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Hva slags kildekritisk begrepsapparat har elevene?

6 Diskusjon og konklusjon

6.1 Hva slags kildekritisk begrepsapparat har elevene?

A obra aqui apresentada e estudada, O pecador – para sagrada comunhão de Florêncio José Ferreira Coutinho, contempla alguns recursos composicionais que permeiam desde uma orquestração que auxilia as partes do coro na execução da obra, bem como abarca uma harmonia rebuscada com o acorde de sexta napolitana, sixte ajoûtée com o uso da sétima na voz do baixo, cadência de engano com linhas melódicas cromáticas e harmonias características de compositores do século XVIII, como por exemplo, o uso da progressão por ciclos de quintas.

Como referido, não pretendemos entender a complexidade da obra apenas analisando- a, pois a frustação desta ideologia nos foi elucidada por Heidegger (2005, p.42), quando afirma que “o homem é impotente para dominar uma larga parte do que há no ser. Só pouco é conhecido. O conhecido permanece algo de aproximado; o dominado, algo de incerto (...)”. Logo buscamos estudar a obra sob uma perspectiva histórico-analítica (theoria31), poética (poíesis32) e prática (práxis33), pois somente por meio destas três dimensões poderemos vivenciar a singularidade proporcionada por Ferreira Coutinho.

Compartilhamos então com a opinião de André Cardoso quando discorre sobre o compositor português radicado no Brasil, Marcos Antônio Fonseca Portugal (1762-1830):

É inútil continuar tentando provar que Marcos Portugal não foi o famigerado compositor que tanto prejudicou seus colegas. Sua música nada ganha com isso. Para que ela possa ressurgir e voltar ao repertório, é desnecessário provar que seu autor foi um homem de caráter como se houvesse existido entre seus

31 [Referente à] pesquisa em música [que abrange] necessariamente história, crítica, estética e poética, análise

estrutural, sistemas harmônicos, teoria da interpretação/ execução e edição musical, em suas evidentes relações com as demais questões internas e externas à música (RICCIARDI & ZAMPRONHA, 2013, p.41).

32 A poética, neste sentido primordial, compreende ao mesmo tempo a concepção (projeto, programa, manifesta

normativo) e a produção (composição, realização da escritura) da obra de arte (RICCIARDI & ZAMPRONHA, 2013, p.14)

33 No caso do intérprete-executante em música, a prática vem sempre já procedida do estudo das fontes musicais,

de um exame rigoroso e detalhado da partitura. Além da escritura musical do compositor, que deve ser exaustivamente estudada, há ainda o mundo da obra exposta, bem como o contexto histórico-estilístico deste mundo, sua paisagem pictórica, sua poesia (RICCIARDI & ZAMPRONHA, 2013, p.39).

contemporâneos um complô generalizado para aviltar seu bom nome. O caráter do homem Marcos Portugal jamais poderá ser reabilitado. Podemos, entretanto, reabilitar sua música. Para isso basta que ela seja editada, tocada e estudada (CARDOSO, 2008, p.249 -50).

Florêncio José Ferreira Coutinho foi delator, em 1789, do cirurgião Salvador do Amaral Gurgel e do alferes Joaquim José da Silva Xavier, ambos seus colegas de farda no Regimento dos Dragões (Cavalaria paga) de Vila Rica. Entre seus pertences temos alguns relatos de conflitos com músicos seus contemporâneos, principalmente embate contra Francisco Gomes da Rocha, seu colega de trabalho ao longo de muitos anos. Isto não oculta seu mérito musical, ou seja, sua música nada ganhará se interpretamos Ferreira Coutinho como um famigerado entre os compositores de Vila Rica do final do século XVIII e início do XIX. No entanto, a divulgação e execução da mesma não podem ser prejudicadas com as interpretações da historiografia, pois esta não poderá substituir seu legado musical.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Florêncio José Ferreira Coutinho atuou na Comarca de Vila Rica da Capitania de Minas Gerais num momento de declínio da mineração. No entanto, podemos considerar que houve, mesmo com a queda da extração do ouro, uma considerável atividade musical proporcionada pelas principais irmandades, no contexto da tropa paga, funções para o Senado da Câmara e Casa de Ópera de Vila Rica.

Como podemos observar, atuou como timbaleiro e trombeteiro mor nos Dragões de Vila Rica, bem como auxiliou na implantação da irmandade de Santa Cecília em sua vila no início do século XIX. Além disso, delatou Salvador do Amaral Gurgel e Joaquim José da Silva Xavier por estarem envolvidos no levante conhecido como Conjuração Mineira, de 1789.

Sua importância, além de musical, é também histórica. Em sua documentação incluem-se documentos oficiais, inventário e cartas à Dona Maria I, rainha de Portugal, possibilitando-nos compreender de forma mais ampla a vida em Vila Rica nos tempos coloniais.

De todos esses estudos biográficos resulta que, seja qual for o caso considerado de adequação ou não entre a obra e a vida, o biógrafo deve pensá-las juntas sem reducionismo, pondo-as em tensão (DOSSE, 2009, p. 388).

Como colocado por François Dosse (2009) buscamos a adequação entre vida e obra de Ferreira Coutinho para atingimos uma hermenêutica, como o próprio Dosse coloca “sem reducionismo”, para que possamos compreender algumas questões sobre a música deste compositor mineiro colonial.

Em nosso estudo empírico na cidade de Ouro Preto buscamos contato com os documentos relacionados a Ferreira Coutinho, além de figuras retratando Vila Rica na época estudada. Isto para nos aproximarmos do personagem aqui descrito e obtermos uma relação mais completa entre o historiador e o sujeito biografado:

E Le Goff conclui, situando-se com relação a seu sujeito biografado: [Um dos encantos e um dos riscos maiores da biografia histórica é o liame que se instaura e se estende entre o historiador e sua personagem]. Evoca o distanciamento necessário entre sujeito e historiador, o zelo pela objetividade, afirmando ainda que a força de implicação do historiador provoca, ao fim de certo tempo, empatia com a personagem: [Não se vive impunemente com uma figura por mais de dez anos, ainda que ela esteja morta há séculos] (ibidem, p. 281).

Este estudo não se encerra com a investigação sobre este compositor. Esta dissertação estuda a analisa tão-somente alguns aspectos focados em meio à vida e obra de Ferreira Coutinho, levantando questões prementes, como no caso de termos seus manuscritos musicais divididos, principalmente, entre dois lugares distintos: o Museu da Inconfidência de Ouro Preto e a Escola de Comunicações e Artes de São Paulo, e, em ambos os casos, não temos uma forma de catalogação em comum e um banco de dados de partituras coloniais para estudo musicológicos composicionais e para a prática da música colonial nos dias atuais.

Para pesquisas futuras temos o acervo de Mariana, no qual foi encontrada a obra já restaurada de Ferreira Coutinho, Encomendações para Anjinhos, pelo musicólogo Paulo Castanga e, possivelmente poderemos encontrar outras obras ou manuscritos ainda não atribuídos à Ferreira Coutinho. Para isto é necessário uma investigação profunda analisando principalmente a caligrafia musical deste compositor, distinguindo-se de outros músicos da época por usar padrões de escrita singulares, como, por exemplo, as curvas nas hastes de colcheias.

Florêncio José Ferreira Coutinho atuou como músico cantor (voz de baixo) e instrumentista (trompa, trombeta, timbales), compositor e mestre-de-capela (responsável por inúmeros serviços e funções musicais com partido ou ensemble, por ele mesmo liderado), cujas relações vão além da música e se torna um personagem marcante da história brasileira em torno da Conjuração Mineira. Dessa forma, nosso trabalho buscou a interpretação histórica e analítica deste compositor com a edição da obra O pecador, bem como de sua biografia. Isto nos deu a possibilidade de contribuir para um levantamento de dados históricos em suas relações evidentes com a música de Minas dos tempos coloniais. Por fim, viabilizamos uma partitura inédita em nossos tempos, impressa aqui pela primeira vez e num trabalho de edição crítica por meio de uma revisão musicológica. Aumenta-se, assim, o número de obras coral-sinfônicas – já possíveis de apresentação em salas de concertos - deste que foi um compositor de importância inegável por sua qualidade artística em nossa música colonial.

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ANEXOS

ANEXO A - Rol de obras do inventário de Florêncio José Ferreira Coutinho (Ofício 2, código 78, auto 959)