz, repete e supera, que é formado, mas que também forma a vida social de uma comunidade (FARR, 1995, p.82)”.

Para Moscovici (2003), o estudo das representações sociais vê a sociedade como pensante e explica:

“(...) pessoas e grupos, longe de serem receptores passivos, pensam por si mesmos, produzem e comunicam incessantemente suas próprias e específicas representações e soluções às questões que eles mesmos colocam. Nas ruas, bares, escritórios, hospitais, laboratórios, etc. as pessoas analisam, comentam, formulam ‘filosofias’ espontâneas, não oficiais, que têm um impacto decisivo em suas relações sociais, em suas escolhas (...) (MOSCOVICI, 2003, p. 45)”.