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4.3 Design with ”Robot Structural Analysis Professional”
4.3.1 Ultimate Limit State (ULS)
A LEdoC teve início em 2007 sem um corpo docente formado, contanto apenas com duas docentes efetivas e duas cedidas pelo convênio da UnB com
a Secretaria de Estado de Educação do DF. Somavam-se a este “quarteto” inúmeros voluntários:
- equipe pedagógica do ITERRA;
- docentes de vários Faculdades, Institutos e Departamentos da própria UnB;
- docentes de outros cursos da Faculdade UnB Planaltina – FUP; - docentes do Instituto Federal de Educação – Campus Planaltina;
- docentes de outras universidades federais como UNICAMP, UFMG, UFRRJ, UFGD, entre outras, militantes da Educação do Campo;
- docentes das universidades estaduais de Mato Grosso – UNEMAT e Goiás – UEG, campus Formosa;
- estudantes do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UnB, da linha pesquisa em Educação do Campo;
- estudantes bolsistas do curso de Licenciatura em Ciências Naturais da FUP;
- docentes da Secretaria de Estado de Educação do DF.
Os docentes em geral contribuíam participando de encontros formativos, ministrando aulas, participando de seminários. No cotidiano do curso, para as tarefas administrativas e acadêmicas e para os encaminhamentos pedagógicos, contávamos em especial com os estudantes da pós-graduação.
Não é possível traçar aqui um perfil deste grupo, dada a quantidade de entradas e saídas, de rotatividade de pessoas. Mas é certo que contávamos com muitas pedagogas; docentes da área de linguagens e de ciências; especialistas na área ambiental, agroecológica e de produção agrícola em geral; antropólogos; filósofos.
Se por um lado a rotatividade trazia prejuízos para a acumulação da experiência, por outro fomentava ideias, colocava a LEdoC em um movimento intenso e contínuo de criação, de invenção. Os colaboradores tinham em comum uma característica fundamental para a LEdoC: a militância, fosse pela Educação, pela Educação do Campo, pela Reforma Agrária. O compromisso do grupo, portanto, era em fazer a LEdoC, sem preocupação com a burocracia da instituição universitária. O possível e o impossível estavam apenas no campo das ideias e a ousadia era o que tínhamos todos em comum.
Neste dinamismo realizamos incontáveis reuniões pedagógicas no período de 2007 a 2009, debatendo as intencionalidades pedagógicas da LEdoC, os obstáculos e possibilidades da formação por área, o currículo, entre outros.
Contudo, a garantia de que a LEdoC não se limitasse ao projeto piloto ou a um curso especial, ou seja, ao efêmero de uma política de governo, estava em sua institucionalização. Era preciso conquistar as condições dadas aos demais cursos da Universidade. Duas metas precisavam ser alcançadas: realizar o curso literalmente dentro da FUP, em suas instalações, e compor o quadro docente efetivo.
A ampliação do campus de Planaltina, no contexto do REUNI, trouxe a oportunidade de composição do quadro com a realização de concurso para treze docentes. Os concursos foram realizados em 2009, ano em que foram efetivados três dos aprovados (em agosto, outubro e dezembro). No mesmo ano, por meio de uma negociação interna de vagas, trouxemos para a LEdoC um dos docentes da FUP que já vinha contribuindo voluntariamente com o curso. Os demais docentes foram efetivados durante o primeiro semestre de 2010.
A composição do quadro permanente não eliminou a necessidade de continuar contando com os colaboradores voluntários, em especial nas áreas em que continuávamos com carência de docentes. Mas, é certo que fomos eliminando os espaços de participação até que nossas reuniões pedagógicas se transformaram em reuniões do colegiado do curso com a participação apenas do quadro efetivo e de colaboradores de dentro da Universidade. Um exemplo está no grupo de e-mails (Google Groups) inicialmente aberto a todos os voluntários, onde compartilhávamos informações, chamadas para reuniões, e os documentos do curso em geral e que, com a composição do corpo efetivo foi desativado dando lugar a um novo grupo apenas para os docentes.
A composição atual (julho de 2011) da equipe é a seguinte: - 13 docentes efetivos da LEdoC/FUP;
- 1 docente cedido pelo convênio da UnB com a Secretaria de Estado de Educação56;
56 Trata-se desta pesquisadora, que retornou à Secretaria de Educação em dezembro de 2011
- 2 docentes voluntários da área de Literatura do Instituto de Letras da UnB;
- 2 docentes voluntários da área de Tecnologias da Informação, estudantes de pós-graduação na linha de Educação do Campo;
- 1 docente voluntário de outro curso da FUP.
O perfil do corpo efetivo, ou seja, dos 13 docentes efetivos da LEdoC é o seguinte:
- Formação inicial (graduação): História, Filosofia, Letras, Agronomia, Jornalismo, Ciências Jurídicas e Sociais, Física, Matemática, Química, Filosofia e Teologia, Psicologia, Sociologia e Política.
- Doutorado: Administração, 2 em Educação, Linguística, Ecologia, 2 em Literatura Brasileira, Desenvolvimento Sustentável, Sociologia, Antropologia.
- Doutorado em curso: Física; Matemática aplicada; Química Analítica. É um grupo heterogêneo, tanto no que se refere à formação inicial, quanto à pós-graduação, porém, não conta com Pedagogos na composição da equipe.
Há algumas características que interferem sobremaneira no desenvolvimento da LEdoC:
- apenas quatro docentes têm experiência na Educação Básica, sendo que um por apenas dois anos e outro em escola privada. Isto significa que o corpo docente, em sua maioria, atua na formação de educadores para a Educação Básica sem conhecê-la, sem ter “pisado no chão da escola” e, portanto, conta somente com os conhecimentos teóricos sobre a escola pública;
- apenas cinco docentes o são desde a formação inicial, ou seja, cursaram licenciatura. No desenvolvimento da LEdoC é possível perceber a falta de conhecimentos básicos da área pedagógica, necessários a docentes de uma licenciatura. Mesmo aqueles que vieram de licenciaturas tiveram pouco acesso a tais conhecimentos, dado as conhecidas condições dos cursos de licenciatura, com foco nos conhecimentos específicos relegando às Faculdades de Educação as poucas disciplinas pedagógicas do currículo.
- a maioria dos docentes tem de três a sete anos de experiência anterior no Ensino Superior; três não tem nenhuma experiência anterior de trabalho que não seja em projetos de pesquisa e extensão como estudantes; dois tem mais de vinte anos atuando no Ensino Superior.
A pouca experiência da maioria poderia significar menos condicionamento à forma/fôrma universitária e a possibilidade de atuar na nova organização do trabalho pedagógico que o curso propõe. Esta característica poderia ter sido uma opção, ou seja, uma definição de perfil docente. Entretanto, os editais dos concursos docentes deixam transparecer que cada um deles fez exigências diferenciadas, tanto de formação quanto de experiência, evidenciando assim que não se exigiu um perfil determinado.
Os editais para seleção de docentes da área de habilitação em Ciências - Biologia, Matemática, Física - não exigiram que os candidatos fossem licenciados, tampouco que tivessem pós-graduação na área de ensino de ciências e, em comum, ofereceram uma vaga para professor adjunto (com doutorado) e cadastro reserva para assistente (com apenas mestrado).
Para Biologia havia a exigência de experiência comprovada na área de educação, mas apenas preferencialmente para sujeitos do campo. Dentre os temas para a prova didática do concurso apenas parte deles se colocavam no contexto do campo.
Para a área de Física a experiência deveria ser na formação de professores ou em Educação do Campo, apesar de todos os temas da prova didática relacionarem-se ao campo.
A seleção de docente para a área de Matemática sequer exigiu experiência e, de forma diversa dos editais anteriores, definiu que os temas da prova didática deveriam ser abordados em seus aspectos teóricos, metodológicos e de aprendizagem.
Apenas o edital para docente de Química exigiu que o candidato fosse licenciado, mas a pós-graduação em ensino de Química era apenas uma opção, assim como a experiência seria apenas preferencialmente em Educação do Campo.
Para o preenchimento da vaga de professor adjunto da área de Linguística estava definido apenas que o doutorado deveria ser em Linguística
e a experiência em formação de professores, ou Educação do Campo, ou ainda em Ciências Humanas e Sociais.
Apenas o edital para a área de Educação exigiu que o candidato comprovasse experiência em formação de professores e Educação do Campo. Contudo, sem referência à formação inicial do candidato, não garantiu a presença de Pedagogos na composição da equipe.
É certo que exigir experiência em Educação do Campo colocava em risco o preenchimento das vagas, mas, cabe questionar, se para atuar na formação de professores da Educação Básica, em um curso de licenciatura, não seria imprescindível que os candidatos fossem todos licenciados e com experiência na Educação Básica de forma que a escola básica, objeto da LEdoC fosse de domínio prático dos docentes e não apenas uma formulação teórica abstrata.
Nenhum dos editais57 esclarece que a vaga oferecida destina-se à docência na Licenciatura em Educação do Campo, descrevendo as atividades como “docência de nível superior e participação nas atividades de pesquisa, extensão e administração”.
Podemos concluir que a seleção docente, tanto quanto a seleção de estudantes, precisa da definição de um perfil e da garantia de um processo seletivo adequado à especificidade da LEdoC.