Chapter 2 Methodology
2.2 Data processing
2.2.6 Using Rstudio to create scatter plot and coverage meta plot of data
1 – Já ouviu falar de mim?
Muitas exposições concentram objetos que não encontramos mais em nosso dia-a-dia. Ao invés de fornecer todas as informações relevantes, crie questões para as quais os visitantes possam propor soluções. Exemplos: nomes, funções e usos para objetos. Tais questões podem ser expostas de forma bem simples, (“Como eu me chamo?”, “Que nome você me daria?”, “Para que sirvo eu?”, “Se você ganhasse um de mim, o que faria comigo?”, etc), e as respostas podem ser inventadas ou pesquisadas no espaço da exposição. Ou podem envolver promoções mais elaboradas, como concursos para soluções mais criativas ou exposições de “invencionices”, com as ideias, desenhos e propostas dos visitantes exibidas em murais (ver “Muro Falante”, a seguir), etc.
2 – Muro falante
“Muros Falantes”, como o nome diz, são paredes que “falam”. Eles podem servir a vários propósitos, e um deles é o de ser o ponto onde o visitante se expõe e assim se integra à exposição. O muro pode falar por desenhos, por frases, por palavras, por “mapas mentais” (mind maps) montados pelos visitantes, por grafites, por anúncios, por slogans, por poemas, por cartas, por ditados, etc. A construção do muro pode ser coletiva e aleatória ou parcialmente organizada. No caso de um “muro falante” como forma de arrumar as contribuições em uma atividade como a (1), por exemplo, os organizadores da exposição podem fazê-lo construindo um “mapa mental”, como no seguinte exemplo abaixo.
Exemplo de mapa mental
O que você pode fazer comigo? Caneta Como eu me chamo? Lapiseira Escrevinhante Escrever Desenhar Rabiscar
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3 – Todo problema tem solução
Além de informações, é possível apresentar problemas e questões para os visitantes de uma exposição. Há dois tipos de questões possíveis:
a) aquelas que têm uma resposta determinada, certa. Exemplo: Qual a temperatura em que a água entra em fervura?
b) aquelas que permitem a busca por soluções e não apresentam uma única resposta “certa”. Exemplo: Se você vivesse em meados do século XVIII e, portanto, sua casa não tivesse banheiro, muito menos serviço de esgoto, como você faria para resolver o problema dos excrementos dos moradores? c) Claro que é possível, e até mesmo interessante, mesclar as duas opções nos problemas apresentados.
Exemplo:
- Se você vivesse em meados do século XVIII e, portanto, sua casa, como a de Tiradentes, não tivesse banheiro, muito menos serviço de esgoto, como você faria para resolver o problema dos excrementos dos moradores?
- Como você acha que os moradores de Ouro Preto faziam para resolver o problema? - O problema era resolvido de igual forma por todos os habitantes da cidade?
- E, hoje, todos os moradores da cidade têm acesso a serviço de esgoto e saneamento? Se houver moradores que não recebem esse tipo de serviço, por que isso acontece? O que eles fazem para resolver o problema? Você teria alguma outra solução?
- Quais as semelhanças e diferenças entre o acesso a serviços de esgoto e saneamento em Ouro Preto, hoje, e na época da Inconfidência? O que você acha que causa essas semelhanças e diferenças? O que você acha que pode ser feito para melhorar a situação de quem não tem serviço de saneamento e esgoto? Etc ...
4. A pedra no lago
Esse exercício é baseado na proposta da “Pedra no Pântano”, de Gianni Rodari (Gramática da Fantasia, Summus Editorial, SP, 1982). A ideia é a de que, tal como quando se atira uma pedra em um lago ou pântano, e são formados círculos cada vez mais largos de ondulações, assim também, diante de um estímulo à imaginação, nossos pensamentos provocam ondulações de ideias que se vão ampliando e criando novas ideias.
Para essa atividade podem ser usadas peças da reserva técnica dos museus, ou réplicas de peças em exibição, contanto que os visitantes possam manuseá-las. O objetivo é estabelecer uma relação de fantasia com o objeto.
O visitante é convidado a explorar a peça com os seus sentidos e a criar uma história imaginária que responda a questões como: O que é? Como se chama? De onde vem ou onde é ou foi encontrado? Quem (alguém em especial ou um tipo de pessoa) o criou? Para que foi criado? Para quem (alguém especial ou um tipo de pessoa) foi criado? Quando foi confeccionado? Foi vendido ou dado? Qual devia ser o seu valor na época em que foi confeccionado? Seu(sua) primeiro(a) dono(a) o comprou ou ganhou? Como reagiu a ele o(a) seu(sua) primeiro(a) dono(a)? O que aconteceu com ele depois? Como e por que acabou parando em um museu? etc ...
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ABRACALDABRA – Uma aventura afeto-cognitiva na relação museu-educaçãoMais uma vez, as respostas dos visitantes podem ser expostas e compartilhadas com outros visitantes. E podem, mas não necessariamente, ser comparadas com a história da “vida real” do objeto, não para efeitos de “correção” tipo certo – errado, mas para uma experiência de relação fantasia – realidade.
6 – Correio do tempo
• Possibilidade 1 – Selecione um objeto. Escreva uma carta (ou texto) do ponto de vista do objeto. Exponha esta carta e deixe que os visitantes descubram qual objeto a “escreveu”. Crie oportunidades para que os visitantes escrevam cartas “como se fossem” um dos objetos expostos.
• Possibilidade 2 – Faça o mesmo com um personagem histórico.
• Possibilidade 3 – Apresente frases, cartas, textos, poesias, etc realmente escritos por personagens históricos ligados à exposição. Proponha um jogo: Quem disse ou escreveu o quê? Quando? Por que? Premie as respostas lógicas e criativas, não somente aquelas “verdadeiras”.
• Possibilidade 4 – Apresente notícias de jornais de época que contemplem pessoas comuns – por exemplo, notícias sobre venda ou fuga de escravos; sobre um casamento ou nascimento, etc. Se você fosse a pessoa envolvida na notícia, e escrevesse uma carta-testamento, a quem você dirigiria essa carta? O que você deixaria registrado?
• Possibilidade 5 – “Correio para o futuro”: O que você registraria agora numa carta-testamento, de modo a preservar ideias, pensamentos, aspectos materiais, etc da vida atual? Sobre o que você escreveria?
Relação museu-comunidade: território, comunidade, patrimônio
– O quê, para quê, para quem?
A Nova Museologia, com suas propostas de envolvimento e participação das comunidades no centro mesmo do discurso museológico, não foge à nossa posição metodológica. Aqui, como quer Ramos para “a construção da educação crítica no funcionamento de um museu” (histórico), o “encontro das dúvidas” se propõe “a condição reflexiva que os jogos de memória podem despertar. [...] E, certamente, uma questão imprescindível é a composição de outros relacionamentos entre o saber histórico e as dinâmicas da memória social” (RAMOS, 2004, p.86).
Que “outros relacionamentos” podem ser esses, não só entre o saber chamado histórico e as dinâmicas de constituição da memória social, mas entre estas e as várias formas de composição do patrimônio humano, material e imaterial: artísticas, religiosas, éticas, morais, científicas, sociais, culturais?
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Supomos, como afirmou Oswald de Andrade49 a respeito da língua tal como a usamos, que essas são
dinâmicas de relação que formam o amálgama da “contribuição milionária de todos os erros” na constituição de espaços de troca entre seres que se organizam socialmente para encontrar respostas a seus problemas de vida e sobrevivência.
A nova museologia, ecomuseologia, museologia comunitária ou museologia ativa, desse modo, trabalha com a dúvida sistemática, e não com a hegemonia de valores constituída por pressupostos de “identidades”, tradições e/ou modos de viver e subsistir, cuja necessidade de reprodução e preservação subjaz definida a priori, tal como nos currículos escolares.
Se isso, por um lado, assusta os museólogos mais preocupados com as prerrogativas do próprio saber – um temor justificado pelas necessidades reais de conformação e aplicação de um campo de estudos –, por outro aprofunda a responsabilidade do profissional de museus diante das “memórias” de que se aproxima. Ao “engessamento” estéril de informações e objetos de informação “validados” por tradições culturais hegemônicas, opõe-se agora o processo mesmo de formação da consciência social da memória, o qual, na atribuição dinâmica de sentidos e significados, não só recupera lembranças como determina esquecimentos.
O papel do museólogo, no contexto das memórias vivas de uma comunidade, é o mesmo papel do professor em sua escola: o de servir como recurso. Recurso especializado e essencial, ele é também a ponte entre os limites do contexto mais próximo da comunidade e os dos contextos mais amplos em que a comunidade se insere – locais, regionais, globais.
Para esse novo museu, como enfatiza Varine (2005), “não pode haver um modelo: ele é um estado mental e uma forma de aproximação que acarreta um processo construtivo ‘enraizado no território’”, significando que é desse território situado no tempo e no espaço, e da população que o habita, que a nova museologia parte para a exploração daquilo que ali esteve abrigado no passado e, comprometida com o desenvolvimento da comunidade, com o que poderá vir a ser construído para o futuro.
A ausência de um modelo, contudo, não implica ausência de princípios. Assim, mantemos a “dúvida” como princípio e atitude, para que a ecomuseologia se faça com a comunidade, pela comunidade, para a comunidade.
49 Citado por Mônica Pimenta Velloso, A Cultura das Ruas no Rio de Janeiro: mediações, linguagens e espaços. Rio de Janeiro: 2004,
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