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As discussões a respeito da importância da gestão escolar para o sucesso do processo ensino e aprendizagem convergem no ponto de não ser considerado possível “[...] para a escola atingir seus objetivos de melhoria da aprendizagem escolar dos alunos sem formas de organização e gestão” (LIBÂNEO, 2013, p. 280). Em outras palavras, a maneira como a escola é gerida influencia significativamente na qualidade do ensino. Alarcão (2011, p. 99) expõe a necessidade de uma organização e gestão caracterizada como “participada, determinada, coerente, desafiadora e exigente, interativa, flexível e resiliente face às situações, avaliadora e formadora”. Para tanto, a adoção do modelo democrático se faz imperativo no sentido de promover diálogos constantes, espaços de debates e decisões em direção ao bem comum.

A gestão da escola, enquanto organização social, pauta-se em práticas mobilizadoras de construção, disseminação e reconstrução de conhecimentos. Muito embora o conceito de escola aprendente seja oriundo da expressão “organização aprendente” (SENGE, 2013, p. 34), advinda do meio empresarial, compreende-se que esse se adequa ao contexto educacional por envolver pessoas que criam, aprendem e avaliam juntas, compondo um conjunto que cresce e evolui continuamente, de modo a serem capazes de propor e desenvolverem a mudança que levará a sociedade a rumos mais íntegros, igualitários e solidários.

Vale ressaltar que não se trata aqui da importação de uma concepção empresarial para o ensino público, mas de atribuir à aprendizagem o valor devido, instigando e difundindo a vontade de aprender significativamente, ou seja, trata-se, ainda, de inovar, a partir dessas novas aprendizagens. Como afirma Senge (2005, p. 17), ao esclarecer que a escola aprendente é “um ponto de encontro para aprender- dedicado à ideia de todos os envolvidos nela,

individualmente ou juntos, estarão, continuamente, aperfeiçoando e expandindo sua consciência e suas capacidades”.

As práticas de gestão para uma escola aprendente se norteiam no expresso objetivo da conquista da excelência em que são propiciados meios de garantir melhores práticas pedagógicas, mobilizando recursos humanos, financeiros e físicos em torno delas para que a escola se efetive como organização aprendente, situada em um contexto social e cultural amplo que permite a integração mútua entre o conhecimento tácito e o explícito.

Assim sendo, o gestor atua de modo a garantir a participação de todos em torno da efetivação de práticas pedagógicas bem sucedidas pautadas no modelo democrático, que se ocupa em gerir o conhecimento sistematicamente, tendo em vista a efetivação de uma aprendizagem contínua. Nessa perspectiva, o gestor não é um controlador de decisões, mas um estimulador de colaborações, que aprende a liderar através da cooperação (FULLAN & HARGREAVES, 2000). Nesse sentido,

o diretor é um modelo de papel de colaborador dentro e fora da escola. É ao mesmo tempo interessante e irônico que os diretores partilham a autoridade e estabeleçam condições que levam ao fortalecimento, na verdade, aumentam sua influência sobre o que é a realizado na escola, uma vez que trabalham com os professores para que aconteçam as melhorias (FULLAN & HARGREAVES, 2000, p. 112).

Dessa forma, o gestor trabalha no intuito de garantir recursos para viabilizar a aprendizagem de estudantes e professores, seja com relação a bens materiais ou ao apoio pedagógico. Para tanto, o fortalecimento da participação em uma perspectiva de construção coletiva é capaz de mudar a realidade da educação brasileira. Alarcão (2011, p. 101) defende que “gerir uma escola reflexiva é nortear-se pelo projeto de escola, em constante desenvolvimento e tomar as decisões adequadas no momento certo”. A autora faz referência ao PPP (Projeto Político Pedagógico), que é elaborado pelo coletivo da escola e está em construção permanente (sempre adequado ao contexto) o que implica a gestão de alunos, de professores, de funcionários, da rede física e, principalmente, de aprendizagem, garantindo na prática a partir das ações previstas no PPP o poder de transformar, que está no todo que constrói a cada dia a escola aprendente.

3.3.2.1 O Conceito de Escola Aprendente

A ideia que norteia as abordagens a respeito das organizações aprendentes se sustenta na convicção de que somos todos aprendizes e, como tal, devemos formar um coletivo que pensa, inova e aprende o tempo inteiro. Peter Senge, o mentor da teoria das organizações aprendentes, tem como premissa cinco disciplinas: domínio pessoal, modelos mentais, visão compartilhada, aprendizagem em equipe e pensamento sistêmico1. (SENGE, 2013). Para o autor, todos os indivíduos da organização aprendem à medida que incorporam essas cinco disciplinas, efetivando a aprendizagem contínua.

A escola é uma organização social, o que remete à extensão de suas obrigações para além da transmissão de conteúdo, promovendo, em suas práticas, o aprender a aprender por parte de todos os sujeitos. Nessa perspectiva, professores, gestores e funcionários estão em formações constantes, de modo a otimizar os processos que farão dos estudantes cidadãos prontos para atuarem na sociedade do conhecimento, de modo a transformá-la em um meio mais humano.

Nessa lógica, a escola, como uma organização, “é uma unidade social que reúne pessoas que interagem entre si, intencionalmente, e opera através de estrutura e processos próprios, a fim de alcançar os objetivos da instituição” (LIBÂNEO, 2013, p. 87). O foco da escola está nos processos de ensino e aprendizagem, que têm como objetivo principal a qualidade. Nesse sentido, todas as práticas escolares giram em torno da aprendizagem, que torna os indivíduos capazes de aplicarem os conhecimentos produzidos dentro e fora da escola. Dessa forma, uma escola aprendente é aquela que transforma as experiências de aprendizagem, tanto em ampliação das capacidades cognitivas a partir do ensino dos conteúdos necessários à formação intelectual dos estudantes, quanto à preparação para encontrar significado nos conteúdos aprendidos e aplicá-los em qualquer contexto.

Para que uma escola seja uma organização aprendente é necessário viabilizar “estratégias que capacitem às pessoas e não as constrinjam” (HARGREAVES, 2003, p. 11). E, ainda, “devem promover a resolução de problemas, o espírito de risco, a confiança nos processos colaborativos e a capacidade de se empenharem num melhoramento contínuo e de

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As cinco disciplinas de Peter Senge: i) Domínio Pessoal: é a habilidade do indivíduo enxergar a vida de modo criativo, sem maiores preocupações com os obstáculos; ii) Modelos Mentais: Está relacionada às formas de ver e refletir a organização, de modo a melhorar a imagem do todo; iii) Visão Compartilhada: é a viabilização de objetivos comuns à organização, em que a participação de todos os colaboradores é estimulada; iv) Aprendizagem em Equipe: significa o alinhamento e o desenvolvimento da capacidade da equipe criar os resultados desejados por seus membros; v) Pensamento sistêmico: é a disciplina que permite analisar a organização como um sistema. No qual, é possível perceber e descrever as inter-relações. Trata-se do entendimento do todo.

lidarem com a mudança” (HARGREAVES, 2003, p. 16). Portanto, em uma escola em que se aprende que tudo está em construção, não há conhecimento pronto e, por isso, necessita dispor do entendimento e da disposição de todos os partícipes para que esta se estabeleça como tal.

Em uma escola aprendente, o cumprimento dos padrões de exigência estabelecidos de cima para baixo não são prioridades. Porém, processos ricos em aprendizagens, que cultivam valores morais, construção e partilha de informações, decisões compartilhadas, criatividade e práticas reflexivas apontarão resultados satisfatórios nos números dos testes padronizados, o que demonstrará a melhoria constante na educação brasileira.

Para efeito deste estudo, pretende-se apontar diretrizes para a constituição de escolas aprendentes, pois acredita-se que as perspectivas de melhoria nos processos educacionais partem de um conjunto que, comprometido com a missão social e política das instituições escolares, prepararão os cidadãos do presente e do futuro para usufruírem dos bens advindos da sociedade e combaterem seus males.

Então, a dissertação aqui apresentada, intitulada “A Constituição da Escola Aprendente: um estudo organizacional a partir das relações entre Gestão Escolar e Gestão do Conhecimento”, teve a pretensão de analisar as ações de gestão escolar, com ênfase nas práticas de gestão do conhecimento, na perspectiva de propor diretrizes para a constituição e consolidação de escolas aprendentes, tomando como referência, para tal, a EREM Senador Nilo Coelho, no Município de Dormentes, Pernambuco. A análise foi feita com embasamento teórico na literatura sobre Gestão do Conhecimento, Gestão Educacional e Escola Aprendente, abordando, ainda, de modo descritivo o Pacto pela Educação em Pernambuco e suas possíveis contribuições para efetivação de ações de gestão do conhecimento no contexto escolar.