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A Capa desta edição 2117 traz a foto de uma equipe de três paramédicos fazendo o resgate de um corpo, em fundo preto. No alto da página, uma grande cartola em caixa alta indica o tema da edição: “A tragédia do AF 447”. O título, em branco, também em caixa alta, logo abaixo da foto dos paramédicos, explica a imagem veiculada: “Os Mortos falam”.
A chamada principal é acompanhada dos seguintes subtítulos: “O que as fraturas, o estado da pele, dos dentes e das roupas das vítimas já revelaram sobre o misterioso acidente do Airbus” (em destaque, na cor amarela). Este subtítulo é seguido de mais três chamadas secundárias: “A incrível história do Boeing que passou pelo mesmo drama mas escapou”; “Pitot: por que uma peça de 20 centímetros pode até derrubar um avião de 230 toneladas”; “A ‘Aerovia do Atlântico’: como funciona o tráfego aéreo entre o Brasil e a Europa”. De uma forma geral, o título e subtítulos desta Capa anunciam que a edição terá como tom principal as investigações sobre as prováveis causas do acidente.
Prosseguindo em nossa descrição, vamos para o conteúdo interno da revista. Diferente das revistas analisadas anteriormente, a Carta ao Leitor, da edição 2117, não faz referência ao acidente. Aborda o cenário da Educação no
País, dentro das escolas, os problemas de indisciplina. Por isso, não merecerá nossa Análise nesta edição.
A matéria especial da revista inicia na página 68 e estende-se por dez páginas, sem interrupção de publicidade. As duas primeiras páginas, editadas de forma espelhada, têm fundo preto e mostram a foto de dois paramédicos, sendo um de costas, trabalhando junto a um corpo coberto, onde lê-se escrito, sob o tecido, as expressões Corpo (seguida de uma numeração ilegível) e Registro (seguida também de uma numeração ilegível). A foto assemelha-se à imagem da Capa, mas evidencia mais o corpo, sendo que na primeira está mais evidenciado o trabalho da equipe de resgate. Sua legenda explica que se trata de um corpo chegando ao aeroporto do Recife.
Inaugura esta matéria especial o título “O que já dizem os corpos”. Este título é acompanhado de um texto de apoio, que faz referência ao resgate das primeiras vítimas no mar e do exame de seus corpos por especialistas. Interessante observarmos que estas primeiras duas páginas não trazem o início da matéria, propriamente dita. Há, apenas, o título, o texto de apoio e uma coluna à direita com quatro características principais do estado dos corpos que estão sendo resgatados, que já dariam indícios de como teria ocorrido o acidente.
As páginas 70 e 71 trazem dois grandes quadros, denominados “A Rota para a Europa” e “Pistas para a Investigação”. Nestes quadros, há alguns intertítulos e textos explicativos: “As aerovias”, que explica como são feitas as viagens entre América do Sul e Europa; “Rumo ao Desastre”, que aborda as mensagens recebidas, por imagem de satélite, alertando para o grande aglomerado de nuvens cúmulos-nimbo, que teriam gerado a tempestade; e “As gravações da caixa-preta”, que detalha o funcionamento dos dois tipos de caixas-pretas existentes em aeronaves deste tipo – Flight Data Recorder (FDR) e Cockpit Voice Recorder (CVR).
Na página 72, Veja continua apostando na informação sob a forma de quadros, com o quadro “Combinação de erros”, que traz causas de acidentes ocorridos anteriormente com a Austral Lineas Aereas, em 1997; com a Helios
Airways, em 2005; e com a Quantas, em 2008. O quadro, que invade parte da página 73, aborda a conjunção de fatores que levaram a cada acidente e termina apontando que esses fatores podem ajudar a esclarecer a queda do A330 da Air France.
Abaixo deste quadro, na página 72, há outro quadro que busca explicar o que pode ter ocorrido na aeronave da companhia francesa, com ênfase para a falha dos tubos de Pitot. Este quadro também invade parte da página 73.
Somente na página 73, começa o texto da reportagem especial, propriamente dita. Inicia mencionando que a dor das famílias tem um contraponto de nobreza, pois as informações obtidas a partir dos corpos resgatados permitirão levar a causas do acidente e evitar futuras tragédias.
Na página 74, esta abordagem continua com novos quadros. O quadro “Quando os mortos falam” faz referência a informações obtidas com as autópsias de vítimas de outros voos acidentados, da TWA, em 1996, da Gol, em 2006, da United Airlines, em 1991, e de um monomotor Cessna, em 2005. Logo abaixo deste quadro, uma tabela menor, horizontal, sob o título “Os segredos revelados” vai além da aviação e aborda como os corpos podem trazer informações importantes sobre as circunstâncias de sua morte, do homem neolítico à Marilyn Monroe.
Ao lado do quadro “Quando os mortos falam”, já na página 75, há outro, sob o título, “O que os destroços podem revelar”, que segue a mesma linha. A reportagem prossegue nesta página, ilustrada por nova foto de resgate de corpos, chegando a Fernando de Noronha em helicóptero da FAB.
Nas páginas 76, 77 e 78, a reportagem subdivide-se em sete intertítulos, sob a forma de perguntas sobre situações prováveis envolvendo o acidente. A página 77 é dedicada integralmente à veiculação de fotos do resgate, sendo duas de destroços sendo retirados do mar e uma de militares resgatando um corpo. A legenda destas fotos é intitulada “Peças de um mistério”. Destacamos, aqui, a foto maior, que mostra o resgate no mar de ponta da asa, com a identificação bem clara das cores da Air France, fazendo alusão negativa à marca da empresa, conforme discutiremos a seguir.
A reportagem especial de Veja, nesta edição 2117, encerra-se com um último quadro intitulado “O mesmo perigo, dois destinos”, que faz comparação do acidente em questão, com acidente ocorrido em maio de 2005, pela companhia Midwest, no qual os pilotos conseguiram recuperar o controle do avião.