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Et splittet syn på kolonitid?- ”På den ene siden ser vi at disse menneskene brakte oss bibelen, på den andre siden så slo de

Como dissemos acima, pesquisamos as representações sociais de carreira em um determinado grupo social, que tem em comum o fato de estarem próximos ao término do curso e alguns deles já inseridos no mercado de trabalho, seja como estagiários ou profissionais efetivados. O nosso foco são os estudantes de último ano do curso de graduação em Administração de Empresas da EAESP-FGV no ano de 2.004.

Ao longo de nossa revisão teórica foi enfatizada a importância do contexto em que as representações sociais são criadas e transformadas para que se possa melhor compreendê-las.

“(...) as Representações Sociais, enquanto produtos sociais, têm que ser sempre referidas às condições de sua produção (SPINK, 1993, p. 90)”.

Assim, apresentaremos a seguir uma breve caracterização do contexto, isto é, apresentaremos alguns pontos sobre a EAESP-FGV, que a partir de agora denominaremos como Escola, para que no momento da interpretação dos dados possamos levantar questões e enriquecer nossas conclusões.

A Escola

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi criada em 1944 por um decreto-lei cuja disposição era a seguinte:

“(...) criação de uma entidade que se ocupará do estudo da organização racional do trabalho e do preparo do pessoal para administração pública e privada (COVRE, 1991, p. 65)”.

Em 1952 é criada a Escola Brasileira de Administração Pública e em 1954 a Escola Brasileira de Administração de Empresa de São Paulo (COVRE, 1991). Segundo Ferreira (2002) o objetivo da Escola na época era oferecer “aos dirigentes da

nascente indústria brasileira o conhecimento de técnicas avançadas em gestão (p. 22)”.

Neste ano (2004) a Escola completa 50 anos e por este motivo têm sido citada na mídia, além do que normalmente já o é. A forma com que ocorrem estas citações diz muito do que a Escola representa no imaginário social, sobre o qual tal mídia atinge. E assim, esta representação da Escola pode influenciar nas representações sociais de carreira que os alunos inseridos em tal ambiente apresentam. Além disso, como já dissemos anteriormente é preciso caracterizar o ambiente em que estamos pesquisando as representações sociais e o que a mídia divulga, por influenciar o imaginário social e ser amplamente compartilhado, pode ser utilizado para caracterizar o ambiente.

Segundo Moscovici (1988) o mundo como é, ou melhor, como nós o concebemos, são lembranças de costumes misturadas às intuições, avaliações e alternativas que unem as pessoas e as faz agir. Podemos dizer que tanto as lembranças, quanto as intuições e avaliações são atualmente amplamente influenciadas pela mídia, devido à sua fácil disponibilidade, seja via internet, televisão, ou mesmo a mídia impressa. Deste modo é interessante analisar o que é dito da EAESP-FGV na chamada mídia de massa.

No site AOL, no dia 1º de outubro, foram publicadas duas reportagens (ANEXO 1) que ilustram características da imagem da Escola que a mídia ajuda a construir para a sociedade de um modo geral. Na primeira reportagem o tema central é a fundação da Escola por professores americanos, já nesta época se inicia um processo da construção de uma imagem de prestígio e singularidade que permanece até hoje. Nada se parece com a EAESP, começando pelo fato citado na própria reportagem dela ter sido a primeira Escola de Administração do hemisfério sul e depois por ter tido a possibilidade de utilizar métodos de ensino até então somente conhecidos nos Estados Unidos. Já na segunda reportagem, intitulada FGV S.A., também se fala do prestígio da Escola tanto nacional como internacionalmente, mas consideramos que o fator mais relevante nesta reportagem é a afirmação de que 75% dos alunos formados na Escola conseguem colocação profissional. Em outra reportagem (EXAME, 2004) este índice aparece ainda maior: “Segundo dados da instituição, 90% dos alunos saem empregados após a formatura (DORF, 2004, p. 104)”. Estes números transmitem ao leitor uma idéia de que o diploma da Escola traz

consigo a certeza da empregabilidade em tempos que o emprego é na maioria das vezes uma grande dificuldade. Em reportagem de agosto no caderno Empregos do jornal Folha de São Paulo (2004), o emprego e a profissão aparecem como o segundo assunto que mais interessa aos jovens entre 15 a 24 anos, perdendo somente para o tema educação. Na verdade, segundo a reportagem, os temas ficaram tecnicamente empatados na pesquisa. Nesta mesma reportagem ainda aparece um dado alarmante sobre desemprego, o que faz os números da EAESP terem um peso ainda maior:

“O relatório ´Tendências Globais do Emprego para a Juventude 2004’, da OIT (Organização Internacional do Trabalho), divulgado na última semana, aponta que a taxa de desemprego entre os jovens chegou a 14,4% em 2003. O número é 25,6% maior que o observado na última década (DANTAS, 2004)”.

Em reportagem publicada pela Revista Exame no mês de junho deste ano, intitulada “Fábrica de alunos ilustres”, o tema central foi as personalidades ilustres que se formaram na Escola. Esta revista, segundo Siqueira (2004), tem números altíssimos de tiragens, como exemplo ele cita a edição comemorativa de 35 anos da revista com uma tiragem de 284.255 exemplares. Para reforçar a idéia do poder de penetração da revista temos que “(...) a Exame (grifo do autor) é conhecida em todo o Brasil, constituindo-se em uma das principais fontes de consulta e de conhecimento no que se refere ao mundo dos negócios, e tudo o que se relaciona a ele (SIQUEIRA, 2004, p. 97)”. A partir deste fato, podemos inferir mais uma característica extremamente forte e fundamental que pode influenciar a formação das representações sociais de carreira dos alunos da Escola. A reportagem da jornalista Lea Dorf, segundo nossa compreensão, tem como foco principal o fato de que aqueles que passaram pela EAESP tiveram sucesso naquilo que empreenderam em suas carreiras.

“(...) a instituição se consagrou como um dos mais importantes centros de ensino de gestão do país – um status que se materializa nos nomes que passaram por seus bancos. Formaram-se na GV empresários como Abílio Diniz, dono do Pão de Açúcar, o senador e economista Eduardo Suplicy, a secretária da Cultura do Estado de São Paulo, Cláudia Costin, e José Ermírio de Moraes Neto, do grupo Votorantim (DORF, 2004, p. 104)”.

Nesta mesma reportagem também são citados os dois credenciamentos internacionais mais importantes que a Escola obteve, fato que contribui para uma imagem de singularidade e excelência naquilo que faz. O primeiro foi do Equis - European Quality Improvement System e o segundo da AASCSB – Association to Advance Collegiate School of Business.

“Poucas instituições no mundo receberam dois selos – um europeu e outro americano -, que reconhecem a qualidade do ensino ministrado (DORF, 2004, p. 104)”.

No site da EAESP-FGV há uma citação bastante interessante que corrobora com esta imagem de que falamos acima e que os credenciamentos internacionais ajudam a construir:

“A FGV-EAESP é uma das 16 instituições credenciadas fora dos Estados Unidos e a primeira escola do Brasil a ter seus cursos reconhecidos com o AACSB accredited (FGVSP, 2004)”.

Avaliação do MEC, concorrência no vestibular e veiculação de notícias para vestibulandos:

Outras características importantes que certamente colaboram para a formação da representação social da EAESP no âmbito do conhecimento do senso comum, e mais especificamente aos alunos de graduação, diz respeito aos dados que os alunos acessam antes de escolher a escola em que vão fazer o ensino superior. A avaliação do MEC, os índices de concorrência para o vestibular e a avaliação dos guias direcionados a vestibulandos podem contribuir de modo bastante relevante nesta “imagem” da instituição.

A EAESP-FGV obteve nos cinco últimos anos nota A no Exame Nacional de Cursos1 (“provão”) aplicado pelo MEC, aos alunos do último ano de graduação em Administração de Empresas, com a finalidade de avaliar os cursos de ensino superior.

A concorrência para o vestibular para admissão no curso de Administração de Empresas da FGV-EAESP é de 16 candidatos por vaga2. Esta concorrência é inferior somente àquela que se refere ao mesmo curso da Universidade de São

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Fonte dos dados: MEC

Paulo no campus da cidade de São Paulo (28,3 candidatos por vaga2), que é uma universidade pública, portanto gratuita, o que a torna conseqüentemente mais procurada.

No Guia do Estudante Vestibular 2005, distribuído pela Editora Abril, direcionado aos vestibulandos e que tem como objetivo proporcionar a estes estudantes uma “idéia” das instituições universitárias. A EAESP aparece avaliada como escola de 1a linha, isto é, caracteriza-se, dentro da escala proposta pelo método utilizado no guia, como excelente. Além da EAESP somente a USP aparece como excelente no estado de São Paulo.

Assim, podemos concluir que a EAESP-FGV é considerada como sendo um ambiente privilegiado socialmente, isto é, tanto nos grupos de vestibulandos (por ter um vestibular concorrido e por ser considerada uma Escola de excelência) quanto na mídia de um modo geral, a Escola é citada como modelo de excelência de ensino, uma instituição singular e formadora de profissionais de sucesso. Aquelas pessoas que estão dentro deste contexto comportam-se e se comunicam, ao menos dentro dos universos consensuais, com base nestas informações que formam a representação social da Escola no conhecimento do senso comum.

“No universo consensual, a função comunicativa do pensamento é altamente importante, já que contribui para as trocas que ocorrem constantemente entre as pessoas sobre eventos que influenciam suas vidas e despertam suas curiosidades (MOSCOVICI, 1988, p. 233)”.