A presente pesquisa, de natureza qualitativa foi realizada primeiramente em uma escola pública de Fortaleza-CE, Brasil, localizada em uma região central da cidade, que atende a estudantes do sexto ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. Escolhemos essa escola pela localização, por não ser uma área de extremo risco de violência, não atender a estudantes exclusivamente de baixa renda, uma vez que a escola recebe alunos de baixa e média renda, o que nos permitiu analisar as concepções de violência de uma forma geral: urbana ou escolar sem que houvesse a priori uma tendência a uma ou outra forma de violência. Fizemos essa ressalva porque, caso escolhêssemos uma escola na periferia de Fortaleza localizada em uma região de risco, muito provavelmente encontraríamos a violência urbana bastante presente, há escolas localizadas em Fortaleza em bairros de risco, instituições rodeadas de traficantes – muitas delas têm que conviver com tiroteios.
Antes de iniciarmos o trabalho com os participantes, fizemos uma pesquisa exploratória na escola. Conversarmos informalmente com os gestores institucionais, em especial, com o diretor e com a coordenadora pedagógica, para explicar os objetivos da pesquisa, averiguar se a comunidade vivencia a violência na região ou na escola, e encaminhar o ofício de solicitação por escrito para realização da pesquisa na instituição (APÊNDICE 2). Fizemos, antes de escolher os alunos, uma semana de observação das aulas, participamos de algumas atividades pedagógicas junto aos professores de modo a estabelecer uma aproximação com os alunos, além de solicitar a autorização dos responsáveis pela criança, explicando os procedimentos de pesquisa (APÊNDICE 3). Acreditamos que estabelecer vínculos facilita a fluidez das entrevistas porque estabelece uma relação de confiança.
O critério de escolha da classe foi baseado na proporcionalidade de idade média, pois em escolas públicas é comum a heterogeneidade no que diz respeito à faixa etária. Iniciamos a primeira fase em cinco etapas: pesquisa exploratória na instituição, observação participante em sala; pesquisa piloto com o grupo de quatro estudantes e entrevistas coletivas motivadas por palavras-chave. Nossa pesquisa de campo teve uma duração de 25 dias letivos, iniciando-se no dia 14 de setembro e finalizando-se no dia 6 de dezembro de 2009.
Neste período, realizamos as seguintes atividades: observação participante nas aulas de inglês, de história, de matemática e de arte. Realizamos na escola, cinco seções de discussão em grupo, duas pilotos e três definitivas. Nas entrevistas coletivas chamadas pilotos, as entrevistas prévias, intencionamos testar os equipamentos e aproximarmo-nos dos participantes, nelas, tematizamos acerca do Meio-Ambiente e do Voto aos 16 anos. Vale salientar que a pesquisa piloto teve como principal objetivo uma aproximação com os doze alunos escolhidos para participarem de nosso estudo, testar os instrumentos e os materiais, além de familiarizar os alunos com o material de filmagem, de modo que nas seções definitivas eles ficassem mais a vontade com a gravação.
Com intuito de refinamento qualitativo dos dados, fizemos a opção metodológica de entrevista coletiva com três grupos composto de quatro alunos . A escolha do grupo baseou-se nas observações em sala de aula e de conversas com os professores sobre o desempenho oral dos alunos e do interesse nas atividades didático-pedagógicas. Dessa forma, selecionamos a partir de nossas observações em sala e de opiniões advindas dos professores, 12 alunos para comporem as discussões coletivas (três grupos de quatro alunos).
No dia 03 de novembro de 2009, realizamos a pesquisa piloto sobre o
Meio-Ambiente e no dia 06 de novembro de 2009 a que versou sobre o Voto aos 16 anos. Essas atividades ajudaram-nos a dividir os grupos temáticos, uma vez que as
realizamos com os 12 participantes juntos; testar o equipamento; averiguar a qualidade do som; escolher a distância da câmara e das cadeiras; a decidir trocar as cadeiras de rodinhas por cadeiras sem rodinhas porque os alunos ficavam o tempo todo se mexendo, movimentando e rodando as cadeiras o que dispersava e atrapalhava tanto o foco da filmagem como a qualidade do som. Todos esses procedimentos foram importantes para no dia da realização da pesquisa definitiva, evitar problemas técnicos e funcionais. Essa experiência de pré-entrevista coletiva também nos orientou para as posteriores também no colégio da França.
Então, no dia 12 de novembro de 2009, realizamos a entrevista coletiva com o Grupo 01, composto de duas meninas e dois meninos e no dia 17/11/2009, realizamos mais duas entrevistas coletivas finais, Grupos 02 e 03, todas tiveram em
média a duração de 30 minutos. Para uma visão dos procedimentos, construímos o Quadro 6:
Quadro 6- Descrição das atividades na Escola Brasileira Pública – EBP
Data Descrição da atividade Participantes8
03/11/2009 Pesquisa Piloto: Discussão Coletiva sobre os problemas ambientais
Brena, Dalila, Ronald, Marcos, Fábio, Régis, Hallison, Sandra, Flora, Geórgia, Josué, Telma.
06/11/2009 Pesquisa Piloto: Discussão Coletiva sobre a pertinência ou não do Voto aos 16 anos
Brena, Dalila, Ronald, Marcos, Fábio; Hallison, Régis, Sandra, Flora, Geórgia, Josué, Telma.
12/11/2009 Entrevistas Coletivas: Grupo
de Discussão 01 Marcos, Telma, Sandra e Ronald 17/11/2009
Entrevistas Coletivas: Grupo de Discussão 02 Flora, Geórgia, Josué, Fábio 17/11/2009 Entrevistas Coletivas: Grupo
de Discussão 03
Dalila, Régis, Hallison, Brena Fonte: Do autor
Nessa investigação realizada no Brasil, tivemos condições de não apenas ir à escola para coletar os dados, mas participamos da dinâmica da escola, ao observarmos as aulas, filmamos os trabalhos dos alunos nas aulas de ciências e de educação física, auxiliamos os professores em algumas das atividades e das avaliações, e no mês de dezembro, levamos os alunos para assistir gratuitamente a um espetáculo no Teatro José de Alencar. Essas ações estão intrínsecas em nossa formação como educadora e como pesquisadora, pois acreditamos que os alunos de nossa pesquisa não são apenas informantes mas co-participantes de nosso trabalho e desejávamos de certa forma, retribuir a acolhida.
Na próxima seção, abordaremos os caminhos traçados para execução da pesquisa em solo francês.