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Betydningen av noen viktige forhold for ulike grupper av ansatte etter

3 Samlokalisering som virkemiddel for å nå viktige mål

3.1 Betydningen av noen viktige forhold for ulike grupper av ansatte etter

O surgimento da pesquisa participante está relacionado, conceitual e metodologicamente, ao início da década de 1980, quando as sociedades latino-americanas estavam imersas em regimes políticos autoritários e modelos econômicos excludentes (GAJARDO, 1984).

Ao longo do tempo, essa modalidade de investigação vem propondo alternativas de trabalho e elaboração de estratégias com os diversos segmentos populares, a fim de promover processos de produção e divulgação de conhecimentos construídos coletivamente. Le Boterf (1984, p. 52) esclarece que “a pesquisa participante vai [...] procurar auxiliar a população envolvida a identificar por si mesma os seus problemas, a realizar a análise crítica destes e a buscar as soluções adequadas”. Gajardo (1984, p. 40) reforça essa ideia de colaboração e sentido de grupo ao afirmar que, a partir dessa tendência, “emergem novas estratégias metodológicas e novas denominações para práticas que compartilham um objetivo comum”.

Desse modo, a pesquisa participante procura aliar a importância metodológica e a relevância política do conhecimento, razão pela qual é necessário diferenciar pesquisa como princípio científico e como princípio educativo (DEMO, 2008). Informa esse autor que o princípio científico refere-se aos critérios metodológicos e epistemológicos envolvidos na construção do conhecimento, pois o fundamento da pesquisa é a geração de conhecimento.

Os valores pedagógico e formativo inerentes ao princípio educativo implicam, necessariamente, questionamento, consciência crítica e formação de sujeitos históricos, situados em determinado contexto. Todavia, a despeito de a pesquisa participante interessar-se por esses dois princípios, prioriza o segundo em razão da natureza política do conhecimento e da imersão prática como elemento promotor de mudanças. Como bem salienta Brandão (2006, p. 36), “pesquisar e educar se identificam em um permanente e dinâmico movimento”. Esse tipo de pesquisa constitui, portanto, uma forma de produzir conhecimento que se contrapõe aos métodos tradicionais, porquanto “assume envolvimento político explícito.” (DEMO, 2008, p. 103). Apresenta, contudo, dificuldades referentes à intenção de constituir uma forma válida de pesquisa e aos cuidados necessários para que a concepção de investigação científica não seja desvirtuada e não haja equívocos quanto ao sentido de participação. Como esclarece Demo (2008, p. 75), uma das preocupações é saber “até que ponto é mais participação do que pesquisa e em que medida participação pode ser maneira de tratar a realidade de maneira científica”.

De todo modo, a participação é o fundamento primeiro desse tipo de investigação, visto que as experiências surgem da realidade concreta de grupos que convivem, trabalham e buscam desenvolver maneiras de elaborar conhecimentos e práticas através de relações heterárquicas, antiautoritárias, horizontais e colaborativas. Como enfatiza Gajardo (1984, p. 40):

esta proposta reconhece as implicações políticas e ideológicas subjacentes a qualquer prática social, seja ela de pesquisa ou de finalidades educativas, e propugna pela mobilização de grupos e organizações para a transformação da realidade social ou para o desenvolvimento de ações que redundem em benefício coletivo.

Nesse sentido, Brandão (2006) enfatiza a interação que deve haver entre pesquisadores e pesquisados, ao mesmo tempo em que reforça a importância de que ambos integrem seus conhecimentos e práticas, a fim de se tornarem sujeitos da investigação. Sobre a atuação dos pesquisados, enfatiza o autor que eles devem

conhecer a sua própria realidade. Participar da produção deste conhecimento e tomar posse dele. [...] Ter no agente que pesquisa uma espécie de gente que serve. Uma

gente aliada, armada dos conhecimentos científicos [...] onde afinal pesquisadores e pesquisados são sujeitos de um mesmo trabalho comum, ainda que com situações e tarefas diferentes [...]. (BRANDÃO, 2006, p. 11, grifos do autor)

Existem seis princípios metodológicos da pesquisa participante, a saber: autenticidade e compromisso; antidogmatismo; restituição sistemática; feedback para os intelectuais orgânicos; ritmo e equilíbrio de ação-reflexão; ciência modesta e técnicas dialogais (BRANDÃO, 2006).

Autenticidade e compromisso referem-se à capacidade de o pesquisador utilizar seu próprio espaço e colocar-se no lugar de investigador comprometido com a causa popular e contribuir com os conhecimentos de sua área específica. É o exercício necessário ao pesquisador para que se faça integrante do grupo que pesquisa sem, contudo, negar sua trajetória cognitiva nem deixar de contribuir com seus conhecimentos e intenção de compreender a dinâmica da comunidade. Trata-se de um processo dialético de aproximação e distanciamento da realidade que está sendo investigada, portanto um processo complexo e indispensável.

O antidogmatismo é condição primordial para que o pesquisador compreenda o grupo que pesquisa, a partir da negação de ideias pré-concebidas, preestabelecidas e estereotipadas que possam obscurecer as lentes de sua interpretação sobre os fatos. Convém, contudo, utilizar os conhecimentos científicos adquiridos, a fim de integrar teoria e prática. Brandão (2006, p. 50) esclarece que

saber se o trabalho de intelectuais compromissados com grupos de base está ou não politicamente amparado e é cientificamente útil depende da capacidade da própria organização política em os assimilar e respeitá-los, conferindo a todos a autonomia que lhe cabe.

Para que a restituição sistemática da cultura dos grupos populares seja feita, é necessário que o pesquisador participante compreenda que a realidade da comunidade pesquisada é dinâmica, está em constante movimento. Assim, podem-se perceber elementos positivos e negativos na cultura dos grupos e possibilidades de mudança social, no tocante aos conhecimentos e às ações.

Como os grupos acabam por incorporar valores alienantes, oriundos da cultura dominante, os quais dificultam a percepção dos sujeitos, sua conscientização e a realização de ações, é possível e necessário “equilibrar o peso desses valores alienantes por meio de uma restituição enriquecida” (BRANDÃO, 2006, p. 51) com a história local e os acontecimentos históricos. Para que esse trabalho obtenha êxito, deve ser sistemático e organizado através de

uma boa comunicação entre pesquisador e pesquisados, que seja utilizada linguagem acessível e conhecimento das técnicas de investigação dos fenômenos em estudo.

O feedback dialético das bases para os intelectuais é importante para a compreensão dos conhecimentos e práticas do homem comum, inserido em seu contexto, e a ampliação da discussão científica sobre a realidade dos grupos sociais. Esse feedback favorece a articulação teórica que vai “do particular para o geral e do regional para o nacional, de modo que se pode formar uma visão integrada de todo o conhecimento.” (BRANDÃO, 2006, p. 54).

Tendo em vista que uma das mais importantes e complexas tarefas do pesquisador é articular teoria e prática, o conhecimento concreto vivido com o geral e sistematizado, o local e o global, faz-se necessário o equilíbrio entre ação e reflexão numa espiral “que vai da ação à reflexão e da reflexão à ação, em um novo tipo de prática. (BRANDÃO, 2006, p. 55). O pesquisador recebe os conhecimentos e os processa, sintetiza as informações, reflete e elabora um novo nível de conhecimento. Após esse processo, devolve ao grupo de pesquisados os dados organizados de maneira sistemática e organizada, que servirão de subsídio para novas reflexões conjuntas e a elaboração de diferentes formas de atuação coletiva em um movimento constante de ação e reflexão.

A modéstia da ciência preconizada neste princípio não significa falta de esforço intelectual ou de critério científico. Brandão (2006, p. 55) refere-se às condições efetivas para a realização da pesquisa e informa que, ainda que as condições locais sejam insatisfatórias e pouco favoráveis, “a modéstia no manuseio do aparelho científico e nas concepções técnicas é a principal maneira de se realizar as tarefas necessárias no nível atual de desenvolvimento na maioria dos locais”. Além disso, adverte o autor que o pesquisador participante deve aprender a ouvir os diversos discursos e as diferentes linguagens encontradas no campo de pesquisa, adotar a humildade necessária a todo e qualquer aprendiz, diminuir a distância nas relações entre o entrevistador e o entrevistado e agregar sujeitos do grupo pesquisado como integrantes capazes de empreender esforços e contribuições efetivas ao êxito da pesquisa.

A despeito de não existir uma forma única de desenvolver pesquisa participante, os sujeitos do processo investigativo precisam conhecer os meandros desse tipo de investigação e adaptar o processo às circunstâncias específicas de sua realidade. Le Boterf (1984) e Demo (2008) ocuparam-se da parte metodológica da pesquisa participante e elencaram fases que julgam relevantes para que uma investigação dessa natureza seja desenvolvida. Suas propostas metodológicas apresentam variações simples e um delineamento semelhante quanto aos aspectos gerais.

A proposta de Le Boterf (1984) apresenta quatro etapas, quais sejam: a) montagem institucional e metodológica, em que se discute o projeto de pesquisa, define-se o quadro teórico e o lócus da investigação, organiza-se o processo de pesquisa, selecionam-se os pesquisadores e/ou grupos de pesquisa e se organiza o cronograma de execução e ações a serem desenvolvidas; b) estudo preliminar da região e da população envolvidas, a fim de identificar a estrutura social da população pesquisada, conhecer sua realidade e identificar os dados socioeconômicos e tecnológicos; c) análise crítica dos problemas considerados prioritários que os participantes da pesquisa desejam estudar, com vistas à definição do problema, à apresentação de estratégias de ação e ao feedback dos resultados obtidos por cada grupo, comunicados ao conjunto da população; d) montagem e execução de um plano de ação, de natureza educativa, que concorra para a solução dos problemas encontrados.

Demo (2008) elenca três fases da pesquisa participante: na primeira fase, recomenda uma exploração geral da comunidade para fixação de objetivos, seleção das variáveis e dos instrumentos de pesquisa, realização da investigação e síntese; a segunda fase trata de identificação das necessidades básicas, a fim de elaborar a problemática da pesquisa, rever as variáveis e os instrumentos, realizar a pesquisa propriamente dita, fazer a análise e a síntese dos dados; a terceira fase consiste na elaboração de estratégia educativa e trata da elaboração de procedimentos hipotéticos, elaboração de dispositivo de comprovação, discussão com a população, adoção de estratégias e execução das propostas pela comunidade. Essas fases não são indissociadas e devem estar em consonância, diálogo e retroalimentação.

Tomando por base os pontos comuns elencados por esses autores, a pesquisa participante foi eleita a metodologia desta investigação em razão dos seguintes pontos: a pesquisadora era formadora do grupo de professores da escola pesquisada, portanto já participava das atividades dos docentes e conhecia, em linhas gerais, o cotidiano da comunidade escolar; a proposta da pesquisadora de promover e acompanhar a formação docente e a realização de um projeto com os professores foi acatada pelos gestores e professores; a escola esteve comprometida com a pesquisa desde o lançamento da ideia pela pesquisadora, sentiu-se valorizada pela escolha do locus e desejava experimentar novas estratégias de ensino e aprendizagem com suporte computacional; todos os passos da pesquisa foram negociados com os gestores e os professores mais diretamente envolvidos na investigação; a pesquisadora assumiu o compromisso de integrar-se à escola, propor novas estratégias de trabalho e acompanhar seu planejamento e execução sem, contudo, negar o

fazer pedagógico já praticado cotidianamente; foram adotados o diálogo, a reflexão e a ação como elos mediadores em todo o processo de pesquisa.

A seguir, serão apresentados o locus e os sujeitos da pesquisa.