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Underveisvurdering Rammer

5.2 Hva skjer når kunnskap ikke lengre er «etablert kunnskap»?

5.3.3 Undersøkende kildekritikk

Neste tópico discorreremos sobre as diversas questões a respeito de notas que julgamos erradas. Estes erros podem ocorrer tanto na questão orquestral quanto com a harmônica. Como metodologia, indicaremos os compassos equivocados com quadrados sublinhados em vermelho.

O primeiro manuscrito que abordaremos será o do tiple (voz de soprano). Encontramos uma nota errada que não é coerente na harmonia, orquestração e fraseologia (figura 24):

Figura 24

Manuscrito da parte do tiple da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

É comum nesta obra, em momentos de tutti, o violino I oitavar a voz do soprano, reforçando as notas agudas na textura coral. No compasso selecionado, compasso 16, temos

no soprano uma nota musical que se diferencia da melodia do violino I (figuras 25, 26, 27, 28 e 29):

Figura 25

Manuscrito da parte do tiple da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 26

Clave de dó na primeira linha .

Figura 26

Figura 28

Figura 29

Compasso 16 ampliado do manuscrito da parte do violino I da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Como podemos observar as duas últimas colcheias do Violino I executam a nota Lá bemol, e a parte do soprano executa a nota Si bemol, isto em um acorde de Subdominante com sétima (Si bemol menor com sétima). Harmonicamente está correto, pois o soprano executa a nota fundamental do acorde de Si bemol menor e o violino I a sétima, mas fraseológica e orquestralmente consideramos as últimas duas colcheias da voz do soprano como erradas, pois se observarmos os compassos seguintes, a textura executada nos compassos 16 e 17 são reiterados de forma idêntica nos compassos 18 e 19, onde o soprano e violinos executam as mesmas notas: o primeiro e segundo tempo do compasso a nota Si bemol e o último tempo do compasso a nota Lá bemol (figuras 30 e 31):

Figura 30

Compassos 16 a 19ampliados do manuscrito da parte do tiple da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 31

Compassos 16 a 18 ampliados do manuscrito da parte do violino 1 da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Portanto, neste caso aqui apresentado modificamos a terceira semínima do soprano no compasso 16, de um Si bemol para um Lá bemol, executando em oitavas com o violino I nas

duas repetições, como podemos ver nas páginas 5 e 6 da edição crítica. Isto, não por causa de um equívoco harmônico, mas sim por uma incoerência orquestral e principalmente fraseológica. A seguir mostraremos como esta resolução demonstra-se na edição crítica (figuras 32, 33, 34, 35):

Figura 32

Página 6 ampliada na parte da voz do soprano da grade da edição crítica da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 33

Compasso 16 ampliado da parte do soprano da edição crítica da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 34

Violino I:

Página 6 ampliada na parte do violino I da grade da edição crítica da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 35

Compasso 16 ampliado na parte do violino I grade da da edição crítica da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

O segundo manuscrito que abordaremos será o da voz do tenor, onde encontramos um equívoco no acorde que precede a fermata no compasso 21. Este acorde a que estamos nos referindo, tem função harmônica de Dominante da Dominante com sétima (Sol maior com sétima) e terça no baixo, a nota executada pelo tenor é um Dó natural como podemos observar no manuscrito (figura 36):

Figura 36

Manuscrito da parte do tenor dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

A nota Dó natural dentro do acorde da Dominante da Dominante (Sol maior) é a quarta justa do acorde resultando respectivamente na disposição onde a terça está na voz do baixo (Si natural), a sétima no contralto (Fá natural), a fundamental no soprano (Sol natural) e a quarta acrescentada no tenor (Dó natural). A nota Dó natural não se encaixa dentro da estrutura e função do acorde, pois em um acorde de Dominante, não usamos a sensível e sua suposta resolução ao mesmo tempo. Para resolvermos esta questão optamos por mudar nota do tenor para Ré natural, quinta justa do acorde da Dominante da Dominante (Sol maior) como observamos em seguida (figura 37):

Figura 37

O terceiro manuscrito que abordaremos será o dos oboés, cuja nota equivocada se encontra no pentagrama do segundo oboé. A seguir apontaremos o manuscrito com a localização do compasso no qual discorreremos (figuras 38 e 39):

Figura 38

Manuscrito da parte dos oboés da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 39

Compasso 24 ampliado do manuscrito da parte dos oboés da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Neste compasso temos um tutti orquestral sendo que o segundo oboé executa a oitava justa acima da voz do tenor e da viola nas duas primeiras semínimas, alcançando a sétima do acorde de Dominante (Dó maior), a nota Si bemol, através de uma movimento de terça menor descendente. Na última nota, o segundo oboé se diferencia do tenor executando a fundamental do acorde de Dominante (Dó maior), a nota Dó. Esta nota está correta se analisarmos harmonicamente o trecho, mas quando observamos sobre uma perspectiva orquestral, ela não condiz com a disposição do acorde, pois esta, na qual referimo-nos, interage com um acorde de retardo na Dominante (Dó maior), cuja formação consiste em manter a nota fundamental nos baixos e utilizar dissonâncias de retardos e notas de passagem nas regiões média e aguda.

Como podemos observar o tenor e a viola dobram a mesma melodia do oboé no compasso 24 deixando evidente que a parte do oboé está errada, tendo em vista a textura homorrítmica inserida neste tutti (figuras 40, 41, 42, 43 e 44):

Figura 40

Manuscrito da parte do tenor da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 41

Figura 42

Compasso 24 ampliado do manuscrito da parte do tenor dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 43

Manuscrito da parte da viola dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 44

Notamos que a última semínima deste compasso aqui questionado diferencia-se melodicamente do segundo oboé, da viola e do tenor em um acorde de Dominante com sétima (Dó maior com sétima). A correção coerente que poderíamos fazer era de modificarmos a parte do oboé dobrando-a com a parte da viola e com a parte do tenor, mas tendo em vista que necessitamos não apenas corrigir notas erradas, mas prever resoluções plausíveis para o contraponto vigente na época, modificamos o contraponto para que não haja saltos para dissonância entre os acordes de Subdominante e Dominante, referente ao primeiro e segundo tempo do compasso 24, modificando a melodia do tenor, viola e oboé para uma escala descendente, nota Ré bemol no primeiro tempo, Dó natural no segundo e Si bemol no terceiro, resolvendo o salto para dissonância escrito pelo copista, bem como corroborando com o gesto escalar descendente proposto nas demais vozes agudas, soprano e contralto. Com isto foi necessário modificar a parte do violino II retirando a sétima do acorde de Dominante do segundo tempo do compasso 24 deixando-a apenas para o último tempo do mesmo compasso.

Portanto na edição crítica modificamos estas notas para auxiliarmos a obra na disposição do acorde, bem como no contraponto evitando saltos para dissonância na alternância dos acordes do compasso 24 (figura 45):

Figura 45

O quarto manuscrito que pontuaremos será do Violino II, no qual encontramos dois compassos com notas erradas (figura 46):

Figura 46

Manuscrito da parte do violino II dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

O primeiro erro que encontramos se refere à nota Mi bemol localizada no início do quarto compasso. Isto porque temos neste compasso um acorde de Si bemol menor, ou seja, Subdominante menor. A nota Mi bemol é a quarta justa neste acorde, ou seja, uma

dissonância que descaracteriza a função de Subdominante menor, pois a nota Mi bemol no acorde de Si bemol menor seria analisada como uma quarta adicionada, ou seja, um acorde de Subdominante com terça menor, quarta justa e quinta justa. Consideramos isto, nesta edição crítica, como errado, porque além da nota ser incoerente com o acorde, nenhum outro instrumento ou voz a executa, reforçando ainda mais o equívoco da escrita deste trecho. Para resolvermos este problema alteramos o Mi bemol, substituindo-a pela nota Fá, quinta justa do acorde de Subdominante menor tornando-se coerente com a passagem proposta pelo compositor, bem como com o gesto melódico do violino I (figuras 47 e 48):

Figura 47

Manuscrito da parte do violino II dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 48

Compasso 4 ampliado do manuscrito da parte do violino II dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

O outro erro que encontramos na parte do Violino II localiza-se no compasso 5, cujas notas não corroboram novamente com as notas do acorde. Neste outro caso temos um acorde de Mi bemol maior com sétima, ou seja, Dominante da Tônica paralela, sendo que o violino II executa, segundo o manuscrito, a nota Lá bemol, que no acorde descrito anteriormente seria a quarta acrescentada ao acorde, soando um acorde de Dominante da Tônica paralela com terça maior, quarta justa e quinta justa (figuras 49 e 50):

Figura 49

Manuscrito da parte do violino II dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 50

Compasso 5 ampliado do manuscrito da parte do violino II dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Para resolver esta questão modificamos a nota Lá bemol do violino II para a nota Si bemol, sendo esta última, a quinta justa do acorde de Dominante da Tônica paralela, soando melodicamente em sextas paralelas com o Violino I.

Portanto, temos em seguida as duas correções demonstradas em nossa edição crítica com a modificação das notas que julgamos erradas (figura 51):

Figura 51

Outro erro encontrado no manuscrito do Violino II está localizado no compasso 27, como demonstra a figura abaixo (figura 52):

Figura 52

Compasso 27 ampliado do manuscrito da parte do violino II dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Neste compasso a primeira nota executada pelo violino II é um Si bemol, mas temos um Si natural que resolve ascendentemente em grau conjunto no Dó natural no violino I (figura 53):

Figura 53

Compasso 27 ampliado do manuscrito da parte do violino I dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Como podemos observar, na segundo semicolcheia do compasso 27 temos uma dissonância equivocada entre as notas Si bemol e Si natural. Usamos a melodia do violino I como referência para corrigir a violino II, porque seu gesto melódico por duas vezes seguidas resolvem em segunda menor ascendente como podemos observar no compasso 28 (figura 54):

Figura 54

Compassos 27 e 28 ampliados do manuscrito da parte do violino II dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

A resolução se deu pelo manuscrito do violino I alterando a nota Si bemol do violino II para Si natural, sendo este uma continuidade da melodia do violino I (figura 55):

Figura 55

Página 8 ampliada nos violinos I e II da grade da edição crítica dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

A última questão que pontuaremos sobre o manuscrito do violino II é referente ao compasso 27 exposto na figura 39.

Como podemos observar, temos um salto de terça menor ascendente, da nota Dó natural para Mi bemol e em seguida a repetição de duas notas Mi bemol em semicolcheias, sendo que na parte do violino I temos um salto de terça menor e em seguida uma escala descendente em semicolcheias em terças com o violino II. Consideramos a repetição da nota Mi bemol equivocada, pois não corrobora com o gesto melódico do violino I. Logo modificamos a primeira nota Mi bemol do violino II para a nota Fá natural, resultando em um salto de quarta justa que alcança um intervalo de terça com o violino I e em seguida descende em graus conjuntos e em terças paralelas (figura 56).

Figura 56

Compasso27 ampliado nos violinos I e II da grade da edição crítica dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

A quinta questão que discutiremos será referente ao manuscrito da viola. Neste temos um problema em relação ao acidente ocorrente no compasso 25, que destoa da harmonia proposta na obra (figuras 57 e 58):

Figura 57

Manuscrito da parte da viola dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 58

Compasso 25 ampliado do manuscrito da parte da viola dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Na parte do violino I temos a nota Mi bemol, sétima do acorde de Dominante da Subdominante (Fá maior com sétima). A viola não poderia executar a nota Mi natural, pois descaracterizaria o acorde de Dominante, porque caso as duas sétimas (Mi bemol e Mi natural) estivessem presentes nesse acorde teríamos um acorde de Fá maior com sétima menor e sétima maior acrescentada. Outro argumento que nos auxilia quanto ao equívoco da nota Mi natural é o fato de que no compasso 26, as duas colcheias no primeiro tempo executadas pelos violinos e oboés, resolvem o trítono da Dominante da Subdominante, Lá natural e Mi bemol, com um gesto de retardo nos levando à certeza que o compositor optou por uma Dominante individual para preparar a Subdominante no início do compasso 26 (figuras 59 e 60):

Figura 59

Manuscrito da parte da viola da obra O pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 60

Dessa forma, na edição crítica mudamos duas notas para corrigir este problema, primeiro a nota da viola que de Mi natural mudamos para Mi bemol e segundo modificamos a nota do violino I de Mi bemol para Fá natural, isto para não dobrarmos a sétima do acorde na parte instrumental e reforçar a fundamental do acorde de Dominante da Subdominante como vemos a seguir (figura 61):

Figura 61

Por fim, discorreremos sobre duas modificações que efetuamos através da prática da obra, ou seja, da execução da obra, bem como da discussão crítica sobre a mesma.

A primeira encontra-se no compasso 28 na parte do II violino (figura 62):

Figura 62

Compassos 26 a 31 ampliado do manuscrito da parte do violino II dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Nela temos uma falsa relação entre o acorde de Dominante menor (Dó menor) e Dominante maior (Dó maior), porque a primeira nota do primeiro tempo, Mi bemol executada no compasso 28, gera uma falsa relação entre estes dois acordes, haja vista que no segundo e terceiro tempo, a nota Mi natural, sensível do acorde da Dominante, é executada pelos violinos I e II, primeiro oboé e baixo contínuo, deixando explicito que este acorde, no qual nos referimos é uma Dominante maior. Para retirarmos esta falsa relação, modificamos a nota Mi bemol do primeiro violino para mi natural mantendo a Dominante maior durante todo o compasso evitando estranhamento aos ouvidos.

A outra questão que modificamos encontra-se também na parte do violino II, no compasso 31 (figura 63).

Figura 63

As notas Dó natural do final do segundo e terceiro tempo resultam em intervalos de quinta justa paralela com o violino I (figura 64):

Figura 64

Compassos 29 a 32 ampliado do manuscrito da parte do violino I dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Modificamos estas notas para Si bemol resolvendo o paralelismo de quinta justa gerados entre as notas Sol no violino I e Dó no violino II, resultando, com esta modificação, em intervalos de sextas paralelas entre Si bemol e Sol natural (figura 65).

Figura 65

Página 10 ampliada nos violinos I e II da grade da edição crítica dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Estas foram as questões que acreditamos estar equivocadas neste manuscrito. Estas modificações foram inseridas na edição crítica da obra que se encontra na seção dos anexos deste trabalho.