2.1 Børs og aksjer
2.1.2 Aksje
Neste setor não temos registros regionais sistemáticos como acontece na área norte e centro; no entanto temos dados arqueológicos suficientes para nos permitirem estabelecer uma relação entre o sistema hidráulico e os assentamentos. Muitos destes dados provêm de salvamentos arqueológicos feitos nos últimos anos no sul de Bogotá e no Munícipio de Soacha, produto do acelerado crescimento urbano desta zona da Sabana.
Fig. 50. Túmulos e plantas de habitação achados no salvamento arqueológico em Tibanica, Soacha. Fonte: LANGEBAEK, 2011
O que os resultados destes trabalhos arqueológicos mostram é que a região sul foi a última a ser povoada pelos grupos pré-hispânicos da Sabana, pelo menos no que diz respeito à margem leste do rio Bogotá. Sabemos que desde há mais de 12.000 anos pequenos grupos de homens andavam
pelas terras de Aguazuque e Tequendama, na margem oeste, caçando e desenvolvendo as primeiras práticas hortícolas. Mas, a situação é diferente para leste do rio Bogotá.
Pelas evidências arqueológicas até agora encontradas ao longo do vale do rio Tunjuelito, se pode inferir que os grupos humanos só se instalaram aqui a partir do Muisca Temprano. A data mais antiga que se conhece até hoje é de 770 DC (Sitio Las Delicias, ENCISO, 1989, 1990, 1993a). Porém, uma vez instalados, os assentamentos se multiplicaram rapidamente, fundamentalmente na região do atual Municipio de Soacha. Os sítios Tunjuelito (BROADBENT, 1961), Candelaria La Nueva (MORENO; CIFUENTES, 1987), Las Delicias (ENCISO, 1989), Las Acacias (CORREAL, 1976), Panamá (SILVA CELIS, 1943; REICHEL-DOLMATOFF, 1943), Portalegre (BOTIVA, 1988), Terreros (BONILLA, 2005, 2008) e Tibanica (LANGEBAEK, 2011) demonstram que aqui, como no resto da Sabana, houve um grande dinamismo e crescimento demográfico. Um dos achados mais recentes é uma necrópole com 600 túmulos e mais de 15 plantas de habitação em Tibanica (ARISTIZABAL, 2010; LANGEBAEK, 2011), que deve ter sido ainda maior porque só se registrou a área correspondente ao salvamento arqueológico, datado do final do Muisca Temprano e do Muisca Tardío (IX-XIV DC). Contíguo a este sítio se encontraram outras zonas de ocupação na antiga fazenda Terreros, onde se registraram 92 túmulos que datariam da mesma altura. Este último também foi um resgate arqueológico, iniciado quando as máquinas já tinham removido a camada superficial em vários pontos, constatando-se a destruição da vários túmulos e de outras evidências arqueológicas (Bonilla, 2005, 2008). O que interessa assinalar aqui é, portanto, a grande quantidade de pessoas que moraram neste pequeno setor, o que constitui uma amostra do que se passava no vale.
Talvez o fato de ser este setor sul o mais seco da Sabana fez com que não fosse uma região particularmente atrativa para os grupos humanos, levando a uma colonização mais tardia. No vale do rio Tunjuelito predomína a vegetação xerofítica e os solos de tipo MMV (depósito argiloso com abundância de rochas e cascalho) e na área da confluência do rio Tunjuelito com o rio Bogotá solos tipo RMO (solos mal drenados de baixa evolução e pouca profundidade causado pela flutuação do lençol freático) (Vide mapa 6). O forte aumento da população ocorrido na transição do Herrera para o Muisca Temprano (KRUSCHEK, 2003; BOADA, 2006) teria levado várias famílias a procurarem novos espaços, o que explicaria porque as evidências só começam a aparecer no Muisca Temprano. Todos estes sítios estão localizados sobre o terraço natural na cota de 2600 m ou perto dele e não em plena planície. Os assentamentos de Las Delicias e Tunjuelito
se localizam em terraços naturais na margem norte do médio e alto rio Tunjuelito. Os restantes sítios arqueológicos se localizam no sopé das montanhas do Sul, que limitam a Sabana por esta parte.
Fig. 51. Localização do material cultural achado na antiga fazenda Terreros, Soacha. Adaptado de: Bonilla, 2008.
Isto não quer dizer que não se tenha cultivado nessa zona. Não encontramos os extensos campos axadrezados do norte, mas há evidências de uma modesta atividade agrícola. Como assinalado no capitulo 3.2 encontramos camellones em grelha que sobem desde Las Vegas para o setor de Terreros-Tibanica, na margem sul, e camellones em grelha ao leste de San Bernardino, na margem norte. Também na várzea do rio Bogotá, junto da fazenda El Corzo. Dado o forte impacto das atividades de exploração de matérias-primas na zona, não se pode esquecer a hipótese de que os cultivos tivessem abrangido um maior espaço, pelo menos no setor de Soacha. Este dinamismo agrícola estaria misturado com a tecelagem, uma atividade particularmente importante entre os Muiscas do sul da Sabana, sobretudo no setor médio e alto do rio Tunjuelito onde as condições do solo teriam limitado a expansão das culturas para essa zona.
Canais lineares de quase dois quilômetros de comprimento no setor San Bernardino e pequenos canais no paleo-curso do rio Balsillas e no último trecho do rio Bogotá (incluindo seu paleo-curso) mostram o manejo hidráulico que ainda aqui se continuava fazendo. Porém, também
é claro que há uma extensa área sem nenhum tipo de evidência de assentamentos, pelo menos no estado atual da pesquisa arqueológica.
Trata-se da planície que se estende entre o rio Fucha e o Tunjuelito, passando ao rio Bogotá desde El Say até El Corzo. Boa parte desta área está ao mesmo nível do rio, o que teria dificultado a instalação de grupos humanos nesta área. Aliás, tal como analisado na seção 3.2, seria uma zona de mitigação, ou seja, os excessos de água durante as enchentes seriam dirigidos para o local, alagando os terrenos sazonalmente. O caso de El Guali mostra que fazer parte da região de várzea não foi uma razão sine qua non para mantê-la erma ou desabitada, tendo-se optado intencionalmente por fazer dela uma área de mitigação das inundações.
3.3.4 Em síntese...
Podemos concluir que o meio ecológico da Sabana de Bogotá foi modificado pelos Muiscas e seus antepassados, em um processo lento que demorou séculos até termos a paisagem de campos elevados de cultivos, ruas que ligavam os principais pontos da planície, cercados fastuosos e casas em uma densidade tal que parecia uma única cidade. A análise da relação entre campos de cultivo, água e sítios de habitação revela que em termos produtivos a Sabana tinha uma organização do espaço que foi construída de forma intencionada pelos Muiscas para poder viver e cultivar em estreita colaboração com a água, que desde há 3 milhões de anos dominava a planície.
Esta organização consistiu em diferenciar, áreas para a produção agrícola, pesqueira e para habitação (Setor Norte); áreas mistas de cultivo, pesca, habitação e manejo da água (Setor Centro); e áreas que temos chamado de mitigação, onde a água podia se espalhar à vontade, mas onde também eram aproveitáveis os abundantes recursos de caça que os ambientes lacustres forneciam (Setor Sul). Embora nestes setores predomine algum destes tipos de organização espacial, todos possuem tanto áreas de cultivo, pesca, caça, habitação e manejo da água como de mitigação, que se uniam em redes de inter-relações que permitiram criar a paisagem agrícola da Sabana de Bogotá.
Podemos ver os Muiscas morando nos sopés das colinas, na planície, nos bordos dos terraços defronte dos rios ou na própria várzea do rio Bogotá. Muitos destes assentamentos se localizam no meio dos campos de cultivo, que pertenciam ao sistema hidráulico, muitas vezes
partilhando o espaço com os camellones em xadrez, outras vezes com os camellones irregulares e paralelos à linha da água na várzea do rio Bogotá. Ao seu lado, grandes e longos canais garantiam que a água mantivesse o curso traçado por eles para evitar afetar os cultivos ou as próprias casas, enquanto que nas redondezas áreas de alagamento sazonal ou permanente eram aproveitadas para atividades como a caça, a pesca e a obtenção de matérias-primas como juncos, para além de possuírem um profundo significado religioso.
Porém, não estamos sugerindo que se tratasse de um sistema em equilíbrio. Tratava-se sim de um sistema em rede, em que cada elemento se encontrava interligado aos outros em um sistema aberto e dinâmico em que o tipo de ligações podia mudar. Uma cheia de grandes proporções poderia obrigar a ampliar certas áreas de mitigação, a ampliar a rede de canais existente para garantir no futuro um melhor controle da água ou a reconstruir as plataformas elevadas com maior altitude ou canais mais largos. Mas, ao mesmo tempo, era uma oportunidade para obter melhores resultados na pesca ou na caça em ambientes lacustres.
A PAISAGEM ALAGADA DOS TEMPOS DA CONQUISTA
...La Conquista había sido una época de locura, de temor y de desolación. El mundo había sido arruinado, y sobre sus cenizas Occidente se lanzaba a construir una nueva sociedad. La misma que hoy tratamos de explicar a la luz de una complicada red de presencias que no cesan de coser los fondos de nuestra identidad
Hermes Tovar, La estación de miedo o la desolación dispersa, 1997
… Por toda la tierra habrá relajamiento y se dispersarán los pueblos, se dispersarán las ciudades; se desatará la cara, se desatarán las manos, se desatarán los pies del mundo al terminar la codicia, cuando ocurra el despoblamiento, cuando sea la ruina, la destrucción de los pueblos por el colmo de la codicia. 3 ahau, primera rueda profética de un doblez de Katunes.
Libro de los Libros de Chilam Balam, S. XVI