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Turkish modernization and assertive secularism

Quando o califado do Islã se espalhou no século VIII, houve uma revolta que levou os Abássidas ao poder, fazendo da capital do Iraque o centro da civilização. Estes padronizaram a literatura, a arquitetura e a caligrafia. Estabeleceram escolas, livrarias, hospitais e asilos. O estudo da teologia e das leis foi considerado importante pela tradição sunita da escola de direito Hanafi, que foi fundada em Bagdá.

Por problemas internos, a posição do Califa foi enfraquecida e, no século XIII, os mongóis dominariam Bagdá, destruindo o sistema de irrigação e matando milhares, incluindo o último Califa Abássida, marcando assim o fim de Bagdá como centro da Civilização Islâmica. Esse califado cai pelas mãos dos mongóis que, com a morte de Abu Said, deixaria uma instabilidade tendo uma nova renovação com o Império Otomano.

Com as forças turcas derrotando os bizantinos, estabelece-se o Império Otomano em Anatólia, que se estendeu até a Europa, criando uma administração integrada para ser

social, econômica e politicamente centralizada. O Iraque vive sob o Império Otomano em três províncias: Basra, Bagdá e Mossul, onde estavam concentrados os governos militares pelos pashas mamelucos, que gradualmente operavam com alguma independência do Sultão do Império Otomano:

“Durante grande parte de período que se seguiu, as normas e os métodos da Era Mameluca prevaleceram no governo bem como na administração, assim como a grande parte das famílias mamelucas mantinham a sua riqueza e status, fornecendo muitos dos funcionários- chave da nova ordem. Além disso, a reafirmação do controle Otomano central sobre as principais cidades das tribos semi-autônomas e confederações tribais da zona rural. No entanto, as consequências diretas e indiretas das reformas teve o efeito de criar novos interesses e grupos, alguns com compromisso claro com as próprias reformas, outros então buscavam encontrar um papel onde as medidas referentes á reforma resultaram a corroer um estado até então seguro." (TRIPP, 2006 p.14)

No século XIX, o poder otomano estava em declínio. As forças russas haviam se expandido por seu território e logo seriam iniciadas reformas no modelo europeu, como o estabelecimento de escolas seculares, criação de assembleias, com sistema judicial providenciado através de leis civis. Esses governos locais iriam iniciar a construção de um Estado estruturado.

Por volta de 1908, uma segunda onda de modernização invade Bagdá através da influência de Istambul e traz à cena reformas legais e uma política de “turcanificação” que não foi popular com os iraquianos mais intelectuais. Na Primeira Guerra Mundial, o Iraque seria um campo de batalha, e a Grã-Bretanha veio a ter o controle de Bagdá, trazendo assim ao território maior imposição de leis ocidentais.

Havia uma insatisfação intensa, levando assim à anarquia e confrontos violentos entre as tribos e o governo Britânico e à lei islâmica não permite que governos não muçulmanos governem muçulmanos, sendo isso visto então como um chamando a jihad. Essa revolta resulta na morte de 6.000 iraquianos e 500 soldados britânicos e indianos, mas a ordem é restabelecida.

O governo Britânico estabelece um modelo similar ao da Grã-Bretanha, ou seja, uma monarquia constitucional, com um parlamento, assim como um rei. A escolha britânica seria o Príncipe Faisal ibn Hussein, um membro influente de uma família árabe da região e aliado dos britânicos nas guerras arábicas. Porém, ele não era um iraquiano. Não havia ainda a separação do território e havia a questão da fronteira e dos grupos étnicos.

“As fronteiras territoriais do novo Estado não estavam definidas com precisão, particularmente no que diz respeito à área de fronteira com a Turquia, com maioria curda. Os britânicos tomaram medidas especiais para incorporar os cidadãos curdos. A língua curda foi introduzida como a língua escrita oficial das áreas curdas na província de Mosul, no lugar do turco que tinha sido utilizado em escritórios do governo. Além disso, no dia 20 Agosto de 1920, com o Tratado de Servidores, uma nação curda separada foi planejada, onde os curdos que viviam na área de Mosul poderiam optar por se juntar.” (TRIPP, 2006 p.18) Em 1925, ocorreram às primeiras eleições no Parlamento, no qual foi estabelecida uma legislação em que as tribos iriam conseguir maior domínio com o intuito da criação de um novo estado. Estas leis iriam também dar concessão do petróleo para uma companhia turca, criando certos privilégios para parte da sociedade, persistindo conflitos referentes a isso até hoje.

Por anos houve uma contínua luta pela independência e, em 1932, o território foi admitido pela Liga das Nações como um Estado, mas ainda sob a influência da Monarquia, mas deveria garantir os direitos das minorias, respeitar as fronteiras e garantir também os direitos as religiões.

Com a Segunda Guerra Mundial o Iraque iria sofrer diversas dificuldades financeiras e haveria pressão sobre a Monarquia. Na década de 40, seriam licenciados sindicatos e o Iraque iria entrar sob o controle dos Comunistas. Com isso, haveria revoluções e o clima político iria se tornar agressivo. Uns grupos de soldados armados tiraram o governo da Monarquia e, em 1958, ocorre um golpe militar no Iraque, que trouxe perigo e turbulência para o país. O líder da junta militar, General Qasim (que encabeçou a revolta), ganhou apoio popular sem precedentes na história moderna do país, em parte devido a razão de sua política desassociar o Iraque da Grã-Bretanha. Porém, com este Golpe estabelecido, uma variedade de grupos políticos buscou espaço no novo regime e com isso, o país chegou a uma situação de desordem. Dentro destes grupos estava o Partido Comunista, o mais organizado e que, por sua vez, toma a voz do governo. Com isso, Qasim usa os comunistas para eliminar seus companheiros de governo que eram leais aos movimentos nacionalistas árabes.

Esse nacionalismo renascerá no Partido Baa’th, em suas duas figuras centrais: Ahmad Hassan al-Bakr e Saddam Hussein, os quais tiveram muita dificuldade em se manterem como líderes do partido e, somente através de muita violência - uma série de

julgamentos, torturas e prisões foram o marco em seu regime - conseguiram se manter no poder (MARR 2004, p.139).

Por volta dos anos setenta, o partido se mantém através de um totalitarismo, sendo que Saddam agia com extrema violência com a população e sua agenda foi marcada por uma polícia secreta, uma reorganização militar do Baath, para controle total da sociedade, focando principalmente os grupos religiosos.

O Baa’th se estabelece na liderança do sistema econômico, sob a “rubrica socialista”53, porém estabelece um programa industrial incluindo o desenvolvimento de

armas, o sistema de saúde, educação e benefícios sociais. Através da criação destas medidas, o regime conseguia certa aceitação para manter-se no controle do país e, graças a esse desenvolvimento, o Iraque passava a ser grande influência no Oriente Médio.

Houve várias falhas do governo Baathista, tornando-o enfraquecido, levando a um número baixo de membros – não mais que 5.000, em 1968 – e o fraco suporte militar o levou a ter que enfrentar diversas pressões internas dos curdos, dos xiitas e os desafios de fora, como do Irã. Para manter o poder, o partido percebeu que deveria recorrer aos militares. Desta forma, também se iniciou um processo de julgamentos para eliminação dos perigos reais e potenciais.

Neste chamado “reino de terror”, Marr (2004, p.141) nos coloca que os julgamentos começaram logo que o partido tomou o poder, sendo que também se envolveu em várias acusações como espionagem para os Estados Unidos, Israel e do Xá Pahlevi, bem como as conspirações para a derrubada do governo. O autor ainda afirma que a validade das acusações poderia ser largamente questionada, não demonstrando ter fundamentação. Todavia, com essas acusações, conseguiram atingir seu propósito, que era de instalar maior temor e pânico em sua população.

Com os julgamentos, o Baa’th demonstrou que nenhum atentado os tiraria do poder e o primeiro grupo a ser eliminado foi o partido que compunha anteriormente o poder. Na Hawza estavam os sábios xiitas que sempre defenderam o posicionamento da Escola Islâmica para a nação iraquiana e estes virariam um alvo para o Partido.

No período do golpe militar, Assadr era apenas um jovem, porém ele consegue exercer influência no grupo Jama’at Al-Ulammah – grupo dentro da Hawza – através de

53 O Partido se declarava socialista, porém pouco se assemelhava com outros Partidos socialistas

no Oriente Médio, de fato criava um sistema próprio dentro do Iraque, onde acaba por instalar uma milícia que iria perseguir seus cidadãos que se mostravam em desacordo com aos seus ideais. (MARR, 2004, p. 139)

seu irmão mais velho Sayeed Ismail. O Jama’at tinha por objetivo enfrentar os desafios do comunismo e o grupo consegue agir naquele momento de forma bastante realista, apaziguando o popular Qazim e apoiando em seus manifestos enquanto atacava seus ideais comunistas.

Com isso, Qazim oferece ao grupo acesso à rádio controlada pelo governo e as mensagens do grupo eram escritas por Assadr. Esse período não dura muito, pois Al- Hakim emite um decreto no qual identifica o comunismo com o ateísmo e proíbe os muçulmanos de aderirem ao Partido, o que causa embaraço ao General Qazim.

O Baath, mesmo se afirmando como secular, era dominado pelos grupos sunitas e estes se apresentavam mais propensos à modernização. Já os xiitas, menos receptivos às reformas, iriam buscar modificações procurando levar a população a uma reação a essas mudanças sociais, que não se apresentavam aprovadas pela liderança xiita.

“Enquanto o secularismo afetava tanto sunitas e xiitas, seu impacto sobre os xiitas foi mais perturbador. Primeiramente os conceitos básicos do Islã xiita repudiam a própria idéia de separar a religião do Estado ou da política. De um modo geral, os xiitas também são mais rigorosos do que os sunitas e menos receptivo às idéias modernistas, como aquelas que estão sendo divulgados pelos Ba'th. Praticamente falando, parece que o peso da secularização ou a quebra do poder da religião fora dirigido principalmente contra os xiitas. Assim, no verão de 1976, o Ba'th desencadeou uma campanha de repressão contra os homens xiitas e as instituições que incluíram: o encerramento de instituições islâmicas que incluíram uma faculdade teológica em Najaf; a imposição de uma censura rigorosa em publicações religiosas; a autorização da venda de álcool nos locais sagrados xiitas supostamente, pela primeira vez na história do Iraque; e perseguição de Ulemas xiitas geral. Estas medidas provocaram manifestações xiitas ferozes que foram organizadas por homens xiitas da religião e que o regime reprimiu pela força. Esta crise poderia ter sido desencadeada pela disputa Shatt al-Arab com o Irã, que tinha entrado em erupção em Abril de 1969. Parece, no entanto, que a sua causa fundamental foi a determinação do regime de quebrar o poder dos homens da religião e da influência que a religião [...].(BENGIO, 1985, p.2)

O Baa’th desejava disseminar sua ideologia para os xiitas, porém não conseguiria isso com o sucesso que desejava, sendo dominado pelos sunitas. Assim, os xiitas e curdos estavam fora do poder político e iriam sofrer diversas consequências.

As perseguições, como descrevemos na primeira parte do capítulo, iriam se intensificar cada vez mais, mas é com a ascensão de Saddam Hussein que ocorreria seu ápice. Depois de muitos anos de esforço e trabalho Saddam consegue se estabelecer no Baa’th como um líder e, para consolidar seu poder, ele invade seu vizinho persa, o Irã,

pois tentava se precaver da influência xiita. Como base para essa invasão, usa a disputa histórica pelas terras e água, mas de fato a Revolução Islâmica no Irã era seu grande temor.

A Revolução islâmica no Irã foi crucial ao nosso autor. Havia um temor referente aos xiitas e Saddam decide tomar atitudes mais drásticas depois de janeiro de 1979, pois quando Khomeini ascende ao poder, este serve como uma fonte inspiradora. Estava posta a mensagem de que juntos os xiitas poderiam derrubar o Baath e estabelecer uma República Islâmica como no Irã.

“[...] revelado o 'fenômeno religioso-político " recebeu um grande impulso com a revolução iraniana de 1979; por isso tivemos al-Da'wa. Algumas razões foram apresentadas para o fato de que esta tendência se enraizou entre iraquianos apesar da natureza e os esforços dos Ba'ath: (a) Os religiosos - movimentos políticos explorados 'para encobrir suas atividades políticas destrutivas' ritos religiosos, portanto, era difícil para o Estado para rastreá-las;” (BENGIO, 1985, p. 9).

Com o avanço e a organização dos xiitas, assim que Saddam toma o poder, elimina seus inimigos mais poderosos dentro do grupo. Sendo assim, leva muitos à morte. Os xiitas levariam anos então para conseguir se reorganizar novamente e tomar parte no poder político do Iraque.