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Em relação às estratégias de registro, as entrevistas foram gravadas em áudio e vídeo, garantindo uma cuidadosa análise das interações ocorridas durante

as seções, além de facilitar nas transcrições dos dados. Para um panorama do desenho da pesquisa, apresentamos os procedimentos técnicos e os metodológicos utilizados na coleta de dados.

No Brasil, contamos com a participação de 12 estudantes de 11-13 anos, residentes em Fortaleza-CE, pertencentes a uma Escola Pública Brasileira- EPB. No Quadro 4 , temos um panorama dos participantes no que diz respeito à idade:

Quadro 4 - Descrição da IDADE dos participantes da Escola Brasileira Pública - EBP

Nome do participante Data de nascimento Idade no inicio da pesquisa

Brena 20/03/1998 11 anos e 09 meses

Dalila 02/04/1997 12 anos e 05 meses

Fábio 11/01/1997 12 anos e 08 meses

Flora 15/03/1997 12 anos e 06 meses

Geórgia 03/08/1997 12 anos e 01 mês

Ronald 17/09/1996 13 anos

Josué 14/09/1996 13 anos

Marcos 17/08/1996 13 anos e um mês

Régis 02/09/1996 13 anos

Hallison 19/05/1996 13 anos e 04 meses

Sandra 20/10/1997 12 anos e 01 mês

Telma 19/08/1997 12 anos e 01 mês

Fonte: Do autor

Na França, participaram o mesmo número de alunos, residentes em Libourne, estudantes de uma Escola Francesa Privada – EFP. O Quadro 5 expõe a a idade dos alunos franceses:

Quadro 5- Descrição da IDADE dos participantes da escola Francesa – EFP

Nome do participante Data de nascimento Idade no inicio da pesquisa

André 21/02/1998 12 anos e 04 meses

François 12/11/1998 11 anos e 07 meses

Laurent 04/11/1998 11 anos e 07 meses

Caroline 10/11/1998 11 anos e 07 meses

Émille 01/03/1998 11 anos e 03 meses

Laurène 14/03/1998 11 anos e 03 meses

Jérome 04/02/1998 11 anos e 04 meses

Janine 13/04/1998 11 anos e 03 meses

Myriam 20/03/1999 11 anos e 03 meses

Matt 1998 11 anos

Georges 29/01/1998 11 anos e 05 meses

Zulène 12/01/1998 11 anos e 07 meses

Para o registro de dados do corpora, utilizamos gravação em áudio-visual bem como informações contidas em nosso diário de campo, onde registramos as nossas visitas nas escolas. Os materiais utilizados para gravação em áudio e vídeo foram uma câmera digital (Sony Handycam DCR-TRV900 NTSC); um tripé; 10 fitas (mini-cassetes DVD).

No que tange às técnicas de Coleta de Dados, realizamos 06 Entrevistas Coletivas Motivadas por Palavras-chave. Dessa forma, o corpora analítico é composto de trechos representativos das entrevistas coletivas em relação aos MCIs, proposta teórica e metodológica para criação de nossas categorias de análise. Nas entrevistas optamos trabalhar com três grupos de cada escola com quatro participantes em cada grupo, uma vez que não pretendíamos realizar a coleta de dados a partir de questionários e, por entender, que a pesquisa qualitativa utiliza-se de técnica de entrevista que atenderia adequadamente aos nossos objetivos. Escolher um número pequeno de participantes por grupo para a realização das entrevistas foi um critério relevante porque os alunos se sentiram mais a vontade para falar sobre o que pensavam, permitiu uma interação e aproximação maior com os pesquisadores.

Ressaltamos a pertinência das entrevistas coletivas, uma vez que elas podem ser úteis para transportar o pesquisador para o mundo dos participantes. Nessa situação, várias pessoas juntas são encorajadas a falarem sobre um tema. Quase sempre, revela-se uma interessante e uma produtiva maneira de conseguir novas ideias sobre temas a discutir em entrevistas individuais ou de explicitação. Ao refletir sobre um tópico, os participantes podem estimular uns aos outros, avançando nas ideias expostas por cada um e colaborando com a progressão textual oral – fato recorrente nos grupos de discussão deste trabalho (MORGAM, 1988, apud BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 138).

A técnica de entrevista como um evento de fala foi um dos objetivos da pesquisa de Sage (2010). O estudo mostrou que a entrevista constituiu-se um evento autêntico de fala e pode ser utilizado como tal em pesquisas no âmbito da LC, porque é possível capturar os indícios de processos e de estruturas de categorização, a partir da expressão verbal. A linguagem emergida do discurso dos participantes no momento da entrevista foram empiricamente suficientes para

atender aos objetivos do estudo citado, autenticou a técnica de entrevista como sendo capaz de produzir eventos de fala, instrumento valioso para a análise linguística no âmbito cognitivo com intuito de compreender crenças, valores e concepções. Assim, a entrevista pode ser utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio participante, de modo que o investigador desenvolve intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os pesquisados interpretam aspectos do mundo (BOGDAN; BIKLEN, 1994).

Nesse estudo, as entrevistas coletivas semi-estruturadas contaram com a presença de doze alunos brasileiros e doze alunos franceses, divididos em três grupos de quatro, Grupos 01; 02; 03; 04; 05 e 06. Antes de começarmos com a entrevista propriamente dita, solicitamos aos alunos que escrevem em um pedaço de papel que entregamos a cada um, três palavras que vinham à mente quando pronunciávamos a palavra violência (APÊNDICE 1). Depois, pedimos a cada um que nos explicasse o porquê da escolha de cada palavra, fato que motivou as temáticas discursivas no curso das entrevistas.

Ressaltamos que as palavras fazem referência a algum modelo de mundo estruturado, por essa razão fizemos a opção dessa técnica metodológica, uma vez que almejamos entender quais MCIs estão subjacentes às concepções de violência. Técnica semelhante foi apresenta por Bordin (s/d, p.53). Ele a denomina Teste de

Associação de Palavras, cujo objetivo é estudar os estereótipos sociais

espontaneamente partilhados por grupos sociais. A diferença é que neste teste, o pesquisador solicita que os participantes associem rapidamente palavras a partir da escuta de outras palavras indutoras. Porém, em nosso caso, citamos apenas a palavra VIOLÊNCIA e os participantes mencionaram livremente três palavras relacionadas a ela.

Para esclarecer, procedemos da seguinte maneira na entrevista semi- estruturada motivada por palavras-chaves com o grupo de quatro alunos, dois participantes do sexo masculino e dois do sexo feminino: i) agradecemos a presença de todos e entregamos três pedaços de papel para cada um; ii) pedimos que cada um escrevesse no papel três palavras que surgem na mente quando alguém pronuncia o termo VIOLÊNCIA; iii) demos, em média, quatro minutos para que eles escrevessem as três palavras; iv) pedimos para cada um comentar o porquê da

escolha daquela palavra sendo permitido que os outros acrescentassem, comentassem sobre o que o colega pensava; ao final, quando todos já haviam comentado acerca das palavras escolhidas bem como discutido as temáticas envolvidas no universo das palavras, v) perguntamos o que é violência para cada um.

As palavras associadas aos conceitos “representam categorizações de experiências, sendo que cada uma dessas categorias baseia-se em situação motivadora que ocorre em determinado contexto de conhecimento e de experiência” (FILLMORE, 1982, p.26). Por essa razão, julgamos pertinente iniciar as discussões com a introdução de palavras-chave que nos levaram aos MCIs Metafóricos, aos Metonímicos e aos Proposicionais, conforme apresentaremos no capítulo concernente às análises.

Nas entrevistas, intencionamos e insistimos em um tipo de procedimento, cujo desenvolvimento da temática emergisse daquilo que se constituia significativo para os participantes, iniciamos as entrevistas com algo dito, expresso, percebido, sentido, vivido pelos jovens. Os dados foram construídos a partir do que eles pensavam, daquilo que era significativo naquele momento, isto é, o conteúdo motivado pelas palavras-chave desencadeadoras das temáticas discursivas em torno da categoria VIOLÊNCIA, partiram prioritariamente dos envolvidos na pesquisa. No momento da entrevista, consideramos o pensamento de Bogdan e Biklen que nos ensina que:

As boas entrevistas produzem uma riqueza de dados, recheados de palavras que revelam as perspectivas dos respondentes. As transcrições estão repletas de detalhes e de exemplos. Um bom entrevistador comunica ao sujeito o seu interesse pessoal, estando atento, acenando com a cabeça e utilizando expressões faciais apropriadas (1994, p. 134).

Nossa intenção estava imbricada no desejo de apreender o singular, o individual de cada fala, de cada sentimento emergido do tema em foco. Neste trabalho, buscamos analisar, inferir e interpretar o singular e, ao mesmo tempo, alcançar um aspecto genérico. Como parte desse desejo, convém situar e descrever os lugares de realização da pesquisa: as duas escolas investigadas e tecer comentários reflexivos sobre nossa presença e nossa atuação nas escolas.