2 Hva er best for NTNUs framtidige utvikling?
2.1 Ulike gruppers syn på lokaliseringsalternativene
Diversos países latino-americanos, como Argentina, Paraguai e Uruguai, têm implementado esforços para a introdução do laptop nas atividades escolares. Paraguai e Uruguai têm em comum o fato de utilizarem os laptops de baixo custo, denominados XO, da OLPC. Na Argentina, são utilizados laptops de diferentes modelos e fabricantes, todos com disco rígido de 250 GB e memória de 1GB, configuração superior aos da OLPC.
Na Argentina, está em execução o Programa Conectar Igualdade7, oriundo do projeto “Una computadora para cada alumno”, criado em 2009 e destinado aos estudantes do segundo ciclo das escolas públicas estaduais. Foi pensado como política pública e está sendo desenvolvido através da articulação entre diversos órgãos públicos: Ministério da Educação, Administração Nacional de Seguridade Social (ANSES), Ministério de Planejamento Federal, Investimento Público e Serviços e Chefia de Gabinete dos Ministros. O Programa contempla o uso dos laptops tanto no âmbito escolar como em casa, a fim de impactar a vida diária de todas as famílias das mais heterogêneas comunidades argentinas.
Promover inclusão e igualdade de oportunidades a todos os jovens do país, inserir as famílias como parceiros ativos, utilizar o conhecimento como ferramenta para compreender e transformar os contextos nos quais os alunos estão inseridos, valorizar a escola pública e
inserir os estudantes no mercado de trabalho são alguns dos objetivos preconizados nesse Programa.
Como uma política de inclusão digital de alcance federal, Conectar Igualdad distribui netbooks a todos os alunos e docentes das escolas secundárias, de educação especial e dos institutos públicos de formação docente. Nessa perspectiva, professores e alunos têm à disposição os recursos do laptop para o trabalho pedagógico, proposta que convida os atores do processo educacional a realizar novas práticas, explorar diferentes recursos e gerar novas ideias.
O Programa contempla o uso de computadores portáteis na escola e nos lares dos alunos e professores, introduzindo mudanças na vida diária de famílias das mais diversas comunidades argentinas. A proposta do Conectar Igualdad consiste em trabalhar para obter uma sociedade alfabetizada nas TIC, com perspectivas de acesso democrático aos recursos tecnológicos e à informação sem distinção social, econômica ou geográfica.
As máquinas são acompanhadas de servidores e roteadores, a fim de que seja montada uma rede em cada escola. Paralelamente à distribuição de equipamentos, estão previstas ações formativas para inserção das TIC nas práticas pedagógicas, aspecto fundamental sem o qual o Programa não pode avançar, já que professores e alunos são os atores dos processos de ensino e aprendizagem.
Problemas de ordem estrutural e logística foram observados, como falta de conexão com a Internet, que interfere na utilização do laptop na escola. As conclusões do processo desenvolvido até agora estão registradas no documento denominado Informe de Avance de Resultados 20108 (ARGENTINA, 2011), produzido pela equipe de avaliação do Ministério de Educação, dentre as quais convém ressaltar:
a) a chegada do Programa Conectar Igualdad representou um salto qualitativo em relação aos recursos disponíveis para a integração das TIC ao cotidiano da sala de aula, a despeito das situações heterogêneas que acontecem nos mais diferentes contextos;
b) o decurso do Programa mudou as percepções iniciais, que deixavam transparecer ceticismo quanto à sua execução e se transformaram em emoção e entusiasmo, sobretudo por parte dos alunos ao receberem o laptop;
c) o Programa gerou muitas expectativas nos estudantes e em suas famílias, sobretudo naquelas que não tinham condições financeiras suficientes para aquisição de um computador;
8 Informações disponíveis em http://www.conectarigualdad.gob.ar/wp content/themes/conectar_igualdad/ pdf/informe_seguimiento_2010_0.pdf (Acesso em 05mar2012).
d) as escolas visitadas demonstraram grande satisfação com o Programa, sendo que os professores tinham dúvida se todos os alunos mereciam receber um computador e se tinham direito a ele como parte do processo de inclusão social;
e) gestores, professores e alunos perceberam que o computador é uma ferramenta que facilita a realização das tarefas na escola e em casa. Professores revelaram, ao lado dessa percepção positiva, alguns temores, resistência e insegurança diante de um recurso que questiona suas concepções e metodologia;
f) também foi colocada, como aspecto positivo, a permanência dos alunos na escola e a reinserção dos evadidos no sistema educacional;
g) o Programa possibilitou a aquisição de destrezas e habilidades para o trabalho e o estudo;
h) o Programa promoveu o trabalho em equipe entre os estudantes, bem como laços de solidariedade e colaboração mais estreitos a partir do uso compartilhado do laptop. Em nível familiar, representou a possibilidade da inclusão dos familiares dos alunos, que passaram a acompanhar melhor o trabalho pedagógico.
A despeito do êxito obtido, o referido documento também relata dificuldades, que se referem a aspectos infraestruturais e pedagógicos. Quanto às instalações físicas, foi observado que as salas de aula são inadequadas para o trabalho com o laptop e se torna difícil acomodar a grande quantidade de alunos e os novos equipamentos, pois é necessário mais espaço. Há, também, dificuldades de manutenção e gestão dos espaços escolares.
Do ponto de vista pedagógico, há observações sobre: carga horária de professores incompatível com as novas formas de trabalho a serem desenvolvidas; na maioria das escolas, o laptop foi mais usado para atividades recreativas e sociais do que pedagógicas; dificuldades de conexão com a Internet e limitações quanto ao seu uso em sala de aula; alunos mais lentos em razão das dificuldades encontradas no manejo dos aplicativos e recursos da máquina.
Os professores estão divididos entre a inovação e a resistência ao novo. Eles assinalaram que o laptop reúne recursos potencialmente úteis para as diversas disciplinas, o que requer reflexão e formação sobre como favorecer o desenvolvimento de práticas inovadoras. Por isso, reclamam mais tempo e capacitação porque não a receberam, ou porque ela foi insuficiente para as novas exigências do trabalho pedagógico.
Além dos docentes, pais de alunos também solicitaram formação, a fim de poder utilizar o laptop e controlar o uso que seus filhos fazem do recurso, quando estão em casa. Essa solicitação dos pais demonstra que a presença do laptop no contexto escolar gera
necessidades que, até então, não eram percebidas. Isso indica que o uso do laptop parece estar realmente mudando o cotidiano da escola e da família.
O “Paraguai Educa” é uma organização sem fins lucrativos que impulsiona o programa mundial One Laptop per Child no Paraguai. As atividades tiveram início em 2008, com o apoio da OLPC, que doou laptops modelo XO, com o propósito de melhorar a qualidade da educação no país, proporcionando a professores e alunos a oportunidade de produzir conhecimento com o suporte das tecnologias digitais, numa perspectiva que envolve os aspectos social e educacional. Tanto que a missão do Programa consiste em oferecer acesso às TIC a pessoas de menos recursos, fortalecendo as capacidades necessárias para melhorar sua qualidade de vida.
Desse modo, os objetivos do Programa têm em mira promover um sistema de ensino que utilize as tecnologias como ferramenta que favoreça a aprendizagem significativa e colaborativa centrada no aluno, com atividades educativas realizadas dentro e fora da sala de aula, além de desenvolver competências tecnológicas e habilidades para a vida. No país, são dez escolas beneficiadas com o Programa, que abrange alunos de 1º ao 6º grau9.
Alguns resultados de pesquisa10 realizada por uma professora sobre as capacidades adquiridas pelos docentes em relação ao uso das TIC no Projeto “Una Computadora por Niño”, da cidade de Caacupé, realizada em 2011, indicou que: a maioria dos docentes considera importante o uso do laptop nas atividades pedagógicas e o utiliza para facilitar a aprendizagem de seus alunos. Quanto à prática profissional, houve mudanças na disposição do mobiliário das salas de aula e na metodologia, uma vez que a utilização do laptop permite a realização de atividades em grupo, o que torna professores e alunos mais motivados para o trabalho pedagógico. Essa realidade também foi verificada no Projeto Um Computador por Aluno, do governo brasileiro, como esclarecem Almeida e Prado (2011, p. 35):
Diante dessa nova situação, a ecologia da sala de aula sofre alterações, demandando a criação de diferentes estratégias pedagógicas e de gestão para serem desenvolvidas pelos diversos atores do contexto da escola e das várias instâncias que compõem o sistema educacional.
No Uruguai, a inserção de laptops nas escolas vem ocorrendo a partir de 2008, impulsionada pelo Projeto Conectividad Educativa de Informática Básica para el Aprendizaje em Línea (CEIBAL), cuja denominação também faz uma homenagem à flor do ceibo, símbolo
9 Informações disponíveis em http://www.paraguayeduca.org/comunidad/campana-yo-quiero-a-mi-xo Acesso em 02mar2012.
nacional. O Projeto foi pensado para atender 2.300 escolas de Educação Primária Comum e Especial com 350.000 estudantes e 18.000 docentes (URUGUAI, 2009), e sua execução ficou sob a responsabilidade do Laboratório Tecnológico do Uruguai (LATU).
O Projeto apoia-se em três componentes fundamentais, que são o educativo, o social e o tecnológico. O aspecto educativo aponta para a realização de projetos inovadores com vistas à melhoria do ensino e da aprendizagem; o social prevê a equidade mediante a inclusão social; o tecnológico fundamenta-se na distribuição gratuita e massiva de laptops e acesso à Internet. Dentre os objetivos do Plan Ceibal, destacam-se os seguintes: elevar a qualidade da educação mediante a integração da tecnologia na sala de aula, na escola e no grupo familiar; promover a igualdade de oportunidades para todos os alunos da educação primária; desenvolver uma cultura colaborativa em quatro linhas: criança-criança, criança- professor, professor-professor e criança-família-escola; promover o letramento digital e a consciência crítica para o uso da tecnologia na comunidade pedagógica (URUGUAI, 2009).
No tocante às práticas sociais, Kachinovsky (2010) informa que o maior impacto da implantação do Plano Ceibal tem sido observado, uma vez que adultos e crianças buscam acesso à Internet nos diversos espaços públicos em que transitam. Também são perceptíveis as mudanças nas atividades recreativas, que foram modificadas, ampliadas e enriquecidas com a inserção do XO.
Zidán (2010) investigou como os docentes se percebem quanto à implantação do Plano Ceibal, com que frequência utilizam as máquinas nas atividades pedagógicas, quais suas expectativas acerca da mudança de postura a partir do uso da tecnologia e as dificuldades para pôr em prática as inovações propostas no Projeto.
O propósito da pesquisa era contribuir com os estudos sobre as inovações relativas ao ensino, à aprendizagem e à gestão escolar no tocante à implantação e ao desenvolvimento do Plano Ceibal em Salto, uma das cidades mais desenvolvidas do interior do Uruguai. Seus achados indicam que 40% dos 210 professores entrevistados nos meses de outubro a dezembro de 2008 usam com frequência o laptop para navegar na Internet, buscar informações e, em menor escala, para introduzir atividades relativas aos conteúdos curriculares. A pesquisa mostra que 16% desses docentes utilizam o computador com vistas a uma mudança nas práticas, procurando introduzir ferramentas como chat, blog e email, porém 49% da amostra ainda não haviam incluído o XO na prática docente (op. cit.).
Ainda conforme a pesquisa de Zidán (2008), as principais dificuldades citadas pelos docentes referem-se ao manuseio e aos cuidados dos alunos com o computador (37%) e
a ausência de formação prévia dos educadores para o trabalho com o XO (34%). A primeira dificuldade citada diz respeito à quebra de máquinas, problemas de funcionamento e acesso a páginas inadequadas, que desviam a atenção dos discentes para fotos, vídeos e jogos não relacionados aos conteúdos em estudo, além de dificuldades de conexão com a Internet e cobrança de altos valores para conserto dos computadores. Quanto à falta de formação docente específica para lidar com o laptop educacional, é possível que esse item interfira na expectativa quanto ao êxito do Plano, uma vez que 42% dos docentes entrevistados não visualizavam mudanças estruturais na prática docente a curto prazo. A despeito dessas questões, 59% dos docentes acreditam nos efeitos positivos da inovação introduzida na escola pelo Plano Ceibal.
Kachinovsky (2010) elencou cinco áreas que apresentam fragilidade e requerem atenção, quais sejam: formação e capacitação docente; apropriação do Plano Ceibal por parte da comunidade no sentido de uma maior participação de pais e familiares; sustentabilidade do Programa, a fim de obter maior articulação entre a escola e outros grupos sociais e instaurar redes que potencializem a inclusão digital; incremento de projeções do Plano que dizem respeito ao alcance pedagógico do laptop, à capacitação de atores locais e ao incremento de capacitação e formação que transcendam o nível de usuário básico; lentidão das dinâmicas institucionais, que dificulta a assimilação das mudanças.
As experiências vivenciadas nesses países apresentam aspectos semelhantes ao Brasil no que diz respeito à infraestrutura, à formação de professores e aos resultados já observados, ainda que os processos de implantação e alcance dos programas sejam diferenciados. De fato, a realidade brasileira não se distancia muito dos processos desenvolvidos nesses programas, como se verá adiante.
Ademais, essas experiências demonstram que a implantação de laptops no modelo 1:1 tem avançado aos poucos, visto que a distribuição de computadores é um processo gradativo e, por conseguinte, a formação de professores e os ganhos pedagógicos são alcançados paulatinamente. Consequentemente, a inovação nas práticas pedagógicas demanda tempo, apropriação tecnológica, integração da tecnologia aos processos didáticos que geram, aos poucos, a mudança de concepção e prática pedagógica. Desse modo, pesquisas sobre práticas colaborativas com suporte de tecnologias móveis ainda estão sendo produzidas e constituem uma lacuna na literatura, pois se trata de uma área relativamente nova.
De toda forma, conhecer o trabalho que está sendo desenvolvido em nível internacional oferece subsídios para a compreensão do potencial da tecnologia móvel como
suporte à transformação possível e necessária nas práticas pedagógicas das escolas brasileiras, bem como à compreensão da realidade global e local no decurso desta pesquisa. A partir dessa ótica, será descrito e analisado o projeto brasileiro em suas fases pré-piloto e piloto com suas dificuldades e resultados já alcançados.