O questionário “estilos de liderança” (Apêndice A) está dividido em duas partes: a primeira parte contempla os dados de identidade e a segunda os itens referentes aos estilos de liderança.
Os resultados referentes aos dados de identidade são:
1) Cargo que ocupa: 100% foram dirigentes de enfermagem. Estes dados mostram a evidencia da necessidade da criação de cargos gerenciais, entre os profissionais da enfermagem, para exercer a gestão dentro do hospital. No passado, o cargo gerencial, não oferecia, à enfermagem, reconhecimento como dirigente (MEXICO, 1999a).
2) Direção e liderança são diferentes na prática?: os resultados indicam que 72% dos dirigentes consideraram que há diferença entre direção e liderança, ou seja, que depois de dar as diretrizes, é necessário captar a boa vontade e cooperação dos seguidores. Já o 28% dos dirigentes consideraram que direção e liderança têm o mesmo significado. Kotter (1990) refere que há diferença na maneira de executar. A direção planifica e formaliza estratégias, gerenciais e execução para alcançar os objetivos da organização. A liderança influencia e aporta com a dinamização das pessoas visando a alcançar as metas e os objetivos da organização. Em outras palavras, a direção define o marco de referência para a operacionalização da liderança. O ideal seria que o dirigente integre ambos os conceitos, assim, obter eficiência e eficácia em sua gestão.
3) Sexo: considera-se importante conhecer a participação do gênero dos dirigentes, já que, a enfermagem passou de ser uma profissão predominantemente feminina, a uma profissão com inclusão de profissionais do sexo masculino. Os resultados do presente estudo mostram que 100% dos participantes foram do sexo feminino. No México o 95% dos profissionais de enfermagem são do sexo feminino (México, 1999a).
4) Número de anos no cargo. A estabilidade do dirigente gera experiência, a qual é resultado do aprendizado no cargo. Quando há alta rotatividade no cargo, o líder se centraliza na etapa inicial da curva de aprendizagem: “sempre começando”. Este fato desfavorece a maturidade da relação entre o líder e seus seguidores. Os resultados indicam que 81% dos dirigentes permanecem no cargo de um a dez anos. Isto significa que deixam o cargo na etapa
de maior desenvolvimento de suas capacidade (BURELL; MORGAN, 2001). O investimento da organização, na formação de seus dirigentes, é perdido no momento em que o dirigente se afasta do cargo da organização. Nas entrevistas, aos dirigentes, com menos de 10 anos no cargo, manifestaram sentir estresse, angustia e muita pressão no cumprimento de suas tarefas. De outro lado, 2% dos dirigentes com mais de 31 anos mostraram segurança e domínio em suas funções. Na figura seguinte verifica-se as porcentagens quanto a período da permanência no cargo dos dirigentes.
De 11 a 20 años 12% De 21 a 30 años 5% De 31 a 40 años 2% De 1 a 10 años 81%
Fuente:Questionário sobre Estilos de Liderança, México. 2007
Figura 8 - Gráfico do período de permanência no cargo dirigente de
Enfermagem nos hospitais gerais da cidade do México, D.F.
5) Horas diárias que seu cargo requer
Com esta pergunta buscou-se comprovar as informações obtidas com a pergunta anterior, já que o pessoal que têm menor experiência, no cargo, requer maiores horas de trabalho para cumprir suas funções. Já um dirigente com experiência alcança seus objetivos em menor tempo. Nos resultado se observou que 81% dos dirigentes requerem que mais de oito horas de trabalho. Fato observado, na experiência de trabalho da investigadora (25 anos), deste estudo, como dirigente e assessora das organizações hospitalares e desenvolvimento da comunidade. Burell e Morgan (2001) refere a importância do pesquisador como ator na investigação de fenômenos sociais, ou seja, na compreensão dos processos internos e intangíveis do pensamento humano. Assim, sendo valida a compreensão interpretativa da realidade por parte do investigador.
Os hospitais são organizações complexas (MINTZBERG, 2004), razão pela qual, se requer de mais tempo na gerencia dos quatro períodos de trabalho da enfermagem. Também são organizações com tendência burocrática (WEBER, 1965), o que, torna complicado o manejo de documentação e a tomada de decisão, que é centralizada, e que contribuem com a necessidade de mais de oito horas de trabalho.
Na Figura 9 pode-se observar a distribuição de dirigentes que dedicam mais de oito horas diárias de trabalho no desempenho do cargo.
8 horas 19%
Mais de 8 horas 81%
Fonte: Questionario sobre Estilos de Lideranca, México. 2007
Figura 9 – Gráfico de distribuição segunda jornada de trabalho diária no desempenho
do cargo
6) Número de enfermeiras sob sua direção. Os hospitais são organizações burocráticas, e os dirigentes devem tomar decisões centralizadas. Embora, não existam indicadores-padrão para o controle ótimo, sem duvida, o maior número de pessoas corresponde maior complexidade no processo de decisão. No presente estudo, 64% dos dirigentes têm sob sua responsabilidade entre 401 a 500 profissionais.
Na figura, abaixo, pode-se apreciar a distribuição do número de enfermeiros sob a responsabilidade do dirigente.
5% 301 a 400 17% De 201 a 300 7% De 101 a 200 7% De 1 a 100 64% De 401 a 500
Fuente: Questionário Estilos de Liderazgo. México, 2007
Figura 10 – Gráfico de distribuição do número de enfermeiros sob a responsabilidade do
dirigente.
Os hospitais, estudados, são gerais e considerados de grande porte (PAGANINI, 1999). Somando-se o perfil burocrático, onde a tomada de decisões é centralizada, pode-se entender a complexidade do cargo dos dirigentes (THOMPSOM, 2002). Nas entrevistas, realizadas no presente estudo, os dirigentes referem excessivo trabalho e um ambiente estressante.
7) Grau de escolaridade. Os resultados referentes ao grau de preparação são favoráveis, 86% esta representado pelo nível universitário, o qual mostra que, a enfermagem mexicana, acompanha o desenvolvimento e avanços histórico-sociais. Fato que se torna importante na tomada de decisão e das ações da enfermagem. México (1999a) refere que, a preparação dos dirigentes, acompanhou o desenvolvimento da profissão. Os cargos dirigentes deixaram de ser ocupados pelo nível técnico e passaram a ser ocupados pelo nível universitário (MÉXICO, 1999a).
Na figura, abaixo, mostra o grau de preparação acadêmica dos dirigentes de enfermagem.
Fuente:Questionário sobre Estilos de Liderança, México. 2007. 62% Licenciatura 14% Técnico 24% Posgrado
Figura 11 - Gráfico de distribuição do grau de escolaridade dos enfermeiros, dos
hospitais gerais de México, D.F.