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3.2 Bivariate sammenhenger mellom mobbing og andre relevante forhold

3.2.5 Mobbing og forholdet mellom lærer og elev

Para coletarmos os dados dos estudantes franceses, solicitamos a Bolsa Sanduíche do Programa PPDE/ CAPES e fomos recebidas na Universidade Michel de Montaigne, Bordeaux 3 na França sob co-tutela do professor Jean-Rémi Lapaire, colaborador dessa pesquisa. Tivemos dificuldade de encontrar uma escola que nos recebesse para realizar a pesquisa com estudantes de 11-13 anos na cidade de

Bordeaux, porque as instituições já aceitam estudantes do Campus Universitário para os estágios em docência, pesquisa institucional além de resistirem às mudanças no planejamento e na rotina da escola, embora tivéssemos enviado ofícios de solicitação; protocolo explicativo; descrição de todas as atividades e questões que seriam propostas aos alunos (APÊNDICES 4, 5, 6, 7).

Neste ínterim, no dia 22 de fevereiro de 2010, realizamos a pesquisa piloto com quatro participantes franceses voluntários conduzidos até a Universidade de Bordeaux 3 pelo professor da Universidade, nosso co-tutor. Essa pesquisa piloto nos possibilitou: i- averiguar a pertinência das questões; ii- traduzir e adaptar alguns pontos das entrevistas coletivas; iii- testar os equipamentos de filmagem; iv- entender os tipos de violência, de agentes, de vítimas prototípicas e a complexidade das concepções que envolveram o fenômeno em populações tão distintas.

Posteriormente, fomos felizmente acolhidos para realizar a pesquisa definitiva em dois colégios na cidade de Libourne, sudoeste da França, a mais ou menos 40 Km da Universidade Michel de Montaigne, Bordeaux 3, onde realizamos as Entrevistas Coletivas. No entanto, não foi possível permanecer um longo período nas instituições, devido às resistências dos gestores em mudar o planejamento didático e o de conteúdo. Isso nos impediu de realizar as atividades prévias como a Pesquisa Piloto sobre temas diversos, a observação de aula e a atuação participante que tínhamos realizado no Brasil.

Das duas escolas onde realizamos a pesquisa, escolhemos para inserir nessa tese, a escola privada. As razões foram: i- porque visitamos a escola antes de realizar a pesquisa e tivemos uma aproximação com alguns dos estudantes; ii- a professora de inglês conversou com os participantes antecipadamente; iii- houve uma mobilização institucional para a realização da pesquisa; iv- conseguimos formar os três grupos de entrevistados completos e cada grupo com dois alunos do sexo masculino e dois participantes do sexo feminino, semelhante à pesqusia realizada na escola brasileira; v- todos compareceram tanto nas entrevistas coletivas, fato que não aconteceu na outra escola pesquisada que também nos acolheu na cidade de Libourne e onde realizamos as entrevistas, porém, não a inserimos nesta tese pelas razões expostas. Para nós, a pesquisa na primeira escola francesa, constituiu-se de um aprendizado significativo para a nossa atuação na escola definitiva, porque além

de nos colocar em contato com a dinâmica da instituição de ensino; tivemos a oportunidade de aprimorar nosso manejo como pesquisadora em entrevistas com participantes de outra língua e de outra cultura.

Acreditamos que de uma maneira geral, os alunos não se intimidaram em expor as suas concepções e narrar eventos sobre a violência, apesar de não termos estabelecido vínculos prévios, como o fizemos em Fortaleza. Neste caso, respeitamos a cultura da escola e a decisão de seus agentes institucionais. Na verdade, não tínhamos saída, porque além da resistência institucional, houve uma resistência também por parte dos pais em autorizar os filhos a participarem de pesquisas que envolvessem filmagens, pelo desejo de protegê-los e de preservá-los ou, por temerem algum tipo de exposição maléfica – fato que na escola brasileira não aconteceu. Apesar disso, foi possível filmar os alunos devido à intervenção do nosso colaborador que ocupava naquele momento o papel de pai de aluno, pois a sua filha estudava na escola onde a pesquisa foi realizada – isso permitiu a realização da pesquisa e mediou à promoção de uma relação menos formal e mais afetiva com os alunos. O professor Lapaire acompanhou-nos em todos os momentos da pesquisa e os alunos franceses sentiram-se a vontade com a presença dele e de sua filha, colega de classe dos estudantes, ela nos auxiliou na organização dos momentos da pesquisa na escola.

A escola escolhida é de origem católica e atua há mais de cem anos. Por se tratar de uma instituição de natureza mista, recebe ajuda do governo francês e os pais pagam uma taxa de cinquenta euros mensais, em torno de cento e vinte e cinco reais. Visitamos a instituição no dia 18 de junho de 2010, antes de iniciarmos as atividades de entrevistas, com intuito de confirmarmos as datas de coleta dos dados. Conversamos com a professora de inglês que cedeu o espaço de suas aulas e, como os estudantes já estavam na última semana de aula, não houve resistência em autorizar a nossa presença, esta mediada pelo professor Lapaire que havia estabelecido um contato prévio (APÊNDICE 9). Neste dia, conhecemos as dependências da escola, biblioteca, pátio e algumas salas de aula, conversamos com o diretor e tivemos acesso aos alunos, pois eles estavam em uma atividade coletiva. Dessa forma, pudemos estabelecer os primeiros contatos com os participantes franceses.

Depois, voltamos no dia 27 de junho, dia inteiro reservado para nossa pesquisa. Quando chegamos pela manhã, escolhemos uma sala, fomos ao encontro da professora e dos alunos que já nos aguardavam. Tínhamos, então, que escolher os grupos que fariam parte das entrevistas e decidimos perguntar quem gostaria de participar. Devido ao grande número de candidatos, quase todos os presentes, decidimos fazer um sorteio, momento de grande expectativa. Enfim, tivemos que divulgar os 12 participantes sorteados. Em seguida, iniciamos os procedimentos para as Entrevistas Coletivas Motivadas por Palavras-chave. Pedimos que os doze alunos sorteados escrevessem três palavras pensadas quando escutam a palavra violência em um pedaço de papel. Depois, formamos os Grupos 04, 05 e 06. O Quadro 7 tem por objetivo apresentar de forma panorâmica as atividades realizadas:

Quadro 7- Descrição de atividades na Escola Francesa Privada – EFP

Data Descrição da atividade Participantes

27/06/2010 Entrevistas Coletivas: Grupo de Discussão 01

André; Laurène; Janine; Georges

27/06/2010 Entrevistas Coletivas: Grupo de

Discussão 02 Caroline; Jerôme François; Myriam; 27/06/2010 Entrevistas Coletivas: Grupo de

Discussão 03 Émille ; Zulène ; Matt ; Laurent Fonte: Do autor

Os alunos dessa instituição mostram-se receptivos e apresentaram um grande interesse em participar das atividades, colaboraram em responder às questões propostas e em discutirem sobre o assunto. Embora estivéssemos ansiosos, a condução da pesquisa aconteceu satisfatoriamente e acreditamos que o envolvimento, a aceitação da professora e a do diretor, a mediação do professor colaborador e de sua filha, estudante da escola, além de nossa visita prévia, contribuíram para a receptividade dos participantes.

4 DISCUSSÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Na primeira parte desse capítulo, analisamos os dados de nossa tese, sempre transcrevendo os trechos mais representativos das Entrevistas Coletivas Motivadas por Palavras-chave. O processo de análise centrou nos objetivos da investigação: identificar, descrever e analisar os MCIs, especificamente, os submodelos metafóricos, os submodelos metonímicos e os submodelos

proposicionais do tipo frame vinculados ao processo de estruturação, de construção e de veiculação do domínio conceptual de VIOLÊNCIA. Na segunda parte, apresentamos uma visão sintética e analítica dos dados referentes às entrevistas, construídas de maneira fluída, interativa e dinâmica, embora as palavras-chave escolhidas norteassem as “rotas” do discurso.

Adotamos a técnica de Entrevista Motivada por Palavras-chave porque entendemos que os aspectos do significado de determinadas palavras relacionadas à categoria VIOLÊNCIA são possíveis de ser analisados e compreendidos a partir da situação comunicativa da entrevista – o significado está sujeito ao contexto no qual o enunciado se realiza, tanto o contexto imediato, momento da entrevista, quanto o contexto sociocultural.

A organização das análises contou com a apresentação do Grupo 01 que serviu de Grupo Informante – Grupo Inicial que guiará as categorias, os aspectos comparativos do universo conceptual e as formas de comunicar os fenômenos ligados à VIOLÊNCIA. O procedimento expositivo foi iniciar com as palavras-chave relacionadas à violência ditas por cada participante na entrevista coletiva, estas sinalizadas ao longo do texto em itálico: por exemplo, se o participante escolheu a palavra-chave horror, ela será marcada em itálico horror. As palavras-chave foram escolhidas livremente pelos alunos, evocadas do universo sociocultural deles e serviram para desencadear temas ligados à categoria, porque intencionamos valorizar em nossa investigação a voz do sujeito.

Para não induzirmos de uma alguma forma as temáticas que seriam desenvolvidas durante as entrevistas, utilizamos as escolhas das palavras-chave, conforma já comentado, que introduziram os tópicos discursivos. Dividimos as análises em tipos de violência (física e não-física do ponto de vista dos participantes; por exemplo, a física foi retratada como aquela de dimensão corporal e, a não-física como aquela envolvendo o aspecto psíquico). As temáticas foram tecidas em crimes passionais; homicídios; tráfico de drogas; narrativas diversas: situações vividas diretamente, situações criadas para servir de exemplos de casos específicos, situações advindas do conteúdo veiculado pela televisão, jornal, rádio). Priorizamos relatos que evocaram atos humanos de violência, então descartamos da análise teórica trechos que trataram de violência contra os animais, violência contra a

natureza – esses foram muito pouco representativos tanto nas entrevistas no Brasil quanto nas realizadas na França.

Logo após investigar a temática inerente à discussão desencadeada pela palavra-chave do Grupo 01 e investigar os mecanismos simbólicos figurados ou não de estruturação e de veiculação da categoria VIOLÊNCIA, selecionamos trechos de temáticas semelhantes e relevantes dos outros grupos, ou seja, aspectos de convergência ou divergência entre os Grupos, tanto de brasileiros (Grupos 01, 02, 03) quanto de franceses (Grupos 04, 05, 06). Por exemplo, a palavra-chave briga foi pronunciada por um membro do Grupo 01; então, após a análise da estrutura conceptual subjacente à VIOLÊNCIA É BRIGA do Grupo 01, a saber o Grupo Informante, inserimos fragmentos de fala relacionados à briga dos outros grupos.

Outra forma de exposição e processo analítico dos dados, deveu-se aos aspectos de análise – quando identificamos a métafora EMOÇÕES SÃO ENTIDADES DENTRO DE UMA PESSOA (LAKOFF; JOHNSON, 1980) durante a entrevista do Grupo 01 e, ao verificar a presença dessa mesma metáfora no Grupo 04, destacamos trechos em que ela apareceu no Grupo 04 e desenvolvemos uma análise comparativa com o Grupo Informante 01.

Os critérios de escolha para iniciar a apresentação e a discussão dos resultados com base no Grupo 01 deveram-se ao fato de que: i- foi o primeiro grupo a ser entrevistado e os alunos discorreram sobre vários subtemas que envolvem o fenômeno; ii- a partir dele, pudemos elencar a posteriori, aspectos teóricos não previstos inicialmente como o Sistema da Métafora Moral, procedimento que se adequa a uma pesquisa de cunho qualitativo, natureza de pesquisa em que a Teoria coloca-se a serviço do pesquisador e não o contrário; iii- as análises emergentes desse Grupo Informante impulsionaram a sistematização de temas e de aspectos comparativos da categoria VIOLÊNCIA entre os demais grupos.

Os códigos expostos no corpo do texto das análises são referentes à: a) linha da ocorrência de fala;

b) iniciais do nome do participante da pesquisa; c) sexo do participante masculino (M) e feminino (F);

d) país de origem: B (Brasil); F (França);

e) número do grupo: Grupo 01 (G1); Grupo 02 (G2); Grupo 03 (G3); Grupo 04 (G4); Grupo 05 (G5); Grupo 06 (G6);

f) pesquisador Brasileira (PESQ1); Pesquisador Francês (PESQ2).

Para exemplificar, quando surgir no texto de análise uma ocorrência de fala “295.GFBG2” lemos: sequência da ocorrência de fala número 295; inicial da letra do nome fictício da participante Georgia, país Brasil, Grupo de número 02. E quando surgir “90. PESQ2”, lemos sequência da ocorrência de fala número 90; pesquisador colaborador francês. Também, marcamos em negrito os trechos que apontam para os MCIs. Em suma, a divisão desse capítulo consta de duas partes: Análise e Discussão das Entrevistas Mediadas por Palavras-chave e Exposição Sintética-Analítica dos Resultados, responsável pela explicitação dos principais temas discutidos.