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5.2 Hva skjer når kunnskap ikke lengre er «etablert kunnskap»?

5.3.2 Sorterende kildekritikk

Neste tópico apontaremos as diversas rasuras encontradas no manuscrito abarcando problemas na identificação da escrita, tanto das notas quanto dos demais símbolos musicais ocorrentes na partitura. A indicação das partes rasuradas será destacada dentro de um quadrado vermelho inscrito na partitura, nos compassos e notas que necessitaram de revisão.

Figura 2

Nessa partitura encontramos uma passagem de graus conjuntos em semicolcheias localizada no último tempo do compasso 26, cuja rasura prejudica a identificação dos acidentes ocorrentes (figura 3):

Figura 3

Compasso 16 ampliado do manuscrito da parte do Violino I da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Podemos notar que todas as notas Mi em semicolcheia estão com alguma alteração, no entanto não conseguimos identificá-las com precisão. Na tentativa de solucionar a imprecisão da escrita exposta na figura 3, levantaremos algumas questões periféricas para elucidar este impasse.

Em nossa análise fraseológica entendemos que estas semicolcheias representam uma ornamentação em torno da nota Fá, pois é a nota na qual a melodia perpassa três vezes.

Abaixo colocamos, separadamente, possíveis exemplos de ornamentação coerente com os acidentes do manuscrito, estabelecendo que a primeira nota Mi, nas semicolcheias, esteja com um bemol, e as demais notas Mi, também em semicolcheias, terão variações de acidentes, bemol, dobrado bemol e bequadro (figura 4):

Figura 4 Exemplo 1

Exemplo 2

Exemplo 4

Exemplo 5

A seguir demonstraremos os possíveis exemplos de ornamentação coerente com os acidentes do manuscrito estabelecendo que a primeira nota Mi, nas semicolcheias, esteja agora com um bequadro, e as demais notas Mi, também em semicolcheias, terão variações de acidentes, bemol, dobrado bemol e bequadro (figura 5):

Figura 5 Exemplo 6 Exemplo 7 Exemplo 8 Exemplo 9 Exemplo 10

Das possibilidades apresentadas anteriormente, a opção que nos pareceu mais coerente é a do exemplo 9. A seguir demonstraremos argumentos baseado na escrita fragmentando as rasuras apresentadas elucidando cada uma para justificar nossa decisão (figura 6).

Figura 6

Compasso 16 ampliado do manuscrito da parte do violino I da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Como podemos observar, o primeiro acidente que altera a primeira nota Mi da figura anteriormente demonstrada foi considerada por nós como bequadro. Se observarmos outros bequadros nas demais partes musicais manuscritas podemos ver que este é desenhado com uma curva na parte inferior (figura 7).

Figura 7

Compasso 16 ampliado do manuscrito da parte do violino I da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Se olharmos na figura 6 vemos que o acidente carrega esta curva na parte inferior, mas ao mesmo tempo a haste esquerda do símbolo desce até esta curva dificultando nossa interpretação e tornando o acidente ambíguo. Ao observarmos outros bequadros nas partes dos manuscritos, vemos que a haste esquerda, em alguns acidentes, estende-se do quadrado característico no símbolo de bequadro (figura 8).

Figura 8

Compasso 7 ampliado do manuscrito da parte do violino II da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

No caso da figura 6 entendemos que esta haste da figura 8 juntou-se com a curva inferior demonstrada na figura 7 do símbolo do bequadro, e por esta razão tornou-se mais difícil na identificação do acidente (figura 9).

Figura 9

Compasso 16 ampliado do manuscrito da parte do violino I da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

O segundo acidente da figura 6 que discorreremos, também consideramos como um bequadro que altera a nota Mi, apresentou os mesmos problemas do primeiro acidente anteriormente discutido, mas com o acréscimo de uma rasura para dificultar ainda mais a interpretação do acidente na nota.

Figura 10

Compasso 8 ampliado do manuscrito da parte do violino II da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Como podemos observar na figura 10, a linha horizontal superior do quadrado não encosta na haste vertical esquerda. Logo temos a resolução do segundo acidente da figura 6 com o acréscimo do exemplo da figura 10 na identificação deste acidente (figura 11).

Figura 11

Compasso 16 ampliado do manuscrito da parte do violino I da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

A última questão que apresentaremos sobre este trecho diferencia-se dos exemplos discorridos anteriormente apresentando uma rasura diferenciada das dos demais. Aparentemente temos o símbolo de bemol com um traço cortando sua haste, mas quando observamos com mais atenção vemos que este traço não provém do símbolo bemol e sim da nota Mi natural, como podemos observar mais claramente no manuscrito da parte do baixo continuo (figura 12).

Figura 12

Compasso 28 ampliado do manuscrito da parte do baixo continuo da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Se observarmos, logo vemos que neste exemplo da figura 12 a rasura provém da cabeça da nota e não do acidente. Este é o mesmo caso que acontece no trecho que estamos aqui discorrendo, na figura 6 (figura 13).

Figura 13

Compasso 16 ampliado do manuscrito da parte do violino I da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Constatamos que esta rasura é um bemol, pois, o traço que corta sua haste é meramente uma rasura provinda da cabeça da nota anterior não pertencendo ao símbolo bemol.

Portanto, em nossa edição crítica adotamos o exemplo 9 apresentado na figura 5, onde: o primeiro Mi das semicolcheias é bequadro, o segundo Mi também e o terceiro Mi é bemol como demonstrado a seguir.

Figura 14

Discorreremos em seguida sobre um símbolo encontrado nas partes do violino I e II e que nos chamou a atenção por constarem apenas nessas duas partes da obra (figuras 15, 16, 17 e 18):

Figura 15

Figura 16

Símbolos do manuscrito da parte do Violino II da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Figura 17

Figura 18

Símbolos do manuscrito da parte do Violino I da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Através de uma análise harmônica, fraseológica e orquestral, compreendemos que o referido símbolo significa a repetição dos compassos que estão entre eles, ou seja, um ritornello. Uma questão que nos ajudou a entender o seu significado foi quando percebemos a falta de dois compassos na parte do manuscrito do violino II, no momento da edição da obra. No caso do Violino II temos quatro deles apresentados, sendo que dois estão entre os compassos 16 e 17 e os outros dois estão no início e final do manuscrito.

Na obra, os compassos 16 e 17 se repetem de forma idêntica nos compassos 18 e 19, e por esta razão tornou-se fácil à reconstrução dos dois compassos que faltavam na parte do Violino II. Dessa forma, para completar o número de compassos faltantes no violino II, resolvemos incluir a repetição da melodia dos compassos 16 e 17 nos compassos 18 e 19, nos quais a harmonia e gesto musical se encaixam perfeitamente.

Figura 19

Figura 20

O último ponto que discorreremos nesta discussão sobre as rasuras encontradas neste manuscrito apresenta-se na parte do oboé I, no terceiro compasso (figura 21):

Figura 21

Manuscrito da parte dos oboés da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Como podemos observar na figura acima, aparentemente as três semínimas do terceiro compasso indicam a nota Sol bequadro, mas se aproximarmos a imagem do manuscrito veremos que as notas escritas são três Lá bequadro (figura 22).

Figura 22

Compasso 16 ampliado do manuscrito da parte dos oboés da obra dO pecador de Florêncio José Ferreira Coutinho.

Esta conclusão corrobora com três questões que pontuaremos a seguir. A primeira diz respeito à nota Sol bequadro que, dentro do contexto harmônico de Fá menor, já se encontra natural, não necessitando do acidente ocorrente para mudar sua altura. A segunda questão se refere à harmonia, como podemos observar temos um acorde de Fá maior no terceiro tempo do referido compasso, sendo que na parte instrumental temos apenas a nota Lá bequadro, terça do acorde, executada pelo violino I em colcheias nos contratempos. Se colocarmos a nota Lá bequadro na parte do primeiro oboé no primeiro tempo dos compassos reforçará a sensível do acorde de Dominante da Subdominante, bem como o intervalo de trítono entre Lá natural e Mi bemol - intervalo característico no sistema tonal onde temos sua resolução em movimento contrário e graus conjuntos, da Dominante para a Tônica menor, na qual a terça do acorde de Dominante resolve na fundamental da Tônica menor, e a sétima do acorde de Dominante resolve na terça da Tônica.

A terceira e última questão que nos elucida para justificar que a nota anteriormente apresentada é Lá natural fundamenta-se na orquestração. A melodia da parte da voz do alto no terceiro tempo do compasso 16 executa a nota Lá natural resolvendo no primeiro tempo do compasso seguinte na nota Si bemol, e seria incoerente o primeiro oboé, que na maioria das vezes reforça as linhas das vozes, executar a nota Sol no terceiro tempo do compasso 16 para que no compasso 17 salte um intervalo de terça menor ascendentemente para nota Si bemol. Portanto, se colocarmos a nota Lá no primeiro oboé no terceiro tempo do compasso 16 resolvendo na nota si bemol no compasso 17 resultará exatamente na oitava justa da linha do alto.

Dessa forma, temos a correção da nota do oboé modificando o que aparentemente era uma nota Sol natural para Lá natural (figura 23):

Figura 23

Estas três questões que denominamos como rasuras anteriormente discutidas foram as dificuldades encontradas a respeito das incertezas na escrita, bem como de símbolos que nos deparamos e não sabíamos ao certo qual seria sua exata função.