A primeira formulação69 sobre como desenvolver o processo formativo
em alternância para atender ao que estava definido no Projeto Político Pedagógico, considerando os princípios e matrizes da Educação do Campo e a já longa experiência dos Movimentos Sociais do Campo, em especial aquelas conduzidas pelo ITERRA, foi a de que transversalmente ao currículo seriam desenvolvidas o que denominamos “atividades-processo”, um conjunto articulado de ações que vão sendo realizadas ao longo de várias etapas, perpassando e integrando o currículo do curso, incluindo metas e produtos diferenciados a cada período, tendo em sua projeção uma obra ou resultado final.
Atividade-processo é, portanto, uma atividade formativa realizada em um tempo ampliado, articulada à realidade das comunidades, composta por um conjunto de ações realizadas pelos estudantes ao longo do curso.
Uma dessas atividades-processo70 que adotamos a partir da turma 2 é a inserção orientada, com duas dimensões:
a. Inserção Orientada na Escola – conjunto de atividades desenvolvidas em Tempo Comunidade na escola da comunidade de origem ou escolhida para a inserção pelo estudante. Tem a escola de Educação Básica como objeto de estudo e de ação, orientadas e acompanhadas pelo Curso. b. Inserção Orientada na Comunidade – conjunto de atividades
desenvolvidas em Tempo Comunidade na comunidade de origem do estudante ou escolhida para a inserção pelo estudante. Tem a comunidade como objeto de estudo e de ação, orientadas e acompanhadas pelo Curso.
69Formulação definida no documento “Intencionalidades articuladoras do processo formativo”.
UnB/Iterra, junho de 2007, que utilizamos como referência. Usaremos aspas quando houver a transcrição exata de trecho do documento
70As demais, definidas e utilizadas pelo ITERRA, enquanto coordenador parceiro da primeira
Inserção Orientada
Inserção Orientada é uma expressão criada para indicar um conjunto articulado de ações que orientam e movem a inserção dos estudantes da LEdoC em uma determinada realidade, organização ou em um determinado processo, espaço, território. “Inserir-se quer dizer desenvolver um vínculo orgânico com o que seja o objeto da inserção; implica em entranhamento, adesão, participação dos sujeitos em ações que interferem em uma realidade particular que por sua vez interfere no processo de formação destes sujeitos”.
A inserção dos estudantes em uma organização coletiva é uma estratégia formativa fundamental que trazemos da Pedagogia dos Movimentos Sociais e que tem sido em suas experiências um dos pilares pedagógicos do Tempo Comunidade. A inserção orientada proposta para o Curso não pretende substituir a inserção organizativa e política de cada Movimento Social nem tampouco esgota a estratégia formativa do Tempo Comunidade. Pretende ser parte do processo formativo em Tempo Comunidade, ajudando a qualificá-lo no que se refere aos objetivos de formação profissional do curso.
Inserção Orientada na Escola – IOE
“Por inserção orientada na escola estamos entendendo este entranhar-se (com estranhamento) no mundo/na vida da escola, participando ativa e organicamente de uma ou de algumas escolas durante o processo do Curso com o objetivo de instigar ou acelerar o movimento formativo da práxis no foco específico de profissionalização da LEdoC”.
Trata-se de uma estratégia pedagógica do Curso que poderá ter a densidade de estratégia política se, pela atuação dos sujeitos que estão sendo preparados pela LEdoC para assumir ou qualificar o trabalho de educação, for possível inserir estas escolas concretas no desenvolvimento das regiões em que se situam em defesa de um determinado projeto de campo.
Objetivos principais da IOE
- Garantir que a escola seja objeto de estudo/ação, de teoria/prática durante todo o processo do curso;
- Contribuir na estratégia de acompanhamento político-pedagógico às escolas pelas organizações/movimentos sociais de trabalhadores do campo;
- Participar da construção de experiências pedagógicas escolares referenciadas na Educação do Campo.
Inserção Orientada na Comunidade - IOC
A orientada na comunidade é entendida como um “entranhamento com estranhamento: no mundo/na vida da comunidade, estando lá e aprendendo através da participação orgânica e ativa das instâncias da comunidade durante o processo do curso e em vista do depois; bem como nos espaços da comunidade na escola e nos espaços gestores da escola, contribuindo assim na qualificação desta relação, com a organização de melhorias e na conquista de seus direitos em relação à escola e ao processo de educação”.
São as atividades processuais que têm como foco a “relação escola- comunidade ou comunidade-escola, em ambos os sentidos, como objeto de estudo e de práticas pedagógicas orientadas e acompanhadas pelo curso, procurando superar o isolamento destes “dois mundos”: que a escola deixe de estar alienada da comunidade, percebendo/compreendendo de forma crítica o projeto de desenvolvimento que ali se gesta/implementa e que a comunidade passe a prestar atenção no que acontece na escola, dando-se conta de sua importância e rompendo com a cultura de que não se pode mexer nela.”.
Tem a comunidade como objeto de estudo, buscando compreender e atuar em sua relação com a escola. Assim, o ponto de partida é o que está construído na realidade, ou seja, como a escola percebe e se relaciona com a comunidade; como a comunidade vê a educação e como percebe e se relaciona com a escola; onde e como acontecem os espaços educativos, em que se aproximam, dialogam e se retroalimentam.
Objetivos Principais da IOC
1. Instigar ou acelerar o movimento formativo da práxis no foco específico de estudo/profissionalização da LEdoC (como ser um educador do campo para além da escola, articulando-a com a comunidade);
2. Criar ou qualificar espaços de aproximação e diálogo entre a escola e a comunidade;
3. Contribuir no debate sobre a inserção da escola na vida da comunidade e no desenvolvimento de atividades pedagógicas construídas com a participação da comunidade ou, pelo menos, de parte dela;
4. Participar com a comunidade, se for o caso, da luta por escola ou por educadores e ou na ocupação da escola, tendo como referência a Educação do Campo;
5. Formar um/a educador/a capaz de se enraizar na comunidade e de se relacionar com ela, compreendendo o mundo da comunidade (que é diferente do da escola), nele se inserindo (não basta apenas morar) e vivenciando seus processos educativos.