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O registro polínico do sitio La Filomena (zona FMA-3b correspondente à fase pós- conquista. Vide gráfico 4) no extremo norte da colina de Suba, evidenciou que na fase pós- Conquista houve um ligeiro aumento da vegetação de Bosque Andino e uns valores estáveis do Bosque Subandino enquanto que os indicadores de distúrbio humano se mantiveram estáveis (Galium, Solanum) ou diminuíram (Borreira). Zea mays e Chenopodiaceae também diminuíram

59 Desde o início da colonização houve uma estreita vigilância para impedir os indígenas de praticarem seus ritos

tradicionais, que incluiu a destruição de vários santuários. No entanto, a instabilidade própria do processo de pacificação e redução do território nem sempre permitiu cumprir este objetivo. Só a partir do século XVII é que o processo de aculturação começou a permear de maneira mais efetiva todos os níveis da cultura nativa.

(BERRIO, 2006, p. 117). As poucas alterações nas espécies vegetais deste período em relação ao período agrícola pré-hispânico, mostram que a área deveu ficar parcialmente abandonada, como indicado pelo ligeiro estabelecimento do bosque e pela diminuição dos elementos associados a distúrbio humano.

Esta situação encontra-se confirmada pelas evidências mostradas pela fotografia aérea do local que, como assinalamos na Terceira Parte, dão conta de poucas alterações na paisagem até ao início do século XX, permitindo um bom nível de preservação dos vestígios dos camellones. Neste contexto é expectável que as formas de exploração do solo introduzidas pelos espanhóis não tivessem um impacto tão direto na agricultura familiar à volta de Suba e que, portanto, ainda se cultivasse milho junto do extremo norte da colina de Suba, usando a técnica antiga de elevar a plataforma para evitar que o lençol freático atingisse as raízes das plantas. Mas a existência de alguns camellones não significa que o sistema como totalidade tivesse sobrevivido ao embate da colonização. Os registros de pólen para outros setores da Sabana podem ajudar-nos a explicar as mudanças na paisagem após a colonização.

O diagrama de pólen Ciudad Universitaria (Vide gráfico 5) que fornece dados sobre o paleoambiente do Pleniglacial, Tardiglacial e do Holoceno, mostra mudanças na composição da vegetação do setor leste-central da planície. Estas mudanças mostram que a partir da colonização houve uma marcada diminuição dos elementos de Bosque Andino (Myrica tem uma queda significativa) e um aumento das gramíneas, o que estaria indicando processos erosivos e de desmatamento da cobertura vegetal original para ser substituída por erva para o gado.

Na lagoa de La Herrera por volta de 580 +/- 60 AP se registrou um aumento da eutrofização de origem antropogênico exprimido no aumento de vegetação de pântano como Azolla, Limnobium, Cyperaceae, uma diminuição significativa das algas como Ophioglassum, Pediastrum, Botrycoccus e o desaparecimento de algas como Coelastrum e Taetraedron. A diminuição de algas também é indicativa de descida nos níveis de água da lagoa. (VAN DER HAMMEN, 2003, p. 30-33). Não é improvável que tal esteja relacionado com atividades viradas para a secagem da Sabana, típicas do período pós-conquista. Fortes processos erosivos a partir da colonização são visíveis no aumento espetacular de vegetação herbácea como Compositae ambrosia, Compositae tubuliflorae e Rumex acetocella. Esta última corresponde a uma erva de origem europeia que está presente em áreas de cultivo (Ibidem, 2003, p. 38), evidenciando a introdução de novas plantas na Sabana com a colonização. Zea mays se mantém constante e

Chenopodiaceae aumenta, indicando que as produções agrícolas tradicionais se mantiveram estáveis.

A análise de sedimentos mostrou que entre 700 AP e 580 AP houve presença de turfa e diatomita como consequência de um clima mais seco. Posteriormente, o sedimento mudou para argilas que evidenciariam um processo de desmatamento: sem árvores a proteger a lagoa o transporte de sedimentos aluviais e coluviais aumentou (Ibidem, 2003) Este processo coincide com a colonização. Por volta de 550 AP se formou uma capa grossa de carvão vegetal (15 cm de sedimentos equivalentes a perto de 150 anos) que poderia ser interpretada como repetidos incêndios que se seguiram à dominação espanhola; já tínhamos referido que os edifícios do Cercado de El Zipa (localizados perto desta área) foram queimados duas vezes por ordem do próprio Cacique. Mas também foi uma prática das autoridades coloniais ordenar que se queimassem as casas e assentamentos dos indígenas para obrigá-los a ir morar nas aldeias construídas pelos espanhóis (Sobre quema de bohíos de los índios, ASD, 1658).

No setor centro-oeste da Sabana existe uma pequena, mas progressiva diminuição de Quercus ao longo da fase agrícola (diagrama de pólen Funza 4). No entanto, na parte superior da coluna sua diminuição é maior do que no resto da série, o que mostraria processos de desmatamento mais fortes depois da colonização passando a sua representação dos 5% para 1%. Juglans também desaparece nos últimos 30 cm produto do desmatamento. Nestes dois casos pode ser possível que a madeira tivesse sido usada para construção de casas e mobília destinadas a Santafé, dadas suas excelentes qualidades, já que em geral os outros elementos de Bosque Andino (Myrica, Weinmannia) não diminuíram, mas aumentaram levemente na fase pós-conquista.

Embora o Alnus seja abundante nas regiões andinas do continente, o diagrama mostra como aumenta fortemente a partir dos 45 cm superiores. Isto coincide com o início do declíneo do cultivo de milho, que desaparece nos 28 cm superiores, e com a diminuição de Chenopodiaceae, padrões que estariam vinculados com a colonização espanhola: enquanto o Bosque Úmido de Alnus passa rapidamente de 10% da amostra de pólen para 30%, as plantas cultivadas vêm-se, por seu lado, seriamente afetadas. Estaríamos assim perante o abandono do sistema hidráulico na região de Funza, situação que corresponde com a instalação nesta planície de uma grande fazenda para criação de gado, El Novillero, que será uma das mais emblemáticas ao longo do período colonial. Ao contrário do que acontece em La Herrera, o carvão só está

presente na base do testemunho, o que pode estar relacionado com as queimadas iniciais para limpar a área, quando as práticas agrícolas se começaram a generalizar.

Em síntese, os diagramas mostram distúrbios significativos no meio ecológico da Sabana a partir da colonização, diferenciados segundo a área: associados umas vezes ao abandono ou diminuição das atividades agrícolas tradicionais, à introdução de gado, à sobre-exploração madeireira ou aos intentos de drenagem da água. O caso da paisagem fossilizada de Suba não se repete em Mosquera, Funza, nem na Cidade Universitária. À volta de La Herrera se continuou cultivando milho, mas os outros elementos do diagrama indicam, em todo caso, mudanças nas atividades econômicas. A partir desta análise podemos, portanto, propor que as transformações no meio ecológico exprimidas nos diagramas de pólen deveriam ser o suficientemente fortes para mudar de forma definitiva a paisagem. Se, em várias zonas da Sabana a cobertura natural foi mudada por pastos para gado, é expectável que o sistema hidráulico para o cultivo fosse desarticulado.